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Dicas Exames

Dicas de Exames

Saiba tudo sobre os exames a serem realizados.






Em mulheres grávidas o Streptococus grupo B pode causar infecção clínica, sendo na grande maioria uma colonização assintomática. Estudos revelam que recém-nascidos de mulheres colonizadas durante a gestação apresenta risco 25 vezes maior de ter sepse neonatal por Strep- tococus grupo B. Desta maneira, o teste está indicado para toda gestante no período entre 35 e 37 semanas de gestação como teste de triagem, feito por meio de cultura seletiva de swab vaginal e anal. Esta detecção torna-se importante para realização de antibioticoprofilaxia intraparto, prevenindo uma possível infecção do recém-nato.

Útil para o diagnóstico da deficiência congênita (rara) do fator, na avaliação de deficiências adquiridas associadas a hepatopatias, deficiência de vitamina K, deficiências induzidas por anticorpos.

O n-Hexano é um hidrocarboneto amplamente utilizado em diversos processos industriais como solvente orgânico na preparação de tintas, colas, extração de óleos vegetais, bem como diluente na produção de plásticos e borrachas, entre outras aplicações. Após o processo de biotransformação, o principal produto excretado na urina de indivíduos expostos ocupacionalmente ao n-hexano é a 2,5 hexanodiona. O n-hexano é prontamente absorvido por qualquer via, mas a intoxicação comumente ocorre pela inalação de seus vapores nas exposições ocupacionais ou quando é usado como droga de abuso. Pode produzir neuropatia periférica, e nas intoxicações graves: fraqueza, perda de peso, anorexia e cãibras nas extremidades dos músculos inferiores

A ?2GPI é considerada o principal antígeno reconhecido pelos anticorpos anti-fosfolípides. Evidências experimentais sugerem que anticorpos anti-?2GPI induzem uma série de alterações celulares que resultam em um fenótipo infla- matório/pró-coagulante, com consequente predisposição à trombose.

Devido à melhor reprodutibilidade e especificidade clínica quando comparados aos anticorpos anti-cardiolipina (aCL), anticorpos anti-?2GPI foram incluídos como um dos critérios laboratoriais da síndrome do anticorpo anti-fosfolípide (SAF). Vários estudos têm mostrado associação entre a presença de anticorpos anti-?2GPI e trombose. Também existem evidências correlacionando esses anticorpos com morbidade gestacional (eclâmpsia, pré-eclâmpsia e aborto). A concordância observada entre os diferentes kits que dosam anticorpos anti-?2GPI é melhor que a descrita para aCL.

A despeito de serem mais específicos que os anticorpos anticardio- lipina, a positividade isolada para anticorpos anti-?2GPI deve ser interpretada com cautela. Os kits atualmente disponíveis detectam todos os anticorpos que reagem com ?2GPI, incluindo anticorpos não patogênicos, anticorpos de baixa afinidade e anticorpos fosfolípide independentes. Resultados positivos de anticorpos anti-?2GPI devem ser confirmados com uma nova dosagem com intervalo mínimo de 3 meses.

A presença de tríplice positividade para os anticorpos anti-fosfolípides, incluindo aCL, anticorpos anti-?2GPI e anticoagulante lúpico, confere um fenótipo de alto risco para o desenvolvimento das complicações da SAF.

São utilizados para o diagnóstico da Miastenia Gravis (MG). Existem três tipos de anticorpos anti-receptor de acetilcolina: ligadores, bloquedores e moduladores. Os dois primeiros devem ser utilizados na avaliação dos pacientes com suspeita de MG, pois estão presentes em 99,6% dos pacientes que possuem anticorpos anti-receptor de acetilcolina.

Devem ser solicitados quando há alta probabilidade de miastenia gravis e ausência de anticorpos ligadores e bloqueadores do receptor de acetilcolina.

A acetona é usada principalmente como solvente. Apresenta-se como líquido volátil e de odor característico. A absorção ocorre pelas vias inalatória, oral e cutânea.

Níveis elevados de acetona podem ser encontrados na exposição ocupacional à acetona e ao isopropanol, na cetoacidose diabética e no jejum prolongado. Na exposição ocupacional à acetona, cerca de 70% da concentração inalada é rapidamente absorvida pelo trato respiratório. Apresenta efeitos tóxicos sobre o sistema nervoso central, além de causar broncoespasmo, bradicardia e hipotermia.

Na ingestão, observam-se vômitos e diarreia. Podem ocorrer ainda, ataxia, irritação cutânea, depressão, intensa acidose, icterícia e tosse.

Pode ocorrer elevação da acetona no sangue dos pacientes em uso de propranolol, ácido ascórbico, levodopa, ácido valproico, fenilcetonas, pyridium e n-acetilcisteína, entre outros.

A determinação da concentração urinária de ácido 2-tio-tiazolidina (TTCA) é utilizada para a monitorização biológica da exposição ocupacional a dissulfeto de carbono. A ingestão de vegetais crucíferos ou brássicas, como repolho, brócolis, couve, couve-flor e nabo, pode elevar os níveis urinários de TTCA.

O 5-HIAA é o principal metabólito da serotonina, sendo excretado na urina e utilizado no diagnóstico e monitorização de tumores carcinoides (tumores neuroendócrinos que se originam principalmente nos tratos respiratórios e gastrintestinais). Normalmente, 1% a 3% do triptofano da dieta é metabolizado em serotonina. Entretanto, em pacientes com tumores carcinoides intestinais, essa conversão chega até a 60%.

Alimentos ricos em serotonina devem ser evitados antes e durante a coleta, tais como abacate, ameixa, banana, abacaxi, kiwi, melão, tâmara, beringela, picles, nozes e tomate. Alguns medicamentos também podem interferir no resultado do exame e são método-dependentes: levodopa, imipramina, ácido di-hidrofenilacético, metildopa, anti- depressivo IMAO, morfina, acetaminofeno, ácido acético, salicilatos, formaldeído, isoniazida, fenotiazinas, reserpina, xaropes com gliceril- guaicolato e naproxeno.

As concentrações do 5-HIAA podem estar normais em pacientes com tumores carcinoides não metastáticos ou com síndrome carcinoide parti- cularmente sem a presença de diarreia. Alguns pacientes com síndrome carcinoide excretam ácidos indólicos não hidroxilados que não são medidos pelo teste do 5-HIAA. Pacientes com doença renal podem ter níveis falsamente baixos de 5-HIAA.

O 5-HIAA encontra-se aumentado nos pacientes com má-absorção que possuem níveis aumentados de metabólitos urinários do triptofano (doença celíaca, espru tropical, Doença de Whipple, fibrose cística, etc.), em pacientes com obstrução crônica do trato intestinal e alguns pacientes com tumores de ilhota não carcinoides.

Seus níveis exibem uma correlação ruim com a gravidade da doença. Níveis aumentados são observados, também, na gravidez, ovulação e estresse.

Importante na avaliação da calculose urinária. O citrato inibe a formação de cálculos urinários por formar complexos solúveis com cálcio. Baixas concentrações de citrato urinário são consideradas fator de risco para a formação da calculose.

Alguns distúrbios metabólicos, com reduções do pH intracelular (ex. acidose metabólica, aumento da ingestão de ácidos, hipocalemia ou hipomagnesemia) e lesões tubulares renais, estão associados às baixas concentrações. O consumo excessivo de proteína e dieta rica em sódio também são causas de hipocitratúria..

A hipocitratúria pode ocorrer de forma isolada ou associada à hipercalciúria, hiperuricosúria, hiperoxalúria e distúrbios intestinais. O citrato administrado via oral, leva a um aumento na reabsorção tubular renal de cálcio, promovendo hipocalciúria. A elevação do pH urinário, que acompanha a administração de citrato, aumenta a solubilização do ácido úrico. A suplementação de citrato reduz a taxa de formação de novos cálculos e o crescimento dos cálculos já existentes.

O ácido cítrico é produzido pela próstata e está ligado ao processo de coagulação e liquefação do esperma. Níveis baixos de ácido cítrico correlacionam-se com liquefação parcial ou ausente. Os níveis estão reduzidos em casos de prostatites.

A norma brasileira adota o ácido delta aminolevulínico urinário (ALA-U) como indicador biológico para a vigilância de trabalhadores expostos ao chumbo e recomenda iniciar as avaliações biológicas no mínimo um mês após o início da exposição. A ação nociva do chumbo no organismo é precocemente revelada pelos sinais decorrentes da alteração na síntese do heme, causada pela inibição de algumas enzimas envolvidas neste processo. A ligação do metal à enzima ácido aminolevulínico desidratase (ALA-D) provoca o acúmulo do ácido delta aminolevulínico (ALA) no sangue e na urina. Deste modo, a determinação da concentração do ácido delta aminolevulínico urinário(ALA-U) tem sido proposta para o monitoramento da exposição ocupacional ao chumbo, paralelamente aos níveis do metal no sangue (Pb-S).

A determinação dos ácidos mandélico e fenilglioxílico é realizada para a monitorização biológica de trabalhadores expostos a estireno. Níveis elevados destes metabólitos na urina indicam exposição ocupacional excessiva ao composto.

O estireno possui ação irritante na pele e mucosa e apresenta neurotoxicidade central e periférica, além de ser hepatotóxico e carcinogênico.

A relação Ácido Mandélico/Ácido Fenilglioxílico varia com a concentração ambiental, sendo maior em concentrações mais elevadas de estireno.

O ácido fólico atua na maturação das hemácias e participa do processo de síntese das purinas e pirimidinas, componentes dos ácidos nucleicos. Aproximadamente 20% do ácido fólico absorvido diariamente são provenientes de fontes dietéticas, o restante é sintetizado por microrganismos intestinais.

Seus níveis séricos caem poucos dias após redução de sua ingesta alimentar e podem ser baixos mesmo com estoques teciduais normais. Os níveis de ácido fólico nas hemácias são menos sujeitos a mudanças dietéticas recentes.

A deficiência do ácido fólico é quase sempre consequência de ingestão insuficiente e está presente em cerca de um terço das mulheres grávidas, na maioria dos alcoólatras crônicos, nas pessoas que cumprem dietas pobres em frutas e vegetais e nas pessoas com distúrbios absortivos do intestino delgado. Outras causas de baixas concentrações de folato sérico são doenças hepáticas, anemias hemolíticas, neoplasias e alguns erros inatos do metabolismo. Sua concentração pode estar reduzida com o uso de contraceptivo oral. O folato deteriora-se quando exposto à luz e pode estar falsamente elevado em casos de hemólise. Flutuações significantes ocorrem com a dieta e pode resultar num folato sérico normal em um paciente deficiente. Deficiência grave de ferro pode mascarar a deficiência do folato. A determinação de níveis baixos de ácido fólico nas hemácias indica ou uma deficiência verdadeira de ácido fólico, ou uma deficiência de vitamina B12, que é necessária para a penetração tecidual do folato.

A concentração de ácido fólico nas hemácias é considerada o indicador mais seguro do status do folato, pois ele é muito mais concentrado nas hemácias do que no soro. Podem-se encontrar valores elevados de folato sérico e hemático no hipertireoidismo.

O tolueno é um hidrocarboneto aromático com origem e produção nas indústrias petroquímica e siderúrgica. É um solvente com inúmeras aplicações na indústria, sendo constituinte importante na produção de resinas, tintas, tíner, colas, carvão, solvente para óleos, borracha natural e sintética. O tolueno está presente na gasolina e é lançado no meio ambiente como contaminante. Além disso é, o mais importante constituinte dos vapores de solventes utilizados como “inalantes” por usuários de drogas. No setor químico, o tolueno é matéria-prima para a síntese orgânica de fármacos, vinil tolueno, tolueno diisocianato, trinitrotolueno, antioxidantes, cloreto de benzoato, sacarina, cloramina T, entre outros.

O ácido hipúrico é o principal metabólito urinário do tolueno e é o indicador biológico de dose interna mais utilizado no Brasil. Sua concentra- ção na urina coletada ao final da jornada de trabalho correlaciona-se com a exposição média no dia, quando avaliada em grupos de trabalhadores.

O ácido homogentísico é um intermediário no metabolismo da tirosina. Na alcaptonúria, há acúmulo desse ácido devido a um defeito na enzima homogentisato dioxidase, que é expressa principalmente no fígado e nos rins. Devido ao fato de o ácido homogentísico ser um agente redutor muito forte, ele pode ser detectado na urina utilizando reações de oxirredução que produzem produtos coloridos. São interferentes nesse exame: uso de medicamentos como aspirina, L-dopa e ácido ascórbico, além de altas concentrações de cetona e creatinina na urina.

O ácido homovanílico (HVA) é o principal metabólito terminal da dopamina e encontra-se tipicamente elevado em pacientes com tumores secretores de catecolaminas (neuroblastoma, feocromocitoma e outros tumores da crista neural). Sua excreção pode ser intermitente.

Tem utilidade no rastreamento de tumores secretores de catecolaminas - particularmente em crianças, na monitorização terapêutica do neuroblastoma e no rastreamento de pacientes com possíveis erros inatos do metabolismo das catecolaminas, onde o HVA pode estar aumentado ou reduzido dependendo da deficiência enzimática.

Cerca de 95% dos pacientes com neuroblastoma apresentam níveis elevados de HVA e/ou ácido vanilmandélico (VMA), os quais devem ser solicitados em conjunto. Níveis elevados também são encontrados no feocromocitoma, ganglioneuroblastoma, uso de L-Dopa e deficiência da dopamina beta-hidroxilase, como ocorre na Síndrome de Riley-Day.

Níveis reduzidos de HVA podem sugerir deficiência da monoamino-oxidase A.

Aproximadamente 20% dos pacientes com elevação do HVA não têm neuroblastoma. Concentrações podem sofrer interferências de alguns alimentos, tabaco, álcool etílico e medicamentos (descongestionan- tes nasais, broncodilatadores, metildopa, tetraciclina, cloropromazina, quinidina, aspirina, dissulfiram, reserpina, piridoxina e levodopa).

Intermediário do metabolismo dos carboidratos, sendo o principal metabólito do glicogênio, em anaerobiose.

Valores elevados são encontrados em situações de hipóxia (choque, hipovolemia, insuficiência respiratória), alterações metabólicas (cetoacidose diabética, erros inatos do metabolismo, doença hepática grave, miopatias, infecções, insuficiência renal e hepática, doenças malignas sistêmicas) e exposição a toxinas e drogas como etanol, metanol, etilenoglicol, nitro- prussiato, barbitúricos, biguanidas e salicilatos.

Exercícios extenuantes podem levar a aumentos de sua concentração de 10 a 15 vezes em poucos segundos.

Ocorrem variações de concentração no jejum e no pós-prandial, com elevação após alimentação.

Níveis elevados de ácido lático no líquor são encontrados na meningite bacteriana, ao contrário da meningite viral, onde níveis normais são usualmente encontrados.

O ácido mandélico é um indicador biológico da exposição ocupacional ao estireno e ao etilbenzeno.

O estireno (feniletileno) é um solvente utilizado na produção de polímeros plásticos, borrachas e resinas, sendo neurotóxico e hepatotóxico.

Apresenta metabolismo hepático, tendo como metabólitos principais o ácido mandélico (85%) e fenilglioxílico (10%). A excreção urinária desses metabólitos ocorre em duas etapas: 6 a 7 horas após a exposição e 16 horas após o término da mesma. A relação ácido mandélico/ ácido fenilglioxílico varia com a concentração ambiental do estireno, sendo maior em concentrações mais elevadas deste.

O etilbenzeno é um intermediário químico de alto valor comercial, utilizado extensivamente nas indústrias química, petroquímica e farmacêutica, em diferentes aplicações, tais como solvente na fabricação de tintas e vernizes e como precursor de diversos outros produtos.

O xileno é um hidrocarboneto aromático que produz depressão do Sistema Nervoso Central (SNC) e irrita pele e mucosas. É similar ao tolueno, mas acumula-se preferencialmente no cérebro e tecido adiposo. O xileno está presente no ambiente em geral, principalmente pela emissão de veículos automotores, devido à sua presença na gasolina. O xileno também é utilizado na produção de perfumes, formulações de praguicidas, produtos farmacêuticos e nas indústrias de tinta, de plástico, de borracha e de couro. O ácido metil-hipúrico representa mais de 95% da fração metabolizada do xileno. A determinação do ácido metil-hipúrico urinário é empregada na monitorização biológica de trabalhadores expostos ocupacionalmente ao solvente. Níveis elevados de ácido metil-hipúrico urinário indicam uma exposição ocupacional excessiva ao xileno.

O ácido metilmalônico (MMA) é metabolizado a metilmalonil CoA a partir do catabolismo de determinados aminoácidos e ácidos graxos. A metilmalonil CoA é então convertida a ácido succínico pela enzima metilmalonil CoA mutase tendo a vitamina B12 como cofator. A elevação sérica de MMA pode refletir níveis teciduais reduzidos de vitamina B12, podendo cursar com alterações hematológicas ou neurológicas. Além disso, a acidemia metilmalônica pode ser devida a atividade deficiente da enzima metilmalonil CoA mutase, distúrbio autossômico recessivo que cursa com déficit cognitivo, distúrbios do movimento, osteoporose e insuficiência renal progressiva.

A determinação do ácido oxálico é útil na avaliação da nefrolitíase, da hiperoxalúria primária e da intoxicação sistêmica pelo oxalato e seus sais. Os cálculos de oxalato são comuns no trato urinário e a excreção urinária deste analito é um preditor de nefrolitíase.

A hiperoxalúria é detectável em cerca de 30% dos pacientes com cálculos urinários compostos por oxalato. A dieta e o uso de ácido ascórbico podem alterar os resultados.

Hiperoxalúria pode decorrer de má absorção intestinal, doenças inflamató- rias intestinais, pós-operatórios de bypass intestinal, intoxicação por etileno- glicol e ingestão insuficiente de cálcio. A amostra de urina para dosagem do oxalato não deve ser coletada durante o período de cólica renal..

O oxalato sérico é normalmente derivado do ácido oxálico da dieta e o metabolismo do ácido ascórbico e da glicina. No entanto, ácido oxálico e seus sais estão presentes também em produtos de limpeza e de clareamento. A intoxicação sistêmica é caracterizada por efeitos corrosivos, lesão renal e diminuição dos níveis de cálcio, com choque e convulsões. O oxalato sérico também pode estar aumentado na hiperoxalúria primária, uma alteração genética que resulta em aumento dos níveis sérico e urinário de ácido oxálico.

O ácido trans, trans-mucônico urinário (ATTM) é o biomarcador de exposição adotado pela legislação brasileira para a monitorização da exposição ocupacional ao benzeno. O benzeno, o mais simples dos hidrocarbonetos aromáticos, é obtido da destilação do carvão mineral e do petróleo e apresenta-se como um líquido incolor e lipossolúvel.

O benzeno pode ser absorvido pelas vias cutânea e pulmonar. A biotransformação do benzeno em ácido trans, trans-mucônico atinge seu pico em 5 horas após o início da exposição.

Alguns fatores são capazes de alterar a excreção urinária do ATTM e constituem, portanto, limitações do uso deste metabólito na avaliação da exposição benzênica. São eles: a co- exposição a outros solventes como o tolueno, a dieta (o ATTM é formado na biotransformação do aditivo alimentar sorbital, que pode ser utilizado como umectante em alimentos que necessitam conservar a umidade e edulcorante em bolos, pães, balas, chocolates, sucos, geleias, chicletes e outros confeitos dietéticos), e o tabagismo (o tabaco pode aumentar em até oito vezes a quantidade de ATTM excretado na urina quando comparada à de indivíduos não-fumantes). As principais fontes de exposição ocupacional ao benzeno são siderurgias, indústrias petroquímicas, indústrias químicas, laboratórios de análise química e postos de combustíveis.

Da linha de clorados, o Brasil consome basicamente tricloroetileno, cloreto de metileno e percloroetileno, em aplicações diversas. Em decorrência do uso industrial, tanto o tricloroetileno como o percloroetileno encontram-se amplamente distribuídos nos diferentes compartimentos do meio ambiente, e são detectados em água de chuva, águas superficiais e subterrâneas e alimentos, possíveis fontes de exposição para a população geral. As principais vias de introdução na exposição ocupacional são a pulmonar e a dérmica. Após sua rápida absorção, esses toxicantes são distribuídos particularmente para o fígado, rim, sistema cardiovascular, Sistema Nervoso Central e tecido adiposo. Tricloroetano, tricloroetileno e percloroetileno apresentam o ácido tricloracético (TCA) como produto de biotransformação comum, o qual pode ser utilizado como indicador biológico de dose interna na exposição a estes compostos.

Sangue

O ácido úrico é o produto final do metabolismo das purinas. A hiperuricemia, definida como concentração de ácido úrico acima de 7,0 mg/dL em homens e 6,0 mg/dL em mulheres, é um fator de risco para o desenvolvimento de gota. Pode ser causada ou pelo aumento da síntese ou pela redução da excreção renal de ácido úrico. As causas primárias associadas com hiperprodução podem ser idiopáticas ou vinculadas a erros inatos do metabolismo. As causas secundárias devem-se ao aumento da ingestão de alimentos ricos em purina, situações com elevado turnover de ácidos nucleicos (leucemia, mieloma, quimioterapia), psoríase, etilismo, etc. Redução da excreção de ácido úrico pode ser idiopática ou secundária à insuficiência renal crônica, aumento da reabsorção renal, salicilatos e diuréticos tiazídicos. Somente 10% dos pacientes com hiperuricemia desenvolverão gota.

Hipouricemia, definida como concentração de ácido úrico inferior a 2 mg/dL, pode ser encontrada na dieta pobre em purinas e proteínas, tubulopatias renais, porfiria intermitente aguda, uso de medicamentos (tetraciclina, alopurinol, altas doses de aspirina, corticoide, indometa- cina, metotrexato, metildopa, verapamil), doses maciças de vitamina C, intoxicação por metais pesados, dentre outras.

Urina

Cerca de 75% é eliminado pelos rins e 25% pelo intestino. Usualmente realiza-se avaliação da excreção na urina de 24 horas, mantendo-se a dieta habitual. Esta dosagem é útil em pacientes com cálculos urinários para identificação daqueles com excreção urinária de urato aumentada. Álcool causa diminuição do urato urinário, portanto deve-se restringir sua ingestão na avaliação. Aspirina e outros anti-inflamatórios, vitamina C, diuréticos e varfarina podem interferir no resultado.

Líquido sinovial

Deve ser feito em paralelo com a dosagem no sangue. Valores mais baixos que o do sangue, em coleta concomitante à do líquido sinovial, indicam doença inflamatória não gotosa.

O ácido valproico é um anticonvulsivante que também tem sido utilizado no tratamento do transtorno bipolar e na profilaxia da enxaqueca. Sua dosagem é útil na monitorização dos níveis terapêuticos e toxicidade.

Cerca de 90% da droga se liga à albumina, com pico plasmático em 1 a 8 horas e meia vida de 6 a 16 horas. Estado de equilíbrio ocorre após 3 dias de uso do medicamento. Alguns pacientes necessitam de níveis séricos superiores aos valores de referência para o controle das convulsões.

A principal causa de níveis baixos é a não aderência ao tratamento. Seu metabolismo é hepático (95%), sendo que drogas que induzem o citocromo P-450, como carbamazepina, fenitoína, fenobarbital e primidona, reduzem seus níveis .O ácido valproico aumenta os níveis de lamotrigina e fenobarbital. Valores acima de 200 mcg/mL são considera- dos tóxicos. Pacientes com hipoalbuminemia podem apresentar sinais de toxicidade mesmo com níveis normais.

O ácido vanilmandélico (VMA) é o principal metabólito da epinefrina e norepinefrina.

Encontra-se elevado em situações com elevada produção de catecolaminas como no feocromocitoma, ganglioneuroblastoma, neuroblastoma e ganglioneuroma, sendo útil para rastreamento e monitorização. O VMA urinário está aumentado em 90% ou mais dos pacientes com neuro- blastoma, mas concentrações normais não excluem seu diagnóstico..

Apresenta sensibilidade e especificidade inferior à dosagem de metane- frinas ou catecolaminas na investigação do feocromocitoma. A exatidão diagnóstica é melhor quando duas ou três determinações são realizadas..

Vários medicamentos e alimentos podem interferir na sua determinação. Os inibidores da monoamino oxidase diminuem a excreção de VMA. São, também, causas de falso-negativo o uso de clofibrato, metildopa, dissulfiram. Resultados falso-positivos podem decorrer da ingestão de clorpromazina, levodopa, broncodilatadores, ácido nalidíxico. Aspirina, piridoxina, amoxacilina, carbidopa, reserpina, propranolol são exemplos de outros medicamentos que podem interferir na dosagem do VMA..

A análise de amostra de urina de 24 horas é o exame preferencial, devido à variação circadina, com pico pela manhã e nadir à noite. A creatinina deve ser determinada para assegurar a adequada coleta..

A quantificação de ácidos biliares no sangue é utilizada para a avaliação da função hepática, antes do aparecimento dos sinais clínicos de doença avançada como icterícia. É um indicador da melhora histológica hepática em pacientes com hepatite crônica C, que estão respondendo ao tratamento com interferon. Marcador de colestase intra-hepática na gravidez.

Valores alterados ácidos graxos de cadeia muito longa (VLCFA) podem ser vistos nos distúrbios da biogênese e nos distúrbios de beta-oxidação peroxissomais. Manifestações neurológicas, esqueléticas, hepáticas, intestinais e oculares podem fazer parte do quadro clínico. Além disso, aumento nos VLCFA são também observados na adrenoleucodistrofia ligada ao X, que se manifesta com distúrbio do comportamento, regressão intelectual, insuficiência adrenal e leucodistrofia em crianças do sexo masculino.

Os ácidos graxos elevam-se após uma refeição rica em gordura. A fração não esterificada é denominada livre. Encontra-se elevado na obesidade.

Níveis anormalmente elevados são associados ao diabetes descompensado e com condições que envolvem liberação excessiva de hormônios lipoativos tais como epinefrina, norepinefrina, glucagon, tirotropina e adrenocorticotropina.

Para sua avaliação é necessário um jejum de 12 a 14 horas. Entretanto, no jejum muito prolongado, os ácidos graxos livres podem elevar-se em até 3 vezes. Para coleta, deve-se abster do álcool por pelo menos 24 horas.

Raramente realizada, a análise de ácidos orgânicos no sangue pode ser uma alternativa nos casos em que não se pode obter amostra de urina para o teste.

A dosagem de ácidos orgânicos na urina, realizada por cromatografia de gases / espectrometria de massa, pode ser empregada em certos casos de triagem metabólica seletiva; em crise metabólica sem explicação evidente; na suspeita de acidúria orgânica, aminoacidopatia, distúrbio de oxidação de ácidos graxos ou distúrbio do metabolismo energético; na vigência de hepatopatia, doença neuromuscular, encefalopatia epiléptica, distúrbio cognitivo moderado a grave e distúrbio multissistêmico progressivo ou flutuante.

A acondroplasia é a forma mais comum de baixa estatura desproporcional hereditária. O gene FGFR3 é o único gene conhecido que está relacionado a acondropalsia, sendo a mutação G1138A a mais frequente. A prevalência na população em geral varia de 1:15.000 a 1:40.000 nascidos vivos. O gene do receptor 3 do fator de crescimento de fibroblasto (FGFR3) está localizado no braço curto do cromossomo 4 e possui penetrância de 100%. Um resultado negativo não exclui a possibilidade de existência de outras mutações.

O ACTH (hormônio adrenocorticotrófico ou corticotropina), o principal estimulador da produção de cortisol adrenal, é sintetizado pela hipófise em resposta ao CRH (hormônio liberador da corticotropina) liberado pelo hipotálamo. Os níveis de cortisol e ACTH plasmático exibem picos (6 a 8 horas da manhã) e vales (21 a 23 horas). Gravidez, ciclo menstrual e estresse aumentam a secreção de ACTH.

Sua dosagem tem importância na avaliação de desordens do eixo hipotálamo-hipófise-adrenal. Encontra-se elevado na Doença de Cushing (origem hipofisária), Doença de Addison, hiperplasia adrenal congênita, Síndrome de Secreção Ectópica do ACTH e Síndrome de Nelson. Para distinguir algumas destas causas de elevação do ACTH, testes funcionais podem ser úteis..

O ACTH basal pode estar diminuído nos casos de adenoma e carcinoma adrenais, além de insuficiência adrenal secundária e panhipopituitarismo. Uma única determinação pode estar dentro dos limites da normalidade em pacientes com produção excessiva (Doença de Cushing) ou deficiência limítrofe. Raramente, em casos de síndrome ectópica do ACTH, o mesmo pode ser biologicamente ativo, mas não detectado pelo ensaio. Pacientes em uso de glicocorticoide exógeno podem ter níveis suprimidos de ACTH com cortisol aparentemente elevado, devido à reação cruzada com o imunoensaio do cortisol..

O ACTH é instável no sangue e o tratamento adequado da amostra é importante para sua correta quantificação..

Útil no diagnóstico de Hepatite Autoimune (positivo em 80% das hepatites autoimune tipo I). Anticorpo anti-actina é um subgrupo dos anticorpos an- ti-músculo liso, dirigido contra a F-actina, uma proteína vital e abundante do citoesqueleto celular. Anticorpo antimúsculo liso, com especificidade anti-F-actina é considerado marcador de Hepatite Autoimune.

ADA é uma enzima que catalisa a conversão da adenosina à inosina, participando do processo de diferenciação e proliferação de linfócitos. Níveis elevados de ADA são indicadores indiretos de tuberculose meníngea, pericárdica e peritoneal. No líquido pleural, tem sensibilidade de 99% para diagnóstico de tuberculose. No líquor, tem sensibilidade de 90% e especificidade de 94%. No líquido pericárdico, tem sensibilidade de 99% e especificidade de 83%. No líquido ascítico, tem sensibilidade de 95% e especificidade de 96%. A dosagem da ADA no soro não tem valor diagnóstico. Resultados falso-negativos podem ocorrer em pacientes com AIDS. Níveis elevados também podem ser encontrados em infecções bacterianas, criptocóccicas e neoplasias. Esta dosagem não substitui a biópsia no diagnóstico de tuberculose.

A adiponectina é um hormônio peptídico, produzido pelos adipócitos, que parece atuar como um potencializador da insulina no tecido adiposo, com importância no controle da glicemia. Evidências mostram que expressão reduzida de adiponectina tem sido associada à resistência à insulina. Seus níveis séricos são inversamente proporcionais ao Índice de Massa Corporal (IMC), estando diminuídos em obesos e aumentados com a perda de peso.

A insuficiência adrenal primária crônica (Doença de Addison) é causada, principalmente, por uma destruição autoimune do córtex da adrenal e é caracterizada pela presença de autoanticorpos no soro. Ocorre esporadi- camente ou em associação com outras doenças endócrinas autoimunes que, juntas, compreendem a Síndrome Poliglandular Autoimune tipo I ou tipo II.

A 21-hidroxilase é o principal autoantígeno reconhecido pela imunofluo- rescência e tem sido considerado o mais importante associado à doença autoimune da glândula suprarrenal.

A determinação sérica da enzima aldolase pode ser útil na avaliação diagnóstica das doenças musculares primárias. Níveis elevados são encontrados nas atrofias neuromusculares e miopatias inflamatórias idiopáticas. Eventualmente pode ser a única enzima muscular a se elevar na polimiosite/dermatomiosite. As doenças hepáticas, a pancreatite, o infarto do miocárdio e as neoplasias também podem cursar com aumento dos níveis séricos de aldolase.

A aldosterona é o principal mineralocorticoide e é produzida pelo córtex da glândula adrenal. Estimula o transporte de sódio através da membrana celular, particularmente no túbulo renal distal onde o sódio é trocado por hidrogênio e potássio. Secundariamente, a aldosterona é importante na manutenção da pressão e volume sanguíneos. A sua produção é regulada primariamente pelo sistema renina-angiotensina. Do mesmo modo, concentrações elevadas de potássio no plasma também estimulam sua síntese. Sob condições fisiológicas, o ACTH não é um fator importante na regulação de sua secreção.

Sua dosagem, particularmente associada à dosagem simultânea de atividade plasmática de renina (APR), é utilizada na investigação do hiperaldosteronismo primário (adenoma ou carcinoma adrenal, hiperplasia adrenal cortical) e secundário (doença renovascular, depleção de sal, sobrecarga de potássio, insuficiência cardíaca, cirrose com ascite, gravidez, síndrome de Bartter). A razão aldosterona (ng/dL)/APR (ng/mL/hora) elevada é um teste de rastreamento positivo que indica testes adicionais diagnósticos.

Elevações da aldosterona ocorrem no hiperaldosteronismo primário e secundário, dieta pobre em sódio, gravidez e Síndrome de Bartter.

Reduções são observadas em alguns casos de hiperplasia adrenal congênita, deficiência de síntese, dieta rica em sódio, Doença de Addison, Síndrome de Turner, diabetes mellitus e no hipoaldosteronismo hiporreninêmico.

O sistema renina-angiotensina responde rapidamente a vários estímulos fisiológicos, tornando uma medida randômica de aldosterona, isolada, de pouco valor diagnóstico. Alguns medicamentos interferem na relação aldosterona/APR e devem ser suspensos a critério médico.

O 3-alfa-androstanediol glicuronídeo é um metabólito da di-hidrotestoste- rona produzida nos tecidos responsivos aos androgênios. É um marcador da formação e ação androgênica periférica por refletir a atividade periférica da enzima 5-alfa redutase. Encontra-se aumentado nas mulheres com hirsutismo idiopático e nas portadoras de Síndrome dos Ovários Policísticos. Encontra-se reduzido no sexo masculino na deficiência da 5-alfa-redutase.

A mais importante aplicação desse ensaio é nos estados de hirsutismo. É também considerado um marcador para o tratamento desses estados e da hiperplasia adrenal congênita.

A deficiência de alfa-1 antitripsina é uma doença genética com espectro de manifestações que engloba o enfisema pulmonar de início precoce em adultos e doença hepática em crianças e adultos. É causada por mutações no gene SERPINA1, localizado no cromossomo 14 e que codifica a alfa-1 antitripsina que faz parte da superfamília dos inibidores de protease. Existem várias mutações conhecidas para deficiência de alfa 1 antitripsina, sendo a mutação mais comum denominada variante Z e a segunda mais comum variante S. A deficiência de alfa-1 antitripsina pode variar de intermediária a grave e está relacionada com diferentes genótipos. Mutações em outros genes ou outras mutações que causem deficiência de alfa-1 antitripsina não podem ser excluídas por esse exame.

A alfa -1 antitripsina (AAT) é uma proteína sintetizada no fígado, da classe das serpinas, cuja principal função é a inibição da enzima proteolítica elastase. A AAT é codificada pelo gene PI, MIM +107400. Mais de 100 variantes alélicas desse gene já foram descritas, das quais a mais comumente associada com deficiência grave de AAT é o alelo Z. A deficiência de AAT é uma condição genética relativamente comum, afetando 1 em cada 2000 a 5000 indivíduos, e que predispõe a enfisema pulmonar de início precoce e doença hepática crônica. Indivíduos com níveis séricos de AAT abaixo de 57 mg/dL são considerados portadores de deficiência grave de AAT, com alto risco de desenvolver enfisema pulmonar. O diagnóstico laboratorial da deficiência grave de AAT é feito pela demonstração de nível sérico diminuído de AAT (abaixo de 50 a 80 mg/dL), associado a alterações genotípicas e fenotípicas características.

A deficiência secundária de AAT pode ocorrer nas doenças hepáticas e no contexto das doenças que evoluem com hipoproteinemia, como enteropatia perdedora de proteínas e síndrome nefrótica. Níveis elevados de AAT podem ser encontrados na resposta de fase aguda, na gravidez e na terapia com estrógenos ou corticoides.

Por ser uma proteína resistente à degradação pelas enzimas digestivas, a alfa-1-antitripsina é utilizada como marcador da presença de proteínas séricas no trato gastrointestinal. Desta forma, é um teste útil para o diagnóstico da enteropatia perdedora de proteínas.

A alfa1-glicoproteína ácida (AGP) é uma proteína de fase aguda sintetizada no fígado, sendo o principal constituinte da fração mucopro- teínas do plasma. Aumentos de três a quatro vezes nos níveis séricos da AAGP podem ser observados em processos inflamatórios, infecciosos e neoplásicos, com normalização após a resolução ou remissão da doença subjacente. A AAGP é considerada por alguns autores como o melhor marcador de atividade da retocolite ulcerativa e febre reumática. Níveis diminuídos ocorrem na síndrome nefrótica, gravidez, terapia com estrógenos e enteropatia perdedora de proteínas. A dosagem de AAGP substitui com vantagens a dosagem de mucoproteína por ser mais específica e apresentar maior reprodutibilidade.

Útil para avaliação de pacientes com síndrome nefrótica e pancreatite. Níveis elevados de alfa-2-macroglobulina são observados na síndrome nefrótica, cirrose hepática e diabetes. Na pancreatite aguda, níveis diminuídos estão relacionados com pior prognóstico.

Importante glicoproteína do plasma fetal, encontrada na região alfa-1 na eletroforese. Produzida em grandes quantidades durante a fase embrionária, tem sua síntese reduzida rapidamente após o nascimento. Níveis muito baixos são normalmente encontrados em adultos (não grávidas).

Está aumentada no carcinoma hepatocelular, tumores testiculares, carcinoma embrionário, teratocarcinoma e coriocarcinoma.

Sua dosagem pode ser utilizada para acompanhamento pós-cirúrgico e avaliação da resposta à quimioterapia, para detecção de recidivas e no diagnóstico diferencial de lesões primárias e secundárias do fígado.

É recomendada sua realização a cada 6 a 12 meses, juntamente com ultrassom de fígado, nos portadores de cirrose por hepatite B ou C, devido ao alto risco destes pacientes desenvolverem hepatocarcinoma.

Alfa-fetoproteína elevada no soro materno, colhido entre 16 e 18 semanas, leva ao diagnóstico de defeitos do tubo neural (ex: espinha bífida e anencefalia) em um grande número de acometidos, mas não em todos os casos. Algumas anormalidades cromossômicas, como a trissomia do 21 (Síndrome de Down) e do 18 (Síndrome de Edwards) a sua concentração no soro materno.

A alfa-fetoproteína não é tão sensível para a detecção de espinha bífida no terceiro trimestre. Pode ser coletada da 15ª a 21ª semanas de gestação. O teste triplo para avaliação do risco de Síndrome de Down é composto da alfa-fetoproteína no soro materno, hCG e estriol.

A alfa-fetoproteína no líquido amniótico é realizada após o rastreio materno positivo, também pode ser feita quando a história materna ou familiar é positiva para defeito no tubo neural. A predição do defeito do tubo neural pode ser aferida mais precisamente com a dosagem da alfa- -fetoproteína no líquido amniótico do que no soro.

O alumínio é um elemento não essencial, utilizado como antiácido estomacal e agente quelante de fosfato para pacientes em diálise. As vias de absorção são: inalatória, oral, dérmica e parenteral (principalmente em pacientes com doença renal crônica em hemodiálise, devido à presença de alumínio nas soluções).

Os rins são a principal via de eliminação de alumínio derivado da ingestão. Os principais efeitos tóxicos afetam o Sistema Nervoso Central e o metabolismo ósseo. O Ministério da Saúde define que o alumínio deve ser monitorado pelo menos uma vez ao ano nos serviços de hemodiálise.

Os valores de referência para pacientes em hemodiálise e para trabalhadores expostos não devem ser comparados, porque os compostos de alumínio não são os mesmos.

Cuidados na fase pré-analítica são fundamentais para evitar contamina- ção da amostra devido a partículas de poeira no ar e traços de alumínio provenientes da pele do paciente ou do tipo de recipiente utilizado.

Recipientes de vidro são contraindicados devido à presença de óxido de alumínio.

Consistem na dosagem, no líquor, das proteínas beta amiloide 1-42 (AB 1-42), tau total e tau fosforilada. Úteis para o diagnóstico precoce da Doença de Alzheimer (DA), diagnóstico diferencial entre DA e doença de Creutzfekd-Jakob e diagnóstico diferencial entre DA e demência frontotemporal, DA e demência por corpúsculos de Lewy e DA e demência vascular. O aumento da proteína tau total e tau fosforilada associado à diminuição de AB 1-42 é sugestivo de DA. A sensibilidade e especificidade da combinação entre níveis diminuídos de AB 1-42 e níveis elevados de tau total é de 86,5% e 83,7%, respectivamente, quando se compara pacientes com DA e pacientes com outras causas de demência. A presença desse padrão de alteração dos biomarcado- res em pacientes com deficiência cognitiva leve é considerado um fator de risco para progressão para DA.

Sangue

Enzima excretada pelo pâncreas, sensível no diagnóstico de pancreatite aguda. Eleva-se após algumas horas do início da dor abdominal e persiste por 3 a 4 dias. Valores três a cinco vezes acima do nível normal são considerados significativos.

Em alguns casos, deve ser determinada simultaneamente à lipase, que possui meia-vida mais prolongada, maior sensibilidade e especi- ficidade que a amilase plasmática.

A gravidade da pancreatite é independente dos níveis de amilase e lipase à admissão.

Causas de elevação das enzimas pancreáticas incluem: pancreatite crônica; pseudocisto e abscesso pancreático; neoplasias intra e peripancreáticas; trauma abdominal; obstrução ou semi-obstrução do ducto pancreático por cálculo, parasitas e tumores; e edema da papila duodenal. Obstruções temporárias podem causar elevações transitórias da amilase.

Níveis elevados também são encontrados em tumores periampulares, caxumba, úlcera péptica perfurada, obstrução e infarto intestinal, colecistopatias sem pancreatite, cirrose hepática, aneurisma de aorta, apendicite, queimaduras e choque, cetoacidose diabética, carcinoma de esôfago, pulmão e ovário. Elevações moderadas são observados em gestações normais e elevações significativas na presença de abscessos tubo-ovarianos, gravidez ectópica, e uso de inúmeras drogas como colinérgicos, meperidina, morfina, cimetidina, glicocorticoides, hidroclorotiazida, isoniazida, ácido valproico e outras.

Hipertrigliceridemia pode causar resultados falsamente baixos.

Macroamilase é um complexo formado pela amilase e uma proteína de alto peso molecular. A macroamilasemia é caracterizada por pequeno aumento persistente da amilase plasmática, com amilase urinária normal, sem significado clínico.

O fracionamento das isoenzimas permite distinguir a porção pancreática da salivar.

Urina

Utilizada juntamente com a dosagem sérica no diagnóstico de pancreatite.

Na macroamilasemia, encontramos amilase ligada a uma proteína de alto peso molecular determinando níveis séricos aumentados e níveis urinários normais, sem significado patológico.

Clearance de amilase

É utilizado no diagnóstico da macroamilasemia, na qual encontramos clearance de amilase baixo.

Líquidos ascítico e pleural

Níveis elevados de amilase nos líquidos pleural e ascítico estão associados a pancreatite, ruptura de esôfago e adenocarcinomas de pulmão e ovário.

Níveis no líquido ascítico três vezes maiores que no soro são indicativos de pancreatite. Em 10% dos casos de pancreatite, os níveis de amilase no soro e líquido ascítico são normais.

A amiloide A é uma proteína de fase aguda, com cinética similar, porém mais sensível que a proteína C-reativa. Níveis elevados de amiloide A são úteis para diferenciar entre infecções bacterianas e virais, e são um indicador precoce de rejeição de transplante.

A cromatografia quantitativa de aminoácidos é um exame útil na investigação dos erros inatos do metabolismo (EIM), mais espe- cificamente os EIM intermediário (as aminoacidopatias e alguns defeitos do ciclo da ureia) que geralmente cursam com intoxicação aguda e recorrente ou crônica e progressiva. Dentre as indicações desse exame incluem atraso no desenvolvimento neuropsicomotor progressivo, distúrbio de comportamento, retardo no crescimento, hipotonia, microcefalia, vômitos recorrentes, acidose metabólica, hiperamonemia, hepatomegalia, icterícia, odor anormal, torpor e coma, além de monitorização do tratamento de EIM. Na interpreta- ção dos resultados da cromoatografia quantitativa de aminoácidos, devem ser consideradas variações neonatais transitórias (hiperti- rosinemia, cistinúria, lisinúria transitórias), erro alimentar (dietas hiperproteicas, por exemplo), variações circadianas de até 30% (podem ser encontradas concentrações séricas mais elevadas a tarde e mais baixas pela manhã), além de interferentes no ensaio como ácido ascórbico, aspartame, aspirina, sulfametoxazol/trimetoprima, anticonceptivos orais, glicose, indometacina, insulina, progestero- na, testosterona, valproato, gravidez, infecções agudas e diabetes descompensado.

A análise quantitativa de aminoácidos, realizada por cromatografia líquida de alta performance, é empregada para confirmação de alterações detectadas na triagem neonatal; na suspeita de aminoacidopatia ou distúrbio do metabolismo energético; na vigência de hiperamonemia, doença renal ou encefalopatia epiléptica ou ainda no controle de dieta com restrição proteica. Os valores de cada aminoácido dependem do estado metabólico e a coleta deve ser realizada, caso a condição clínica do paciente permita, de 4 a 6 horas após a última refeição.

A dosagem de aminoácidos na urina é usada para triagem de doenças metabólicas incluindo as determinadas por herança genética. Estas doenças estão, muitas vezes, associadas com problemas mentais e alterações degenerativas do sistema nervoso.

Amiodarona é um agente antiarrítmico de eliminação prolongada, convertido a N-desetil-amiodarona, seu principal metabólito ativo. A dosagem de amiodarona é útil na monitorização terapêutica, na investigação de possível toxicidade e na avaliação de aderência ao tratamento.

A amônia (NH3) circulante origina-se da ação de enzimas bacterianas nos aminoácidos presentes no conteúdo do intestino delgado e grosso. Metabolismo da NH3 ocorre no ciclo da ureia.

Excluindo as variáveis pré-analíticas, as principais causas de hiperamo- nemia são os erros inatos do metabolismo e a insuficiência hepática. Aumentos de amônia plasmática também são encontrados na Síndrome de Reye, tabagismo, terapia de hiperalimentação, nutrição parenteral total, infecção urinária, neonatos normais (transitória), uso de valproato de sódio, sangramento gastrintestinal, choque, hipovolemia, miopatias mitocondriais, asfixia perinatal, insuficiência cardíaca congestiva e infecção por bactéria urease-positiva.

Usada na avaliação de neonatos com náuseas, vômitos e quadro neurológico sem causa definida.

Redução dos níveis de amônia plasmática é encontrada na hiperornitinemia.

Extremo rigor é necessário na coleta para que não ocorram elevações espúrias. O resultado da amônia deve ser interpretado tendo em vista a possibilidade de alterações decorrentes de variáveis pré-analíticas (coleta, transporte, tabagismo, hemólise).

Fumantes: o paciente deve abster-se do fumo 12 horas antes da coleta.

O AMP cíclico é um segundo mensageiro intracelular que atua como um efetor na ação de alguns hormônios peptídicos, incluindo o PTH. No hiperparatireoidismo primário observa-se elevação do AMP cíclico, mas seu uso tem sido substituído pelos ensaios atuais de PTH, que são mais específicos. O aumento do AMP cíclico urinário é observado também em portadores de tumores com hipercalcemia da malignidade. A dosagem do AMP cíclico é útil na avaliação do pseudo-hipoparatireoidismo, um grupo de desordens caracterizadas por níveis elevados ou normais de PTH, resistência à ação do PTH e hipocalcemia.

O Anátomo-Patológico consiste na avaliação macro e microscópica de tecidos e células de um paciente. É um procedimento realizado por médicos especializados em Patologia Cirúrgica Geral e necessário no diagnóstico de doenças ou para estabelecer o estadiamento de tumores.

Com o material coletado na biópsia é possível identificar os aspectos anátomo- patológicos do tumor e informações que determinam o perfil da doença, seu tipo histológico, grau de malignidade e prognóstico.

Os anticorpos anti-citoplasma de neutrófilo (ANCA) reagem com antígenos presentes nos grânulos do citoplasma dos neutrófilos e monócitos, e são utilizados no auxílio diagnóstico dos pacientes com suspeita de vasculites necrotizantes sistêmicas de pequenos vasos e suas formas limitadas.

Estes anticorpos são detectados em duas etapas: uma etapa de triagem pela técnica de imunofluorescência indireta utilizando como substrato neutrófilos de doadores saudáveis, e uma etapa confirmatória pela técnica de ELISA para definição da especificidade do autoanticorpo (PR3 ou MPO-ANCA), que são os antígenos de importância nas vasculites sistêmicas de pequenos vasos.

Basicamente, podem ser identificados dois padrões de fluorescência de ANCA:

C-ANCA: caracterizado pela presença de fluorescência citoplasmática granular difusa com acentuação central característica dos neutrófilos fixados pelo etanol. O antígeno em 90% dos casos é aproteinase 3 (PR3) e em 10% dos casos é a mieloperoxidase (MPO). Este padrão está fortemente associado à granulomatose com poliangeíte (GPA, ante- riormente denominada Granulomatose de Wegener), podendo ocorrer também na poliangeíte microscópica e granulomatose eosinofílica com poliangeíte (síndrome de Churg- Strauss). Os níveis de ANCA são úteis na monitorização da atividade da doença, sendo positivo em mais de 90% dos indivíduos com GPA ativa e em apenas 30% dos pacientes com doença inativa. Apresenta especificidade de 80% a 100%. Há também um padrão denominado C-ANCA atípico, caracterizado por fluorescência citoplasmática homogênea difusa sem acentuação central, associado a infecções crônicas, doença intestinal inflamatória e outras doenças autoimunes, cujo antígeno é a BPIP-ANCA: apresenta-se como fluores- cência citoplasmática perinuclear, com ou sem extensão nuclear. Este padrão é um artefato produzido pela fixação dos neutrófilos pelo etanol, que resulta na migração da mieloperoxidase e outras enzimas dos grânulos citoplasmáticas para a periferia do núcleo da célula. O autoan- ticorpo é dirigido contra a mieloperoxidase (MPO) e raramente contra a proteinase 3. Amostras com anticorpos anti-MPO, quando avaliadas em lâminas com neutrófilos fixados em formalina, produzem fluores- cência citoplasmática semelhante ao C-ANCA, pois a formalina previne a redistribuição do antígeno para o espaço perinuclear. Está relacionado com poliangiíte microscópica, glomerulonefrite necrotizante crescente (pauci-imune) e síndrome de Churg-Strauss. Anticorpos contra outras enzimas citoplasmáticas (elastase, catepsina G, lactoferrina, etc) também podem produzir um padrão similar, sendo encontrados em mais de 80% dos pacientes com retocolite ulcerativa, em 70% dos casos de colangite esclerosante, em 10% a 40% dos pacientes com doença de Crohn, na endocardite bacteriana e fibrose cística. Algumas drogas, como propiltiu- racil, podem produzir um padrão semelhante ao P-ANCA, ou resultar num padrão denominado ANCA atípico, que é o resultado da combinação de fluorescência perinuclear e citoplasmática. A fluorescência nuclear ou perinuclear dos neutrófilos pode ocorrer na presença de anticorpos contra DNA, histona e outros constituintes nucleares. Este achado pode ser indistinguível do padrão P-ANCA. Para diferenciar os dois padrões é necessária a realização da pesquisa de FAN/HEp-2, de PR3-ANCA e MPO-ANCA por ELISA.

A androstenediona é um hormônio esteroide androgênico produzido predominantemente pela glândula adrenal e sua produção é parcial- mente controlada pelo ACTH. É também produzida, independente do ACTH, pelos testículos e ovários. É um corticosteroide intermediário no metabolismo dos andrógenos e estrógenos, produzido a partir da 17-hi- droxiprogesterona e dehidroepiandrosterona. É o esteroide produzido em maior quantidade pelas células intersticiais do ovário e, nas mulheres, é a principal fonte precursora da testosterona. Sua produção durante a vida mimetiza a de outros precursores androgênicos.

Suas concentrações aumentam durante o desenvolvimento embrionário com pico, próximo ao nascimento, em níveis de adultos jovens. Durante o primeiro ano de vida suas concentrações caem rapidamente para valores baixos prepuberais. Com o início da adrenarca, a androstenediona aumenta gradualmente, processo que acelera com o início da puberdade, alcançando níveis de adultos por volta dos 18 anos de idade.

Sua dosagem é utilizada no diagnóstico, diagnóstico diferencial e monito- rização terapêutica de hiperandrogenismo (em conjunto com dosagens de outros esteroides sexuais). Encontra-se aumentada nos casos de Síndrome de Cushing, Hiperplasia Adrenal Congênita, Síndrome dos Ovários Policísti- cos, Hirsutismo Idiopático, tumores ovarianos ou adrenais.

Sua concentração pode estar reduzida na Doença de Addison.

O termo anfetaminas engloba várias drogas, sendo a anfetamina e a metanfetamina (derivado n-metil da anfetamina) estimulantes do Sistema Nervoso Central. A metanfetamina é excretada inalterada na urina (44%) com uma pequena fração de anfetamina (6%). O imunoensaio utilizado no teste de triagem detecta anfetamina e metanfetamina na urina, fornecendo resultados qualitativos. Os resultados dos testes de triagem se tornam positivos dentro de 3 horas após o uso de anfetamina ou metan- fetamina, e a positividade persiste por 24 a 48 horas. Descongestionantes nasais contendo efedrina, fenilpropanolamina, e outras drogas lícitas (fenfluramina, clorpromazina, metoxifenamina, quinacrina, ranitidina, isometeptina e procaína) também podem produzir resultados positivos nos testes de triagem de anfetaminas. Teste positivo também ocorre com o consumo de MDMA (Ecstasy). Os métodos cromatográficos usados como testes confirmatórios (HPLC, GC/MS) podem separar especificamente os metabólitos, sendo a GC/MS o método confirmatório mais fidedigno.

Exame útil para monitorar e avaliar a concentração de heparina de baixo peso molecular em pacientes em uso deste medicamento.

O método especifica a suscetibilidade antimicrobiana e determinação da concentração inibitória mínima com ampla variedade de antibióticos. Identifica bactérias gram-negativas fermentadoras e não fermentadores cocos gram-positivos, anaeróbios, leveduras e organismos fastidiosos como Haemophilus spp e Neisseria spp. Detecta cepas produtoras de beta-lactamases e de beta-lactamases de espectro ampliado (ESBL). Determina se há sinergismo entre penicilinas e aminoglicosídeos nas infecções graves pelo Enteroccus spp.

Os Anticoagulantes Lúpicos (AL) são uma classe heterogênea de imu- noglobulinas que, quando persistentes, estão associados com o risco aumentado de eventos trombóticos arteriais e venosos, perdas fetais recorrentes e trombocitopenia. O diagnóstico laboratorial dos anticoa- gulantes lúpicos está baseado no prolongamento de testes fosfolípideo- -dependentes que não foram corrigidos com o teste de mistura paciente X pool plasma normal. Os testes laboratorias empregados incluem triagem e confirmatório através de duas metodologias distintas ( dRVVT e sílica), além do teste de mistura.

O TRAb é um grupo heterogêneo de imunoglobulinas IgG que se ligam à membrana da célula tireoidiana no receptor de TSH ou próximo a este. Seus efeitos na função tireoidiana são variáveis. Alguns podem estimular o receptor de TSH, enquanto outros não têm efeito ou diminuem a secreção tireoidiana por bloquear a ação do TSH.

Existe ensaio laboratorial para detecção específica do anticorpo estimulador do receptor da tireoide (TSI), porém os ensaios habitualmente disponíveis são do tipo TBII (thyroid-binding inhibiting immunoglobu-lins), que detectam todos os tipos de anticorpos (estimulador, neutro e inibidor), mas não dão informação quanto à função dos mesmos quando presentes.

Estes anticorpos são encontrados frequentemente no soro de pacientes com doença de Graves ou outras doenças autoimunes da tireoide. Estão presentes em 1% a 2% da população geral, em 6% a 60% dos portadores de tireoidite de Hashimoto e em 70% a 100% dos pacientes com doença de Graves.

É útil no diagnóstico de hipertireoidismo e na avaliação de recidiva da Doença de Graves, uma vez que seus níveis diminuem com o uso de drogas antitireoidianas. Assim, a ausência de TRAb após o tratamento para hipertireoidismo sugere menor tendência à recidiva da doença.

Esses anticorpos podem estar presentes, também, em alguns casos de tireoidite de Hashimoto, tireoidite subaguda, tireoidite silenciosa, e em recém-nascido de mãe portadora de Doença de Graves, devido à transfe- rência feto-placentária destes anticorpos.

Útil para a demonstração de infecção recente por estreptococo ? hemolítico do grupo A, em pacientes com suspeita de febre reumática ou glomerulonefrite difusa aguda, particularmente em pacientes com resultados não reagentes de anti-estreptolisina A.

Febre reumática aguda (FRA) e glomerulonefrite difusa aguda são as duas complicações não supurativas da infecção pelo estreptococo ? hemolítico do grupo A. Geralmente, os sintomas da FRA se desenvolvem no período de 3 a 4 semanas após episódio de amigdalite. A antiestreptolisina O (AEO) elevada indica infecção pregressa por estreptococos beta-hemolíticos. Para o diagnóstico do episódio de febre reumática aguda, é mandatória a confirmação de infecção recente de infecção pelo estreptococo do grupo A. Os valores de referência da AEO podem variar de acordo com a idade, estação do ano, região geográfica e nível sócioeconômico da população.

Isoladamente, níveis elevados de AEO não são diagnósticos de febre reumática ou GNDA, indicando apenas infecção estreptocócica precedente. A detecção de aumento progressivo dos valores de AEO em determinações seriadas é mais significativa que em uma única determinação. Nas infecções estreptocócicas, AEO elevada é detectada em 85% das faringites e 30% das piodermites. Na FRA, os níveis de AEO atingem o pico de elevação com 2 semanas após o início do episódio agudo, com declínio gradual até o período compreendido no intervalo de 2 a 4 meses, e normalização após 4 a 6 meses. Na coreia reumática em atividade, os níveis de AEO podem estar dentro do valor de referência. Resultados elevados de AEO podem ocorrer na hipergamaglobulinemia, na presença de fator reumatoide e proteína monoclonal, na artrite idiopática infantil, e nas doenças hepáticas crônicas. Contudo, os valores tendem a ser mais altos na FRA.

São anticorpos altamente específicos para hepatite autoimune, principal- mente do tipo 1. Eventualmente, podem ser o único marcador sorológico presente. A presença deste anticorpo tem valor prognóstico, estando associada com necessidade de manutenção de imunossupressão por tempo prolongado e maior frequência de recidivas após suspensão do tratamento.

O teste BTA (Antígeno Tumoral da Bexiga) detecta o fator H do complemento e proteínas relacionadas na urina. Estas proteínas interrompem a cascata do complemento, conferindo vantagens às células tumorais in vivo. Durante o desenvolvimento de tumores uroteliais da bexiga, essas moléculas são liberadas na urina. O teste BTA pode ser se- miquantitativo (BTA Stat) ou quantitativo (BTA Trak). Resultados alterados podem ocorrer em casos de litíase urinária, trauma, uso de sonda vesical de demora, processos irritativos da bexiga, infecção do trato urinário e outras doenças gênito-urinárias. Devido à alta taxa de resultados falso-positivos, o teste não é recomendado para triagem ou detecção precoce de câncer de bexiga. Ele pode ser utilizado, juntamente com a cistoscopia, na monitorização dos pacientes acometidos.

Este método detecta antígenos bacterianos (Haemophilus influenzae tipo b, Streptococcus pneumoniae, Neisseria meningitidis grupo A, Neisseria meningitidis grupo C, Neisseria meningitidis grupo B e Escherichia coli k1) no líquor, permitindo diagnóstico rápido de meningites. Entretanto, não substitui o Gram e a cultura. O diagnóstico confirmatório de infecções bacterianas no líquor somente é possível com o isolamento em cultura.

Resultados falso-negativos podem ocorrer, pois a concentração dos antígenos depende do número de bactérias, duração da infecção e presença ou ausência de anticorpos específicos. Resultados negativos também podem ser vistos no início do quadro infeccioso. A sensibilidade dos testes de detecção de antígenos bacterianos varia de 55% a 100%. Ocasionalmente, este método pode ser aplicado a outros líquidos corporais.

Ensaio que mensura todos os antioxidantes presentes no sangue. Os an- tioxidantes são substâncias químicas que inibem o processo de oxidação de substratos, protegendo os sistemas biológicos de ações potencial- mente danosas dos radicais livres.

A Antitrombina é membro da superfamília das serinas inibidoras de proteases, atuando principalmente na inativação da trombina e dos fatores Xa, IXa e XIa. A heparina potencializa a ação da antitrombina em aproximadamente 1000 vezes. O ensaio de atividade da antitrom- bina baseia-se na medição da atividade residual do fator Xa, num reagente contendo excesso de heparina. A quantidade de Antitrombi- na é inversamente proporcional à atividade residual de Xa detectada. A deficiência hereditária de antitrombina é uma doença autossômica dominante rara que acomete de 1-2% dos indivíduos com trombose venosa. O diagnóstico da deficiência hereditária de antitrombina requer: a exclusão de causas adquiridas como doenças hepáticas, coagulopatias de consumo, tratamentos com heparina; a reavaliação das dosagens em amostras subsequentes; e estudos familiares.

O estudo de mutação alvo familiar no gene APC pode ser solicitado quando já existe uma mutação específica identificada na família ou em um caso índice na família. Normalmente, utiliza-se a técnica de amplificação do DNA por PCR (polimerase chain reaction) seguido do sequenciamento bidirecional da região específica do gene APC, dependendo da mutação já conhecida. Nesse caso, é importante o laboratório conhecer a mutação a ser investigada com a documentação do exames prévio que identificou a mutação.

A polipose adenomatosa familiar (PAF) é uma síndrome de predisposição ao câncer com desenvolvimento de centenas ou milhares de lesões polipoides colônicas. Trata-se de uma condição genética autossômica dominante e em 75% a 80% dos casos a mutação é herdada de um dos pais. Os pólipos podem também estar presentes em duodeno e estômago, além de outras manifestações relacionadas a tumores benignos e malignos. Até 35 anos, 95% dos indivíduos tem pólipos e o câncer é inevitável sem a colectomia. A polipose pode ainda ser atenuada e o câncer de manifestação mais tardia. As mutações no gene APC também estão associadas à Síndrome de Gardner: polipose colônica associada à osteomas e tumores de tecido mole; e à Síndrome de Turcot: polipose colônica e tumores em sistema nervoso central.

As diferenças no fenótipo podem estar relacionadas às variantes encontradas no próprio gene APC. O diagnóstico da doença se baseia em achados clínicos e a mutação pode ser detectável em até 90% dos indivíduos com PAF. O teste genético é frequentemente usado no diagnóstico precoce de um familiar em risco para a mutação e também para confirmar a doença em indivíduos com diagnóstico pouco esclarecido (ex: menos que 100 pólipos no cólon). A identificação da mutação específica em um parente afetado é recomendada antes de qualquer teste preditivo em um indivíduo assintomático.

Anormalidades no metabolismo das lipoproteínas têm importância clínica na aterogênese, obesidade, resistência à insulina e diabetes. As lipoproteínas são partículas que transportam substâncias hidro- fóbicas no meio hidrofílico do plasma. As lipoproteínas diferem em seu tamanho, conteúdo lipídico e composição de apolipoproteína. As apolipoproteínas são proteínas multifuncionais que se encontram na superfície das lipoproteínas mantendo sua estrutura e direcionando seu metabolismo através da ligação aos receptores de membrana e regulação da atividade enzimática.

A apolipoproteína A-1 (apo A-I) é o principal componente proteico da partícula HDL. Participa da remoção do excesso de colesterol dos tecidos, sendo responsável pela ativação da colesterolaciltransferase (LCAT) que esterifica o colesterol plasmático. Sua dosagem é útil para caracterizar baixas concentrações de HDL em indivíduos e famílias. É um fator de proteção contra doenças coronarianas e o acidente vascular cerebral, da mesma forma que o HDL, estando sua concentração baixa em pacientes com doença arterial coronariana. Resultados podem ser baixos, também, em dislipidemias familiares, doenças hepatocelulares, colestase, síndrome nefrótica, insuficiência renal crônica e neoplasias.

A apolipoproteína B (apo B-100) é um grande polipeptídeo, sendo o principal constituinte das partículas VLDL, IDL e LDL, sendo sua con- centração um reflexo do número total de partículas aterogênicas na circulação. A maioria da apo B-100 circulante encontra-se na partícula LDL sendo um fator de risco para doença coronariana. Sua dosagem é útil para identificar várias anormalidades lipoproteicas em indivíduos e famílias e pode ser particularmente útil em identificar indivíduos que têm um elevado número de LDL densa, pequena, mas com concentra- ção normal de colesterol LDL. Concentrações podem estar elevadas, também, no diabetes, hipotireoidismo, síndrome nefrótica, insuficiência renal crônica, obstrução hepática e síndrome de Cushing.

A concentração plasmática de apo B está positivamente associada, e a de apo A-I inversamente associada, ao risco cardiovascular. Estudos sugerem que as determinações de apo A-I e apo B têm maior poder discriminatório, por apresentarem menores variações analíticas, que HDL e LDL, respectivamente, na definição do risco cardiovascular.

A apoliproteína E (Apo-E) é uma proteína plasmática que funciona como ligante para receptores de lipoproteínas de baixa densidade. Tem importante papel na manutenção da homeostase lipídica e no reparo neuronal. Foram descritas três variantes comuns da Apo-E, designadas como E2, E3 e E4. Essas variantes são codificadas pelos alelos 2, 3 e 4 do gene, que está localizado no cromossomo 19. A isoforma E2 tem uma afinidade reduzida pelo receptor LDL em comparação às outras formas e sua presença pode levar ao acúmulo de lipoproteínas contendo apo-E.

Embora aproximadamente 90% dos pacientes com hiperlipoproteinemia tipo III sejam homozigotos para E2, apenas uma pequena parcela dessa população (de homozigotos) desenvolvem a alteração, sugerindo que outros fatores (genéticos e/ou ambientais) são necessários para a manifestação da doença. A Apo-E4 é mais comum na hiperlipoproteinemia tipo V, que é caracterizada por hipercolesterolemia grave e risco aumentado para ocorrência de pancreatite. Além disso, a Apo-E4 tem sido considerada um fator de risco genético relacionado à doença de Alzheimer.

São anticorpos dirigidos contra a aquaporina 4 (AQP4), que é uma proteína expressa na membrana celular dos astrócitos. Anticorpos anti-AQP4 são marcadores da neuromielite óptica (NMO), doença autoimune inflamatória crônica do sistema nervoso central caracterizada por neurite óptica e mielite transversa, de forma combinada ou isolada. São particularmente úteis no diagnóstico diferencial entre NMO e esclerose múltipla (EM), sendo detectados com frequência de 60 a 90% na NMO (na dependência do método utilizado) e 0% na EM. Apresentam especificidade de 90 a 100%.

A arilsulfatase A é uma enzima lisossômica que se encontra diminuída em pacientes com leucodistrofia metacromática. Em decorrência disso, ocorre acúmulo de galactosil sulfato na mielina de células do sistema nervoso central, nervos periféricos e outros. Valores diminuídos estão associados à doença, embora pequena parcela da população normal apresente níveis reduzidos de atividade de arilsulfatase A, sem maiores repercussões clínicas.

Os compostos arseniacais são altamente tóxicos. A absorção ocorre pelas mucosas e o elemento se acumula no organismo. Nos ossos e cabelos, ficam retidos por longos períodos. Efeitos locais: irritação da pele e trato respiratório superior e mucosas, contato prolongado pode causar câncer de pele e perfuração do septo nasal. Efeitos sistêmicos: Neurite periférica, paralisia motora, pneumoconiose, distúrbios eritropoieticos e câncer de pele e pulmão. Compostos arseniacais são carcinogênicos, mutagênicos e teratogênicos.

A dosagem de arsênico na urina é um exame destinado principalmente à avaliação da exposição ocupacional a este elemento. As exposições ao arsênico no ambiente de trabalho normalmente são por compostos inorgânicos. Ele também aparece contaminando vários alimentos (especialmente peixes e crustáceos) e água. Deve-se sempre avaliar as fontes não ocupacionais e a dieta do trabalhador, para melhor correlacionar os níveis urinários do arsênico com a exposição ocupacional.

A sorologia é utilizada como método auxiliar no diagnóstico da aspergilose invasiva (pulmonar, meníngea). Teste negativo não exclui a doença. A sorologia é positiva em 90% dos pacientes com aspergilomas e 70% dos casos de aspergilose broncopulmonar alérgica. Pacientes imunocomprome- tidos, em uso de corticoides e antibióticos tendem a ter títulos mais baixos ou indetectáveis. Reações cruzadas com histoplasmose, blastomicose e paracoccidioidomicose podem ocorrer. Diagnóstico definitivo de aspergilose requer visualização ou isolamento do Aspergillus.

As ataxias cerebelares autossômicas dominantes (ACAD) representam um grupo heterogêneo de doenças genéticas neurodegenerativas progressivas, caracterizadas por ataxia cerebelar, instabilidade da marcha e disartria. Muitas vezes, as ACAD são chamadas de ataxias espinocerebelares (SCA – Spinocerebellar ataxias). Na população em geral, a prevalência média das ataxias é de 3:100.000 indivíduos, mas cada população apresenta frequências distintas para os diferentes tipos de ataxias. A doença de Machado-Joseph (também conhecida como SCA tipo 3) é a ACAD mais comum no Brasil. As ataxias hereditárias, frequentemente, estão associadas às mutações caracterizadas pelo aumento do número de repetições de uma determinada sequência de nucleotídeos acima do limite da normalidade para cada tipo de ACAD. A heterogeneidade clínica dos diferentes tipos de ataxias pode dificultar o diagnóstico baseado somente nos achados clínicos. Assim, o diagnóstico das SCAs é realizado pela análise da história familiar, exame físico, exames de imagem e testes genéticos. O painel das ataxias cerebelares engloba: SCA 1, 2, 3, 6, 7 e 10 (sujeito a alterações). Além das SCA contempladas pelo painel (que podem ser solicitadas de forma isolada), estão disponíveis os exames moleculares para SCA 4, 8, 12 e 14.

A atrofia Dentatorubro Palidolusiana (DRPLA) é uma doença autossômica dominante, neurodegerativa e com manifestação clínica variável.

Geralmente, em pacientes adultos, a DRPLA manifesta-se com ataxia, co- reoatetose, demência e distúrbios psiquiátricos, enquanto, em crianças, convulsões, mioclonia e regressão do desenvolvimento neuropsicomotor são as manifestações mais comuns. É causada pela expansão de trinucleo- tídeos CAG no gene ATN1, localizado no braço curto do cromossomo 12. A DRPLA possui sobreposições clínicas com a doença de Huntington e com as ataxias espinocerebelares.

O gene SMN existe como dois homólogos, sendo um gene telomérico (SMN1) e um gene centromérico (SMN2), por cromossomo em um individuo normal. SMN1 e SMN2 se diferenciam somente por 5pb entre os éxons 7 e 8. A maioria dos casos de SMAI resulta de uma deleção homozigótica do gene SMN1, enquanto SMAII e SMAIII derivam de conversões de SMN1 para SMN2. SMAII ocorre quando a conversão de SMN1 para SMN2 esta presente em apenas um alelo (deleção em hemizigose), enquanto na SMAIII a conversão de SMN1 para SMN2 ocorre nos dois alelos (deleção em homozigose). A analise molecular visa detectar a deleção no gene SMN1.

A atrofia muscular espinhal (Spinal Muscular Atrophy; SMA) é caracterizada por perda da força progressiva resultante da degeneração e perda de células do corno anterior da medula espinhal, ou seja, de neurônio motor inferior. A classificação da SMA é dada pela idade de aparecimento dos sinais e pela máxima função motora adquirida: A nova classificação subdivide a doenças nas seguintes forma: SMA 0, forma mais grave, com manifestação ainda pré-natal, com contratura, falência respiratória;SMA I Síndrome de Werding Hoffnann), aparecimento antes de 6 meses; SMA II aparecimento entre 6 e 12 meses; SMA III, após 12 anos e SMA IV inicio em a maioria dos pacientes com diagnóstico clínico de SMA apresenta deleção em homozigose no gene SMN1, tipicamente no éxon 7.

Trata-se de um método de pesquisa de BAAR por fluorescência mais sensível que os métodos tradicionais baseados na carbolfucsina (Ziehl- Neelsen). A auramina (fluorocromo utilizado) liga-se ao ácido micólico da parede celular da micobactéria, resistindo à descoloração do álcool-ácido e emitindo fluorescência amarelo-alaranjada sobre fundo negro.

O exame auxilia no diagnóstico de infecções em que micro-organismos anaeróbios possam estar envolvidos. As bactérias anaeróbias vivem, na sua maioria, no trato gastrintestinal e provocam abscessos profundos, mas algumas estão presentes em forma de esporos no ambiente (ex.: Clostridium). As amostras que não forem adequadamente protegidas do oxigênio atmosférico não são adequadas.

O exame bacterioscópico ao Gram permite um estudo acurado das características morfotinturiais das bactérias e outros elementos (fungos, leucócitos, outros tipos celulares, etc). Presta informações importantes e rápidas para o início da terapia, fornecendo informação semiquantitativa em algumas infecções e estabelecendo o diagnóstico em muitos casos.

A sorologia é útil no diagnóstico da infecção por Bartonella, especialmente se a doença da arranhadura do gato for suspeita ou se o estudo histopato- lógico for sugestivo (microabsessos estrelados e/ou coloração de Warthin-Starry positiva).

Este exame tem como objetivo o diagnóstico diferencial entre Linfoma do manto versus outras linfoproliferações B de células pequenas (LF, LLC), a caracterização das formas agressivas do LM (LM blastoide e pleomórfico), ou das variantes morfológicas que simulam focos de zona marginal.

Observação quanto a sensibilidade do teste

Enquanto um resultado positivo indica a presença de Linfoma de Manto devido a estrutura molecular da t(11;14), o método de PCR (ponto de quebra mcl) é capaz de detectar somente 50% dos casos de translocação em que esta ocorreu em outra parte do gene. Um resultado negativo não exclui a presença de t(11;14).

Condições

? Tecido fixado e impregnado em parafina (FIP) e Bloco parafina.

Esse exame tem como objetivo o diagnóstico diferencial entre Linfoma do manto de linfoproliferacões B de células pequenas (LF, LLC), a caracterização das formas agressivas do LM (LM blastoide e pleomórfico), ou das variantes morfológicas que simulam focos de zona marginal.

Estadiamento da doença. Monitoração terapêutica (doença residual mínima).

Observação quanto a sensibilidade do teste

Enquanto um resultado positivo indica a presença de Linfoma de Manto, devido a estrutura molecular da t(11;14), o método de PCR (ponto de quebra mcl), é capaz de detectar somente 50% dos casos de translocação, em que esta ocorreu em outra parte do gene. Um resultado negativo não exclui a presença de t(11;14).

Condições

? Biópsia de material suspeito em meio RPMI1640 com antibióticos.

Este teste tem como objetivo auxiliar no diagnóstico diferencial entre Linfoma Folicular versus Hiperplasia folicular reativa, diferencial entre Linfoma Folicular versus outras linfoproliferações a células pequenas (Leucemia Linfocítica Crônica, Linfoma de Manto, Linfoma Zona Marginal nodal), o estadiamento da doença e a monitoração terapêutica (doença residual mínima).

Nota sobre a sensibilidade do teste

Enquanto um resultado positivo indica a presença de Linfoma Folicular; um resultado negativo não exclui a presença de t(14;18), devido os testes moleculares podem detectar ate 75% dos casos que possuem a translocação.

Condições

? Tecido fixado e impregnado em parafina (FIP) e Bloco de Parafina.

Esse teste tem como objetivo auxiliar no diagnóstico diferencial entre Linfoma Folicular versus Hiperplasia folicular reativa, outras linfoproliferações a células pequenas (Leucemia Linfocítica Crônica, Linfoma de Manto, Linfoma Zona Marginal nodal), o estadiamento da doença e a monitoração terapêutica (doença residual mínima).

Nota sobre a sensibilidade do teste

Enquanto um resultado positivo indica a presença de Linfoma Folicular; um resultado negativo não exclui a presença de t(14;18), devido a que os métodos moleculares podem detectar até 75% dos casos que possuem a translocação.

Condições

? Biópsia de material suspeito em meio RPMI 1640 com antibióticos.

As distrofias musculares são um grupo heterogêneo de desordens genéticas caracterizadas pela degeneração progressiva do tecido muscular e incluem um espectro de distrofias musculares causadas pela mutação no gene DMD que codifica a proteína DISTROFINA. A Distrofia muscular de Duchenne é a distrofia muscular mais comum em crianças e afeta 1 a cada 3500 nascidos vivos. Já a Distrofia muscular de Becker é ca- racterizada por início mais tardio das manifestações musculares em relação à do tipo Duchene e é a segunda forma mais comum com uma incidência de 1 para 30 000 homens nascidos vivos. O diagnóstico definitivo é realizado através de testes genéticos que identificam a mutação no gene DMD localizado no cromossomo X, locus Xp21. Por se tratar de uma doença genética recessiva ligada ao X, indivíduos do sexo masculino manifestam a doença. Mulheres que apresentam a mutação geralmente são assintomáticas. Entretanto, 2,5% a 7,8% delas podem apresentar alguns sintomas muscular e miocardiopatia, atribuídos à redução na produção da distrofina, provavelmente pelo padrão de inativação do cromossomo X nas células. Mais de 4.700 mutações estão associadas ao gene DMD e estão subdivididas em três tipos principais: deleções, duplicações e mutações de ponto. As deleções e duplicações representam 79, 4 % das mutações e as mutações de ponto, 20,6%. A estratégia adequada para o diagnóstico molecular em meninos afetados deve-se concentrar inicialmente na pesquisa das microdeleções e duplicações com técnicas de exames específicos como é o caso do MLPA (Multiplex Ligation Probe Amplification). Definir o diagnóstico genético no indivíduo afetado é fundamental, permite aprimorar o aconselhamento genético e avaliar alternativas para planejamento familiar e reprodutivo.

Deficiência da enzima beta-galactosidase, causada por mutações no gene GLB1, pode causar tanto Gangliosidose GM1 como Mucopolissacorido-se IV B, dependendo do da variação genétéica ou mutação apresentada apresentado. A gangliosidose GM1 é dividida em três tipos, dependendo da idade de início dos sintomas, que varia de antes dos seis meses até a vida adulta. Suas manifestações normalmente envolvem o sistema nervoso central. A Mucopolissacoridose IV B apresenta-se com baixa estatura, anormalidades esqueléticas graves, opacidade de córnea e com inteligência geralmente normal. O diagnóstico é definido pela alteração no estudo enzimático.

Deficiência de beta-glicuronidase é observada na mucopolissacaridose tipo VII, distúrbio de depósito lisossômico de amplo espectro de apre- sentação clínica, podendo ocorrer hidropisia fetal, hepatoesplenome- galia, déficit cognitivo e disostose multiplex. Observa-se elevação de glicosaminoglicanos na urina. O diagnóstico é definido pela alteração no estudo enzimático.

A beta-2-microglobulina (B2M) é uma proteína de baixo peso molecular ? a cadeia leve do complexo antígeno leucocitário humano classe I (HLA) ? presente na superfície de todas as células nucleadas. Por ser livremente filtrada e totalmente reabsorvida e catabolizada pelos túbulos proximais, a B2M é considerada como um indicador da função tubular renal. Valores elevados são encontrados em um grande número de condições associadas com ativação imune ou aumento da renovação celular, como doenças autoimunes e inflamatórias crônicas, doenças infecciosas e doenças linfo- proliferativas e mieloproliferativas. A dosagem de B2M é utilizada como marcador prognóstico no mieloma múltiplo, devido à associação entre os seus níveis séricos e o volume tumoral.

O betacaroteno é um precursor da vitamina A, encontrado em vegetais, cuja concentração varia com a dieta e nem sempre reflete o status desta vitamina. O betacaroteno é a pró-vitamina A mais comum e representa 25% dos carotenoides séricos.

Ingestão excessiva não é tóxica, mas pode causar hipercarotenemia e caro- tenodermia em sulco nasogeniano, mãos e pés.

Níveis baixos de betacaroteno, associados à diminuição da vitamina A, sugerem hipovitaminose A. Níveis elevados podem ser encontrados na alimentação rica em carotenoides (cenoura, espinafre), no hipotireoidismo, hiperlipidemia, gravidez e diabete mellitus. Níveis baixos são encontrados na carência de suprimento, má absorção, tabagismo, etilismo, cirrose e pós-gastrectomia.

O ácido beta-hidroxibutírico é um corpo cetônico. Assim como os outros corpos cetônicos (acetoacetato e acetona), os níveis do ácido beta- -hidroxibutírico aumentam durante a cetose. Nos seres humanos, o ácido beta-hidroxibutírico é sintetizado no fígado a partir da acetil-CoA, e pode ser usado pelo cérebro quando o nível de glicose no sangue é baixo.

Produto de quebra da hemoglobina no sistema retículo-endotelial, conjugada no fígado para, a seguir, ser excretada na bile. O teste é útil para o diagnóstico diferencial de doenças hepatobiliares e outras causas de icterícia. A icterícia torna-se clinicamente manifesta quando a bilirrubina total é maior que pelo menos duas vezes o valor de referência.

Causas de aumento da bilirrubina direta (conjugada): doenças hepáticas hereditárias (Dubin-Johnson, Rotor), lesão de hepatócitos (viral, tóxica, medicamentosa, alcoólica) e obstrução biliar (litíase, neoplasias). Níveis de bilirrubina direta maiores que 50% dos valores totais são sugestivos de causas pós-hepáticas.

Causas de aumento da bilirrubina indireta: anemias hemolíticas, hemólise autoimune, transfusão de sangue, reabsorção de hematomas, eritropoiese ineficaz e doenças hereditárias (Gilbert, Crigler-Najar). Uso de drogas que ativam o sistema microssomal hepático pode reduzir as bilirrubinas.

A dosagem de bilirrubinas é utilizada em neonatos para monitorar a doença hemolítica do recém-nascido (eritroblastose fetal) e a icterícia fisiológica. Icterícia fisiológica caracteriza-se por hiperbilirrubinemia não conjugada, com pico no 3° ao 4° dia nos recém-nascidos a termo, declinando progressivamente. Nos prematuros, o pico acontece do 5° ao 7° dia. Icterícias patológicas geralmente surgem nas primeiras 24 horas de vida e aumentam rapidamente.

Outras causas de icterícia neonatal incluem galactosemia, sepse, hepatites, sífilis, toxoplasmose, citomegalovírus e rubéola.

A deficiência profunda de biotinidase não tratada, causa anormalidades neurológicas que incluem hipotonia, crises epilepsia, atraso do desen- volvimento, alterações visuais e auditivas, além de outras manifestações que podem acometer os indivíduos em diferentes fases da vida. Trata-se de um distúrbio metabólico autossômico recessivo.

Foi estabelecido que um paciente tem deficiência profunda de biotinidase quando a atividade da mesma for inferior a 10% da atividade média. Um indivíduo terá deficiência parcial se sua atividade enzimática estiver entre 10% e 30% da Média. Entende-se por atividade média a média aritmética entre 5,0 e 10,0 – os valores de referência.

Assim, a atividade média da atividade da biotinidase pelo método que empregamos é 7,5 nmoles/min/mL. O paciente com deficiência profunda terá atividade da biotinidase inferior a 0,75 (= a 10% do valor médio normal). O paciente com deficiência parcial terá atividade da biotinidase entre 0,75 e 2,25 (= a 10 a 30% do valor médio normal).

As duas formas, profunda e parcial, requerem tratamento. Saberemos se um indivíduo tem deficiência parcial ou profunda, ou se necessita ou não o tratamento, medindo a atividade da biotinidase no soro do indivíduo suspeito clinicamente ou com atividade diminuída no teste de triagem neonatal, medindo-se a atividade da enzima no soro do paciente, do pai, da mãe e de um indivíduo presumidamente normal, que não seja familiar deste trio.

Este soro pode ser o de qualquer pessoa ou paciente do laboratório que tenha feito a coleta no mesmo momento. O soro de alguém que não seja familiar – no qual se espera um resultado normal – tem como objetivo servir de controle do transporte.

A Doença de Lyme é uma zoonose endêmica na América do Norte, Europa e Ásia causada por agentes coletivamente denominados de Borrelia burgdorferi (lato sensu), que inclui a B. burgdorferi (stricto sensu), B. garinii, B afzelii e, provavelmente, B. valaisiana. A Borreliose Lyme-Simile registrada no Brasil ainda não possui seu agente definitivamente caracterizado. Este teste é um imunoensaio enzimático (EIA) confeccionado para detecção de anticorpos para B. burgdorferi (lato sensu). A resposta imunológica à doença é habitualmente lenta e a antibioticoterapia precoce pode impedir a soroconversão. Em áreas endêmicas, a presença do Eritema Migrans ou outras apresentações precoces permite o diagnóstico exclusivamente clínico ou confirmado apenas pelo EIA. Em áreas não endêmicas, o estudo sorológico sequenciado pelo EIA e o Western Blot (WB) é sempre necessário. Com a resolução da infecção, 10% dos indivíduos podem apresentar IgM ou IgG residuais por longos períodos, não permitindo o diagnóstico exclusiva- mente sorológico de infecção ativa. A ausência de anticorpos específicos constitui forte evidência contra a forma crônica da doença, embora não exclua sua possibilidade. Cerca de 5% da população de áreas endêmicas possui sorologia positiva para a doença, sem histórico para a mesma. O EIA IgM é menos específico que o IgG, mas a positividade para qualquer deles indica a confirmação pelo WB. Alguns estudos mostram reatividade cruzada entre B. burgdorferi e o agente da Lyme-Simile brasileira. No entanto, a principal Lyme-like norte-america- na (STARI), apresenta resultados habitualmente indeterminados ou reatores fracos no EIA, sem a positividade do conjunto de bandas definidoras para a Lyme clássica, no WB.

A Doença de Lyme é uma zoonose endêmica na América do Norte, Europa e Ásia causada por agentes coletivamente denominados de Borrelia burgdorferi (lato sensu), que inclui a B. burgdorferi (stricto sensu), B. garinii, B. afzelii e, provavelmente, B. valaisiana. A borreliose Lyme-Simile registrada no Brasil ainda não possui seu agente definitivamente carac- terizado. Este teste é um imunoensaio enzimático (EIA) confeccionado para detecção de anticorpos para B. burgdorferi (lato sensu). A resposta imunológica à doença é habitualmente lenta e a antibioticoterapia precoce pode impedir a soroconversão. Em áreas endêmicas, a presença do eritema migrans ou outras apresentações precoces permite o diagnóstico exclusi- vamente clínico ou confirmado apenas pelo EIA. Em áreas não endêmicas, o estudo sorológico sequenciado pelo EIA e o Western Blot (WB) é sempre necessário. Com a resolução da infecção, 10% dos indivíduos podem apresentar IgM ou IgG residuais por longos períodos, não permitindo o diagnóstico exclusivamente sorológico de infecção ativa. A ausência de anticorpos específicos constitui forte evidência contra a forma crônica da doença, embora não exclua sua possibilidade. Cerca de 5% da população de áreas endêmicas possui sorologia positiva para a doença, sem histórico para a mesma. O EIA IgM é menos específico que o IgG, mas a positividade para qualquer deles indica a confirmação pelo WB. Alguns estudos mostram reatividade cruzada entre B. burgdorferi e o agente da Lyme-Simile brasileira. No entanto, a principal Lyme-like norte-americana (STARI), apresenta resultados habitualmente indeterminados ou reatores fracos no EIA, sem a positividade do conjunto de bandas definidoras para a Lyme clássica, no WB.

A mutação V660E do gene BRAF foi descrita em diferentes tipos de câncer, principalmente melanoma, câncer de tireoide e câncer colorretal (CCR). Está presente em cerca de 20% do total de CCR e de 30% a 83% de CCR com instabilidade de microsatélites. A mutação V600E do BRAF não foi detectada simultaneamente às mutações nos genes de reparo (MMR) em pacientes com a síndrome de Lynch. Esses achados indicam que BRAF possa ser utilizado como marcador genético para critério de inclusão de CCR esporádico e exclusão de síndrome de Lynch. A pesquisa da mutação V600E também pode auxiliar na forma do tratamento, conforme alguns estudos recentes que mostram que a sobrevida aumenta nos pacientes com a mutação V600E e tratados com Vemurafenib (Zelboraf®).

Condições

? Bloco parafina ou Tecido tumoral fresco conservado em solução salina.

O estudo de mutação alvo familiar tanto no gene BRCA 1 e BRCA 2 pode ser solicitado quando já existe uma mutação específica identificada na família ou em um caso índice na família. Normalmente, utiliza-se a técnica de amplificação do DNA por PCR (polimerase chain reaction) seguido do sequenciamento bidirecional da região específica do gene ou BRCA 1 ou BRCA 2, dependendo da mutação já reconhecida.

Mutações específicas em BRCA1 e BRCA 2 para câncer hereditário de mama e ovário tem alta prevalência em populações de judeus Ashkenazi. Portanto, o BRCA triteste para as seguintes mutações; BRCA 1-185delAG, BRCA 15382insC e BRCA 2-6174delT, é indicado para indivíduos com tal ascendência familiar.

A síndrome hereditária de câncer de mama e ovários está associada às mutações nos genes BRCA 1 e BRCA 2 e tem um padrão de herança familiar autossômico dominante que confere risco aumentado para câncer de mama (40-80%), ovário (11-40%), próstata (mais de 39%), pâncreas (1-7%), câncer de mama em homens (1-10%). Indivíduos com mutação de BRCA 2 também tem um risco maior para melanoma. A penetrância dessas mutações é amplamente variável e depende de muitos fatores como populacionais e individuais. A suspeita de uma possível mutação se baseia em dados clínicos, laboratoriais e história familiar. As principais indicações de teste genético para pesquisa de mutações nesses genes podem ser: avalição de risco para câncer de mama e ovário em indivíduos com uma história pessoal ou familiar de câncer de mama antes de 50 anos ou câncer de ovário em qualquer idade, indivíduos com dois ou mais diagnósticos primários de câncer de mama ou ovário, indivíduos com ascendência judaica (Ashkenazi) e história de familiar com a doença, câncer de mama em homens. A estratégia de pesquisa de mutações é variável de acordo com a história de cada indivíduo. O sequenciamento completo dos genes, normalmente, é indicado como exame para pesquisa de mutações quando não se tem uma mutação já conhecida na família e/ou quando o teste de mutações-alvo para populações específicas (judeus Askenazi) não encontrou variantes. A interpretação do teste é muito importante e deve ser feita por profissionais capacitados para o aconselhamento genético. Um teste negativo ou inconclusivo não exclui o risco para desenvolvimento de câncer, bem como um teste positivo não determina a ocorrência da doença.

Mutações no gene humano BRCA 1 localizado no cromossomo 17 é um importante fator de causa para câncer de mama e ovário de padrão hereditário. As mutações causadas por variações do número de cópias (CNV´s – ex: microdeleções e microduplicações) representam uma parte das mutações encontradas em indivíduos com CA de mama em diferentes populações estudadas. Na Holanda, por exemplo, mais de 30% dos casos as mutações eram causadas por CNV´s . Estima-se que nas demais regiões a frequência é menor, entre 5% a 10% dos casos. Inúmeros são os tipos de CNV´s descritas.

Já as mutações no gene BRCA 2, locus13q3.1 são menos frequentes que no BRCA 1, mas estão mais associadas ao câncer de mama em homens. Outros tipos de câncer, com de ovário, próstata, pâncreas estão também associados mais ao BRCA 2. O MLPA pode ser uma opção de estudo dos genes, principalmente quando não se define a pesquisa de mutação por sequenciamento completo dos genes.

Bromazepam é um benzodiazepínico usado como hipnótico, ansiolítico e miorrelaxante. Seu pico plasmático ocorre em 2 horas após absorção, estando 70% da droga ligada às proteínas plasmáticas. Apresenta meia-vida de 20 horas e metabolismo hepático, sendo sua depuração influenciada por drogas que alteram o sistema microssomal hepático. A coleta ideal deve ser realizada imediatamente antes da administração da próxima dose do medicamento ou conforme orientação médica.

Brucelose é uma zoonose causada por cocobacilos Gram-negativos intra- celulares. O diagnóstico sorológico pode ser obtido pela soroaglutinação ou por imunoensaio:

Imunoensaio enzimático

Permite detecção de anticorpos IgM e IgG, na brucelose, podendo ser usado para diagnóstico e seguimento do paciente. Apresenta sensibi- lidade e reprodutibilidade superior à soroaglutinação. A IgG persiste por anos após a infecção. Aumento de IgG, em amostras pareadas, em pacientes sintomáticos sugere infecção recente. A IgM pode ser encontrada em 30% dos pacientes crônicos.

Tumores estromais do trato gastrointestinal (GIST) são tipicamente caracterizados por mutações ativadoras nos genes c-KIT e Receptor Tipo Alfa Para Fator De Crescimento Derivado de Plaquetas (PDGFR?). Aproximadamente 80% dos GIST possuem uma mutação oncogênica no gene KIT e 15% dos GIST possuem uma mutação no gene PDGFR sendo KIT negativo. A presença de mutações nos genes c-KIT e PDGFR dão suporte ao diagnóstico de GIST e tem valor preditivo na resposta ao tratamento com o medicamento Gleevec (imatinib). As respostas de pacientes com GIST aos inibidores de tirosina quinase, como o imatinib, variam de acordo com o tipo de mutação observada. Pacientes com mutações no éxon 11 do c-KIT tendem a mostrar uma resposta maior e mais duradoura ao imatinib, que pacientes com mutações no éxon 9 ou pacientes sem expressão. Cerca de 35% dos pacientes com mutações de PDGFRA serão beneficiados pelo tratamento comimatinib. Este teste de rastreio de mutações não tem o objetivo de confirmar o diagnóstico de GIST. A presença ou ausência de uma mutação não confirma nem afasta o diagnóstico de GIST. Mutações de c-KIT são também encontradas em 21% de melanomas de mucosas, em 11% de melanomas acrais, e em 17% dos melanomas que surgem em pele cronicamente danificada pelo sol. Estes casos têm uma aparente boa resposta aos inibidores de tirosina-quinase. Aplicações principais: estratificação para uso de inibidor de tirosina quinase em pacientes diagnostica dos com GIST ou melanoma.

O osso humano é continuamente remodelado através de um processo de formação e reabsorção óssea. Aproximadamente 90% da matriz orgânica do osso é constituída de colágeno tipo I, uma proteína helicoidal que é interligada nas porções carboxi (C) e amino (N) terminais (telopeptídeos) da molécula pela piridinolina e deoxipiridinolina. Durante a reabsorção óssea, os osteoclastos degradam as fibrilas de colágeno em fragmentos moleculares de diferentes tamanhos. Os produtos de degradação são liberados na circulação sanguínea e variam desde aminoácidos livres até fragmentos carboxi e amino-terminais contendo interligadores (C e N-telopeptídeos).

O turnover ósseo está fisiologicamente aumentado durante a infância, crescimento ou cicatrização de fratura óssea. As elevações nos marcadores de reabsorção e formação óssea estão tipicamente balanceadas nestas circunstâncias e não têm valor diagnóstico. Contudo, os marcadores de turnover ósseo são úteis quando o processo de remodelação se encontra desbalan- ceado, tais como hipertireoidismo, hiperparatireoidismo, osteomalácia e raquitismo, hipercalcemia da malignidade, osteopenia e osteoporose, Doença de Paget, mieloma múltiplo, metástase óssea, osteodistrofia renal, uso crônico de corticoide, assim como várias doenças congênitas da formação e remodelação óssea. Essas anormalidades podem normalizar em resposta a efetivas intervenções terapêuticas, que podem ser monitoradas por dosagens séricas ou urinárias dos marcadores de reabsorção óssea.

A dosagem do inibidor de C1 esterase (C1-i) é utilizada na avaliação dos pacientes com suspeita de angioedema, uma condição clínica caracteri- zada por episódios recorrentes de edema, que afeta predominantemen- te a pele e a mucosa das vias aéreas superiores e trato gastrointestinal.

A deficiência de C1-i pode ser hereditária ou adquirida. A deficiência congênita de C1-i (angioedema hereditário) frequentemente se manifesta na segunda década de vida. Duas formas de angioedema hereditário (AE) são descritas: Tipo I, a forma mais comum (85% dos casos), caracterizada por baixa concentração sérica de C1-i, e Tipo II (15% dos casos), caracte- rizada pela produção de quantidades normais de uma molécula disfun- cional de C1-i. Para o diagnóstico do AE do tipo I, testes quantitativos (antigênicos) para a dosagem de C1-i são suficientes. Para o diagnóstico do AE do tipo II, um ensaio funcional (qualitativo) deve ser empregado, uma vez que nessa forma os níveis de C1-i são normais ou elevados. Qualquer que seja o ensaio utilizado, resultados quantitativos ou qualitativos de C1-i abaixo do limite inferior do intervalo de referência devem ser confirmados em uma segunda dosagem. As formas adquiridas de AE, muitas vezes associadas a doenças linfoproliferativas e autoimunes, manifestam-se em adultos a partir da quarta década de vida. Ao contrário do AE hereditário, o AE adquirido está associado com concentrações séricas reduzidas de C1q.

Complexos circulantes constituídos por imunoglobulinas-antígenos são denominados imunocomplexos. Podem estar presentes durante a fase ativa de várias doenças autoimunes e infecciosas. Sua pesquisa pode ser utilizada na avaliação diagnóstica das doenças associadas à deposição tecidual de imunocomplexos, particularmente nas vasculites sistêmicas e glomerulonefrites.

A anafilotoxina C3a é um dos produtos de ativação do componente C3 do complemento. Níveis elevados são descritos na sepse por bactérias Gram negativas, trauma, isquemia miocárdica, síndrome pós-diálise e doenças autoimunes.

É o marcador tumoral mais utilizado no câncer ovariano epitelial, não sendo exclusivo desta neoplasia.

Elevações podem ocorrer em condições fisiológicas e doenças benignas (gravidez, endometriose, cistos ovarianos, doenças inflamatórias pélvicas, peritonites, cirrose, hepatites, pericardites), e em outros tipos de cânceres, tais como tuba uterina, cérvice, endométrio, pâncreas, pulmão, mama, próstata e trato gastrointestinal. Variações podem ser encontradas no ciclo menstrual, com aumento durante a fase folicular.

Seu valor tende a declinar com a menopausa e o envelhecimento.

A determinação isolada do CA 125, em mulheres assintomáticas, não é recomendada como triagem para o câncer ovariano, devido ao baixo valor preditivo positivo e à baixa sensibilidade e especificidade.

Utilizado como auxiliar na distinção entre massa pélvica benigna e maligna em mulheres na pós-menopausa.

Dosagens seriadas podem desempenhar um papel importante no monitoramento da resposta à quimioterapia. A persistência de valores aumentados pode estar associada a falha na resposta terapêutica ou progressão da doença. No entanto, esta pode ocorrer sem um aumento do CA 125.

Está recomendado no acompanhamento pós-operatório para avaliação da eficácia do procedimento e de possível recorrência. A detecção de concentrações elevadas do marcador tumoral após a cirurgia pode indicar remoção incompleta do tumor, presença de metástase ou recorrência. No entanto, esta pode ocorrer sem um aumento do CA 125.

Valores obtidos de ensaios diferentes não são comparáveis devido a variações metodológicas e da especificidade dos reagentes. Portanto, a fidelidade ao ensaio é imprescindível. Se, no decorrer do acompanhamento de um paciente, o ensaio usado pelo laboratório for modificado, será necessário realinhamento com testes sequenciais. Todo laboratório clínico tem que descrever em seu laudo o ensaio utilizado.

Embora os marcadores tumorais sejam dosados geralmente em amostras de soro, as análises também podem ser realizadas em líquidos biológicos, como líquido pleural e ascítico. Enquanto alguns autores consideram a dosagem de marcadores tumorais no líquido peritoneal uma ferramenta útil no diagnóstico diferencial das ascites, outros não recomendam seu uso com essa finalidade. Isto porque os níveis em líquidos biológicos apresentam boa correlação com os níveis séricos, sem vantagem adicional, e altas concentrações de CA-125 em fluidos biológicos podem ocorrer em doenças benignas, já que células mesoteliais normais também produzem o antígeno. Resultados falso-positivos podem ser encontrados em casos de cirrose hepática. Também há controvérsias com relação à utilização da dosagem de CA-125 em líquido pleural para diferenciação de efusões malignas e benignas. Alguns autores encontraram resultados significativa- mente mais elevados de CA-125 no líquido pleural de pacientes com ade- nocarcinomas pulmonares e mesoteliomas, enquanto outros consideram esse marcador insuficiente para a discriminação entre derrames pleurais malignos e não-malignos.

Marcador tumoral usado no acompanhamento de pacientes com câncer de mama. O “alvo” detectado nos ensaios de CA 15-3 é uma glicopro- teína, produto do gene MUC1. Normalmente, pode ser encontrada na maioria das células epiteliais glandulares e no soro, estando elevada em muitas neoplasias, incluindo adenocarcinomas e carcinomas escamosos.

Inúmeros estudos têm confirmado que o CA15-3 é o melhor marcador tumoral disponível para a avaliação do câncer de mama. Entretanto, seu uso é limitado pela sua baixa sensibilidade nas fases iniciais da doença (15% a 35%). Nas fases mais avançadas, a sensibilidade atinge 50 a 75%..

Existem outros marcadores mucinosos destinados à detecção do câncer de mama, como o CA27-29, com características similares de sensibilidade e especificidade, mas que não fornecem informações adicionais e são menos utilizados..

É consenso que o CA 15-3 não deve ser usado para triagem ou diagnóstico do câncer de mama. Desta forma, seu uso fica restrito à monitorização do tratamento e detecção de recidivas. Não são recomendadas mudanças terapêuticas com base apenas nos títulos de CA 15-3 de forma isolada..

Detecção de recidiva e recorrência: Medidas seriadas do CEA e CA 15-3 são úteis no diagnóstico precoce de recorrência, em pacientes com câncer de mama sem evidência de doença e após tratamento radical. A capacidade de detecção, em assintomáticos, chega a aproximadamen- te 70%, observado antes de qualquer evidência clínica ou radiológica. Entretanto, ainda não está bem definido o real impacto do (re)início da terapia na sobrevida e qualidade de vida destes pacientes. Por isso ainda há controvérsias na sua indicação nestes casos..

Monitorização da resposta ao tratamento: a dosagem deve ser realizada em conjunto com exame clínico e de imagem. Recomenda-se que o CA 15-3 seja avaliado antes de cada ciclo quimioterápico (QT) e pelo menos a cada 3 meses nos pacientes recebendo hormoniote- rapia. Dois aumentos sucessivos, maiores que 30% do nível basal, são sugestivos de doença progressiva..

Após o início da QT, aumentos transitórios podem ocorrer, havendo o retorno ao basal após 6 a 12 semanas.

Elevações nos títulos acima do valor de corte podem ocorrer em doenças benignas da mama, hepatopatias benignas, portadores de câncer de pulmão e ovário. É importante lembrar que 5% dos indivíduos saudáveis podem apresentar níveis elevados de CA 15-3, usualmente, de forma transitória.

O CEA continua sendo recomendado na propedêutica da doença metastática mamária, mas como coadjuvante ao CA 15-3.

Valores obtidos de ensaios diferentes não são comparáveis devido a variações metodológicas e da especificidade dos reagentes. Portanto, a fidelidade ao ensaio é imprescindível. Se, no decorrer do acompanhamen- to de um paciente, o ensaio usado pelo laboratório for modificado, será necessário realinhamento com testes sequenciais. Todo laboratório clínico tem que descrever em seu laudo o ensaio utilizado.

Normalmente, é sintetizado pelo epitélio fetal e adulto do pâncreas, estômago, trato biliar, gastrintestinal e endométrio. Não é expresso em pessoas com fenótipo Lewis-negativo (cerca de 10% da população).

Eleva-se em pacientes com certas neoplasias, como pancreática, hepa- tobiliar, gástrica, hepatocelular, colorretal e mamária. É considerado o marcador tumoral mais importante no câncer pancreático, com sensibilida- de e especificidade que variam de 69% a 93% e de 46% a 98%, respectiva- mente. Está intimamente relacionado ao estágio tumoral.

Encontra-se elevado também em várias afecções benignas pancreato-he- pática-biliares, como pancreatite aguda e crônica, colangite, hepatites, cirrose e insuficiência hepática e em casos de endometriose, Síndrome de Sjögren, fibrose pulmonar, cistos esplênicos, cistadenoma de ducto hepático e na colecistite xantogranulomatosa.

Atualmente, reconhecem-se quatro indicações para o uso deste marcador no tumor pancreático:

? Seleção de pacientes para ressecção tumoral.

Altas concentrações de CA 19-9 no pré-operatório correlacionam- -se inversamente com a sobrevida pós-operatória. Em pacientes com potencial doença ressecável, a magnitude do CA 19-9 pode ajudar a predizer metástases ocultas radiologicamente. Deve-se atentar à possibilidade de elevações devido a obstrução biliar.

? Avaliação prognóstica.

Em pacientes com doença em estágio avançado, a dosagem basal do CA 19-9 correlaciona-se independentemente com a sobrevida.

? Marcador de resposta ao tratamento, como adjuvante a avaliação por tomografia computadorizada, devido a possíveis falhas na análise da imagem.

Devem ser realizadas dosagens seriadas, a cada 1 a 3 meses, em pacientes pós-ressecção cirúrgica curativa e em quimioterapia. As elevações do CA 19-9 podem preceder o surgimento de imagens radioló- gicas em alguns meses.

? Auxílio no diagnóstico diferencial entre os tumores mucinosos pré-malignos e lesões benignas.

Realiza-se a sua dosagem em líquido pancreático, obtido a partir de aspiração de lesões císticas por ecoendoscopia.

O CA 19-9 não é recomendado rotineiramente como marcador de outros cânceres. No câncer gástrico, tem potencial valor na avaliação de prognóstico, monitorização de resposta a tratamento e detecção precoce de recorrência após cirurgia.

Valores obtidos de ensaios diferentes não são comparáveis devido a variações metodológicas e da especificidade dos reagentes. Portanto, a fidelidade ao ensaio é imprescindível. Se, no decorrer do acompanhamento de um paciente, o ensaio usado pelo laboratório for modificado, será necessário realinhamento com testes sequenciais. Todo laboratório clínico tem que descrever em seu laudo o ensaio utilizado.

CA 27.29 é um marcador tumoral usado no acompanhamento de pacientes com câncer de mama. O ensaio permite a detecção da glicoproteína codificada pelo gene MUC-1, produzida pelas células epiteliais glandulares, assim como o CA 15-3, porém ligando-se a um sítio diferente da molécula. Esse teste pode ser utilizado na detecção de recorrências e na monitori- zação do tratamento de pacientes com neoplasia de mama metastática, juntamente com exames de imagem e dados clínicos. Deve-se ressaltar que elevações espúrias podem ocorrer nas primeiras 4 a 6 semanas de tratamento. Alguns estudos demonstraram que CA 27.29 também pode apresentar valor prognóstico. Assim como o CA 15-3, o CA 27.29 não apresenta bom desempenho no rastreamento e diagnóstico das neoplasias de mama. A sensibilidade de apenas cerca de 30% nas lesões precoces desencoraja sua utilização com esses propósitos. CA 27.29 também está elevado em doenças benignas da mama, fígado, rins e ovários.

CA 50 é uma glicoproteína expressa pela maioria dos carcinomas epiteliais. Oitenta a 97% dos pacientes com câncer pancreático apresentam níveis elevados de CA 50. Nos estádios mais avançados do câncer colorretal, também são observados valores aumentados. Sua sensibilidade é semelhante à do CA 19.9. O CA 50 também pode ser expresso em doenças hepáticas e biliares benignas e na pancreatite.

Esta glicoproteína é um marcador tumoral utilizado no acompanhamento de pacientes com câncer gástrico e, menos comumente, nos cânceres de ovário e cólon. Não apresenta sensibilidade e especificidade suficientes para ser utilizado como método de triagem ou diagnóstico de qualquer neoplasia. No câncer de estômago, 50% dos pacientes apresentam elevações de CA 72-4, sendo o marcador mais indicado para este câncer. Sua sensibilidade eleva-se para 70% quando combinado com o CA 19-9.

Na avaliação da recorrência do tumor gástrico, apresenta sensibilidade em torno de 50%, antecedendo, em média, por 5 meses o diagnóstico cirúrgico. Não se recomenda tomada de condutas baseada em uma única dosagem de CA 72-4.

Níveis elevados de CA 72-4 podem ser encontrados no câncer de cólon (32%) e carcinoma de pâncreas (22%).

A taxa de resultados falso-positivos de CA 72-4 é de cerca de 2%. Níveis elevados são descritos em pacientes com doenças gastrintestinais benignas (adenomas, pólipos, diverticulite, colite ulcerativa, doença clórico-péptica, pancreatite, cirrose hepática), pneumopatias, doenças reumáticas, cistos ovarianos e doenças benignas de mama.

CADASIL é a sigla em inglês para arteriopatia cerebral autossômica dominante com infartos subcorticais e leucoencefalopatia, caracterizada pela presença de depósitos granulares nas artérias cerebrais pequenas, acarretando paralisia pseudobulbar e demência. Clinicamente, a CADASIL manifesta-se a partir da terceira década de vida com episódios de enxaqueca, sendo que a penetrância completa somente se dá entre 50 a 60 anos de idade. A maioria dos infartos são lacunares que aparecem na ausência de hipertensão e outros fatores de risco cardiovasculares. CADASIL é uma doença autossômica dominante hereditária que se deve a mutações no gene NOTCH3. Aproximadamente 75% das mutações se encontram nos éxons 3 e 4 deste gene. A mutação mais frequentemente relacionada à patologia é a substituição de uma citosina por timina na posição 268 do éxon 3 do NOTCH3 (R90C). A técnica e realizada com a amplificação dos éxons 3 e 4 e subsequente sequenciamento em duplo sentido e análise da sequência mediante BLAST - Basic Local Alignment Search Tool.

O potencial de exposição ao cádmio e seus compostos em ambiente de trabalho pode ocorrer em diversos setores. As exposições ocupacionais podem ocorrer em fundição e refino de zinco, chumbo e cobre, eletro- deposição, manufaturas de ligas de cádmio, pigmentos e estabilizado- res de plásticos, produção de baterias níquel-cádmio e solda metálica que contenha cádmio. O cádmio é um agente tóxico cumulativo e sua meia vida biológica é de 10 a 30 anos. Pode ser absorvido pelo trato respiratório e pelo trato gastrointestinal. Acumula-se nos pulmões, fígado e rins, sendo muito lentamente excretado pela urina. A inalação de cádmio pode causar danos pulmonares e renais. A lesão renal leva a distúrbios no metabolismo de cálcio e fósforo. Os alimentos e o cigarro constituem as principais fontes de exposição ao cádmio pela população em geral, exceto para os trabalhadores ocupacionalmente expostos em seus ambientes de trabalho.

O cálcio iônico é a fração biologicamente ativa do cálcio sérico total, represen- tando cerca de 50% deste. Sua concentração é mais baixa à noite e maior pela manhã. A dosagem do cálcio iônico independe da albumina, entretanto varia com o pH, aumentando na acidose e diminuindo na alcalose.

Sua dosagem é útil para avaliar os níveis de cálcio em pacientes com proteínas alteradas (insuficiência renal crônica, síndrome nefrótica, má-absorção intestinal, mieloma múltiplo, cirrose) e nos distúrbios do metabolismo ácido-básico. Indicado para pacientes com sepse, deficiência de magnésio, pancreatite ou submetidos à transfusão sanguínea rápida (por exemplo, pós cirúrgico ou transplantados).

O uso de nomogramas para calcular o cálcio iônico baseado no cálcio total, proteína total e albumina deve ser desencorajado pela baixa repro- dutibilidade do cálculo.

Níveis críticos de cálcio iônico são aqueles inferiores a 0,75 mmol/L e superiores a 1,6 mmol/L.

Vide alterações patológicas nos comentários do cálcio total.

O cálcio participa da contratilidade cardíaca e da musculatura esquelética e é essencial para o funcionamento do sistema nervoso. Além disso, ele tem uma importante função na coagulação sanguínea e na mineralização óssea. Cerca de 40% do cálcio encontra-se ligado às proteínas, 10% está na forma de complexo inorgânico e 50% está presente como cálcio iônico (livre).

Os níveis de cálcio total são alterados por mudanças na concentração de proteínas. Uma mudança de 1g/dL na concentração de albumina corresponde á uma mudança paralela de ? 0,8 mg/dL (? 0,2 mmol/L) no cálcio total. Falsas elevações de cálcio sérico são causadas por estase venosa durante coleta ou por estoque prolongado do sangue.

A hipercalcemia é provocada pela maior mobilização de cálcio do sistema esquelético ou aumento da sua absorção intestinal. É encontrada no hiperparatireoidismo, algumas neoplasias com ou sem metástases ósseas, mieloma, desidratação, hipervitaminose D, síndrome de imobilidade, hi- pertireoidismo, acromegalia, hepatopatias, insuficiência renal, sarcoidose, linfoma, policitemia vera, uso de diuréticos e estrógenos.

Níveis baixos de cálcio são encontrados no hiperparatireoidismo (idiopático, cirúrgico ou congênito), pseudohipoparatireoidismo, deficiência de vitamina D, insuficiência renal crônica, hipomagnesemia, terapia anti-convulsivante prolongada, pancreatite aguda, hiperfosfatemia, hipervo-lemia, doença tubular renal distal e proximal, alcoolismo, cirrose hepática, hipoalbuminemia, prematuridade neonatal e má absorção intestinal.

Níveis críticos de cálcio total são aqueles inferiores a 6 mg/dl e superiores a 13 mg/dl. Na interpretação dos valores normais deve-se levar em conta níveis de albumina. Hemólise pode elevar seus resultados. A dosagem do cálcio iônico evita as distorções causadas pelas variações dos níveis da albumina.

A dosagem do cálcio urinário é útil na investigação dos efeitos da vitamina D e PTH sobre a reabsorção óssea. Também utilizado na avaliação de nefro- litíase. Sua determinação é preferida na urina de 24h; urina recente pode ser utilizada realizando a razão cálcio/creatinina.

A hipercalciúria é encontrada nas hipercalcemias, na hiperabsorção intestinal de cálcio, distúrbios da reabsorção tubular de cálcio, cortico- terapia, osteoporose, acromegalia, hipertireoidismo, feocromocitoma e Síndrome de Cushing. A hipocalciúria pode ser secundária à hipocalcemia, insuficiência renal, osteomalácia, raquitismo, alcalose, uso de diuréticos e estrógenos.

A calcitonina é um hormônio peptídico produzido pelas células C parafoli- culares da tireoide. Sua função fisiológica é como antagonista do parator- mônio, diminuindo a reabsorção óssea osteoclástica e o cálcio sérico.

O valor para indivíduos saudáveis varia na dependência do imunoensaio utilizado.

Clinicamente, o exame é útil como marcador tumoral do carcinoma medular da tireoide (CMT), particularmente no seguimento de portadores da doença e no rastreio de familiares assintomáticos de portadores (forma familiar). Os níveis de calcitonina sérica não conseguem diferenciar entre a hiperplasia de células C e o microcarcinoma medular.

O CMT aparece como componente da Neoplasia Endócrina Múltipla (NEM) tipo IIA ou IIB em 10% dos casos. Alguns indivíduos podem apresentar calcitonina basal normal ou limítrofe. Nestes casos, agentes provocativos como pentagastrina ou cálcio podem ser usados para estimular a secreção e evidenciar anormalidades.

A dosagem de calcitonina encontra-se elevada nos portadores de CMT e também em alguns pacientes com câncer de pulmão, mama ou pâncreas, nas pancreatites, tireoidites, falência renal, Síndrome de Zolinger-Elison, anemia perniciosa, gestação e recém-natos.

A vesícula é a sede predominante dos cálculos biliares. A litíase dos canais biliares resulta, geralmente, da migração a partir da vesícula.

Os cálculos de colesterol representam 70 a 80% dos cálculos e, embora possam ser puros, em sua maioria são do tipo misto. São castanho-claros, polidos ou facetados, únicos ou múltiplos e, após secção têm aspecto lamelar ou cristalino.

Os cálculos pigmentares contêm menos de 25% de colesterol em sua formação e seu principal componente é o bilirrubinato de cálcio. Podem ser negros, mais comuns em pacientes com cirrose ou hemólise crônica, ou castanhos, associados a quadros infecciosos.

A análise física e química fornece informações sobre a etiopatogenia da formação do cálculo biliar. As substâncias mais comumente encontradas são: bilirrubina, biliverdina, colesterol, cálcio, ferro e fosfato.

O conhecimento dos constituintes dos cálculos é fundamental na avaliação do risco de nefrolitíase, dirigindo a investigação, o tratamento e ajudando a esclarecer sua patogenia. É útil também na avaliação prognóstica, por exemplo, dos cálculos de cálcio: aqueles com fosfato (mesmo quando associado a oxalato) são mais recorrentes que os de oxalato puro. É recomendável que todo paciente tenha pelo menos um cálculo analisado.

A calprotectina é uma proteína encontrada nos grânulos citoplasmáticos dos neutrófilos. Concentrações elevadas de calprotectina nas fezes são observadas nas doenças inflamatórias intestinais (DII). A quantificação dos níveis de calprotectina nas fezes é um exame útil para diferenciar pacientes com DII de pacientes com síndrome do intestino irritável (SII), com sensibilidade de 93% e especificidade de 96%. Pacientes com DII apresentam concentração significativamente elevadas de calprotectina nas fezes, enquanto pacientes com SII apresentam concentrações normais. Os pacientes com suspeita de DII e resultados elevados de calprotectina devem ser avaliados com métodos invasivos como colonoscopia. É importante salientar que resultados elevados de calprotectina podem ser observados em outras doenças intestinais orgânicas, tais como neoplasias, diarreia bacteriana, colite microscópica, diver- ticulite, úlcera péptica e enteropatia induzida por anti-inflamatórios.

Em pacientes com DII existe correlação entre as concentrações fecais de calprotectina e a atividade da doença. Nos pacientes que evoluem com remissão clínica e endoscópica, os níveis de calprotectina tendem a se normalizar, enquanto nos pacientes que não respondem ao tratamento, eles permanecem inalterados. A sensibilidade e especificidade do teste para remissão endoscópica é de 84% e 74%, respectivamente. Nos pacientes em remissão, elevações da concentração de calprotectina predizem recidiva da doença em 12 meses com sensibilidade de 78% e especificidade de 73%.

A Donovanose ou granuloma venéreo é uma doença causada pelo Calyma- tobacterium granulomatis que cursa com lesões granulomatosas genitais. O C. granulomatis é um gram-negativo que se cora com maior intensidade no centro, sendo encontrado em maior quantidade dentro do macrófago, sob a forma de pequenos corpos ovais denominados de corpúsculos de Donovan. Sua pesquisa é útil no diagnóstico diferencial de outras lesões anogenitais: condiloma acuminado, cancro mole, sífilis e carcinoma espinocelular.

Campylobacter jejuni é uma das principais causas de diarreia, sendo as aves importante fonte de infecção. Níveis acentuadamente elevados de anticorpos anti-C. jejuni normalmente indicam infecção recente ou curso, mesmo com a coprocultura negativa.

Os membros do gênero Campylobacter são bastonetes curvos gram- -negativos. O isolamento e identificação dos Campylobacter spp são úteis no diagnóstico dos quadros de enterocolite aguda. A maioria das infecções por estas bactérias é adquirida pela ingestão de leite cru, derivados de aves domésticas e água contaminada. Sua infecção mani- festa-se com diarreia, febre e dor abdominal. São agentes frequentes de diarreia infecciosa adquirida na comunidade.

O delta-9-tetrahidrocanabinol (9-THC) é o ingrediente psicoativo primário presente na planta Cannabis sativa, consumida como droga de abuso na forma de maconha e haxixe. O 11-nor-9-carboxi-delta-9-THC (9-carboxi-THC), principal derivado, tem sua concentração na urina influenciada pela dose de 9-THC absorvida, frequência do uso, tempo de coleta após a última exposição, concentração de 9-THC armazenado no tecido adiposo e quantidade de líquidos ingerida antes da coleta. No uso ocasional (menos de duas vezes por semana), as amostras geralmente são positivas por 1 a 3 dias após o consumo. Nos pacientes em uso crônico (duas vezes por semana ou mais), espera-se encontrar amostras de urina positivas continuamente. O pico das concentrações urinárias após uso da maconha ocorre entre 7 e 14 horas, sendo dependente da concentração da droga e de características individuais do usuário. Os métodos cromatográficos (HPLC, GC/MS) estão indicados para confirmação dos resultados positivos no teste de triagem.

A perda de heterozigocidade na região 18q está claramente associada ao carcinoma colorretal. Aproximadamente 70% dos casos de câncer colorretal primário apresentam perda da heterozigoze na região 18q.

Este percentual aumenta significativamente quando comparados com os estágios avançados da doença. A perda alélica na região 18q está associada com menor sobrevida e maior recorrência de doença em pacientes com câncer colorretal, estadiamento II e III. Além disso, tem valor prognóstico no tratamento adjuvante com 5-fluorouacil.

A avaliação do risco de desenvolvimento de câncer pode ser realizado por estratégias que buscam a identificação de variantes/mutações associadas ao desenvolvimento de câncer. Estudos do Genome-Wide Aassociation (GWAS), tem identificado inúmeras variantes como polimorfismos de um único nucleotídeo (SNP´s) que estão associados ao risco aumentado para desenvolvimento de CA de mama. Painéis de marcadores de SNP´s são conhecidos e disponíveis comercialmente como uma forma de melhorar o manejo do risco pra CA de mama. A associação do resultado desses painéis com fatores indicadores de risco para desenvolvimento do tumor como idade, história familiar, história reprodutiva, história de biópsia de mama ou hiperplasia mamária possibilita estabelecer um modelo de determinação de risco como, por exemplo, o BCRAT – Breast Cancer Risk Assesment Tool, também conhecido com Gail model. Michailidou et. al, 2013 publicou um estudo que avaliou 41 variantes SNPS´s de baixa penetrância em indivíduos com ascendência europeia que culminou em achados de risco moderado, alto ou muito elevado de desenvolver o câncer em algum momento da vida em comparação a população geral.

O Painel Genético de Predisposição ao Câncer de Mama é um teste genético rápido, desenvolvido pelo Laboratório Progenetica, que se baseia em um painel de polimorfismos selecionados por apresentarem uma forte correlação estatística com a susceptibilidade ou o risco do aparecimento do câncer de mama.

O Painel Genético de Predisposição ao Câncer de Mama faz parte de uma estratégia para a implementação de medidas preventivas, tais como periodicidade de realização de exames de rastreamento e intervenção precoce, baseando-se nas mais avançadas descobertas científicas relacionadas com o código genético. Os resultados desse teste não significam que o paciente tenha no presente ou irá desenvolver no futuro as doenças investigadas. O exame visa avaliar o risco relativo (RR) baseado no genótipo do paciente para determinados polimorfismos com embasamento em trabalhos científicos

Este exame tem como objetivo a avaliação simultânea de várias mutações driver em adenocarcinoma de pulmão. Nesse painel, é realizado um rastreamento completo das principais mutações associadas ao câncer de pulmão através de sequenciamento de DNA de nova geração (Next GenerationSequencing, NGS). Neste teste são avaliadas mutações nos seguintes genes: AKT1, ALK, BRAF, CTNNB1, DDR2, EGFR, ERBB2/HER2, ERBB4, FBXW7, FGFR1, FGFR2, FGFR3, KRAS, MAP2K1, MET, NOTCH1, NRAS, PIK3CA, PTEN, SMAD4, STK11 e TP53. A definição da presença de mutações nestes genes fornece informações importantes para tomada de decisões terapêuticas e para definição de prognóstico do paciente.

Condições

? Bloco de parafina (Tecido fixado e impregnado em parafina, FIP);
OBS: Enviar, quando possível, o bloco de parafina da metástase.

A carbamazepina é um anticonvulsivante também usado para tratamento de neuralgias e neuropatia diabética. Sua dosagem é útil para monitorização dos níveis terapêuticos e avaliação de toxicidade. O pico plasmático ocorre em 6 horas, estando 75% da droga ligada a proteínas. É metabolizada no fígado e apresenta meia-vida de 12 a 40 horas. Pode levar à indução das enzimas hepáticas e consequente aumento da depuração de outras drogas, bem como dela própria. Essa- auto-indução é responsável pela diminuição da meia-vida da droga após 6 semanas de tratamento. Cerca de 3 a 7 dias são necessários para que ocorra o estado de equilíbrio. A principal causa de níveis baixos é a não adesão ao tratamento. Drogas como fenitoína, fenobarbital e primidona podem reduzir os níveis da carbamazepina. Algumas drogas podem elevar os níveis séricos da carbamazepina, como ácido valproico, cimetidina, eritromicina, isoniazida, fluoxetina, propoxifeno e verapamil. Toxicidade ocorre com níveis acima de 12 mcg/mL. Sua dosagem não detecta a oxcarbazepina.

A cromatografia de carboidratos na urina pode ser utilizada para identificar açúcares como xilose, frutose, glicose, galactose, maltose e lactose, que normalmente estão presentes em quantidades indetectáveis na urina. A presença de um desses açúcares na urina pode refletir o consumo dietético de carboidrato e também pode ser indicativo de alguma doença como galactosemia, frutosemia e intolerância congênita à frutose. A cromatografia de carboidratos pode apresentar resultados alterados em pacientes que estão em uso de medicamentos que possam conter substâncias redutoras, como os antibióticos.

O monóxido de carbono (CO), considerado um dos gases mais nocivos, é causa frequente de intoxicações de origem ocupacional ou doméstica.

Apesar de existirem fontes naturais (atividade vulcânica, oxidação do metano, entre outras) e endógenas de CO (catabolismo do heme), as mais importantes fontes do ponto de vista toxicológico são as que resultam da atividade humana (queima de gasolina por veículos automotores). A fumaça resultante da queima do tabaco, assim como de maconha, é importante fonte de exposição humana ao CO.

A carboxihemoglobina é utilizada na avaliação de exposição ao monóxido de carbono e ao diclorometano (cloreto de metileno). Sua ação tóxica advém da forte ligação química que o CO estabelece com o átomo de ferro da fração heme da hemoglobina, formando a carboxihemoglobina, pigmento anormal do sangue incapaz de transportar o oxigênio. A presença da carboxihemoglobina também dificulta a dissociação da oxihemoglobina presente, diminuindo ainda mais a disponibilidade de oxigênio nos tecidos. O diclorometano libera o CO no organismo por biotransformação e possui potencial mutagênico. As altas concentrações de carboxihemoglobina provocam hipóxia tecidual, estimulando a eritropoiese e causando uma elevação do hematócrito.

A meia-vida da carboxihemoglobina no organismo, em condições de repouso, é de cerca de 4 a 5 horas.

O Antígeno Carcinoma de Células Escamosas (SCC) é uma proteína estrutural citoplasmática e sua concentração circulante pode estar elevada em Carcinomas de Células Escamosas de diferentes órgãos, como pulmão e colo uterino. Níveis aumentados também são encontrados em doenças dermatológicas, doenças pulmonares infla- matórias, doenças renais e hepáticas. A sensibilidade para o Carcinoma Pulmonar Não-Pequenas Células (NSCLC) varia de 15 a 55%, sendo maior para Carcinoma de Células Escamosas.

A síndrome do anticorpo antifosfolípide (SAF) é uma doença autoimune caracterizada por trombose vascular e complicações obstétricas (perda fetal, prematuridade e aborto espontâneo) e pela presença de um ou mais anticorpos antifosfolípides.

A SAF é uma trombofilia adquirida. Pode ocorrer isoladamente ou em associação com outras doenças autoimunes, principalmente lúpus eritematoso sistêmico.

Na prática clínica, os critérios revisados para a classificação da SAF são amplamente utilizados na investigação de pacientes com fenômenos trombóticos vasculares e/ou complicações obstétricas. O diagnóstico da SAF requer a combinação pelo menos um critério clínico e um critério laboratorial. O quadro 1 apresenta os critérios laboratoriais utilizados para o diagnóstico da SAF.

A pesquisa de anticorpos anticardiolipina (aCL) é um teste de difícil padronização. Os vários kits disponíveis no mercado apresentam concordância ruim para a detecção de aCL, como resultado de diferenças relativas à escolha do cutoff, a composição do antígeno e de calibração entre os fabricantes. Coeficientes de variação inter-laboratorial de até 79% tem sido relatados para aCL IgG.

O isotipo e o título do aCL são dois aspectos importantes para a interpre- tação dos resultados teste. Resultados falsos positivos isolados para aCL da classe IgG e IgM são frequentes, particularmente em baixos títulos.

Isso porque aCL em títulos baixos podem surgir transitoriamente no contexto de infecções bacterianas, virais, parasitárias ou uso de deter- minados medicamentos. Não há correlação entre positividade isolada para aCL IgM ou aCL IgG em baixos títulos e os eventos clínicos da SAF, exceto para aCL IgG e eventos obstétricos. Os estudos demonstram que apenas a presença de aCL IgG em títulos moderados a altos são um fator de risco para trombose arterial, enquanto nenhuma associação com trombose ou perda gestacional foi observada para aCL IgM.

Anticorpos aCL IgA têm sido relacionados com as manifestações clínicas da SAF em alguns estudos, particularmente em pacientes soronegativos para os anticorpos AAF tradicionais. Entretanto, eles ainda não foram incorporados como parte dos critérios laboratoriais da SAF.

Veja também Anticoagulante lúpico.

Este exame pode ser utilizado para o diagnóstico das doenças cromossômicas associadas ao baixo mosaicismo celular.

Através da técnica de cariotipagem com bandamento G é possível identificar de forma precisa cada par de cromossomos e detectar anomalias estruturais ou numéricas. Pode ser utilizado para diagnóstico de Síndrome de Down, Síndrome de Turner, Síndrome de Klinefelter, dentre outras. Este é um exame constitucional, logo não detecta alterações cromossômicas adquiridas tais como leucemias.

O cariótipo de medula óssea está indicado para diagnóstico de casos com suspeita de LMC – leucemia mieloide crônica - (cromossomo Philadelphia) e demais leucemias, bem como em outras desordens hematológicas malignas.

O cariótipo de sangue para doenças hematológicas está indicado para diagnóstico de casos com suspeita de LMC (Cromossomo Philadelphia) e demais leucemias, bem como em outras desordens hematológicas malignas. É indicado apenas quando não é possível coletar a medula óssea e o paciente apresenta alta porcentagem de células blásticas em divisão no sangue periférico.

A dosagem enzimática de carnitina livre pode ser utilizada para monitorizar tratamento com carnitina, em determinados distúrbios metabólicos.

A análise de carnitina é útil para o diagnóstico e para monitorização de pacientes com deficiência de carnitina (primária ou secundária). A deficiência primária de carnitina é um distúrbio autossômico recessivo em que a absorção celular de carnitina é prejudicada, devido a um defeito no transportador de carnitina da membrana, presentes nas células musculares esqueléticas e cardíacas, fibroblastos, linfoblastos. Deficiência secundária de carnitina pode ser vista tanto em indivíduos com dieta pobre em carnitina, como também em vários distúrbios metabólicos.

Nestes distúrbios, a carnitina se associa com o substrato acumulado na via metabólica comprometida, formando determinado éster de acilcarnitina, que é excretado na urina. Com isso, ocorre depleção de carnitina no paciente.

As catecolaminas são um grupo de compostos similares com ação simpaticomimética. Estes compostos, que consistem em monoaminas ligadas a um anel de benzeno e dois grupos hidroxila (catecol), incluem epinefrina, norepinefrina e dopamina. No sistema nervoso central, dopamina e norepinefrina agem como importantes transmissores de sinal nervoso, tendo também marcada ação no sistema vascular. Já a epinefrina, é considerada um hormônio da medula adrenal e influencia processos metabólicos, particularmente o metabolismo de carboidra- tos. Existe uma variação diurna das catecolaminas, sendo observadas maiores concentrações pela manhã e menores à noite.

A produção normal de catecolaminas é importante na manutenção da saúde, enquanto seu excesso ou sua deficiência estão associados a um número de doenças. O excesso de catecolaminas pode ser observado na insuficiência cardíaca congestiva, arritmias, hipotensão ou hipovolemia; baixas concentrações são observadas em indivíduos com parkinsonismo ou neuropatia autonômica, incluindo hipotensão postural idiopática.

A dosagem laboratorial das catecolaminas ou seus metabólitos, entretanto, é usada primariamente no diagnóstico de tumores de células neurocromafins secretores de catecolaminas (feocromocitoma, paragan- glioma, neuroblastoma).

Catecolaminas são compostos lábeis, sendo sua determinação influen- ciada por uma série de variáveis pré-analíticas.

Rápidas elevações na concentração plasmática podem ser induzidas por estresse, exercício, mudança de postura para ortostatismo, hipoglicemia, exercício, fumo, frio, hipóxia, hipovolemia, dor, ansiedade.

Medicamentos também podem afetar a concentração de catecolaminas pelo próprio mecanismo de ação farmacológica. O paciente deverá permanecer sem ingerir medicamentos interferentes, conforme orientação de seu médico, uma semana antes da coleta.

Em indivíduos com feocromocitoma a liberação de catecolaminas pelo tumor pode ser intermitente ou a captação e degradação de catecola- minas pelo tumor podem ser tão grandes que concentrações normais ou próximas ao normal podem ser mensuradas no sangue e na urina, e apenas ser observada elevação de seus metabólitos urinários. Entretanto, a dosagem de catecolaminas plasmáticas pode ser útil em pacientes cujas dosagens de metanefrinas (plasma e urina) não puderam excluir o diagnóstico de feocromocitoma. Em tais casos, a dosagem de catecola- minas no plasma no momento da crise pode ter uma sensibilidade de até 95%. Resultados normais durante a crise, particularmente se as metane- frinas plasmática e urinária também são normais, fortemente afastam o diagnóstico de feocromocitoma.

As condições da amostra para dosagem das catecolaminas plasmáticas são muito importantes e devem ser criteriosamente padronizadas.

A caxumba é causada por um paramyxovirus. A sorologia permite avaliar a resposta à infecção natural ou à imunização. A presença de anticorpos da classe IgM indica infecção recente, podendo ser detectados nos primeiros dias e mantendo-se por 1 a 3 meses. Em quadros crônicos, pós-vacinais ou de transferência de imunidade (filhos de mães imunes ou uso de gamaglobulina hiperimune), anticorpos IgM estão ausentes. Os anticorpos da classe IgG surgem logo após a IgM e mantêm-se em níveis protetores de forma duradoura. Os recém-nascidos de mães imunizadas, naturalmente ou por vacinação, apresentam níveis protetores de IgG até cerca de 6 meses de idade.

Infecção viral aguda, benigna, autolimitada, cujo agente etiológico tem tropismo por glândulas, especialmente as salivares e sistema nervoso central. Das infecções, 30 a 40% são assintomáticas. Na era pós-vacinal (década de 90), indivíduos com 15 anos de idade ou mais, passaram a responder por 30 a 40% dos casos de caxumba, sem predileção por sexo. Trata- se de um vírus RNA, da família Paramyxoviridae, gênero Rubulavirus, ao qual pertencem outros vírus da espécie humana o Parainfluenza tipos 2, 4a e 4b. Vírus alcança o hospedeiro por meio de contato direto, gotículas de saliva ou por fômites de um indivíduo infectado. Maior período de transmissão é de 1 a 2 dias antes do início dos sintomas. Pode se manifestar através de parotidite, orquiepidimite, ooforite, pancreatite e manifestações mais raras como meningite, encefalite, insuficiência renal, surdez, miocardite, etc. A reação em cadeia pela polimerase após a transcrição reversa permite a detecção do RNA do vírus da caxumba em swab de orofaringe, urina, líquor, líquido seminal, sangue e biópsia.

A elevação do aminoácido homocisteína plasmático é um fator de risco estabelecido para TEV (tromboembolismo venoso). Deficiências nutricionais de vitaminas B6, B12 e folato e alterações genéticas nas enzimas metileno-tetra-hidrofolato redutase (MTHFR) e cistationina ? sintetase (CBS) influenciam o metabolismo intracelular da homocisteína.

Os anticorpos dirigidos contra proteínas/peptídeos cíclicos citrulinados (anti-CCP) são um grupo de autoanticorpos que reconhecem determinantes antigênicos que contem em sua molécula o aminoácido citrulina, originado a partir de uma modificação pós-traducional do aminoácido arginina.

O fator reumatoide (FR) e o anti-CCP são os principais testes utilizados na avaliação diagnóstica de pacientes com artrite reumatoide (AR), que é a doença reumática autoimune mais comum na população. O anti-CCP possui sensibilidade semelhante (67%) e maior especificidade (95%) que o FR (sensibilidade de 70% e especificidade de 79%), para o diagnóstico da AR, incluindo as formas precoces da doença. Além do valor diagnóstico, o anti-CCP também tem valor prognóstico, sendo considerado o melhor marcador de progressão radiográfica da doença. Em 2010 os critérios de classificação da AR foram atualizados, com a inclusão do anti-CCP como um dos itens diagnósticos.

Na maioria dos pacientes com AR, FR e anti-CCP coexistem. Em cerca de 10-20% dos pacientes com FR negativo, o anti-CCP pode estar positivo. Não existe associação entre os níveis de anti-CCP e a atividade da AR.

Anti-CCP e FR só devem ser solicitados em pacientes com artrite de pelo menos uma articulação e não explicada por outras causas como trauma, lúpus e gota. Isso porque resultados positivos de anti-CCP podem ocorrer em uma pequena parcela de doentes com lúpus, síndrome de Sjögren, artrite psoriástica e tuberculose, geralmente em níveis baixos.

Os anti-CCP podem ser detectados por uma variedade de testes disponíveis comercialmente, como anti-CCP de 2º geração (CCP2), anti-CCP de 3º geração (CCP3), anti-vimentina citrulinada (anti-VCM), anti-Sa, etc. Destes, o CCP2 é o mais amplamente estudado, tendo a maior parte das correlações clínicas do teste, incluindo sensibilida- de, especificidade e valor prognóstico, sido estabelecida com esse substrato.

CD55 e CD59 são proteínas de membrana que participam da regulação da ativação da cascata do complemento. Essa regulação ocorre através da inibição da C3 convertase pelo CD55 e prevenção da etapa final de poli- merização do complexo de ataque à membrana pelo CD59. A deficiência na expressão dessas proteínas pode estar associada a uma maior ativação do sistema complemento, incluindo o complexo de ataque à membrana, levando à morte celular. A hemoglobinúria paroxística noturna (HPN) é uma rara forma de anemia hemolítica adquirida, onde há o acometimento de células progenitoras hematopoiéticas. A citometria de fluxo é o método recomendado para a avaliação diagnóstica dos pacientes suspeitos através da investigação da perda da expressão de CD59 e CD55 pelas hemácias.

O CD4 está expresso em 55% a 65% dos linfócitos T periféricos, especial- mente no subtipo T helper (auxiliar). O CD8 está expresso em 25% a 35% das células T periféricas, especialmente no subtipo supressor/citotóxico. A contagem de CD4, juntamente com a avaliação clínica e a medida da carga viral são parâmetros a serem considerados na decisão de iniciar ou modificar a terapia antirretroviral na AIDS. A utilização da contagem de CD4/CD8 e a medida da carga viral devem ser avaliadas, idealmente, em duas ocasiões, antes da tomada de decisão clínica quanto à terapêutica a ser adotada. São consideradas significativas as reduções de CD4 maiores que 30% (em valores absolutos) em relação à sua determinação prévia. Discordância entre a carga viral e do CD4 pode ocorrer em até 20% dos pacientes. A contagem de CD4 e CD8 é realizada por citometria de fluxo.

Trata-se de uma glicoproteína que não é órgão específica. Um dos marcadores tumorais mais utilizados mundialmente.

Níveis elevados são encontrados em vários tumores, mas sua maior aplicação é na monitorização do câncer colorretal. Outras neoplasias podem cursar com níveis elevados: mama, pulmão, ovário, estômago, pâncreas, útero, tireoide e tumores de cabeça e pescoço. Níveis elevados também podem ocorrer em fumantes e em portadores de doenças benignas como inflamações, infecções, úlceras pépticas, pancreatite, doença inflamatória intestinal, cirrose hepática, enfisema pulmonar, polipose retal e doenças mamárias benignas.

Como pode estar elevado em pacientes saudáveis, o CEA não deve ser utilizado como ferramenta para triagem de câncer em pacientes normais. A baixa sensibilidade do teste combinada a baixa prevalência do câncer de cólon na população geral assintomática descredenciam o exame com esta finalidade.

Nas doenças benignas, raramente encontramos valores séricos superiores a 10mg/L. Portanto, pacientes com sintomas de doença intestinal e elevações do CEA cinco vezes acima do valor de referência devem ser cuidadosamente avaliados pela forte possibilidade da presença de doença cancerosa. A sensibilidade em pacientes sintomáticos eleva-se devido à probabilidade maior da doença já se encontrar em estágio avançado.

Em pacientes com diagnóstico de câncer de cólon, a vigília rigorosa com este marcador no pós-operatório apresenta aumento real da sobrevida. Recomenda-se a mensuração a cada 3 meses por, no mínimo, 3 anos. É considerado um aumento significativo a elevação de 30% sobre o valor prévio, devendo-se fazer um exame confirmatório após 1 mês. O mesmo procedimento deve ser realizado na monitorização da efetividade do tratamento nos pacientes com doença avançada.

Concentrações baixas não excluem, definitivamente, a progressão da doença. Pacientes com sintomas clínicos de recorrência devem ser submetidos a exames de imagem e colonoscopia, independentemente da concentração sérica do CEA.

Cirurgia, quimioterapia e radioterapia podem causar aumentos transitó- rios do CEA.

Valores obtidos de ensaios diferentes não são comparáveis devido a variações metodológicas e da especificidade dos reagentes. Portanto, a fidelidade ao ensaio é imprescindível. Se, no decorrer do acompanha- mento de um paciente, o ensaio usado pelo laboratório for modificado, será necessário realinhamento com testes sequenciais. Todo laboratório clínico tem que descrever em seu laudo o ensaio utilizado.

Anticorpos anti-célula parietal (ACP) são úteis para o diagnóstico da gastrite autoimune e anemia perniciosa. A absorção da vitamina B12 (cobalamina) é mediada pelo fator intrínseco produzido pelas células parietais gástricas. Gastrite autoimune leva à atrofia gástrica, diminuição da produção fator intrínseco pelas células parietais e consequente deficiência de vitamina B12 (anemia perniciosa). A pesquisa de AAP apresenta sensi- bilidade e especificidade de 90% para o diagnóstico da anemia perniciosa. Nas fases avançadas da gastrite autoimune, a prevalência de ACP pode ser de apenas 55%. Baixos títulos de AAP também podem ser encontrados em 2-5% dos adultos saudáveis, na úlcera gástrica, câncer gástrico, síndrome de Sjögren, tireoidite autoimune e diabetes mellitus do tipo I.

Anticorpos anti-centrômero (ACA) são autoanticorpos dirigidos contra uma família de proteínas localizadas no centrômero, que é a região de constrição primária dos cromossomos eucarióticos. Na imunofluorescência indireta em células HEp-2, ACA apresentam um padrão de fluorescência específico (centromérico), que não necessita ser confirmado por outro método analítico. ACA são considerados marcadores diagnósticos e prog- nósticos da esclerose sistêmica (ES). A prevalência de ACA varia de acordo coma a etnia (maior em caucasianos), o gênero (maior no sexo feminino) e a forma da doença. Ocorrem em 20% a 30% dos pacientes com ES, principalmente nas formas limitadas da doença (prevalência de até 65%). Sua presença está associada com maior frequência de calcinose, úlceras digitais isquêmicas e hipertensão pulmonar, menor frequência de doença intersti- cial pulmonar e maior sobrevida. Em pacientes com fenômeno de Raynaud isolado, ACA é um fator de risco para a evolução futura para ES. Podem ser encontrados em 10% dos pacientes com Síndrome de Sjögren, 5% dos pacientes com LES e em menos de 0,5% da população saudável.

A ceruloplasmina é uma proteína (alfa-2-globulina) produzida no fígado que carrea 70% a 90% do cobre plasmático. Por ser uma proteína de fase aguda, eleva-se em processos inflamatórios e um resultado normal não exclui odiagnóstico da Doença de Wilson. Os estrógenos também elevam a ceruloplasmina. Níveis em neonatos são mais baixos que em adultos. Valores abaixo de 10 mg/dL são evidência fortemente sugestiva da Doença de Wilson. Também encontra-se diminuída na Síndrome de Menkes, deficiência nutricional, síndrome nefrótica e má-absorção. Deve-se lembrar que 28% dos pacientes com Doença de Wilson apresentam ceruloplasmi- na normal.

No mínimo em duas ocasiões, as variações da ceruloplasmina não são paralelas às do cobre sérico:

? Na intoxicação aguda por cobre, quando a dosagem for realizada antes do aumento da síntese de ceruloplasmina; ? Na Doença de Wilson, em que os níveis de ceruloplasmina são usualmente baixos e o cobre sérico pode estar normal.

O cobre desempenha importante função no metabolismo do ferro. A intoxicação pode acontecer com o uso de DIU (contendo cobre), ingestão de soluções e alimentos contaminados e exposição a fungicidas que contenham o metal.

São derivados dos andrógenos, principalmente do SDHEA, mas também de DHEA e androsterona. Já os andrógenos mais potentes, testosterona e di-hidrotestosterona, não são medidos como cetosteroides. No homem, cerca de 75% dos 17-KS provêm da adrenal, tendo o restante origem testicular. Nas mulheres, originam-se principalmente na adrenal.

A importância clínica desse teste foi superada pelas demais determina- ções da função adrenal. Valores elevados são encontrados na hiperplasia adrenal congênita, síndrome dos ovários policísticos, tumores de testículo, adrenal ou ovário, síndrome de Cushing, uso de corticosteroides e gravidez. Encontram-se reduzidos na adrenalectomia, Doença de Addison, hipocortisolismo secundário, insuficiência testicular, síndrome nefrótica e hipotireoidismo.

A Chlamydophila pneumonia (conhecida anteriormente como Chlamydia pneumoniae) causa pneumonia em humanos. Trata-se de patógeno primário de humanos, com disseminação direta, sem nenhum hospedeiro animal identificado. A C. pneumoniae é responsável por aproximadamente 10% dos casos de pneumonia.

Chlamydophila psittaci é o agente causador da psitacose, uma doença caracterizada por pneumonia, cefaleia e hepatoesplenomegalia. Psitacose é transmitida por via aérea a partir de aves infectadas.

Baseia-se na visualização direta da clamídia por coloração com anticorpos marcados. Anticorpos monoclonais são preparados com proteínas presentes nas membranas externas das 15 variantes sorológicas humanas da C. trachomatis. Esses anticorpos reagem contra as duas formas de C. trachomatis: corpos elementares (formas infectantes) e corpos reticulados (metabolicamente ativos). O uso de anticorpos monoclonais permite sensibilidade de 80% a 90% com especificidade de 98% a 99%, quando comparado com a cultura. Útil para detecção de infecção em espécimes conjuntival, uretral, retal e endocervical.

Testes sorológicos não são usados rotineiramente, de forma isolada, no diagnóstico de infecções genitais pela C. trachomatis em adultos, tendo maior utilidade em neonatos, pacientes com quadros sistêmicos e em inquéritos epidemiológicos. A realização de sorologias pareadas, com demonstração de elevação de 4 vezes nos títulos na fase aguda e conva- lescença, aumenta o poder diagnóstico da sorologia para C. trachomatis. A sorologia não é útil para controle de cura da infecção.

IgM anti-Chlamydia trachomatis

Não é um marcador fidedigno de infecção aguda, uma vez que frequen- temente está ausente, pois pacientes geralmente já tiveram infecções passadas por outras espécies de clamídias. É útil no diagnóstico da pneumonia por C. trachomatis em neonatos, onde está presente em quase 100% dos casos e no linfogranuloma venéreo, por se tratar de doença sistêmica. Mulheres com infecções genitais altas (endometrite, salpingite) tendem a títulos mais elevados de anticorpos. Falso-positi- vos para fator reumatoide e reações cruzadas com C. pneumoniae são descritos. IgM apresenta sensibilidade de 19% em quadros de infecção urogenital por C. trachomatis.

IgG anti-Chlamydia trachomatis

Está presente em 100% das crianças com pneumonia e conjun- tivite de inclusão, podendo significar, entretanto, transmissão materna passiva de IgG. A prevalência do IgG anti-clamídia é alta em mulheres, mesmo naquelas sem infecção aguda, o que diminui sua importância diagnóstica.

IgA anti-Chlamydia trachomatis:

Sua associação com doença ativa é descrita. Em adultos, é mais fre- quentemente encontrado que o IgM na fase aguda. IgA anti-clamídia apresenta sensibilidade de 63% em quadro de infecção urogenital por C. trachomatis.

Até recentemente, a cultura era considerada o padrão ouro para detecção da C. trachomatis em amostras urogenitais devido à sua elevada especifi- cidade. Detecta somente corpos elementares viáveis, tendo, pois, sensibili- dade inferior à amplificação do DNA (PCR). Apresenta como desvantagens a necessidade de meios de transporte, o custo e a demora no resultado.

A cultura é realizada com inoculação de amostras em monocamadas de células de McCoy. A Chlamydia trachomatis cresce e forma inclusões intracitoplasmáticas que são visualizadas 48h a 72h após a incubação. Sua especificidade é próxima a 100%, com sensibilidade entre 70% e 90%. Em ordem decrescente da quantidade de organismos encontrados citamos: raspado ocular, raspado endocervical, uretra masculina, uretra feminina e pus de bulbão. No Linfogranuloma Venéreo, o organismo é reconhecido em apenas 30% dos casos.

Método

Inoculação em Monocamada de cultura de Células McCoy

Condição

? Raspado uretral, endocervical, conjuntival, retal, pus de bubão inguinal, esperma e fundo de saco vaginal. Esse teste requer amostra com número adequado de células, portanto não é feito em urina.
? Material uretral: coletar pela manhã antes de urinar ou permanecer no mínimo 4horas sem urinar.
? Material endocervical: a paciente não pode estar menstruada ou fazendo uso de medicações tópicas.

Demonstrações de inclusões intracelulares típicas em esfregaços diretos podem ser utilizadas, particularmente na conjuntivite aguda em neonatos, permitindo a detecção simultânea do gonococo. O método de Giemsa apresenta sensibilidade de 90% em espécimes colhidos em neonatos com conjuntivite. É importante salientar que esse método não é recomendado para diagnóstico de infecções urogenitais em adultos devido à falta de especificidade e sensibilidade. Em infecções oculares de adultos apresenta sensibilidade de 50%. Embora seja classificada como gram-negativa, a realização do método Gram é de pouca utilidade, pois a reação pode ser variável.

Casos de uretrites em homens e mulheres e cervicite nas mulheres, tendo como potencial complicação a Doença Inflamatória Pélvica, que pode levar à esterilidade, estão associadas à bactéria intracelular Chlamydia trachomatis.

Este patógeno apresenta cultivo difícil e o diagnóstico sorológico não per- mite diferenciar infecção aguda de infecção prévia, já resolvida.

Os testes de amplificação de ácidos nucléicos constituem o exame mais apropriado para diagnóstico e triagem das infecções genitais por clamídia, estando as técnicas de PCR disponíveis no Brasil.

As recomendações norte-americanas orientam a triagem anual para cla- mídia em jovens sexualmente ativas, até os 25 anos de idade e durante a gestação, em qualquer idade. Homens com comportamento de risco para doenças sexualmente transmissíveis ou, mesmo, mulheres acima dos 25 anos com perfil de risco aumentado para infecções por clamídia, podem, eletivamente, ser submetidos à triagem periódica. A amostra de escolha para mulheres é a vaginal, por autocoleta ou por coleta assistida por pro- fissional de saúde. Caso a mulher seja submetida ao exame especular para coleta citológica, sugere-se utilizar material endocervical, acondicionado em meio de transporte específico para o teste molecular. Se compatível com a metodologia, o meio destinado à citologia (CML) poderá ser empregado.

A Chlamydophyla pneumoniae é agente causador de faringite, bronquite, sinusite e pneumonia. Cerca de 25% a 60% da população adulta apresenta sorologia positiva, tendo a sorologia valor limitado na identificação de quadros agudos. Em 1988, após epidemia de pneumonia por C. pneumoniae, demonstrou-se relação entre esta infecção e o aumento subsequente de casos de infarto agudo do miocárdio e morte por doenças cardiovasculares. A partir destes dados epidemiológicos, estudos posteriores correlacionaram a rotura da placa aterosclerótica com a presença desta bactéria.

A determinação de chumbo no sangue é referida como o melhor indicador e o mais aceito para avaliação biológica da exposição ao metal. Níveis elevados de chumbo causam danos nos sistemas cardiovascular, nervoso, reprodutivo, hematológico e renal. Exposição ocupacional ocorre nas indústrias de petróleo, baterias, tintas, cerâmicas, tubulações, cabos, explosivos e quando da utilização de soldas e estruturas que contêm o chumbo como liga. É absorvido pelas vias respiratórias, digestiva e cutânea. A eliminação é principalmente urinária (cerca de 70%) e fecal (cerca de 10%). Apresenta efeito cumulativo no organismo e deposita-se nos ossos com uma meia-vida de cerca de 20 anos.

É considerado indicador biológico de exposição recente menos exato que o chumbo no sangue em função das flutuações de sua excreção. A NR-7 considera o chumbo urinário como indicador biológico para as exposições ao chumbo tetraetila (chumbo orgânico). Níveis elevados de chumbo causam danos nos sistemas cardiovascular, nervoso, reprodutivo, hematológico e renal. Exposição ocupacional ocorre nas indústrias de petróleo, baterias, tintas, cerâmicas, tubulações, cabos, explosivos e quando da utilização de soldas e estruturas que contêm o chumbo como liga. É absorvido pelas vias respiratórias, digestiva e cutânea. A eliminação é principalmente urinária (cerca de 70%) e fecal (cerca de 10%). Apresenta efeito cumulativo no organismo e deposita-se nos ossos com uma meia-vida de cerca de 20 anos.

A ciclosporina (Sandimmun ou Sigmasporim) é utilizada como imunossu- pressor especialmente em transplantados. A monitorização dos seus níveis sanguíneos é imperativa, tendo em vista sua farmacocinética complexa. É um polipeptideo cíclico, derivado de um fungo, o Tolycapocladium inflatum. Atinge pico de concentração entre 2 e 6 horas após dose oral, com meia-vida de 8 a 24 h. O tempo necessário para atingir níveis estáveis é de 2 a 6 dias.

A ciclosporina pode apresentar toxicidade renal. A creatinina começa a se elevar 3 a 7 dias após aumento da ciclosporina plasmática e cai 2 a 14 dias após sua redução. Drogas que aumentam nível da ciclosporina: corticoides, cimetidina, ranitidina, danazol, diltiazem, testosterona, anfotericina B, eritromicina, nicardipina, cetoconazol, anticoncepcionais, furosemida, amiodarona, warfarin, metoclopramida, etanol. Drogas que diminuem nível da ciclosporina: fenobarbital, carbamazepina, ácido valproico, fenitoína, primidona, rifampicina, isoniazida, sulfametoxazol, trimetoprima.

Proteína de produção constante, livremente filtrada pelos rins, cuja con- centração sérica depende quase exclusivamente da capacidade de filtração glomerular. Sua concentração independe da massa muscular, sexo, idade ou dieta. É inversamente proporcional ao ritmo de filtração glomerular.

Diversos estudos clínicos atestam a maior sensibilidade e especificidade da cistatina C, em comparação com a creatinina sérica, na detecção de alterações discretas da função glomerular.

Elevações da cistatina C, sem correlação com diminuição da taxa de filtração glomerular, foram descritas em pacientes com mieloma múltiplo, tumores malignos, cirrose hepática e alguns hipertensos e diabéticos com proteinúria.

A infestação por ovos de Taenia solium leva à formação de cisticercos na musculatura estriada e sistema nervoso central. A pesquisa de anticorpos no soro e líquor pode ser utilizada de forma complementar ao diagnóstico por neuroimagem. Reações cruzadas com Echinococcus granulosus e Hymenolepis nana são comuns. Anticorpos podem persistir anos após a morte dos parasitas, não devendo o encontro de sorologia positiva em pacientes com lesões calcificadas ser interpretado como presença de parasitas vivos. Falso-negativos podem ser observados na presença de carga parasitária baixa, sendo que apenas 28% dos pacientes com lesão cerebral única têm sorologia positiva.

A dosagem sérica de cistina auxilia no diagnóstico de distúrbios do metabolismo dos aminoácidos sulfurados. Na cistinúria, os níveis de cistina sérica estão normais ou levemente diminuídos.

Esse exame pode ser utilizado na investigação de pacientes com calculose renal, um fenótipo clínico em que uma das etiologias é a cistinúria. A cistina, em condições normais, é reabsorvida pelas células tubulares renais. Já na cistinúria, existe um defeito no transportador dos aminoácidos cistina, ornitina, lisina e arginina, o que provoca uma deficiência na reabsorção tubular desses aminoácidos, levando a um aumento na concentração urinária da cistina. A principal implicação clínica da cistinúria é a tendência à formação de cálculos. Essa pesquisa é um exame de triagem e pode ser positiva em outras desordens: hiper-argininemia, aminoacidúria generalizada, síndrome de Fanconi, homocistinúria, deficiência de B12, deficiência de metilenotetrahidrofolato redutase, cistationinúria, glutationúria, desidratação e cetonúria.

O distúrbio metabólico que leva ao acúmulo de cistina na urina é denominado cistinúria. Clinicamente, é observada predisposição à urolitíase e infecções recorrentes do trato urinário, podendo levar à insuficiência renal. A dosagem de cistina em amostra de urina de 24 horas é útil para o diagnóstico e acompanhamento de pacientes com o distúrbio.

Geralmente a coleta é realizada pelo médico por meio de expressão mamilar.

O exame visa avaliar alterações do ciclo menstrual, estudar ciclos anovulatórios ou ovulatórios e acompanhar tratamentos hormonais. O grau de maturação do epitélio escamoso do trato genital feminino e hormônio dependente. Portanto, a variação no grau de maturação dessas células serve como índice para avaliar o status endócrino da mulher. Na tentativa de reproduzir numericamente a avaliação hormonal dos esfregaços aplica- se, quando solicitado, o “índice de Frost”, que expressa a relação percentual entra as células profundas, intermediárias e superficiais. O resultado final leva em consideração o aspecto citológico , dados e informes clínicos da paciente (idade, fase do ciclo menstrual, uso de hormônios).

O exame visa detectar lesões de natureza pré-maligna e maligna do colo uterino. É possível também diagnosticar agentes infecciosos, tais como bactérias, fungos, parasitas e vírus; processos proliferativos benignos; anormalidades epiteliais benignas dos epitélios escamoso e glandular; alterações inflamatórias crônicas e agudas; e alterações epiteliais ocasionadas por agressão ao epitélio, como radioterapia e cauterizações.

Orientações gerais

? Não colher a 1ª urina da manhã; ficar no mínimo 2 horas e no máximo 3 horas sem urinar;
? Colher a urina após deambulação (movimentação normal; ato de andar). Um tempo razoável seria entre 20 e 30 minutos. Caso o cliente tenha caminhado e se sentado após, não há necessidade de caminhar novamente;
? Recomenda-se a coleta de três amostras, obtidas em dias diferentes, para melhorar a sensibilidade do exame.

Orientação para pacientes do sexo feminino

? Preferencialmente, não fazer a coleta de urina durante o período menstrual.

Orientação para pacientes pediátricos (criança)

? A coleta deve ser realizada após movimentação leve / moderada da criança, como por exemplo, brincar de “cavalinho”, correr ou pular sem exageros ou esforço demasiado por cinco ou 10 minutos.

O paciente não deve realizar higiene íntima 24 horas antes da coleta e deve abster-se de relação sexual 24 horas antes da coleta.

Realizar uma coleta de glande/prepúcio e uma de uretra separada.

Em adultos saudáveis, o citomegalovírus (CMV) normalmente é assinto- mático ou pode determinar quadro clínico autolimitado semelhante à mononucleose infecciosa. O citomegalovírus (CMV) é considerado a maior causa de infecção congênita, podendo ainda causar quadros graves em imunodeprimidos. Cerca de 85% da população adulta é soropositiva.

Anti-CMV IgM

A IgM pode surgir até duas semanas após o início do quadro clínico. Assim, caso a amostra seja colhida precocemente, deve-se repeti-la após 15 dias, para afastarmos infecção pelo CMV na presença de quadro clínico suspeito. Geralmente permanecem detectáveis por 3 meses, entretanto, por métodos imunoenzimáticos podem ser encontrados títulos baixos por até 12 meses, não devendo, pois, ser avaliado como um indicador absoluto de infecção recente. Falso-positi- vos também podem ocorrer em infecções pelo EBV e herpes vírus. Por não ultrapassar a barreira placentária, seu achado no recém-nascido indica infecção congênita.

Anti-CMV IgG

Seu achado pode indicar infecção passada ou recente. Recoleta na convalescença (após 15 dias) pode evidenciar viragem sorológica ou aumento de 4 vezes ou mais na convalescença, em relação ao soro colhido na fase aguda.

Anti-CMV IgG avidez

No início da infecção primária pelo CMV os anticorpos IgG apresentam como característica baixa avidez pelo antígeno. Essa avidez aumenta progressivamente em semanas, sendo que em infecções antigas e reinfecções encontramos alta avidez. Assim, essa determinação é muito útil para diferenciarmos pacientes que apresentaram infecções primárias pelo CMV nos últimos 3 meses, de infecções passadas e reinfecções, sendo de grande aplicação em grávidas com IgM e IgG positivos. Tem grande poder de predizer recém-nascidos infectados quando utilizado antes de 18 semanas de gestação.

A importância da infecção pelo CMV é maior na transmissão vertical do CMV da gestante para o feto e em pacientes imunocomprometidos.

Nestes, a disseminação do CMV (grau de viremia) no sangue é fator de risco de progressão à doença invasiva pelo CMV. A detecção da antigenemia permite a detecção rápida do CMV presente no núcleo dos neutrófilos do sangue periférico que fagocitaram o vírus. São utilizados anticorpos monoclonais para a proteína pp65 do CMV, que é um marcador precoce e específico de infecção ativa. A antigenemia também é utilizada para avaliação da resposta ao tratamento antiviral. A antigenemia apresenta sensibilidade superior à cultura e comparável à PCR quantitativa.

A infecção pelo citomegalovírus (CMV) pode causar infecção auto-limitada, similar à causada pelo vírus EBV em pacientes imunocompetentes.

A infecção tem maior relevância em imunodeprimidos e na infecção congênita. A pesquisa de células de inclusão em urina permite um diagnóstico rápido da infecção, entretanto, é um método de baixa sensibilidade, sendo necessário o uso de outros métodos diagnósticos mais sensíveis para que se exclua a possibilidade da infecção pelo CMV.

O estudo dos líquidos corporais é ferramenta indispensável para o diagnóstico, monitorização e prognóstico de processos infecciosos, inflamatórios, hemorrágicos e neoplásicos dessas cavidades. É utilizado para diferenciação dos processos em agudos ou crônicos, locais ou sistêmicos, bacterianos, viróticos ou fúngicos. O aumento de celularidade e suas particularidades, com predomínio das formas polimorfonucleares ou linfomonocitárias, aliados às determinações bioquímicas, exames bacte- riológicos e imunológicos define a presença e resposta ao tratamento de meningites, pneumonias, artrites e peritonites.

Veja também Rotina em líquido pleural, líquido ascítico, líquido sinovial e líquor.

São encontrados em 50,0% dos pacientes com hepatite autoimune do tipo 2, podendo ser o único marcador sorológico em 10,0% dos pacientes. Raramente, podem estar presentes em alguns pacientes com hepatite C crônica.

Exame destinado à monitorização dos níveis séricos de Clobazam, utilizado como terapia adjuvante para crises convulsivas parciais e generalizadas refratárias e terapia intermitente (por exemplo, crises catameniais). Também é usado como hipnótico, ansiolítico e miorrelaxante. Alguns autores sugerem que a dosagem de clobazam deva ser reservada para situações específicas como uso concomitante de fenitoína, tratamento com múltiplos anticonvulsivantes, alteração da função hepática ou renal, e não aderência ao tratamento. Outros afirmam que a monitorização é raramente necessária já que o medicamento não costuma ser utilizado por períodos longos.

A avaliação da clonalidade utilizando a amplificação dos genes de imunoglobulinas de cadeia pesada constitui uma importante ferramenta diagnóstica para o diagnóstico das doenças linfoproliferativas B. Este exame avalia a clonalidade B em sequências conservadas das regiões FR1,2 e 3 da cadeia pesada.

A avaliação da clonalidade utilizando a amplificação dos genes de imunoglobulinas de cadeia pesada constitui uma importante ferramenta diagnóstica para o diagnóstico das doenças linfoproliferativas B. Este exame avalia a clonalidade B em sequências conservadas das regiões FR2 da cadeia pesada.

A avaliação da clonalidade utilizando a amplificação dos genes de imunoglobulinas de cadeia pesada constitui uma importante ferramenta diagnóstica para o diagnóstico das doenças linfoproliferativas B. Este exame avalia a clonalidade B em sequências conservadas das regiões FR3 da cadeia pesada.

A avaliação da clonalidade utilizando a amplificação dos genes de imunoglobulinas de cadeia pesada constitui uma importante ferramenta diagnóstica para o diagnóstico das doenças linfoproliferativas B. Este exame avalia a clonalidade B em sequências conservadas das regiões FR2 da cadeia pesada.

Ensaio baseado na amplificação do receptor gama de células T através da amplificação da reação em cadeia de polimerase (PCR). Útil para auxiliar na diferenciação entre doenças linfoproliferativas clonais T de hiperplasias reativas e para auxiliar na definição da linhagem em leucemias agudas indiferenciadas.

O Clonazepam é indicado como ansiolítico e antiepiléptico. A quantifi- cação sérica é realizada para auxiliar o clínico a estabelecer um esquema de dosagem que proporcione a concentração ótima para cada paciente considerado individualmente.

Sangue

Representa 66% dos ânions do plasma, sendo um dos principais responsáveis pela manutenção da homeostase osmótica. Sua determinação é útil na avaliação de distúrbios hidroeletrolíticos, ácido-básicos e no cálculo do ânion-gap.
Níveis elevados são encontrados na deficiência de mineralocorticoides, acidose metabólica, infusão salina excessiva, perdas gastrintestinais, acidose tubular renal, fístula pancreática e hiperparatireoidismo.
Níveis baixos ocorrem na hipervolemia, insuficiência cardíaca, secreção inapropriada de ADH, vômitos, acidose respiratória compensada ou crônica, doença de Addison, nefrite perdedora de sal, queimados, alcalose metabólica, cetoacidose diabética e no uso de diuréticos.
Importante para o diagnóstico diferencial das acidoses metabólicas quando se utiliza o cálculo de ânion-gap (Na+ - (Cl- + HCO3-).
O cloreto, assim como os outros eletrólitos, deve ser interpretado em conjunto com a clínica do paciente.

Urina

Útil para avaliação de distúrbios hidroeletrolíticos e ácido-básicos, em especial, no diagnóstico da alcalose metabólica responsiva a sal.
Utilizado no cálculo do ânion gap urinário na avaliação da acidose metabólica hiperclorêmica.
Durante estados de depleção de volume extracelular, valores baixos indicam que há reabsorção renal adequada, enquanto valores elevados indicam excreção inadequada (perda renal). A excreção urinária de sódio e cloreto pode estar dissociada durante a alcalose metabólica quando a excreção de sódio na urina está elevada (devido à excreção renal de NaHCO3), enquanto a excreção de cloreto na urina permanece adequadamente baixa.

Líquor

Reflete os níveis sanguíneos de cloretos. Na meningite tuberculosa, os valores no líquor são em torno de 25% mais baixos que os valores no soro.

Clostridium difficile é um bacilo anaeróbico gram positivo que pode causar colite pseudomembranosa principalmente em pacientes hospitalizados em uso de antibióticos de largo espectro. Nesses casos, há a produção da toxina A que é a responsável pela lesão de mucosa intestinal e pelas manifestações clínicas e Toxina B, citotóxica. A sensibilidade do teste é 50% e a especifici- dade é de 98%. A detecção da toxina A e B utilizando anticorpo monoclonal permite uma detecção direta e mais rápida em relação aos ensaios ELISA.

A clozapina é um antipsicótico atípico utilizado no tratamento de esquizofrenia e transtornos esquizoafetivos. Pacientes em uso de clozapina devem ser acompanhados com hemogramas seriados devido ao risco de agranulocitose. A dosagem de clozapina é útil na monitorização de aderência ao tratamento e pode auxiliar na obtenção dos níveis plasmáticos desejados.

A dosagem de cobalto em soro é útil na detecção de toxicidade e na mo- nitorização do uso de próteses metálicas. Concentrações séricas elevadas podem ser observadas em caso de exposição ocupacional ou ambiental e em pacientes com próteses articulares contendo cobalto.

A dosagem de cobalto urinário é o indicador biológico mais recomendado para monitorar a exposição a cobalto no ambiente de trabalho. Uma vez absorvido pelo trato gastrintestinal ou pelo trato respiratório, o cobalto urinário é excretado principalmente pela urina (aproximadamente 80%). A eliminação urinária é caracterizada por uma fase rápida de poucos dias de duração e uma fase lenta (10%), com meia-vida biológica de 2 a 15 anos. A dosagem de cobalto também é útil na monitorização de pacientes com próteses articulares metálicas contendo cobalto.

O cobre sérico é utilizado juntamente com o cobre urinário e a ceruloplasmina no diagnóstico da Doença de Wilson, na monitorização de pacientes em nutrição parenteral total ou enteral, no diagnóstico diferencial da cirrose biliar primária e da colangite esclerosante primária, e na avaliação da deficiência ou intoxicação por cobre. Cobre sérico e ceruloplasmina altos são encontrados na intoxicação por cobre, cirrose biliar primária e colangite esclerosante primária. Cobre sérico baixo é encontrado na Doença de Wilson, desnutrição e Doença de Menkes (doença de herança recessiva ligada ao cromossomo X). Uso de estrógenos também eleva a ceruloplasmina e o cobre sérico, como observado em pacientes em uso de anticoncepcionais orais e grávidas. O cobre sérico se eleva durante o uso de ácido valproico, carbamazepina, fenobarbital e fenitoína. Pode ser baixo nas situações de hipoproteinemia (síndrome nefrótica, má-absorção, desnutrição). No caso de avaliação ocupacional, a interpretação dos resultados fica a critério médico, já que não está determinado o Índice Biológico Máximo Permitido (IBMP) na NR-7.

A cocaína (metilbenzoilecgonina) é um alcaloide estimulante do Sistema Nervoso Central (SNC). Por via intra-nasal, 80% da droga é absorvida e seu pico plasmático é alcançado em 30 a 40 minutos. A meia-vida é de 5 horas e independente da via de administração. A cocaína é extensamente metabolizada no fígado e pelas esterases plasmáticas e apenas 1% da dose é excretada inalterada na urina. A benzoilecgonina é o principal metabólito encontrado na urina (40%). O imunoensaio utilizado no teste de triagem detecta a benzoilecgonina 4 horas após a inalação, possibilitando sua detecção por 24 a 48 horas, e fornecendo resultados qualitativos. Os métodos cromatográficos usados como testes confirmatórios (HPLC, GC/MS) podem separar especificamente os metabólitos, sendo a GC/MS o método confirmatório mais fidedigno.

Teste útil para identificar um subtipo de pacientes com perda auditiva neurossensorial imune mediada, com potencial de responder à terapia imunossupressora.

A coenzima Q10 é um cofator essencial na cadeia respiratória mitocondrial, atuando como carreadora de elétrons e apresentando função antioxidan- te. Deficiências primárias são raras e cursam com sintomas neurológicos e fraqueza muscular. A coenzima Q10 também tem sido implicada em outras doenças, como Parkinson, Alzheimer e Diabetes. Além disso, ela parece ter um papel no tratamento hipolipemiante com estatinas, sendo que mudanças em suas concentrações podem ser relevantes na mialgia induzida por esses medicamentos.

Teste utilizado para avaliação de casos de deficiência congênita (rara) de cofator II da heparina. Pacientes com deficiência têm risco aumentado à trombose.

O colesterol é um lipídeo essencial na produção de hormônios esteroides, ácidos biliares e na constituição das membranas celulares. Os distúrbios no metabolismo do colesterol exercem um papel importante na etiologia da doença vascular aterosclerótica, sendo componente, também, dos cálculos biliares.

Sintetizado em vários tecidos, particularmente no fígado e, também, intestino, córtex adrenal e gônadas. Aproximadamente 25% advêm da dieta e o restante é sintetizado de novo, diariamente, principalmente no fígado.

Normalmente, 60% a 80% encontram-se esterificados (armazenados no interior das células ou no interior das lipoproteínas), sendo 50% a 75% transportados pelas lipoproteínas de baixa densidade (LDL) e 15% a 40% pelas lipoproteínas de alta densidade (HDL). A forma livre do colesterol compõe a estrutura das membranas celulares e a superfície das lipoproteínas.

As lipoproteínas são macromoléculas constituídas de uma fração lipídica (triglicérides, fosfolípides, colesterol livre e esterificado) e outra proteica (apolipoproteínas). A função das lipoproteínas é transportar os lipídeos obtidos por via exógena e endógena até os tecidos. Diferem quanto à composição química, ao tamanho e à mobilidade eletroforética. Existem quantitativamente quatro maiores classes de lipoproteínas plasmáticas – quilomícron, VLDL, LDL e HDL – e duas menores – IDL e Lp(a).

A V Diretriz Brasileira de Dislipidemias e Prevenção da Aterosclerose define o perfil lipídico como o conjunto das determinações de colesterol total (CT), HDL-colesterol (HDL-C), LDL colesterol (LDL-C), triglicérides e colesterol não-HDL. A exatidão na determinação do perfil lipídico depende de variações que podem ser divididas em analíticas, quando relacionadas à metodologia e procedimentos utilizados pelos laboratórios e pré- analíticas, quando relacionadas a procedimentos de coleta e preparo da amostra ou a fatores intrínsecos do indivíduo como estilo de vida, uso de medicações, doenças associadas.

Pacientes com alterações no perfil lipídico devem ter seus exames confirmados pela repetição de nova amostra. A nova dosagem deverá ser realizada com o intervalo mínimo de uma semana e máximo de dois meses após a coleta da primeira amostra. Esse procedimento visa reduzir a variabilidade entre os ensaios e aumentar a precisão diagnóstica. A variação entre duas dosagens no mesmo indivíduo, ou intra-individual, resulta, portanto, da combinação entre as variações pré-analíticas e analíticas.

A dosagem do colesterol no líquido pleural é útil na diferenciação entre transudatos e exsudatos. Níveis de colesterol maiores de 45 mg/dL predizem exsudatos com sensibilidade de 90% e especificidade de 100%. A associação de colesterol elevado e LDH maior que 200 UI/L tem sensibilidade de 99% no diagnóstico de exsudatos.

A dosagem de colesterol possui papel marginal na propedêutica do líquido ascítico. Embora colesterol > 50 mg/dL possa ser encontrado nas ascites associadas a neoplasias com sensibilidade de 75% e especificidade de 78%, existem controvérsias sobre sua utilidade.

A atividade da pseudocolinesterase (benzoilcolinesterase ou colinesterase II ou colinesterase plasmática) é reduzida de forma mais rápida e intensa que a colinesterase eritrocitária, refletindo a exposição aguda aos organofosfo- rados. Apresenta meia-vida de 8 dias, tendo pouco valor nas intoxicações crônicas. A recuperação da atividade da pseudocolinesterase nas intoxica- ções por carbamatos ocorre após 24 horas. Na intoxicação por organofosfo- rados, inicia-se em 72 horas.

Pacientes com formas atípicas da enzima pseudocolinesterase, com baixa atividade enzimática, podem apresentar predisposição à apneia após uso de relaxantes musculares.

Outras condições também cursam com diminuição da pseudocolineste- rase: gravidez, hipocolesterolemia, desnutrição, hepatite, cirrose hepática, tuberculose, tromboembolismo pulmonar, choque, distrofia muscular, infecções agudas, pós-operatórios, doença renal crônica, insuficiência cardíaca congestiva, policitemias, artrite reumatoide, hipoproteinemia, plasmaférese, uso de medicamentos.

Algumas condições cursam com aumento da pseudocolinesterase: hiper- colesterolemia, obesidade, hipertrigliceridemia, hipertireoidismo, diabetes, polineurites, parkinsonismo, transfusão de hemácias e plasma, hemocromatose, síndrome nefrótica, doenças psiquiátricas, tireotoxicose, uso de benzodiazepínicos, androgênios, antibióticos e insulina.

Avalia percentualmente o número de formas vivas e mortas após liquefação do esperma.

Utilizado para diagnóstico de deficiência de C5. A deficiência de C5 deve ser investigada em pacientes com infecções de repetição por bactérias encapsuladas, manifestações clínicas autoimunes, atividade reduzida ou ausente de CH50/CH100, e níveis normais dos componentes C2, C3 e C4.

Útil para a avaliação de pacientes com suspeita de deficiência de C8: infecções invasivas e de repetição por neisseria, e resultados indetectá- veis de CH50/CH100.

Útil para a avaliação de pacientes com suspeita de deficiência de C9: infecções invasivas e de repetição por neisseria, e resultados indetectá- veis de CH50/CH100. É importante salientar que a maioria dos pacientes com deficiência de C9 é assintomática.

Complemento sérico total - CH 100

Teste de triagem para avaliação da integridade da via clássica do complemento. Para um valor normal de CH100 é necessária a presença de todos os componentes da via clássica (C1-C9). Resultados baixos de CH 100 são encontrados nas deficiências hereditárias dos componentes da via clássica e nas doenças que evoluem com consumo dos componentes da via clássica, secundário a sua ativação por imunocomplexos, como lúpus eritematoso sistêmico, crioglobulinemia mista e glomerulonefrite aguda difusa. Além de serem utilizados na avaliação diagnóstica destas patologias, os níveis de CH 100 também são utilizados no acompanhamento da resposta terapêutica dos pacientes com doenças por imunocomplexos. Como as proteínas do complemento são extremamente termolábeis, atenção especial deve ser dada às orientações para armazenamento e transporte da amostra.

Complemento sérico C1Q

O C1q é uma das subunidades do primeiro componente do complemento C1. A deficiência hereditária de C1q resulta em infecções recorrentes e no desenvolvimento de lúpus eritematoso sistêmico (LES) em 90% dos pacientes. Os níveis séricos de C1q estão diminuídos devido à ativação da via clássica em doenças associadas à formação de imuno- complexos, como LES, crioglobulinemia, vasculite urticariforme hipocom- plementêmica e nas formas de angioedema adquirido.

Complemento sérico C2

O C2 é o segundo componente da via clássica do complemento. A deficiência de C2 é a mais comum dentre as deficiências hereditárias de componentes do complemento. Cerca de 10 a 30% dos pacientes com deficiência homozigótica desenvolvem LES. Os pacientes com deficiência de C2 também apresentam susceptibilidade a infecções, particularmen- te por bactérias encapsuladas. A diminuição de C2 também ocorre nas doenças associadas à formação de imunocomplexos, sendo sua dosagem útil na avaliação da ativação da via clássica.

Complemento sérico C3

A quantificação de C3 é utilizada na avaliação de indivíduos com suspeita de deficiência congênita deste fator ou portadores de doenças com deposição de imunocomplexos, os quais ativam a via clássica do complemento: LES, glomerulonefrites, crioglobulinemia e outras.
Os pacientes com deficiência congênita de C3 evoluem com infecções bacterianas recorrentes após o nascimento.
Os níveis de C3 podem se elevar em numerosos estados inflamatórios e na resposta de fase aguda.
Pelo fato de o C3 ser um componente comum às três vias do complemento, níveis baixos de C3 também podem ocorrer nas defici- ências de fatores ou ativação da via alternativa.

Complemento sérico C4

A quantificação de C4 é utilizada para avaliação de indivíduos com suspeita de deficiência congênita deste fator e de patologias que evoluem com ativação da via clássica do complemento. Seus níveis aumentam durante a resposta de fase aguda e em certas neoplasias.
A dosagem de C4 também é utilizada, juntamente com a dosagem do inibidor de C1, na avaliação inicial dos pacientes com suspeita de angioedema, os quais apresentam C4 baixo.

O cortisol é formado na glândula adrenal pela ação enzimática da 11-beta-hidroxilase sobre o 11-desoxicortisol. Quando há uma deficiência dessa enzima, há um aumento na secreção do ACTH e os níveis de 11-desoxicortisol aumentam, podendo produzir hipertensão e secreção aumentada de andrógenos. Essa anormalidade representa cerca de 5% dos casos de hiperplasia adrenal congênita. Elevações acentuadas de 21-desoxicortisol (como ocorre nos casos de deficiência da 21-hidroxilase) podem também aumentar os níveis aparentes do composto S.

A dosagem de coproporfirinas na urina é útil para definir o tipo de porfiria: concentrações elevadas são encontradas na coproporfiria hereditária, porfiria eritropoiética congênita e porfiria variegata.

A coproporfirina é uma porfirina de solubilidade intermediária, sendo excretada nas fezes e urina. É útil na investigação das formas cutâneas bolhosas de porfiria. Porfirinas fecais (coproporfirinas e protoporfirinas) estão usualmente dentro dos limites da normalidade na porfiria intermitente aguda. Na coproporfiria hereditária, ocorrem elevações maciças das coproporfirinas. Entretanto, a coproporfirina é a porfirina mais comumente observada nas porfirias secundárias, não sendo, pois, específica. São causas comuns de coproporfirinúria: hepatopatia, insuficiência renal crônica, neoplasia, exposição ao álcool, arsênico, hidrato de cloral, hexaclo- robenzeno, chumbo, morfina e óxido nítrico. Além da pesquisa na urina e fezes, pode-se realizar a dosagem das coproporfirinas na urina.

A privação de carboidratos aumenta o catabolismo das gorduras, através da ?-oxidação dos ácidos graxos que resulta na formação dos corpos cetônicos, primariamente acetoacetato e beta-hidroxibutirato, que são utilizados pelo metabolismo energético nos tecidos periféricos. Os corpos cetônicos são uma fonte eficiente de energia durante os períodos de inanição ou jejum e em resposta à epinefrina liberada durante o estresse.

Encontram-se elevados nos estados metabólicos que levam a lipólise, tais como jejum prolongado e diabetes mellitus descompensado, etilismo, vômitos, diarreia e erros inatos do metabolismo. Outras causas de aumento incluem febre, dieta rica em gordura, após exercícios físicos, gravidez, pós-operatório.

Falso-negativos e falso-positivos podem ocorrer por interferência de drogas, como a levodopa, metildopa e captopril. O ácido beta-hidroxibutírico não é detectado pela reação do nitroprussiato de sódio, podendo a cetonúria ser negativa caso este seja o corpo cetônico predominante.

A quantificação da acetona no sangue pode ser realizada por cromato- grafia gasosa, apresentando utilidade na monitorização da exposição ocupacional.

O cortisol é secretado pelo córtex da adrenal em resposta ao hormônio adrenocorticotrópico (ACTH). É essencial para o metabolismo, resposta ao estresse e funções imunológicas. A maioria encontra-se ligado às globulinas de ligação do cortisol (CBG) e albumina. O cortisol livre é a forma biologicamente ativa e corresponde somente a < 5% do cortisol total.

O cortisol salivar reflete o cortisol não ligado no sangue. Ele apresenta variações nictemerais semelhantes às do sangue, com valores máximos no início da manhã (7 às 8 horas) e mínimos no final da noite (23 horas). A variação diurna é perdida nos pacientes com síndrome de Cushing, que apresentam níveis elevados do cortisol noturno. A dosagem do cortisol salivar às 23 horas é um teste de rastreio efetivo e conveniente para a síndrome de Cushing, pois suas concentrações são independentes do fluxo salivar e das flutuações de CBG.

Estresse agudo (hospitalização ou cirurgia), etilismo, depressão, gestação e alguns medicamentos (anticonvulsivantes, glicocorticoides ou estrógenos exógenos) podem alterar a variação diurna normal do cortisol afetando seus níveis mensurados.

A dosagem de cortisol livre salivar não é útil na avaliação da insuficiência adrenal.

Alguns cuidados devem ser tomados antes e durante a coleta do cortisol salivar para assegurar a melhor exatidão do teste.

O cortisol é secretado pelo córtex da adrenal em resposta ao hormônio adrenocorticotrópico (ACTH). É essencial para o metabolismo, resposta ao estresse e funções imunológicas. A maioria encontra-se ligado às globulinas de ligação do cortisol (CBG) e albumina. O cortisol livre é a forma biologica- mente ativa e corresponde somente a < 5% do cortisol total. Após inativação metabólica no fígado, a maioria dos metabólitos é excretada na urina.

Somente 1% do cortisol é excretado inalterado na urina, mas esse cortisol livre urinário é uma importante ferramenta diagnóstica na hipercortisolemia. O cortisol livre urinário correlaciona-se bem com o cortisol livre plasmático, sendo representativo da forma biologicamente ativa, responsável pelos sinais e sintomas clínicos do hipercortisolismo.

O diagnóstico da Síndrome de Cushing requer evidência da hipersecreção do cortisol. Enquanto o cortisol sérico flutua de maneira imprevisível e é fortemente dependente dos níveis de CBG, a coleta urinária de 24 horas integra a produção de cortisol por um dia inteiro e não é afetada pela CBG.

Alguns pacientes com cortisol livre urinário elevado não têm síndrome de Cushing e são classificados como síndrome pseudo-Cushing.

Estabelecer esse diagnóstico requer testes adicionais. Além disso, valores normais podem ocorrer em pacientes com síndrome de Cushing leve ou hormogênese periódica. Nestes casos, o acompanhamento e a repetição dos testes são necessários para confirmar o diagnóstico.

A dosagem de cortisol livre urinário não é útil na avaliação da insufici- ência adrenal.

O cortisol é secretado pelo córtex da adrenal em resposta ao hormônio adrenocorticotrópico (ACTH). É essencial para o metabolismo, resposta ao estresse e funções imunológicas. O cortisol é secretado em um ritmo circadiano, com valores máximos no início da manhã (7 às 8 horas) e mínimos no final da noite (23 horas). A maioria encontra-se ligado às globulinas de ligação do cortisol (CBG) e albumina. O cortisol livre é a forma biologicamente ativa e corresponde somente a < 5% do cortisol total.

O cortisol encontra-se elevado na Síndrome de Cushing e, também, em situações de estresse, gravidez, hipoglicemia, obesidade, depressão, hiper- tireoidismo ou uso de estrógeno exógeno.

Apresenta-se reduzido na Doença de Addison, nos casos de hipopituitaris- mo (com produção deficiente de ACTH) e na hiperplasia adrenal congênita. Além disso, reduzida secreção pode ser vista no hipotireoidismo, cirrose hepática e hepatite.

O uso de glicocorticoide exógeno pode afetar as dosagens de cortisol por apresentarem reação cruzada com o ensaio (provocando resultados falso-positivos) ou por suprimir o eixo hipotálamo-hipófise-adrenal. Portanto, sua dosagem não é útil para o seguimento do uso de corticoides sintéticos.

Determinações randômicas do cortisol, em geral, não são úteis para o diagnóstico de hipo ou hipercortisolismo. Mesmo em pacientes com deficiência ou excesso de cortisol, vários fatores podem resultar em valores que sobrepõem ao intervalo de referência.

Dosagens após supressão por dexametasona possuem utilidade diagnóstica para hipercortisolismo. Para os casos de hipocortisolismo, a reserva adrenal pode ser demonstrada usando testes de estímulo com cortrosina (ACTH sintético) ou insulina.

Corynebacterium diphtheriae é o agente da difteria. Nos seres humanos o C. diphtheriae pode se alojar no trato respiratório superior ou na pele. A difteria apresenta tempo de incubação de dois a quatro dias e manifesta-se com febre, odinofagia, tosse, seguindo-se da formação de pseudomembrana característica e linfonodomegalia cervical. Pode evoluir com complicações, tais como, miocardite e paralisia de nervos cranianos. A pesquisa fornece diagnóstico presuntivo de Difteria.

O Corynebacterium minutissimum é um bastonete gram-positivo causador do eritrasma. Normalmente é um constituinte da flora normal da pele, mas sob certas condições (pacientes diabéticos, umidade excessiva, oclusão prolongada da pele) pode gerar lesão intertriginosa, particularmente em axilas, região inguinal e interdigitais. A pesquisa é útil no diagnóstico diferencial das dermatofitoses.

Febre Q, uma infecção por rickettsia causada pela Coxiella burnetti, é considerada zoonose de ampla distribuição que pode causar doença esporádica e epidemias. A infecção é disseminada pela inalação de material infectado, principalmente de ovelhas e cabras, que eliminam a bactéria nas fezes, leite, secreções respiratórias, placenta e líquido amniótico. O espectro clínico da doença varia de quadros assintomáticos a casos fatais. Manifestações respiratórias geralmente predominam, mas endocardite e hepatite podem ocorrer. Títulos de anticorpos de fase I maiores ou iguais a títulos de anticorpos de fase II sugerem infecção crônica ou fase convalescente. Títulos de anticorpos de fase II maiores ou iguais a títulos de anticorpos de fase I sugerem infecção aguda ou em atividade. Resultados negativos afastam a possibilidade de infecção por Coxiella burnetii. Se a infecção aguda for altamente suspeita, novos exames devem ser realizados cerca de duas semanas após a primeira coleta. Anticorpos da classe IgG surgem precocemente, atingindo pico em fase II na oitava semana e persiste com títulos elevados ao longo de um ano. Títulos de fase I seguem o mesmo padrão, embora em níveis muito menores, e pode ser detectado apenas na convalescência. Títulos de IgM > ou =1:64 são comuns na fase aguda. Anticorpos IgM surgem precocemente, atingindo o máximo de fase II na terceira semana e declinam para níveis mais baixos à partir da 14ª semana. Os títulos de fase I seguem o mesmo padrão, embora em níveis baixos, e pode não ser detectado até a convalescência.

É o teste mais utilizado para avaliação da taxa de filtração glomerular. É o produto de degradação da creatina, sendo sua concentração sérica não só dependente da taxa de filtração renal, mas também da massa muscular, idade, sexo, alimentação, concentração de glicose, piruvato, ácido úrico, proteína, bilirrubina e do uso de medicamentos (cefalosporinas, salicilato, trimetoprima, cimetidina, hidantoína, anticoncepcionais e antiinflamatórios).

Indicada para diagnóstico e monitoramento de tratamento da doença renal aguda e crônica, ajuste de dosagem de medicação com excreção renal, monitoramento de transplantados renais e na estimativa do ritmo de filtração glomerular (RFG).

Vários fatores influenciam a creatinina sérica independentemente do RFG, principalmente a massa muscular. Drogas que inibem a secreção tubular causam elevação da creatinina sem decréscimo do RFG (ex. cimetidina e trimetoprima).

Pacientes recebendo catecolaminas (dobutamina, dopamina, epinefrina e norepinefrina) podem apresentar resultados falsamente reduzidos.

Estudos mostraram que o RFG pode ser estimado por equações, como a do estudo MDRD (Modification of Diet in Renal Disease Study). Este estudo foi realizado com portadores de doença renal crônica de 18 a 70 anos. Os resultados estimados pela equação foram comparados com o clearance de iothalamato e apresentaram excelente correlação, mostrando-se superior a outras equações já testadas. Entretanto, a equação MDRD subestimou o RFG nos pacientes com função renal normal. Não é necessário o uso de peso e altura para o seu cálculo, mas a etnia deve ser definida, pois se utiliza uma constante diferente para afro-descendentes. Na ausência desta informação, devem-se reportar ambos os resultados. Algumas situações clínicas contra-indicam o uso desta equação: menores de 18 anos, gestantes, portadores de comorbidades graves, extremos de peso e massa muscular. A estimativa do RFG não é precisa para valores elevados que devem ser reportados como “maior que 60 mL/min/1,73m2” sem definição de um valor exato.

A doença renal crônica é definida como a redução persistente e progressiva do RFG (<60 mL/min/1,73m2) e/ou albuminúria. Os estágios da doença são baseados no RFG.

Teste utilizado para avaliação da taxa de filtração glomerular, sendo mais sensível que a determinação sérica isolada. Indicado no seguimento de portadores de lesão renal para acompanhar a progressão da doença, para avaliar acometimento renal nas variações hemodinâmicas, como nos quadros hipovolêmicos e insuficiência cardíaca. Útil para ajuste de doses de medicações que têm excreção renal.

A determinação do clearance é baseada na dosagem da creatinina sérica e urinária e corrigida pela superfície corpórea do paciente. Clearance de creatinina em mL/minuto={(volume urinário mL/min x creatinina urinária mg/dL)/creatinina sérica mg/dL} x (1,73/superfície corpórea m2)

Elevações podem ser encontradas após exercícios, na gravidez e no diabetes mellitus.

A variação intraindividual desse teste pode chegar a 15% e sua sensibilidade é baixa para os estágios iniciais de lesão renal.

Uma limitação do teste é a possibilidade de perda de volume urinário durante a coleta que resulta em valores falsamente diminuídos. Algumas equações são propostas para estimar o ritmo de filtração glomerular como a equação MDRD que mostrou maior exatidão, que a própria dosagem direta (ver Creatinina).

A dosagem das isoenzimas de CK tem como principal finalidade detectar e caracterizar os tipos de macro-CK: macro CK tipo I, que migra entre CK-MM e CK-MB, e macro CK tipo II, que migra em posição catódica à CK-MM.

Uma das três isoenzimas da creatinoquinase. Sua principal fonte é o miocárdio, mas pode ser encontrada também na musculatura esquelética.

Representa 20% do total da creatinoquinase presente no miocárdio e 3% da creatinoquinase presente na musculatura esquelética, podendo-se encontrar níveis elevados em pacientes com doenças e traumas da musculatura esquelética.

Seu uso tem sido cada vez mais restrito, devido ao desenvolvimento de marcadores de lesão miocárdica mais específicos. Sua indicação atual é principalmente na avaliação do reinfarto e na detecção de lesão após angioplastia coronariana.

Sua quantificação deve ser seriada após início do episódio de dor torácica. É detectável em 4-6 horas após a lesão miocárdica, ocorrendo pico em 12-24 horas e retorno a níveis normais em 2 a 3 dias.

Dosagem única de CK-MB tem sensibilidade de 50% à entrada do paciente no Pronto Atendimento, sendo que medidas seriadas aumentam sua sensibilidade para 90% no diagnóstico.

A presença de macro-CK MB (complexo de imunoglobulinas e CK-MB) causa elevações de CK-MB acima dos valores da CK Total, sem significado patológico.

Elevações também podem ser observadas em outras situações, como miocardite, cardiomiopatias, extensa rabdomiólise, distrofia muscular de Duchenne, hipertermia maligna, polimiosites, dermatomiosites, doença mista do tecido conjuntivo, síndrome de Reye, hipotireoidismo e raramente na artrite reumatoide.

A presença de anticorpos heterofílicos pode causar elevações espúrias.

Em algumas situações, há elevação da CK total sem aumento da CKMB, como no exercício físico moderado, injeções intramusculares, acidente vascular cerebral, pericardite, pneumonias e outras doenças pulmonares.

Enzima encontrada principalmente na musculatura estriada, cérebro e coração. É um marcador sensível, mas inespecífico de lesão muscular, inclusive miocárdica. Níveis elevados são encontrados no infarto agudo do miocárdio, miocardite, hipertermia maligna, distrofia muscular, exercício físico, dermatopolimiosite, rabdomiólise, traumas, queimaduras, hipotireoi- dismo, acidente vascular cerebral, doenças malignas avançadas, picadas de insetos e pós-injeções musculares.

Baixos níveis refletem pouca massa muscular ou sedentarismo, sem repercussão clínica conhecida, embora tenham sido relatados alguns casos de pacientes com doença metastática, em uso de corticoterapia, com doença hepática alcoólica, doença do tecido conjuntivo, gravidez ectópica e artrite reumatoide.

Na lesão miocárdica, elevações são encontradas após 4 a 8 horas, com pico entre 12 e 24 horas e retorno aos níveis normais após 3 a 4 dias. Seu uso tem sido restrito devido à maior especificidade dos imunoensaios de Troponina T e I na triagem das lesões coronarianas.

Nas distrofias musculares, os níveis séricos são muito elevados, podendo ser encontrados valores até 50 vezes acima do valor de referência nos períodos de maior atividade da doença. Nas distrofias progressivas, as elevações enzimáticas precedem as manifestações clínicas e podem estar alteradas a partir de 7 a 10 anos de idade.

Crioaglutininas são anticorpos da classe IgM dirigidos contra o antígeno I, presente na superfície das hemácias. A presença de crioaglutininas em título superior a 1:32, ou a demonstração de um aumento de quatro vezes dos títulos entre duas amostras colhidas com intervalo mínimo de cinco dias, pode ser um subsídio para o diagnóstico da infecção por Mycoplasma pneumoniae (pneumonia atípica). Cerca de 50% dos pacientes com pneumonia atípica por micoplasma podem apresentar crioaglutininas, detectadas no período de 8 a 30 dias após o início da infecção.

Resultados positivos podem ocorrer na mononucleose, rubéola, infecção respiratória por adenovírus e nas doenças reumáticas autoimunes. Reações falso-negativas podem ocorrer em amostras refrigeradas antes da centrifu- gação ou com o uso prévio de antibióticos.

Criofibrinogênio consiste em um complexo constituído por fibrinogênio/ fibrina/fibronectina/produtos de degradação da fibrina. A presença de criofibrinogênio é detectada como um precipitado que se forma no plasma quando refrigerado a 4ºC, desaparecendo quando o mesmo é reaquecido a 37ºC. Ao contrário das crioglobulinas, que precipitam tanto no plasma quanto no soro, o criofibrinogênio precipita apenas no plasma. A criofibri- nogenemia consiste na presença de púrpura, úlceras cutâneas, isquemia e necrose de áreas expostas ao frio, como extremidades, nariz e orelhas, secundárias à deposição intravascular de criofibrinogênio nas artérias de pequeno e médio calibre. A criofibrinogenemia pode ser uma condição primária ou estar associada a outras doenças como hiperfibrinogenemia/ disfibrinogenemia, doenças malignas, processos infecciosos e autoimunes e uso de contraceptivos orais.

Crioglobulinas são imunoglobulinas que sofrem precipitação quando o soro ou plasma são resfriados a temperaturas abaixo da temperatura corporal.

As crioglobulinas são classificadas de acordo com a sua composição imunoquímica em simples, que são aquelas compostas por um único tipo de imunoglobulina, e mistas, que são imunocomplexos formados por dois tipos diferentes de imunoglobulinas, geralmente uma IgM com atividade de fator reumatoide (o anticorpo) e IgG policlonal (o antígeno).

As crioglobulinas simples, ou tipo I, geralmente são formadas por IgM monoclonal e menos frequentemente IgG monoclonal, e sofrem preci- pitação com 24 horas de refrigeração. Elas representam 10% do total de crioglobulinas e estão associadas com mieloma múltiplo e macroglo- bulinemia de Waldeström, produzindo sintomas de hiperviscosidade e oclusão vascular. As crioglobulinas mistas são subdivididas em tipo II, formadas por IgM monoclonal, e tipo III, formadas por IgM policlonal. Compreendem 90% de todas as crioglobulinas. As tipo II têm íntima relação com a presença de hepatite C e respondem por 80% de todas as crioglobulinas. Além da infecção pelo vírus da hepatite C, as crioglobu- linas mistas estão associadas com leucemia linfocítica crônica, linfoma não-Hodgkin, infecções crônicas e doenças autoimunes como lúpus, artrite reumatoide, síndrome de Sjögren, doença intestinal inflamatória, altos títulos de fator reumatoide na ausência de doença reumática autoimune e níveis muito baixos de C4. A manifestação clínica mais frequente da crioglobulinemia mista é púrpura cutânea recorrente, seguida por artralgias, fenômeno de Raynaud, neuropatia periférica e glomerulonefrite. As crioglobulinas tipo III estão presentes em concentrações muito baixas e podem demorar até 7 dias para precipitar e serem detectadas.

Para a correta detecção das crioglobulinas a coleta do soro deve ser realizada de forma apropriada. Erros de coleta podem levar a perda das crioglobulinas devido a falha na separação do soro do sangue total, perda do crioprecipitado por refrigeração da amostra antes da centrifugação e volume de amostra inadequado para a detecção de crioglobuli- nas presentes em baixa concentração.

A identificação dos cristais na urina é utilizada na tipificação de distúrbios do trato urinário e do metabolismo, sendo útil no diagnóstico e orientação terapêutica. A urina normal recém-eliminada pode conter cristais formados nos túbulos ou, em menor frequência, na bexiga. O objetivo da identificação dos cristais urinários é detectar alguns tipos anormais que podem refletir doenças hepáticas, erros inatos do metabolismo ou lesão renal causada por cristalização de metabólitos de drogas nos túbulos.

Guardam relação com o tipo de alimentação e o processo patológico.

A pesquisa de cristais no líquido sinovial é útil na determinação da etiologia das monoartrites e oligoartrites. Os microcristais podem ser encontrados no interior das células ou livres no líquido articular. Cristais intracelulares de monourato de sódio são encontrados em 90% dos pacientes durante o ataque agudo de gota e em 75% dos pacientes no período intercrítico. Cristais de pirofosfato de cálcio são encontrados principalmente dentro de leucócitos e macrófagos na pseudogota.

Veja também Líquido sinovial rotina.

O cromo é irritante e corrosivo para pele e mucosas, devido a sua capacidade de desnaturar proteínas e ácidos nucleicos. A exposição ocupacional pode provocar dermatite de contato, eczemas, ulcerações, rinite, asma brônquica e câncer do trato respiratório, uma vez que sua principal via de absorção é a pulmonar. Os compostos de cromo atingem o trato respiratório nas formas de vapores, névoas, fumos e poeiras. O cromo é transportado pelo sangue para vários órgãos e tecidos, concentrando-se, especialmente, no fígado, rins, baço e pulmões. Na maioria dos alimentos, encontra-se em baixas concentrações.

A Cromogranina A (CGA) se constitui num grupo de proteínas presentes em vários tecidos neuroendócrinos. Pode ser um marcador tumoral para o diagnóstico e monitorização terapêutica do tumor carcinoide, assim como adjunto na investigação diagnóstica de algumas outras neoplasias endócrinas, tais como feocromocitoma, neuroblastoma, carcinoma medular da tireoide, alguns tumores hipofisários, carcinoma de células das ilhotas do pâncreas e neoplasia endócrina múltipla.

Os tumores carcinoides, particularmente, quase sempre secretam cromo- granina A com outras aminas modificadas, principalmente a serotonina. A CGA está elevada em até 90% dos pacientes com tumor carcinoide sintomático ou avançado. A CGA e o ácido 5-hidroxindolacético (5-HIAA) são considerados os principais marcadores bioquímicos dos tumores carcinoides. A avaliação destes inclui a dosagem de CGA, serotonina sérica e urinária, 5-HIAA urinário e exames de imagem.

As concentrações de CGA, assim como de 5-HIAA, aumentam proporcionalmente ao tamanho do tumor carcinoide, sendo também um marcador prognóstico da doença.

Para a melhor sensibilidade no diagnóstico inicial de um tumor carcinoide suspeito, sugere-se a investigação através da dosagem de CGA sérica associada à serotonina sérica e 5-HIAA urinário. Na maioria dos casos, se nenhum desses marcadores estiver elevado, praticamente exclui-se o tumor carcinoide como causa dos sintomas sugestivos de síndrome carcinoide (diarreia, rubor, broncoconstrição, lesões cardíacas valvulares direitas). Em alguns casos, testes adicionais como a dosagem de serotonina urinária podem ser necessários.

Resultados falso-positivos podem ser encontrados em usuários de inibidores de bomba de prótons (esses devem ser descontinuados 15 dias antes da dosagem de CGA), gastrite atrófica e anemia perniciosa, insuficiência renal ou insuficiência hepática fulminante.

Este exame detecta a trissomia livre do cromossomo 21 e também a trissomia desse cromossomo por translocação, ambas associadas a Síndrome de Down, além de confirmar a presença de fragmentos do cromossomo 21 na forma de marcador.

Teste útil no diagnóstico e prognóstico da infecção criptocóccica. Altos títulos de antígeno geralmente correlacionam-se com gravidade e, da mesma maneira, diminuição do título de antígeno corresponde a bom prognóstico. Reações falso-positivas podem ocorrer na presença de fator reumatoide, doenças causadas por Trichosporon beigelii e bacilos Gram-negativos.

A doença criptococose atinge primariamente os pacientes com imuno- deficiências das células T, em especial, portadores de aids e neoplasias.

O Cryptococcus é uma levedura encapsulada. Sua infecção inicia-se com infecção pulmonar, sendo assintomática e totalmente resolvida em imunocompetentes. Em imunodeprimidos, a infecção espalha-se pelos pulmões, ossos, rins, fígado, pele, e em especial no sistema nervoso central. O exame microscópico direto permite diagnóstico rápido do criptococos no líquor (meningites) e outros materiais (escarro, lavado brônquico, lavado bronco- alveolar, etc.).

A infecção pelo Cryptosporidium em humanos é causa de diarreia em imunocompetentes e imunodeprimidos. Entretanto, a infecção é mais grave e prolongada em pessoas com transtorno de imunidade. Pode ainda, ser um dos causadores de colangiopatia em pacientes com aids, que se manifesta com febre, dor no hipocôndrio direito e colestase.

Exame útil na investigação das anemias hemolíticas e no diagnóstico de esferocitose hereditária. Os esferócitos são osmoticamente mais frágeis do que as hemácias normais, quando colocados em solução hipotônica, devido à sua baixa relação superfície:volume. Após a incubação, há uma acentuação na hemólise, nos casos de pacientes com esferocitose hereditária.

Cyfra 21.1 é um fragmento da citoqueratina 19, uma proteína encontrada no citoplasma de células epiteliais tumorais e liberada no soro sob a forma de fragmentos solúveis. Cyfra 21.1 está associado a carcinomas de células epiteliais, dentre eles o Carcinoma Pulmonar Não-Pequenas Células (NSCLC), principalmente com histologia de Carcinoma de Células Escamosas. A sensibilidade deste marcador para NSCLC varia de 23 a 70% e ele parece estar relacionado à resposta terapêutica e ao prognóstico dos pacientes, podendo ser utilizado em conjunto com outros testes para estes fins. Segundo alguns autores, é um marcador útil na detecção de recidiva da doença. O antígeno Cyfra 21.1 também pode estar elevado no Carcinoma Pulmonar Pequenas Células (SCLC), câncer de bexiga, de cérvice e de cabeça e pescoço, e em algumas patologias benignas pulmonares, gastrintestinais, ginecológicas, urológicas e mamárias.

O DHEA (de-idroepiandrosterona) é um esteroide produzido pelo córtex adrenal e gônadas, cuja secreção é parcialmente regulada pelo ACTH.

Sua dosagem é muito utilizada no diagnóstico diferencial do hiperandro- genismo em conjunto com outros esteroides sexuais.

O DHEA é perifericamente convertido em seu sulfato e vice-versa. A excessiva produção do DHEA leva a hirsutismo e virilização via conversão a andrógenos mais potentes: testosterona e androstenediona.

Elevações ocorrem em tumores adrenais, síndrome de ovários policísti- cos, doença de Cushing, hiperplasia adrenal e adrenarca precoce. Seus níveis diminuem com o envelhecimento e na gravidez e baixas concen- trações ocorrem na Doença de Addison.

O SDHEA (sulfato de deidroepiandrosterona) é sintetizado quase exclusivamente pelas adrenais e, embora possa haver produção testicular, não é produzido pelos ovários. O DHEA (deidroepiandrosterona) é perifericamente convertido em seu sulfato e vice-versa.

O SDHEA é o esteroide C19 mais abundante e a maior fonte dos 17-cetosteroides urinários.

É um marcador da função adrenal cortical, fracamente androgênico, mas metabolizado nos tecidos periféricos em testosterona e diidrotestosterona.

Encontra-se aumentado nos casos de hiperplasia adrenal congênita, carcinoma adrenal, tumores virilizantes das adrenais e na Síndrome de Cushing.

Valores baixos são encontrados na Doença de Addison. Seus níveis declinam com a idade no homem e na mulher.

Este exame é indicado para o diagnostico da deleção do braço longo (q) do cromossomo 13 associada à Leucemia Linfoblastica Aguda (LLA), ao Mieloma Multiplo e ao Linfoma não-Hodgkin.

São conhecidos quatro sorotipos do vírus do dengue: Den 1, Den 2, Den 3 e Den 4. O vírus do dengue é da família flavivírus que contém 70 espécies, entre elas o vírus da febre amarela. Todos os flavivírus têm epítopos em comum no envelope proteico, o que possibilita reações cruzadas em testes sorológicos.

Imunoensaio enzimático IgM

Baseia-se na detecção de anticorpos IgM específicos para os quatro sorotipos. Detecta anticorpos anti-IgM em 80% dos pacientes com 5 dias de doença, 93% dos pacientes com 6 a 10 dias de doença e 99% entre 10 e 20 dias. IgM é detectado na infecção primária e na infecção secundária, com títulos mais altos na primeira. Uma pequena porcentagem de pacientes com infecção secundária não tem IgM detectável. Na infecção terciária os títulos são mais baixos ou ausentes. Em alguns casos de infecção primária, IgM pode persistir por mais de 90 dias, mas na maioria é indetectável após 60 dias do início do quadro clínico. Apresenta índice de falso-positivo de 1,7%. Deve-se lembrar que causa comum de falso-negativo é a coleta prematura da amostra (antes do 5º dia). Reações cruzadas com outras flaviviroses são citadas para ELISA IgM.

Imunoensaio enzimático IgG

Anticorpos IgG na dengue são menos específicos que o IgM, havendo possibilidade de reações cruzadas entre as flaviviroses, o que acarreta em altas taxas de falso-positivos. Deve-se lembrar da possibilidade de transferência vertical de IgG materna a crianças, e da ocorrência de IgG positivo em pacientes vacinados contra febre amarela.
Ressalta-se que a combinação de ELISA IgM e IgG é importante para o diagnóstico do dengue em pacientes em áreas endêmicas, pois parte dos pacientes reinfectados podem não apresentar elevações de IgM.

Na dengue, muitas vezes o diagnóstico sorológico não é capaz de confirmar casos suspeitos com evolução grave, já que a febre hemorrágica pode ocorrer na janela imunológica, quando as pesquisas de IgM e IgG são negativas. Nesses casos, a pesquisa do antígeno NS1 apresenta sua melhor utilidade, permitindo o diagnóstico nos primeiros cinco dias de doença.

Como há um período de sobreposição de positividade do antígeno NS1 e IgM, a pesquisa de ambos os marcadores simultaneamente aumenta a sensibilidade do teste, compensando a baixa positividade na pesquisa de anticorpos isoladamente nos primeiros dias de infecção.

Indicador sensível da capacidade de concentração renal. Permite estimativa da função renal de reabsorção tubular através da relação entre os componentes osmoticamente ativos da urina e a água livre, correlacionados ao fluxo urinário. Trata-se de uma das últimas funções renais a serem perdidas na insuficiência renal. Está aumentada na necrose tubular aguda (NTA) e na insuficiência renal crônica, sendo útil na diferenciação entre a uremia pré-renal, renal e pós-renal.

Valores positivos indicam que a urina se encontra diluída quando comparada ao soro. Valores negativos indicam que a urina se encontra mais concentrada que o soro.

Para diluir a urina ao máximo, a porção ascendente da alça de Henle deve funcionar adequadamente e a liberação de ADH deve ser inibida. Diuréticos que bloqueiam o bombeamento de cloreto na porção ascendente da alça de Henle, como a furosemida, inibem a capacidade dos néfrons de concentrar a urina. O uso de diuréticos geralmente dá origem a um clearance de água livre positivo.

Sangue

A enzima desidrogenase lática (LDH) está presente no citoplasma de todas as células do corpo, sendo os níveis mais altos de atividade encontrados nas hemácias, no rim, no coração, no músculo, no pulmão e fígado. O aumento da atividade de LDH ocorre quando há algum dano celular que resulte em liberação da enzima do citoplasma, como infarto do miocárdio e pulmonar, anemia hemolítica, hepatite, leucemia, inflamação muscular, pancreatite aguda, entre outros. A determinação da LDH é útil no diagnóstico da anemia hemolítica. É utilizada como marcador tumoral no disgerminoma ovariano, tumor testicular de células germinativas e linfoma não-Hodgkin.

Líquido pleural

É um critério para diferenciação entre exsudato e transudato. Relação LDH pleural/sérica > 0,6 e LDH pleural > 200 U/L indicam exsudato, com sensibilidade de 98% e especificidade entre 70 e 98%. Níveis de LDH acima de 1.000 U/L são encontrados em neoplasias e empiema. Sua determinação deve ser feita em paralelo com a dosagem sérica.

Líquido ascítico

Os níveis de LDH no líquido ascítico correspondem normalmente a 50% dos valores séricos. Níveis elevados são observados nas peritonites (espontâneas e secundárias), tuberculose peritoneal e carcinomatoses. Sua determinação deve ser feita em paralelo com a dosagem sérica.
Razão LDH no líquido ascítico/sérica maior que 0,6 e LDH > 400 U/L sugerem exsudato.

Líquor

Os níveis de LDH no líquor correspondem normalmente a 10% dos valores séricos. Níveis elevados são encontrados no acidente vascular cerebral, tumores do sistema nervoso central e meningites. Sua deter- minação deve ser feita em paralelo com a dosagem sérica.

A 11-desoxicorticosterona (DOC) é um mineralocorticoide fraco derivado da 21-hidroxilação da progesterona no córtex adrenal, sendo um precursor da corticosterona e da aldosterona.

Sua dosagem é utilizada no diagnóstico diferencial da hiperplasia adrenal congênita (HAC), quando a elevação da 17-hidroxiprogesterona é apenas modesta, sugerindo possível deficiência da 11-beta-hidroxilase, a segunda principal causa de HAC. A elevação de DOC pode ser causa de hipertensão, sendo importante na avaliação do hiperaldosteronismo responsivo ao glico- corticoide, assim como em pacientes com tumor produtor de DOC.

Testes adicionais nessas avaliações incluem 17-hidroxiprogesterona, 11-de- soxicortisol (Composto S), corticosterona, 18-hidroxicorticosterona, cortisol, atividade plasmática de renina e aldosterona.

A di-hidrotestosterona é derivada da conversão tecidual periférica da testosterona pela enzima 5-alfa-redutase. É o principal androgênio prostático e o principal metabólito ativo da testosterona responsável pelo crescimento dos pelos, sendo considerado um marcador da produção androgênica periférica. Contudo, pela curta meia-vida e elevada afinidade à SHBG, o DHT não reflete a ação androgênica periférica, sendo esta melhor determinada por seu metabólito distal, 3-alfa-androstanediol-glucuronide.

A dosagem de DHT é utilizada na monitorização de pacientes que utilizam medicamentos que inibem a 5-alfa-redutase e na avaliação de pacientes com possível deficiência da enzima 5-alfa-redutase, onde, em ambos, observam-se valores reduzidos de DHT.

Em crianças do sexo masculino, seus níveis reduzem rapidamente nas primeiras semanas após o parto, tendo um incremento entre 30 e 60 dias de vida, quando gradualmente reduzem até os 7 meses de vida. Já nas crianças do sexo feminino, seus níveis reduzem a valores pré-puberais durante o primeiro mês de vida. Em ambos os sexos, os níveis novamente elevam-se na puberdade.

A Diabetes tipo 2 é conhecida por ser uma doença caracterizada por uma resposta inadequada das células beta do pâncreas a progressiva resistência à insulina. A doença é uma importante causa de morbimortalidade na população geral devido à associação com doenças cardiovasculares. A identificação de variantes de DNA que influenciam a predisposição à doença podem fornecer pistas para os processos envolvidos na patogênese da doença oferecendo oportunidades para a utilização da medicina personalizada através da estratificação do individuo de acordo com o risco e na classificação mais precisa do subtipo da doença.

A recente interação entre as áreas de informática e biologia molecular (bioinformática) permitiu o aparecimento dos Estudos de Associação Genômica Ampla (do inglês genome-wide association studies, GWAS). Os estudos GWAS comparam as frequências alélicas de diversos marcadores polimórficos (SNPs – single nucleotide polymorphiem) simultaneamente em indivíduos não relacionados que possuam um determinado sintoma ou patologia em comparação com um grupo controle de indivíduos saudáveis com o objetivo de identificar SNPs associados com doenças complexas. Recentemente, estudos de GWAS identificaram e validaram dentre todos os marcadores polimórficos já identificados para doenças complexas, 4 SNPs em quatro regiões cromossômicas distintas significativamente associadas à susceptibilidade para a diabetes tipo 2.

O PreventCode Diabetes tipo 2 é um teste genético rápido desenvolvido pelo Laboratório Progenetica que se baseia em um painel de 4 SNPs selecionados por apresentarem uma forte correlação estatística com a suscetibilidade ou risco do aparecimento da diabetes tipo 2. O teste genético PreventCode Diabetes tipo 2 faz parte de uma estratégia para a implementação de medidas preventivas tais como periodicidade de realização de exames de rastreamento e intervenção precoce baseando-se nas descobertas científicas relacionadas com o código genético.

O dialdeído malônico (MDA) é um produto final da peroxidação lipídica. Contribui para a reação inflamatória por ativação de citocinas pró-infla- matórias, como o TNF-ß e a IL-8.

Medicamento utilizado no tratamento da ansiedade, em crises convulsivas, na desintoxicação alcoólica, e indução anestésica. A quantificação sérica é realizada para auxiliar o clínico a estabelecer um esquema de dosagem que proporcione a concentração ótima para cada paciente individualmente.

A difenil-hidantoína ou fenitoína (Epelin, Hidantal) é utilizada como anticonvulsivante. Sua dosagem é útil para a monitorização dos níveis terapêuticos e avaliação de toxicidade. Cerca de 90% da fenitoína circula ligada às proteínas plasmáticas com meia-vida de 20 a 40 horas (10 horas em crianças). O metabolismo é hepático, e o estado de equilíbrio é alcançado em 1 a 5 semanas. A principal causa de níveis baixos é a não aderência ao tratamento. A absorção da droga pode ser mais baixa em menores de um ano de idade e quando há uso concomitante de antiácidos e fenobarbital. Crianças e alguns adultos podem ter metabolismo hepático mais rápido, o que resulta em níveis séricos mais baixos. Gravidez, doenças virais, dieta enteral, etilismo e algumas drogas (carbamazepina, ácido fólico, oxacilina, nitrofurantoína, cimetidina, warfarin, ácido valproico) podem diminuir níveis da fenitoína. Níveis elevados podem decorrer de interação com outras drogas: cimetidina, etanol, fenilbutazona, ibuprofeno, amiodarona, imipramina, miconazol, metronidazol, nifedipina, isoniazida e trimetoprima. A fenitoína pode diminuir níveis de várias drogas: ácido valproico, carbamazepina, primidona, corticoides, cloranfenicol, doxiciclina, lamotrigina, warfarin e ciclosporina.

É um digitálico utilizado no tratamento da insuficiência cardíaca sistólica e no controle de distúrbios do ritmo cardíaco. A dosagem deve ser realizada 6 horas após a última dose do medicamento, sendo útil para prevenir toxicidade. Cerca de 25% da digoxina encontra-se ligada às proteínas plasmáticas com meia-vida de 20 a 60 horas, se a função renal estiver normal. O estado de equilíbrio é alcançado em cinco dias.

A toxicidade pelo digital pode ocorrer mesmo em níveis terapêuticos quando há hipocalemia, hipomagnesemia, alcalose, hipercalcemia. Alguns compostos endógenos e exógenos têm sido descritos como capazes de apresentar reatividade cruzada com a digoxina, particularmente em pacientes portadores de insuficiência renal ou hepática, gestantes e neonatos. Quinidina, verapamil e amiodarona podem elevar os níveis séricos da digoxina. Níveis baixos podem ser encontrados nas tireoidopatias e na diminuição do fluxo mesentérico. Algumas drogas diminuem a absorção da digoxina: metoclopramida, colestiramina, antiácidos, laxativos e fenitoína. Drogas que aumentam níveis de digoxina: indometacina, diltiazem, eritromicina, itraconazol, espironolactona. Ressalta-se que sua dosagem não detecta a digitoxina.

Produto da degradação da fibrina pela plasmina. Sua elevação está vinculada a ativação do sistema de coagulação e à subsequente fibrinólise. Muito sensível, mas muito pouco específico.

Recomendado como teste de triagem na suspeita de trombose venosa profunda (TVP) e tromboembolismo pulmonar (TEP). Testes automatizados de alta sensibilidade negativos podem ser definitivos na exclusão de quadros trombóticos, mas testes positivos não confirmam o diagnóstico. Testes confirmatórios de imagem devem ser utilizados nestes casos.

Tem sensibilidade superior a 90% na identificação de TEP, confirmada à cintilografia ou angiografia. Pode ser detectado após uma hora da formação do trombo, e permanece elevado em média por 7 dias.

Níveis elevados também são encontrados no infarto agudo do miocárdio, sepse, neoplasias, pós-operatórios (até 1 semana), sangramento ativo ou recente, pós-trauma, coagulação intravascular disseminada, anemia falciforme, insuficiência cardíaca e pneumonias. Associado a gestação, doenças hepáticas, inflamações ou estados de hipercoagulabilidade.

O nível de elevação não se correlaciona com a gravidade da doença associada.

A análise da morfologia das hemácias no sedimento urinário pode indicar se a origem da hematúria é glomerular ou não glomerular. A hematúria não-glomerular caracteriza-se por hemácias urinárias isomórficas, com tamanho uniforme e morfologia semelhante à encontrada na circulação sanguínea. Por outro lado, na hematúria glomerular, as hemácias se apresentam dismórficas, com alterações de forma, cor, volume e conteúdo de hemoglobina, podendo-se encontrar diversas projeções em suas membranas celulares, bem como heterogeneidade citoplasmática e forma bicôncava ou esférica.

Entre as diversas formas de hemácias observadas na urina, os acantócitos são considerados os mais específicos para lesões glomerulares.

A teoria mecânica é a mais aceita atualmente na literatura, mas é prudente acreditar numa miscelânea de fatores como determinantes das alterações do dismorfismo eritrocitário.

A hematúria microscópica de forma isolada pode ser encontrada em 4% a 13% da população geral. Indivíduos em investigação clínica que não apresentam número significativo de hemácias no sedimento urinário (menos de 5 eritrócitos por campo microscópico) deverão colher nova amostra, até que se obtenha material com número representativo, devido ao caráter, muitas vezes, transitório das hematúrias microscópicas.

A coleta adequada é importante para garantir a representatividade da amostra. A diurese por ingestão de grande quantidade de líquido não é aconselhado, pois as hemácias são facilmente lisadas em urinas diluídas (densidade < 1.006). Embora não seja critério de exclusão, a prática de exercícios físicos intensos prévios à coleta também é desaconselhada. Em casos de trauma do trato urinário ou menstruação, sugere-se aguardar alguns dias para a realização do exame.

Recomenda-se um tempo máximo de 2 a 4 horas entre a coleta e o exame do sedimento, para não ocorrer interferência por alcalinização, proliferação bacteriana ou outros fatores que possam alterar a morfologia das hemácias.

Autoanticorpos dirigidos contra o DNA de dupla fita (dsDNA) são marcadores diagnósticos específicos do lúpus eritematoso sistêmico (LES) e um de seus critétios de classificação. A pesquisa do anti-dsDNA pode ser feita por vários métodos como ELISA, Farr, quimiluminescência e imunofluorescência indireta em Crithidia luciliae, com variável sensibilidade e especificidade. Dependendo do método utilizado, podem estar presentes em 40% a 70% dos pacientes com LES ativo, e também em uma pequena proporção de pacientes com diagnóstico de artrite reumatoide, hepatite autoimune, hepatite C, cirrose biliar primária, síndrome de Sjögren, esclerose sistêmica e doença mista do tecido conjuntivo, geralmente em títulos próximos próximo ao valor de corte do teste. Sua presença está relacionada com maior probabilidade de acometimento renal e com a atividade da doença. Níveis crescentes ou altos títulos de anticorpos antidsDNA associados a baixos níveis de complemento quase sempre significam exacerbação da doença ou doença em atividade. Entretanto, os títulos de anti-dsDNA podem permanecer elevados, mesmo com a remissão clínica da doença, ou podem ser normais em pacientes com doença ativa.

De acordo com dados da Organização Mundial de Saúde (OMS), as doenças cardiovasculares são a principal causa de morte por doença no mundo. Nos últimos 50 anos ocorreram consideráveis progressos na definição e identificação dos fatores de risco associados às doenças cardio- vasculares. Baseando-se em evidencias epidemiológicas, fatores como dis- lipidemias, hipertensão arterial sistêmica, fumo, idade, diabetes mellitus, obesidade, sedentarismo, dieta e histórico familiar demonstraram uma consistente associação com o risco para o desenvolvimento de doenças cardiovasculares. Após o sequenciamento do genoma humano, diversos genes envolvidos nas doenças cardiovasculares de caráter monogênico (mendelianas) foram identificados. Estas formas de doenças cardiovasculares são raras constituindo a minoria dos casos clínicos. Exemplos incluem: infarto prematuro do miocárdio, cardiomiopatia dilatada e hipertrófica, aneurisma aórtico, displasia arritmogênica do ventrículo direito, entre outras3. No entanto, a grande maioria das doenças cardiovasculares possui um caráter poligênico e multifatorial, contendo tanto contribuições de fatores hereditários como também de fatores ambientais e comportamen- tais. Estima-se que os fatores hereditários sejam responsáveis por aproxi- madamente 30%-60% da variação interindividual no risco para o desenvol- vimento de doença arterial coronariana2.

A recente interação entre as áreas de informática e biologia molecular (bioinformática) permitiu o aparecimento dos Estudos de Associação Genômica Ampla (do inglês genome-wide association studies, GWAS). Os estudos GWAS comparam as frequências alélicas de diversos marcadores polimórficos (SNPs) simultaneamente em indivíduos não relacionados que possuam um determinado sintoma ou patologia em comparação com um grupo controle de indivíduos saudáveis com o objetivo de identificar SNPs associados com doenças complexas. Recentemente, estudos de GWAS identificaram e validaram dentre todos os marcadores polimórficos já identificados para doenças complexas, 22 SNPs em 17 regiões cromossômicas distintas significativamente associadas à susceptibilidade para o desenvolvimento da doença arterial coronariana2,4,5.

O PreventCode Cardiovascular é um teste genético rápido desenvolvido pelo Laboratório Progenética que se baseia em um painel de 22 SNPs selecionados por apresentarem uma forte correlação estatística com a suscetibilidade ou risco de desenvolvimento de doenças cardiovasculares. O teste genético PreventCode Cardiovascular faz parte de uma estratégia para a implementação de medidas preventivas tais como periodicidade de realização de exames de rastreamento e intervenção precoce baseando-se nas mais avançadas descobertas científicas relacionadas com o código genético.

A doença célica é uma desordem multifatorial influeniciada por fatores ambientais e genéticos que acometem o sistema gastrointestinal, podendo produzir, em outros sistemas, sintomas como anemia, cefaleia e depressão. A doença celíaca é induzida por uma dieta que contém glúten em indivíduos geneticamente susceptíveis. A maioria dos indivíduos com doença celíaca tem anticorpos associados à doença e variantes alélicas em dois genes HLA, HLA-DQA1 e HLA-DQB1. Como 30% da população em geral têm um dos alelos HLA associados à doença celíaca e apenas cerca de 3% dos indivíduos com um ou dois alelos desenvolvem a doença, a presença de alelos HLA associados à doença celíaca não é diagnóstica, entretanto a sua ausência praticamente exclui tal diagnóstico.

A doença de Gaucher é um erro inato do metabolismo de depósito lisossomal ocasionado pela deficiência da enzima glicocerebrosidase, o que promove um acúmulo de glicolipídeos no interior dos macrófagos do sistema retículo-endotelial (principalmente no baço, fígado, medula óssea e pulmão). É constituída por um espectro de achados clínicos, podendo variar desde a forma perinatal letal até formas assintomáticas, e possui herança autossômica recessiva. As manifestações fenotípicas da doença de Gaucher podem ser divididas em três tipos: tipo I (forma não-neuropática – forma mais comum da doença, principalmente nos des- cendentes de judeus Ashkenazi), tipo II (forma neuropática aguda) e tipo III (forma neuropática crônica). Divide-se ainda em outras duas formas: peri-natal (forma grave e letal) e forma cardiovascular. O estudo molecular para doença de Gaucher pode ser útil na confirmação diagnóstica e no aconselhamento genético. Mutações no gene GBA são as únicas mutações conhecidas, até o momento, que estão relacionadas à doença de Gaucher.

A doença de Huntington é uma doença autossômica dominante causada pela expansão de trinucleotídeos CAG no gene HTT localizado no braço curto do cromossomo 4. É uma desordem neurodegenerativa, progressiva e com início dos sintomas na vida adulta. Distúrbios motores (coréia), psi- quiátricos e cognitivos são os principais sintomas da doença. Existe uma correlação inversa entre o número de repetições CAG e a idade de início dos sintomas.

A doença de Kennedy (ou Atrofia muscular espinobulbar) é uma doença neuromuscular progressiva em que ocorre degeneração dos neurônios motores inferiores, provocando fraqueza muscular, atrofia muscular e fas- ciculação em indivíduos do sexo masculino. Os pacientes também podem apresentar ginecomastia, atrofia testicular e oligospermia. É uma doença recessiva ligada ao cromossomo X e causada pela expansão de trinucleotídeos CAG no éxon 1 do gene AR.

O cabelo é um dos tipos de amostras biológicas utilizadas para pesquisa de drogas de abuso. Nesta matriz analítica, o consumo de drogas leva de 5 a 7 dias para tornar-se detectável e este período poderá se estender por aproximadamente 90 ou 180 dias, conforme a natureza e tamanho da amostra coletada. O Teste possui parâmetros quantitativos.

Os níveis plasmáticos da enzima conversora da angiotensina (ECA) estão relacionados ao polimorfismo no gene da ECA. Trata-se de um polimorfismo bialélico denominado deleção (D) e inserção (I) que afeta diretamente a quantidade circulante dessa enzima. Indivíduos com o genótipo DD (homozigose para o alelo D) têm concentrações séricas mais elevadas da ECA, enquanto os indivíduos com o genótipo II (homozigose para o alelo I) tem concentrações mais baixas da ECA. Estudos têm associado o genótipo DD da ECA a um maior risco de doença arterial coronariana em comparação aos genótipos DI ou II.

O diagnóstico de infecção por Echovirus no Sistema Nervoso Central é acompanhada pela presença de anticorpos específicos de produção intratecal. A interpretação pode ser dificultada pelos baixos níveis de anticorpos no líquor, transferência passiva de anticorpos séricos e contaminação na punção. Sugere-se avaliar a razão de anticorpos no líquor e no soro para avaliar a probabilidade de meningoencefalite.

O exame é utilizado para o diagnóstico diferencial de lesões cutâneas, quando há suspeita clínica de infestação por ectoparasitas: Sarcoptes scabiei (escabiose), Pediculus humanus (pediculose), Phthirus pubis (ptirose).

Método

Microscopia Direta

Condição

? Raspado de lesões de pele e pelos. ? Deve-se, preferencialmente, não estar em uso de medicamentos tópicos. ? A colocação de bolsa de água quente sobre as lesões pode aumentar a sensibilidade do exame.

O gene EGFR (epidermal growth fator receptor), localizado no cromossomo 7p11.2 é um oncogene associado à resposta aos quimioterápicos inibidores da tirosina quinase usado para tratamento de ao Câncer de pulmão. O gene e seus ligantes são sinalizadores moleculares envolvidos em várias funções celulares como proliferação celular, diferenciação celular, motilidade, desenvolvimento do tecido. Os principais fatores preditores da resposta a esse tipo de droga é a presença de mutações somáticas ativadoras do gene EGFR que causa um estímulo aberrante na membrana celular e, consequentemente, crescimento celular e ativação de outras vias sinalizadoras como RAS/MAPK/Akt e STAT. No grupo específico de Câncer de pulmão não pequenas células indivíduos com a mutação apresentam uma taxa de resposta a medicação que varia de 55% a mais de 85% associada a melhor qualidade de vida e maior tempo livre de progressão da doença. A pesquisa de mutação, portanto, pode direcionar o tratamento oncológico.

Presença de mutação de ganho de função no gene do receptor do fator de crescimento epidérmico (EGFR) em tecido tumoral constitui alvo terapêutico para o tratamento de câncer de pulmão e carcinoma colorretal metastáticos. Existem atualmente dois tipos de drogas que bloqueiam o EGFR: A primeira classe inclui os anticorpos monoclonais, como o panitumumabe e cetuximabe. A segunda classe inclui os inibidores de tirosina quinases, como o gefitinibe e erlotinibe. Ambos os tipos de droga inibem a sinalização molecular deflagrada por EGFR mutado. Uma resposta favorável às terapias anti-EGFR no carcinoma de pulmão são observadas em pacientes com mutações específicas do gene EGFR. O teste é recomendado para uso de terapia alvo específica em pacientes diagnosticados com câncer de pulmão de não pequenas células.

A elastase, enzima proteolítica secretada pelo pâncreas exócrino, não sofre degradação durante o trânsito intestinal. Desta forma, a quantificação da elastase nas fezes é um marcador da função exócrina do pâncreas, sendo o exame útil para o diagnóstico ou exclusão da insufi- ciência pancreática exócrina, cujas etiologias podem ser a pancreatite crônica, fibrose cística, diabetes mellitus, etc. Apresenta sensibilidade e especificidade de 93%.

O exame é útil no diagnóstico de talassemias, hemoglobinas variantes e na investigação de microcitoses de causa indeterminada. A eletroforese de hemoglobina inclui a quantificação de Hb fetal, A e A2.

Os lipídeos circulam no plasma combinados a proteínas conhecidas como lipoproteínas.

As lipoproteínas podem ser separadas através de eletroforese. Em geral, são identificadas quatro frações lipoproteicas principais:

? Quilomícrons: principalmente triglicerídeos. Permanecem no ponto de origem. Normalmente não são visualizados no soro de pessoas que estiveram em jejum.
? Lipoproteína beta: existe no soro normal. A maior parte do colesterol sérico está relacionada a esta fração.
? Lipoproteína pré-beta: consiste principalmente em triglicerídeos endógenos.
? Lipoproteína alfa: está, normalmente, na zona da globulina alfa-1, quando se compara com a eletroforese de proteínas séricas.

Os padrões de eletroforese de lipoproteínas são úteis na caracterização das dislipidemias secundárias e primárias. Na disbetalipoproteinemia tipo III, partículas de densidade intermediárias (IDL) formam banda larga entre regiões pré-beta e beta.

A eletroforese de proteínas é uma técnica que permite separar em frações as proteínas do soro, urina e líquor. Gel de agarose, acetato de celulose ou em capilar de sílica são os suportes mais utilizados para a separação das proteínas. A principal indicação para a realização da eletroforese de proteínas é a avaliação diagnóstica das gamopatias monoclonais. As gamopatias monoclonais são um grupo de doenças caracterizadas pela proliferação de um único clone de células plasmáticas que produzem uma imunoglobulina monoclonal homogênea (proteína M). Mieloma múltiplo, plasmocitoma, amiloidose primaria, gamopatia monoclonal de significado indeterminado e macroglobulinemia de Waldeström são alguns exemplos de gamopatia monoclonal. O algoritmo laboratorial do International Myeloma Working Group para o screening de pacientes com suspeita de gamopatias monoclonais recomenda a realização da eletroforese e imuno- fixação, tanto no soro quanto na urina.

Soro: no soro normal, usualmente 5 frações são identificadas (albumina, alfa1, alfa2, beta e gama). O uso de técnicas de alta resolução, como a eletroforese capilar, permite a separação adicional da fração beta2 em dois componentes: transferrina e C3. Essa característica assegura maior sensibilidade na detecção de proteínas monoclonais. As seguintes alterações da curva eletroforética são sugestivas da presença de proteína monoclonal: pico monoclonal em qualquer região desde alfa2 até gama, aumento isolado da concentração das frações beta1 e beta2, alteração do formato da fração gama e diminuição da concen- tração da fração gama. Como a eletroforese é um teste de triagem, a imunofixação de proteínas sempre deve ser realizada para a certifi- cação de que qualquer das alterações descritas acima é resultado da presença de imunoglobulina monoclonal. Fibrinogênio, hemoglobina, grandes aumentos de concentração da proteína C-reativa e C3, alguns medicamentos e meios de contraste, podem aparecer na eletroforese de proteínas como picos monoclonais.

Veja também Imunofixação, Proteína de Bence-Jones, Cadeias leves kappa e lambda.

Líquor: eletroforese de proteínas do líquor em gel de agarose é utilizada na pesquisa de bandas oligoclonais, definidas como a presença de duas ou mais bandas discretas na região gama que estão ausentes na eletroforese concomitante do soro. Resultados positivos na eletroforese devem ser complementados pela realização de imunofi- xação no líquor, para confirmar que as bandas oligoclonais são imu noglobulinas. Bandas oligoclonais no líquor têm sido identificadas em 83% a 94% dos pacientes com esclerose múltipla estabelecida, 40% a 60% dos casos prováveis e 20% a 30% dos casos possíveis. Também são observadas em quase todos os casos de panencefalite subaguda esclerosante, em 25% a 50% das infecções virais do sistema nervoso central, nos casos de neuroborreliose, meningite criptocócica, neurosífilis, mielite transversa, carcinomatose meníngea, glioblastoma multiforme, linfoma de Burkitt, polineuropatia recorrente crônica, doença de Behcet, cisticercose e tripanossomíase.

Urina: as funções glomerular e tubular normais resultam em excreção de proteína inferior a 150 mg/dia. A eletroforese de proteínas da urina normalmente contém apenas uma discreta banda de albumina e globulina. Dois terços da proteína filtrada são compostos de albumina, transferrina, proteínas de baixo peso molecular e algumas imunoglobulinas. O restante, como a glicoproteína Tamm-Horsfall, é secretada pelos túbulos do próprio trato urinário. Eletroforese de proteínas na urina separa as proteínas de acordo com sua carga e permite a classificação do tipo de lesão renal. Também é fundamental para a detecção de cadeias leves monoclonais de imunoglobulina, as quais podem estar ausentes na eletroforese do soro e são importantes marcadores diagnósticos de algumas gamopatias monoclonais como amiloidose. Um padrão normal de proteinúria consiste de albumina e ocasionalmente traços de bandas alfa1 e beta. A eletroforese de urina concentrada pode não detectar cadeias leves por falta de sensibilidade, sendo a imunofixação o próximo passo.

Padrões de alterações da eletroforese de proteínas na urina:

? Proteinúria glomerular (lesão mínima, glomerulonefrite, nefropatia diabética): aumento da albumina e bandas alfa1 e beta1;
? Proteinúria tubular (lesão medicamentosa, pielonefrite, doença renal vascular, rejeição à transplante): aumento de albumina, bandas alfa1, alfa2 e beta-globinas;
? Distúrbio misto glomerular e tubular;
? Presença de banda monoclonal.

O exame padrão ouro para o diagnóstico da doença celíaca (DC) é a biópsia intestinal. Devido aos inconvenientes da biópsia intestinal, pacientes com suspeita ou sob risco aumentado de desenvolver DC devem ser avaliados com testes sorológicos de triagem, como anticorpos antiendomísio (anti-EMA), anti-gliadina desaminada (anti-DGP) e anti-transglutaminase tecidual (anti-tTG). Pacientes com resultados positivos nos testes de triagem são, então, encaminhados para biópsia.

Os testes sorológicos também podem ser empregados no monitoramento da adesão do paciente à dieta isenta de glúten. Anti-EMA IgA possuem sensibilidade de 93% e especificidade de 99,7% para o diagnóstico da DC. Quando os pacientes adotam uma dieta sem glúten, reduções significa- tivas nos títulos de anticorpos anti-EMA IgA ocorrem dentro de 3 meses a 12 meses. Pacientes com deficiência seletiva de IgA apresentam teste negativo para anti-EMA IgA. Anti-EMA IgG quase sempre são detectáveis em pacientes celíacos com deficiência de IgA. Os níveis de IgG não desaparecem com a dieta e não podem ser utilizados para monitorizar pacientes com deficiência de IgA. Posteriormente, foi demonstrado que antígeno alvo destes anticorpos é a transglutaminase tecidual.

Veja também Gliadina, Transglutaminase e Reticulina.

Teste útil para o diagnóstico da Doença Celíaca (DC). Endomísio é a camada de tecido conjuntivo, composta por fibras reticulares, que reveste cada fibra muscular. Pacientes com DC produzem anticorpos antiendomísio (anti-EMA) das classes IgA, IgG e IgM. Pacientes com resultados reagentes de anti-EMA devem realizar a biópsia intestinal, que é o exame padrão ouro para diagnóstico de DC.

Enolase Neuronal Específica (NSE) é uma isoenzima glicolítica neuroespecífica da enolase, produzida no sistema nervoso central e periférico e em tumores malignos de origem neuroectodérmica. Sua sensibilidade na detecção de Câncer Pulmonar de Pequenas Células (SCLC) é de até 74% e níveis elevados podem estar relacionados a menor sobrevida. No Carcinoma Pulmonar Não Pequenas Células (NSCLC), altos níveis de NSE estão associados a pior prognóstico. A NSE não é suficientemente sensível e específica para diferenciar SCLC de NSCLC e não substitui a avaliação histológica. A queda dos valores após tratamento primário é indicativo de resposta terapêutica e melhor prognóstico. Outros tumores com expressão frequente de NSE são: tumores carcinoides, tumores de células das ilhotas pancreáticas e neuroblastoma. NSE também é encontrada em uma variedade de células circulantes, como eritrócitos e plaquetas, e pode estar aumentada em caso de hemólise, doenças inflamatórias e desordens neuroendócrinas.

A Infecção pela Entamoeba histolytica pode ser assintomática, causar doença invasiva intestinal ou doença extra-intestinal. A sorologia possui maior sensibilidade para as formas extra-intestinais (90%), sensibilidade moderada para doença intestinal invasiva (75%) e baixa sensibilidade para formas assintomáticas. O teste é útil na distinção entre abscessos hepáticos amebianos e piogênicos, entretanto, a alta incidência de amebíase em nosso meio diminui o poder discriminatório do teste. Falso-positivos podem ocorrer em pacientes com colite ulcerativa. Títulos de anticorpos podem ser detectáveis por mais de 6 meses após tratamento eficaz.

Veja também Entamoeba histolytica nas fezes.

Em virtude de as dosagens do estradiol ainda apresentarem grande variação entre diferentes laboratórios, sugere-se seu controle em um único laboratório.

A detecção qualitativa dos antígenos específicos da Entamoeba histolytica em amostras de fezes possui sensibilidade e especificidade superiores à microscopia. O imunoensaio enzimático não diferencia a Entamoeba díspar da Entamoeba histolytica. Em crianças assintomáticas, cerca de 11% dos infectados com Entamoeba histolytica apresentam ELISA positivo nas fezes.

Vírus RNA, não envelopados, família Picornaviridae, transmissão fecal-oral, secreção naso e orofaringe, na fase inicial da doença, com elevada taxa de mutação devida intensa replicação no trato gastrintestinal humano. A dupla infecção da mesma célula por diferentes cepas de enterovírus pode criar condições para surgimento de cepas recombinantes especialmente quando as cepas são dos mesmos sorotipos. Em função disso, são responsáveis pelo caráter emergente, em diferentes momentos da história, como epidemias de poliomielite do século XX. Poliovírus derivado da vacina foi detectado pela primeira vez em uma epidemia de poliomielite paralítica ocorrida na ilha Hispaniola em 2000 e 2001. Responsável além da poliomielite, por infecções assintomáticas, meningoencefalite viral, doença paralítica, exantema febril, doença respiratória aguda, doença mão, pé, boca e herpangina. Exame de PCR qualitativo para poliovírus, echovírus (não amplifica sequências do tipo 22 e 23), vírus coxsackie A e B. Padrão ouro no diagnóstico de meningites causado por esses agentes, através da pesquisa no líquor. Utilizado em outros materiais como sangue periférico (EDTA), medula óssea (EDTA), tecido a fresco, biópsia e bloco de parafina. Sensibilidade de 95% e especificidade de 97%.

Níveis elevados de ECA, associados a quadro clínico-radiológico compatível, são sugestivos de sarcoidose pulmonar, com sensibilidade diagnóstica entre 30% a 80%. Entretanto, a ECA não é um marcador diagnóstico específico de sarcoidose, pois também pode estar aumentada na Doença de Gaucher, diabetes mellitus, hanseníase, amiloidose, doença hepática alcoólica, cirrose biliar primária, mieloma, hipertireoidismo, asbestose, silicose e psoríase. Níveis baixos podem ser encontrados durante uso de corticoides e anti-hipertensivos inibidores da ECA.

Para o diagnostico sorológico da mononucleose, além da pesquisa de anticorpos heterófilos, pode-se avaliar três marcadores: Anti-VCA IgM, Anti-VCA IgG e EBNA. A presença de IgM indica infecção recente por EBV. A presença do IgG indica infecção em algum momento da vida e os anticorpos EBNA são detectados seis a oito semanas após a infecção e persistem por toda a vida. Mais de 90% dos adultos apresentam anti-VCA IgG e EBNA, portanto a presença desse último marcador afasta a possibili- dade de infecção recente por EBV.

O vírus Epstein-Barr (EBV) é o principal agente da mononucleose infecciosa (MI). Também tem sido relacionado com desordens mieloproliferativas e linfomas. Dos anticorpos contra antígenos específicos do EBV, os que agregam maior valor diagnóstico são os contra o capsídeo viral (VCA), com sensibilidade de 95% a 100% e especificidade de 86% a 100% nos episódios de mononucleose aguda. Anticorpos anti-VCA IgM e IgG tornam-se rapidamente positivos em 1 a 2 semanas de infecção. A presença de IgM anti-VCA usualmente indica infecção aguda pelo EBV, entretanto, infecção aguda por outros herpesvírus, podem causar produção de IgM anti-VCA por células que apresentam infecção latente pelo EBV. Falso-positivos de IgM anti-VCA também são citados em outras infecções recentes (toxoplasmose, adenovírus) e na presença de autoanticorpos. Nos quadros de reativação, a IgM anti-VCA pode ser negativa. Resultados negativos podem ocorrer devido à natureza transitória do IgM. O IgM anti-VCA persiste por 4 a 8 semanas. Anticorpos IgG anti-VCA surgem na fase aguda, têm pico em 2 a 4 semanas, persistindo por toda a vida.

A detecção de anticorpos é importante para o diagnóstico da hidatidose, uma vez que não há deposição de ovos nas fezes. A presença de anticorpos pode persistir por toda a vida, mesmo após o tratamento. Reação cruzada com cisticercose pode ocorrer.

Essa triagem constitui uma das etapas iniciais na investigação dos erros inatos do metabolismo (EIM) mais comuns. A interpretação dos resultados desses testes deve ser realizada considerando a clínica apresentada por cada paciente, pois não são incomuns reações falso-positivas, assim como falso-negativas.

Reação da dinitrofenilhidralazina

Pode estar positiva na fenilcetonúria, doença do xarope de bordo, tirosinose, histidinemia, má-absorção de metionina, hiperglicinemia, glicogenoses I, III, V e VI, acidose lática e acidose pirúvica.

Reação da p-nitroanilina

Útil na triagem de acidúria metilmalônica.

Reação de Benedict

Detecta substâncias redutoras na urina. Pode estar positivo na ga- lactosemia, intolerância à frutose, alcaptonúria e síndrome de Lowe. Também pode estar positivo no diabetes mellitus, glicosúria renal, doença de Fanconi, deficiência de lactase, pentosúria, ingestão excessiva de vitamina C, uso de sulfonamidas, tetraciclinas, cloran- fenicol e ácido p-aminosalicílico.

Reação de Erlich

Útil na investigação de casos com suspeita de porfiria.

Reação do azul de toluidina

Útil na triagem das mucopolissacaridoses. Vide comentários do brometo de CTMA.

Reação do brometo de cetil-trimetil-amônio (CTMA)

Útil na triagem das mucopolissacaridoses. Também pode estar positivo na síndrome de Marfan, mastocitose, artrite reumatóide, cretinismo e carcinomatose.

Reação do cianeto-nitroprussiato

Útil para triagem de homocistinúria e cistinúria.

Reação do cloreto férrico

Pode estar positivo em várias doenças como fenilcetonúria, tirosinemia, tirosinose, histidinemia, alcaptonúria, doença do xarope de bordo, hiperglicinemia. Também pode estar positivo em pacientes com feocro- mocitoma, síndrome carcinoide, cirrose hepática, tirosinemia transitória, excreção de bilirrubina conjugada na urina, excreção de iodoclorohidro- xiquina e de metabólitos da L-dopa, acidose pirúvica, excreção de ácido aceto acético, de salicilatos, derivados da fenotiazina, ácido vanílico e má-absorção de metionina, acidose lática e excreção de isoniazida.

Reação do nitrato de prata

Útil para triagem de homocistinúria e cistinúria.

Reação do nitrosonaftol

Pode estar positivo na tirosinose, tirosinemias hereditárias, tirosinemia transitória, disfunção hepática grave, frutosemia e galactosemia.

A dosagem de anticorpos anti-espermatozoides é utilizada na avaliação da infertilidade. Aproximadamente 7 a 14% dos homens inférteis apresentam anticorpos anti-espermatozoides. Eles devem ser pesquisados quando os espermatozoides se aglomeram ou apresentam baixa motilidade. Esses anticorpos podem ser encontrados na circulação, no líquido seminal e/ou ligados à superfície dos espermatozoides.

O estanho é usado na produção de ligas metálicas. Compostos de estanho orgânico são encontrados em plásticos, fungicidas, inseticidas e anti-helmínticos. O estanho inorgânico não é prontamente absorvido. A ingestão de sais solúveis ou grandes doses de estanho metálico pode resultar em irritação gástrica. A exposição aguda a óxido de estanho resulta em irritação leve dos olhos, pele e membranas mucosas. A exposição ocupacional a fumos e poeira de estanho e sua deposição nos pulmões pode causar estanhose. Altas concentrações de outros metais podem aumentar a concentração urinária de estanho e altas concentrações de ânions podem diminuí-la.

O 17-Beta Estradiol (E2) é o principal estrogênio ativo na mulher em idade reprodutiva. É produzido primariamente nos ovários e testículos por aromatização da testosterona. Pequenas quantidades são produzidas nas glândulas adrenais e alguns tecidos periféricos, particularmente o tecido gorduroso.

Sua dosagem tem importância na avaliação da fertilidade e irregularidades menstruais em mulheres adultas. Pode ser utilizado na investigação de ginecomastia e feminização - devido a tumores produtores de estrogênio, e, também, na avaliação do desenvolvimento folicular em protocolos de reprodução assistida.

Na mulher, encontra-se em níveis baixos no hipogonadismo primário e secundário. A dosagem de FSH e LH podem auxiliar no diagnóstico diferencial entre as causas.

Podem-se observar níveis elevados nos tumores ovarianos, tumores femi- nilizantes adrenais, hiperandrogenemia causada por tumores ou terapia androgênica, reposição estrogênica, puberdade precoce feminina, cirrose hepática e hipertiroidismo.

O estriol livre (E3u) é um esteroide de origem feto-placentária. O estriol é o estrógeno mais importante da gravidez, representando mais de 90% do estrógeno nas gestantes.

A concentração de estriol pode estar reduzida na hipertensão induzida pela gravidez, nas gestações de fetos pequenos para a idade gestacional, na gestação molar, nas anormalidades fetais cromossômicas, na perda fetal, na deficiência de sulfatase placentária, na aplasia ou hipoplasia adrenal fetal e em casos de anencefalia. Valores isolados são de difícil interpretação, sendo mais importantes as medidas seriadas.

Outras causas de níveis reduzidos de estriol incluem habitantes de altas altitudes, uso de penicilina, corticoides, diuréticos, estrógenos entre outros.

O estriol pode aumentar no caso de gestação múltipla e/ou uso de ocitocina. Apresenta pouca utilidade na presença de doença renal. A determinação sérica do estriol livre materno em combinação com alfa- fetoproteína e beta-HCG (teste triplo) durante o segundo trimestre da gestação é útil na triagem para Síndrome de Down.

A estrona (E1) é o principal estrógeno circulante após a menopausa. É mais potente que o estriol, porém menos potente que o estradiol.

A maior parte da E1 está conjugada sob a forma de sulfato.

A estrona é muito utilizada para avaliação do hipogonadismo, avaliação da puberdade precoce (completa ou parcial), para diagnóstico de tumores feminilizantes e acompanhamento de reposição hormonal na menopausa, em alguns casos.

Níveis de estrona podem se encontrar elevados após uso de estrogênios orais.

O estudo molecular para algumas das principais síndromes genéticas é um estudo indicado para indivíduos ou casais que pretendam fazer uma triagem dos seguintes estudos moleculares: mutação A985G no gene MCAD, detecção molecular da mutação 202 (G A) da G6PD, mutações C282Y e H63D para hemocromatose, mutação 35 delG no gene da conexina e mutação pontual delta F508 para fibrose cística.

Esse estudo é realizado por meio de DNA fetal extraído de material de aborto, permitindo identificar aneuploidias (alterações numéricas, como trissomias ou monossomias) dos cromossomos 13, 16, 18, 21, X e Y. Essas aneuploidias estão entre as principais causas de abortamento espontâneo. Esse exame não identifica translocações cromossômicas balanceadas envolvendo os cromossomos pesquisados.

Pesquisa molecular de variações genéticas mais frequentes em populações com ascendência judaica. Esse estudo pode ser solicitado para casais que serão submetidos a aconselhamento genético e engloba os seguintes exames: estudo genético para Doença de Tay-Sachs, doença de Gaucher (mutações N370S, L444P, R463C), ataxia espinocerebelar de Machado-Jo- seph (SCA3), hemocromatose (mutação S65C), surdez congênita (mutação 167T no gene da conexina) e doença de Kennedy.

O etanol ou álcool etílico é uma das substâncias químicas mais consumidas no mundo e o uso abusivo é um grave problema de saúde pública.

A principal via de absorção é a oral, e a mais importante manifestação da intoxicação pelo etanol é a depressão do Sistema Nervoso Central.

A intoxicação aguda provoca alterações digestivas e nervosas, enquanto a intoxicação crônica provoca alterações digestivas, hepáticas, cardiovasculares, sanguíneas, endócrinas e psíquicas.

O tipo de bebida alcoólica, a concentração do etanol, o ritmo de ingestão e a presença de alimentos no trato gastrointestinal podem alterar a taxa de absorção.

Identificação de Helmintos e Fragmentos

A identificação macroscópica é útil no diagnóstico das diversas infestações parasitárias. Permite a verificação de proglotes de tênias, oxiúros, áscaris e necátor.

Método Baermann e Moraes (Mod.)

É específico para o isolamento de larvas de estrongiloides e acompa- nhamento do tratamento.

Método Direto a Fresco

O exame direto a fresco é um método indicado principalmente para a pesquisa de trofozoítos de protozoários em fezes diarréicas recém emitidas (no máximo 30 minutos após coleta). Outras formas de parasitas podem ser encontradas.

Método HPJ - Hoffman, Pons e Janer (Mod.)

Utilizado para identificação das diversas infestações parasitárias (ovos e larvas de helmintos e cistos de protozoários) e na triagem das infecções intestinais. A intensidade do parasitismo influi no número de formas parasitárias eliminadas. É recomendável o exame de fezes em três amostras colhidas em dias diferentes, pois a ausência de parasitas em uma amostra de fezes não elimina a possibilidade da presença do mesmo no organismo.

Método Kato Katz

Permite identificação e a quantificação por grama de fezes das infestações por alguns helmintos (Ascaris lumbricoides, Necator americanus, Schistosoma mansoni, Trichuris trichura, Taenia sp, Enterobios vermiculares e Strongyloides stercoralis). A sua execução pode ser inviável em fezes diarreicas.

Método M.I.F.

Usado para isolamento de ovos, cistos e oocistos. As amostras são colhidas e acondicionadas com M.I.F. (mercúrio, iodo e formol) em 3 a 5 dias, consecutivos ou alternados, ou conforme orientação médica. Até 30 dias em temperatura ambiente.

Método Swab Anal – Oxiúros

É a metodologia de escolha para o diagnóstico da enterobiose, pois o Enterobius vermiculares (oxiúros) não faz postura dos ovos na luz intestinal, mas sim na região perianal no período da noite.

A pesquisa de autoanticorpos contra antígenos celulares é tradicionalmente denominada teste do FAN (Fator antinúcleo). O exame do FAN é um importante auxílio diagnóstico para as doenças reumáticas autoimunes (DRAI), como lúpus eritematoso sistêmico, síndrome de Sjögren, esclerose sistêmica, dermatomiosite/polimiosite e doença mista do tecido conjuntivo. O teste do FAN é realizado em duas etapas: uma etapa de triagem, em que um teste sensível é utilizado para avaliar a presença de autoanticorpos (AA); se o teste de triagem for positivo parte-se para a etapa de confirmação, na qual se empregam testes específicos para determinar qual o anticorpo presente. O teste considerado como o padrão-ouro para a pesquisa do FAN é a imunofluorescência indireta (IFI), utilizando como substrato as células HEp-2 (FAN HEp-2).

Existem várias doenças associadas com FAN HEp-2 positivo. Entretanto, a importância diagnóstica do FAN varia de acordo com a doença, sendo considerado muito útil para o diagnóstico do lúpus eritematoso sistêmico e da esclerose sistêmica, útil para o diagnóstico da síndrome de Sjögren e da dermatomiosite/polimiosite, e condição fundamental para o diagnóstico da doença mista do tecido conjuntivo. Em muitas doenças um FAN positivo não tem utilidade diagnóstica (artrite reumatoide, fibromialgia, doenças da tireoide). Resultados positivos de FAN HEp-2 no título de 1:80 podem ser encontrados em até 13% da população normal e numa proporção ainda maior de parentes de primeiro grau de pacientes com DRAI. Reações positivas podem ocorrer durante o uso de vários medicamentos (hidralazina, carbamazepina, hidantoína, procainamida, isoniazida, metildopa) e em pacientes com neoplasias. Elevações transitórias do FAN podem ocorrer em pacientes com doenças infecciosas. Reações negativas podem ocorrer na presença de anticorpos contra os antígenos SSA/Ro, Jo-1, ribossomal P e durante o uso de corticoide ou outra terapia imunossupressora.

Um teste positivo para FAN HEp-2 isolado não é diagnóstico de lúpus eritematoso sistêmico (LES), sendo necessário observar os demais critérios diagnósticos. Não existe relação entre os títulos de FAN e a atividade da doença. Deve-se ressaltar a possibilidade de variações dos títulos do FAN HEp-2 quando realizado em laboratórios ou dias diferentes.

Pelo fato de ser um teste com alta sensibilidade, baixa especificida- de e baixo valor preditivo positivo, os resultados positivos devem ser analisados de acordo com o contexto clínico do paciente, o título e o padrão de fluorescência celular. Padrões de fluorescência como nuclear homogêneo, nuclear pontilhado grosso e nuclear pontilhado centro- mérico tendem a acorrer predominantemente em pacientes com DRAI, enquanto o padrão nuclear pontilhado fino denso ocorre predomi- nantemente em indivíduos sem evidência clínica de DRAI. Geralmente, pacientes com DRAI apresentam títulos do FAN HEp-2 de moderados a elevados (> 1:320), enquanto os indivíduos saudáveis apresentam títulos baixos (< 1:160). Contudo, a importância do título do FAN HEp-2 é relativa, com algumas pessoas saudáveis podendo apresentar altos títulos e alguns doentes títulos baixos. Devido à maior especificidade diagnóstica e relevância clínica, a pesquisa de autoanticorpos específicos como anti-DNA e anti-ENA dever ser realizada em todos os pacientes com FAN HEp-2 positivo. O IV Consenso Brasileiro para pesquisa de auto anticorpos em células HEp-2 fornece orientações importantes quanto à interpretação dos padrões, indicando os auto-anticorpos associados e as principais relevâncias clínicas de cada padrão.

O Fator de Necrose Tumoral (TNF) é uma citocina pró-inflamatória produzida principalmente por macrófagos e monócitos. Seus efeitos biológicos incluem efeito citotóxico direto, modulação do crescimento e diferenciação celular.

O fator de von Willebrand (FvW) é um polímero proteico plasmático com duas importantes funções na hemostasia: promover a adesão plaquetária no sítio da lesão, transportar e estabilizar o fator VIII no plasma. A doença de vW é causada por deficiências hereditárias quan- titativas ou qualitativas no FvW. O teste determina os níveis da proteína do fator de von Willebrand.

Anemia perniciosa é uma forma de anemia macrocítica causada por deficiência de vitamina B12 secundária à deficiência de fator intrínseco. Anticorpos anticélula parietal (ACP) e anti-fator intrínseco (AFI) são considerados os marcadores sorológicos da anemia perniciosa. ACP apresentam sensibilidade de 80 a 90% e especificidade de 90%, enquanto AFI apresentam sensibilidade de 37 a 50% e especificidade de 100% para anemia perniciosa. Alguns autores sugerem que ambos os testes devam ser solicitados na avaliação diagnóstica da anemia perniciosa, com sensibi- lidade de 73% e especificidade de 100%.

A dosagem do fator IX é útil para diagnosticar a deficiência do fator, particularmente a hemofilia B.

A pesquisa de fator reumatoide no líquido pleural e no líquor pode ser útil para a investigação da etiologia da serosite ou para o diagnóstico da vasculite do sistema nervoso central, em pacientes com artrite reumatoide.

A dosagem de fator V é empregada para diagnosticar as deficiências congênitas (raras) do fator. Também pode ser útil na avaliação das defi- ciências adquiridas associadas a hepatopatias, à presença de inibidores do fator V, doenças mieloproliferativas, coagulação intravascular disseminada e fibrinólise.

A molécula do fator V da coagulação apresenta três sítios de clivagem para a proteína C ativada. Quando ocorre uma mutação resultante da transição do nucleotídeo G para A na posição 1691 no gene do Fator V, essa mutação é conhecida como fator V Leiden e é responsável pelo fenótipo resistência à proteína ativada. O fator V Leiden torna o fator V (pró-coagulante) ativo por um maior período. Indivíduos heterozigotos (com uma mutação) têm risco aumentado para TEV em aproximadamente 5 vezes comparado com a população geral, e cerca de 50 vezes em homozigose (com duas mutações).

Fator sintetizado no fígado componente da via extrínseca da coagulação. O teste é útil na avaliação de pacientes com suspeita de deficiência do fator e na avaliação de causas de prolongamento do tempo de protrombina.

O teste destina-se ao diagnóstico de hemofilia A, dos estados de deficiência adquirida, para auxiliar no diagnóstico da doença de von Willebrand.

Teste utilizado na avaliação das deficiências congênitas ou adquiridas deste fator, na investigação de resultados prolongados dos testes de traigem (TP e TTPa).

Utilizado para avaliação da deficiência do fator XI, para investigação de resultado de TTPa prolongado.

Componente do sistema de ativação por contato da coagulação. A deficiência deste fator é suspeitada diante de casos em que o PTTa encontra-se inexplicavelmente prolongado. A deficiência não provoca distúrbios de sangramento.

Fator estabilizador da fibrina. Teste para avaliação das deficiências (raras) congênitas e adquiridas.

Fenciclidina é um agente anestésico que possui propriedades alucinógenas, sendo conhecida como “pó de anjo”. Após ser fumada, o tempo de detecção é de 5 a 15 minutos no soro e de aproximadamente oito dias na urina. Há relatos na literatura de resultados falso-positivos devido ao uso de venlafaxina.

A pesquisa da fenilalanina na urina é um exame de triagem para fenilceto- núria, doença autossômica recessiva resultante da deficiência da enzima fenilalanina hidroxilase. Resultados falso-positivos podem ocorrer com a contaminação da amostra, uso de medicamentos, excreção de ácido aceto acético e colúria (bilirrubina conjugada). Por ser um exame de triagem, são necessários exames confirmatórios para que um diagnóstico seja firmado ou afastado.

A dosagem da fenilalanina é útil para o diagnóstico das hiperfenilalani- nemias. Idealmente, a dosagem desse aminoácido é realizada na triagem neonatal (teste do pezinho) para pesquisa de fenilcetonúria (PKU). Para indivíduos não triados no período neonatal (principalmente sintomá- ticos, com atraso no desenvolvimento neuropsicomotor e/ou microce- falia), pode-se dosar a fenilalanina no plasma. As hiperfenilalaninemias podem ser classificadas em PKU clássica, PKU leve, hiperfenilalaninemia persistente, hiperfenilalaninemia transitória, deficiência de tetraidrop- terina (BH4) e fenilcetonúria materna. Essa classificação é realizada de acordo com as dosagens de fenilalanina, história clínica e achados do exame físico. A fenilalanina pode estar aumentada em indivíduos com dieta hiperproteica, pode ser um achado transitório em recém nascidos devido à imaturidade enzimática e também pode estar aumentada em pacientes com tirosinemia.

A fenilcetonúria é um distúrbio do metabolismo dos aminoácidos decorrente da atividade deficiente na enzima fenilalanina hidroxilase. Níveis aumentados de fenilalanina e reduzidos de tirosina são observados na doença, que, se não tratada, leva a danos no sistema nervoso central com déficit intelectual, convulsões e espasticidade. O tratamento inclui introdução precoce de dieta pobre em fenilalanina. O teste de relação fenilalanina/tirosina pode ser utilizado para monitorar a aderência de pacientes fenilcetonúricos ao tratamento.

O fenobarbital (Edhanol, Gardenal) é utilizado como anticonvulsivante. Sua dosagem é útil para monitorização dos níveis terapêuticos e avaliação de avaliação de toxicidade. Pico plasmático ocorre em 2 a 4 horas após absorção. Apresenta meia-vida de 40 a 70 horas em crianças e de 50 a 120 horas em adultos, sendo que 50% da droga encontra-se ligada às proteínas plasmáticas. Possui metabolismo hepático, sendo um indutor enzimático potente. Cerca de 8 a 25 dias são necessários para que níveis séricos se estabilizem. A principal causa de níveis baixos é a não adesão ao tratamento. Interações medicamentosas com antipsicóticos, cloranfenicol, acetazolamida, fenitoína e piridoxina podem reduzir os níveis do fenobarbital. Crianças e alguns adultos podem ter metabolismo hepático da droga acelerado. Níveis elevados podem ocorrer quando há uso concomitante de ácido valproico, fenitoína e furosemida, nas hepatopatias e na insuficiência renal. O fenobarbital pode reduzir os níveis de fenitoína, teofilina, ciclosporina, cimetidina, warfarin, anticoncepcionais orais, vitamina D, ácido valproico, carbamazepina e oxcarbazepina.

O fenol é utilizado na fabricação de antissépticos, desinfetantes, solventes e resinas para madeiras e plásticos.

A exposição ocupacional aguda ao composto pode levar a lesões eritema- tosas e a exposição crônica pode afetar a maturação celular no compar- timento medular ósseo, devido à formação de quinonas livres e 1,4-benzoquinona, proveniente do metabolismo hepático da hidroquinona via CYP2E1.

O fenol é eliminado pela urina, fezes, saliva e suor, sendo a primeira a principal via de excreção. Sua meia-vida biológica é de, em média, 12 horas.

É um teste útil para avaliar a exposição ao fenol que é facilmente absorvido através da mucosa, pele e excretado pela urina principalmente na forma conjugada.

A presença de polifenóis em grande quantidade pode resultar em coloração escura da urina ou até negra.

O ferro é um elemento essencial que atua como cofator enzimático e no transporte de oxigênio. Sua eliminação é primariamente biliar e, secundariamente, renal. Doenças que cursam com sobrecarga de ferro provocam um aumento em sua concentração urinária. A dosagem de ferro urinário pode ser útil em casos de hemocromatose, anemia hemolítica, hemoglobinúria paroxística noturna e quando há alteração da eliminação biliar de ferro.

O ferro é um nutriente essencial e desempenha um papel central no metabolismo energético celular. O teor de ferro corporal normal é de 3 a 4 gramas e está distribuído, principalmente, vinculado a hemoglobina (apro- ximadamente 2 gramas). O restante está ligado a transferrina, citocromos, catalases e estocado na forma de ferritina e hemossiderina.

O quadro evolutivo da deficiência de ferro dependerá do estoque inicial, idade, sexo e balanço entre absorção e perda. Ocorre em situações onde há necessidade aumentada (fatores fisiológicos), diminuição da oferta ou da absorção (fatores nutricionais) ou perdas de ferro (fatores patológicos).

Primeiramente, atinge-se o estoque de ferro e, posteriormente, a síntese de hemoglobina. No primeiro estágio, o estoque é depletado sem ocorrência de anemia. São afetados a ferritina e hemossiderina. No segundo estágio, a série vermelha ainda se encontra normal, mas há diminuição nos níveis de ferro sérico, saturação de transferrina e ferritina, e aumento da capacidade Total de Ligação ou Combinação do Ferro (TIBC ou CTCF). Nos estágios posteriores, a anemia instala-se lentamente, apresentando-se como normocítica, com reticulócitos normais e evoluindo no último estágio para microcitose e hipocromia. As manifestações da deficiência de ferro desen- volvem-se em estágios progressivos, relacionadas ao grau de depleção.

Estimativas do estoque de ferro

? Ferritina é o melhor indicador do estoque de ferro no corpo e preditor de anemia ferropriva, mas é também um reagente de fase aguda e encontra-se aumentada em casos de infecções, inflamações, doenças hepáticas e doenças malignas. Está elevada também quando há sobrecarga de ferro (hemocromatose). Valores muito baixos não são correlacionados a nenhuma outra situação clínica que não seja deficiência de ferro. Na gravidez, é frequente a elevação da transfer- rina sem deficiência de ferro. Por isso, a ferritina é o melhor indicador isolado de deficiência de ferro na gestante.
? Ferro Sérico, Capacidade de Ligação do Ferro e Transferrina. A concentração de ferro sérico reflete o Fe3+ ligado a transferrina. A transferrina transporta as moléculas de Fe3+ dos locais de absorção até sua utilização e armazenamento. Ela oferece proteção ao organismo dos efeitos tóxicos do ferro livre. Normalmente, somente 1/3 dos seus sítios de ligação de ferro estão ocupados.
O ferro sérico encontra-se elevado na hemossiderose, nas anemias hemolíticas e anemias sideroblásticas, na deficiência de vitamina B6, hepatites, hemocromatose, em politransfundidos, na intoxicação por chumbo, nefrites e reposição inadequada de ferro.
Está reduzido nas dietas insuficientes em ferro, em casos de sangramento crônico, em infecções agudas e crônicas e no hipotireoi- dismo não tratado.
A quantidade suplementar de ferro capaz de se ligar a transferrina é chamada de Capacidade Livre de Combinação do Ferro (CLCF) e a capacidade máxima de ferro que pode se ligar à transferrina é a Capacidade Total de Combinação do Ferro (CTCF). Elevada na deficiência de ferro, hepatites agudas, uso oral de contraceptivos e gravidez. Reduzida na hipoproteinemia, hemocromatose, cirrose, talassemia e nos estados inflamatórios.
? O Índice de Saturação de Transferrina (IST) é obtido dividindo-se o ferro sérico pela CTCF. Na deficiência de ferro, o IST geralmente encontra-se abaixo de 18%. Estará elevado na hemocromatose, talassemia, deficiência de vitamina B6 e anemia aplástica. Reduzido nas anemias hipocrômicas, câncer de estômago e intestino delgado.

Receptores de Transferrina sérica são proteínas de superfície presentes na maioria das células, sendo que 80% são originados de progenitores de eritrócitos imaturos. Refletem o grau de deficiência de ferro nos precursores na medula. Importante no diagnóstico diferencial com a anemia da doença crônica, pois não estão aumentados nestes casos.

O fibrinogênio, também conhecido como fator I, é sintetizado no fígado, apresenta uma meia-vida plasmática de 3 a 5 dias e pode ser transformado pela trombina em fibrina.

A deficiência hereditária isolada é extremamente rara ( afibrinogenemia) e consiste numa doença autossômica recessiva. As causas adquiridas de diminuição dos níveis de fibrinogênio são coagulação intravascular disseminada ( CIVD), doenças hepáticas avançadas, terapias com agentes fibrinolíticos como estreptoquinase, uroquinase e ativador do plasminogê- nio tecidual.

Existem ainda as anormalidades funcionais, disfibrinogenemias, que podem ser hereditárias ou adquiridas. Pacientes com disfibrinogenemia são geralmente assintomáticos e, embora não tenham problemas significativos de hemostasia, produzem, in vitro, um tempo de trombina prolongado.

A Fibrose cística (FC) é uma doença autossômica recessiva, mais comum na população caucasiana, com incidência de 1:3000 nascidos vivos e, em Minas Gerais, aproximadamente 1:10.000. Os pulmões e o pâncreas são os principais órgãos acometidos pela doença e uma das características diagnósticas é o aumento de sódio e cloreto no suor. O estudo molecular pode ser utilizado para confirmação do diagnóstico em indivíduos sintomáticos, identificação de portadores de mutação no gene da FC, diagnóstico pré-natal e doadores de esperma ou óvulo. O gene CFTR é o único gene conhecido associado à FC. A mutação mais comum é a delta F508, representando cerca de 70% de todos os alelos mutados na FC na população caucasiana. Várias mutações já foram descritas para FC e a taxa de detecção de cada mutação varia com o grupo étnico estudado. O estudo molecular por sequenciamento completo do gene e também pode direcionar o estudo para pesquisa de mutação familiar quando esta já foi identificada em familiares.

A Fibrose cística (FC) é uma doença autossômica recessiva, mais comum na população caucasiana, com incidência de 1:3.000 nascidos vivos e, em Minas Gerais, aproximadamente 1:10.000. Os pulmões e o pâncreas exócrino são os principais órgãos acometidos pela doença, mas a principal característica diagnóstica é o aumento de sódio e cloreto no suor. O estudo molecular pode ser utilizado para confirmação do diagnóstico em indivíduos sintomáticos, identificação de portadores de mutação no gene da FC, diagnóstico pré-natal e doadores de esperma ou óvulo. O gene CFTR é o único gene conhecido associado a FC. A mutação mais comum é a delta F508, representando cerca de 70% de todos os alelos mutados na FC na população caucasiana. Várias mutações já foram descritas para FC e a taxa de detecção de cada mutação varia com o grupo étnico estudado.

Em situações que há uma mutação do gene CFTR já identificada, o sequenciamento pode ser voltado para a mutação específica e auxiliar no diagnóstico e no aconselhamento genético. É importante apresentar o laudo do exame que documenta a mutação para o laboratório que realizará o exame.

Trata-se de um teste não invasivo destinado à avaliação da presença e grau de fibrose hepática em pacientes com hepatopatia crônica pelos vírus da hepatite B e C. O exame envolve a dosagem sérica dos parâmetros alfa-2 macroglobulina, haptoglobina, apoliporoteína A1, gama-glutamil transpeptida- se, bilirrubina total e ALT, e o cálculo de um score que varia de 0 a 1, o qual é proporcional ao grau de fibrose. Os resultados do FibroTest também são correlacionados e convertidos para o sistema METAVIR (de A0 a A3), que é uma medida do grau de fibrose encontrado à biópsia hepática. Em pacientes com infecção crônica pelo vírus da hepatite B, a sensibilidade e especifici- dade do FibroTest (score de 0,48)para a detecção de fibrose significativa é de, respectivamente, 61% e 80%. Em pacientes com infecção crônica pelo vírus da hepatite C, a sensibilidade e especificidade do FibroTest (score de 0,60)para a detecção de fibrose significativa é de, respectivamente, 47% e 90%. Resultados falsos positivos podem ser observados na presença de hemólise e Síndrome de Gilbert.

Fazem parte de um sistema de anticorpos dirigidos a resíduos citrulinados e podem ser detectados por dois tipos de teste: imunofluorescência em esôfago de rato, e imunofluorescência em células da mucosa oral, também chamado de fator antiperinuclear (APF). Quando pesquisados por imunofluorescência indireta em esôfago de rato, têm sensibilidade de 45% e especificidade próxima a 100% para a detecção da AR. O APF apresenta sensibilidade de 75% e especificidade de 85%.

A pesquisa em sangue periférico é indicada para o diagnóstico da filariose. A filariose por W. bancrofti é causada por um nematodo que vive nos vasos sanguíneos das pessoas infectadas, apresentando diversas manifestações clínicas, evoluindo nos casos crônicos com elefantíase de membros, mamas e orgãos genitais. Os sintomas iniciam-se um mês após a infecção. As microfilárias aparecem de 6 a 12 meses após a inoculação, tendo periodicidade para circular à noite, entre 22 e 2h e podem persistir por 5 a 10 anos. A pesquisa de microfilárias é dependente da quantidade de sangue utilizado. Microfilárias podem estar ausentes do soro nos estágios iniciais e tardios da doença. O teste que utiliza anticorpo monoclonal específico para a Wuchereria bancrofti substitui a pesquisa de microfilárias com melhor sensibilidade, podendo ser usadas amostras coletadas em qualquer horário.

Método

Esfregaço em Lâmina - Coloração de Giemsa

Valor de Referência

Negativo

No Brasil a filariose é causada pela Wuchereria bancrofti, tendo como vetor o mosquito Culex. A evolução a quadros crônicos pode trazer graves sequelas: hidrocele, elefantíase de membros, mamas e órgãos genitais. A detecção do antígeno da W. bancrofti por método imunocromatográfico apresenta sensibilidade de 100%, especificidade de 96,4%, com valor preditivo negativo de 100% e valor preditivo positivo de 71%. Ao contrário da pesquisa de microfilárias, a amostra para pesquisa do antígeno da W. bancrofti pode ser colhida a qualquer hora do dia.

A pesquisa do antígeno da W. bancrofti é superior à determinação de anticorpos por imunofluorescência indireta, pois esta é passível de apresentar reações cruzadas com outras parasitoses.

O fluoreto é utilizado na siderurgia, na fabricação e emprego de flúor e de ácido fluorídrico, na fabricação de telhas, ladrilhos, cerâmica, cimento, fibra de vidro, esmalte, fertilizantes fosfatados, na produção de gasolina, na soldagem elétrica, galvanoplastia, calefação de superfícies, como eletrólito na produção de alumínio e em estações de tratamento de água. Os efeitos agudos dependem do grau de exposição e incluem irritação da pele, olhos e trato respiratório, anormalidades neurológicas, gastrite, tetania e morte.

A dosagem do fluoreto urinário é utilizada como indicador biológico da exposição ao fluoreto e flúor. Grande parte do fluoreto deposita-se nos ossos (podendo levar a aumento da atividade osteoblástica), na tireoide, aorta e rins. A ingestão de 10-80 mg/dia de fluoreto pode levar ao desenvolvimento da fluorose óssea. Concentrações elevadas de flúor na água potável, bem como o consumo de chá, frutos do mar e cremes dentais podem resultar em valores elevados.

O formaldeído é um aldeído muito utilizado na indústria, principalmente como germicida, na fabricação de pesticidas e como componente de produtos cosméticos (exemplo: alisantes capilares). Ele pode causar vários graus de toxicidade (aguda, subaguda e crônica). Resultados elevados de formaldeído na urina também podem ocorrer devido à possível interferência do formaldeído presente em frutas, legumes, carnes e derivados, e fumo.

As fosfatases ácidas são originadas de várias fontes, tais como próstata, ossos, hemácias, leucócitos, plaquetas, pulmões, rins, baço, fígado, pâncreas e vesícula seminal. Em homens, aproximadamente metade da fosfatase ácida total é de origem prostática.

Sua dosagem é utilizada, principalmente, no diagnóstico e seguimento de neoplasias prostáticas, em conjunto com outros parâmetros clínicos e labo- ratoriais, particularmente na doença metastática e/ou com extensão além da cápsula prostática. A coleta matinal é recomendada, devido à variação diurna (ritmo circadiano) em sua secreção. A enzima pode encontrar-se elevada, também, na prostatite, hiperplasia prostática e retenção urinária. Quando o adenocarcinoma é confinado à próstata, os níveis de fosfatase ácida são usualmente normais.

A fração da fosfatase ácida não-prostática é encontrada em níveis elevados quando existe hipermetabolismo ósseo, como ocorre na doença de Paget, no hiperparatireoidismo e em tumores ou metástases ósseas. Da mesma forma, esses aumentos também podem ser vistos nas doenças de Gaucher e de Niemann-Pick, nas leucemias, trombocitoses, infarto agudo do miocárdio, embolia pulmonar, anemias hemolíticas e mieloma.

Origina-se nas membranas celulares dos seguintes tecidos: ossos, fígado, intestino, placenta e rim. As isoenzimas hepáticas e ósseas representam 80% da fosfatase alcalina (FA) circulante. Em crianças, a fração óssea predomina.

Sua determinação é importante no diagnóstico das doenças hepatobiliares e nas doenças ósseas em que a atividade osteoblástica está aumentada.

Todas as formas de colestase elevam a FA, particularmente quando há icterícia obstrutiva.

Elevações da FA associadas ao sistema esquelético envolvem a remodelação óssea, como na Doença de Paget, osteomalácia, fraturas e tumores malignos.

Em doenças como a de Paget, em que há intensa atividade osteoblástica, não são incomuns valores 10 a 25 vezes acima do valor de referência.
Valores moderadamente elevados são observados na osteomalácia.

Hiperparatireoidismo primário e secundário são responsáveis por elevações leves a moderadas. Devido à produção placentária, podem-se observar elevações na gestante no terceiro trimestre de gestação.

Doença de Hodgkin, insuficiência cardíaca congestiva, colite ulcerativa, enterites regionais e infecções bacterianas intra-abdominais também podem causar elevações da FA.

Medicamentos como anticoncepcionais orais, hipolipemiantes, anticoa- gulantes e antiepilépticos podem reduzir os níveis da FA total.

Produzida pelos osteoblastos, é um excelente marcador da formação óssea. A fosfatase alcalina (FA) presente no soro é produzida em diversos órgãos: ossos, fígado, rins, intestino e placenta. A isoforma óssea localiza-se na membrana plasmática dos osteoblastos, estando envolvida no processo de formação e mineralização dos ossos. Apesar da grande semelhança estrutural entre as isoformas, imunoensaios específicos foram desen- volvidos para a isoforma óssea, o que diminui, mas não elimina a reação cruzada com a isoforma hepática.

Níveis aumentados são encontrados na doença de Paget, tumores ósseos primários ou metastáticos, hiperparatireoidismo, neurofibromatose, osteomalácia, raquitismo, fraturas recentes, crescimento ósseo fisiológico da criança, desnutrição, síndrome de má-absorção, doença de Gaucher, doença de Niemann-Pick, hipertireoidismo e hepatopatias.

Os níveis são mais elevados em homens e aumentam com a idade em ambos os sexos. Crianças apresentam níveis mais elevados que adultos.

Níveis diminuídos podem ser encontrados na hipofosfatesemia hereditária, gravidez, deficiência hormônio do crescimento, hipotireoidismo e hipoparatireoidismo.

Sua determinação apresenta vantagens sobre a osteocalcina por ter meia-vida maior (1 a 3 dias), não ser afetada por variações diurnas e ter menos interferentes pré-analíticos. É o melhor marcador de formação em pacientes com insuficiência renal, pois não é influenciada pela filtração glomerular. Marcador de escolha nos casos de doença de Paget, juntamente com FA total.

O teste tem utilidade no diagnóstico diferencial das elevações da fosfatase alcalina, sendo utilizado na investigação de metástases hepáticas ou ósseas e na avaliação do metabolismo ósseo. A fração óssea aumenta nas elevações da atividade osteoblástica; as frações hepáticas, nas doenças parenquimatosas do fígado; e a intestinal, em alguns portadores de doença intestinal.

Os autoanticorpos antifosfatidiletanolamina pertencem à classe dos anticorpos antifosfolípides. A pesquisa de anticorpos antifosfatidileta- nolamina pode ser positiva em raros casos de pacientes com síndrome do anticorpo antifosfolípide e resultados negativos para os anticorpos anticardiolipina, anti-ß2 glicoproteína e anticoagulante lúpico.

São utilizados para a avaliação de pacientes com manifestações clínicas sugestivas da síndrome do anticorpo antifosfolípide (SAF), como trombose vascular recorrente e complicações obstétricas. Apesar de não fazerem parte dos critérios diagnósticos da SAF, são frequente- mente solicitados para pacientes com manifestações obstétricas e resultados negativos dos outros marcadores laboratoriais (anticoagu- lante lúpico, anticardiolipina e anti-beta 2 GPI.

Os fosfolípides compreendem cerca de um terço dos lipídios totais, sendo indispensáveis ao metabolismo intermediário das lipoproteínas. Aumento dos seus níveis ocorre nas dislipidemias tipo II e III de Frederickson, hepatites colestáticas, hipotireoidismo e síndrome nefrótica. Valores baixos ocorrem na desnutrição e hipolipemias familiares.

Menos de 1% do fósforo corporal total encontra-se no plasma. A maior parte está nos ossos e músculos estriados. Importante na fisiologia celular, seu metabolismo é regulado principalmente pelos túbulos renais.

Causas de elevação: exercícios, hipovolemia, acromegalia, hipoparati- reoidismo, pseudohipoparatireoidismo, metástases ósseas, hipervitaminose D, sarcoidose, hepatopatias, embolia pulmonar, insuficiência renal, cetoacidose diabética, menopausa e trombocitose.

Amostras não refrigeradas e com hemólise podem apresentar elevações espúrias.

Hipofosfatemia pode ocorrer no uso de antiácidos, diuréticos, corticoides, glicose endovenosa, hiperalimentação, diálise, sepse, deficiência de vitamina D e desordens tubulares renais.

Algumas drogas podem interferir na determinação do fósforo: acetazolamida, salbutamol, alendronato, azatioprina, isoniazida, lítio, prometazina e anticoncepcionais.

A concentração sérica sofre variação circadiana (mais alta pela manhã) e está sujeita a oscilações rápidas por fatores como dieta, repouso, período menstrual, hormônio do crescimento, insulina e função renal.

Avaliação na urina

Útil na avaliação do equilíbrio entre cálcio e fósforo e no estudo dos cálculos urinários.
Níveis urinários elevados são encontrados no hiperparatireoidismo, deficiência de vitamina D, uso de diuréticos, acidose tubular renal e Síndrome de Fanconi.
Níveis baixos são encontrados na desnutrição, hipoparatireoidismo, pseudo-hipoparatireoidismo, uso de antiácidos e intoxicação por vitamina D.

Várias drogas podem interferir na determinação do fósforo urinário: acetazolamida, aspirina, diltiazem, sais de alumínio, bicarbonato, calcitonina, corticoides e diuréticos.

A excreção urinária de fósforo sofre variação diurna e depende da dieta.

Produzida na vesícula seminal, é o principal elemento do metabolismo e motilidade dos espermatozoides. Há correlação entre oligozoospermia e níveis baixos de frutose. Uma alimentação rica em carboidratos eleva rapidamente os níveis de frutose seminal. Valores baixos ocorrem nos processos inflamatórios ou infecciosos na vesícula seminal.

A deficiência da glicose-6-fosfato desidrogenase (G6PD) é um defeito enzimático com padrão de herança recessivo ligado ao X, afetando cerca de 400 milhões de pessoas no mundo. A deficiência de G6PD ocorre com maior frequência na África, Ásia, Mediterrâneo e Oriente Médio. As principais manifestações clínicas são icterícia neonatal e anemia hemolítica induzida por situações em que há aumento do estresse oxidativo, como infecções ou uso de medicações (sulfonamidas, dapsona e naftaleno p. ex.). A pesquisa molecular de deficiência de G6PD – mutação 202 (G A) – pode ser utilizada para confirmar a suspeita da deficiência pelo exame de triagem neonatal (“teste do pezinho”), avaliação de mulheres portadoras (heterozigotas) dessa mutação e avaliar membros de uma família em que essa mutação já tenha sido detectada. A ausência da mutação 202 (G A) não exclui existência de outras mutações na mesma região.

A gabapentina (Neurotin, Progresse) é uma droga utilizada como anticonvulsivante complementar no tratamento de crises convulsivas parciais, algumas neuralgias e doenças psiquiátricas. Sua absorção não é influenciada pela alimentação, estando menos de 3% da droga ligada às proteínas plasmáticas. A meia-vida é de 5 a 8 horas, sendo eliminada predominantemente pelos rins, por filtração glomerular. Antiácidos podem diminuir sua absorção. A gabapentina pode diminuir os níveis plasmáticos da fenitoína.

O diabetes mellitus tipo 1 é caracterizado pela infiltração linfocítica das ilhotas pancreáticas e autoanticorpos contra uma variedade de antígenos das células beta. Eles geralmente precedem a hiperglicemia por meses a anos, e um ou mais deles estão presentes em 85 a 90% dos pacientes na ocasião do diagnóstico.

A decarboxilase do ácido glutâmico é uma enzima neuronal envolvida na síntese do neurotransmissor ácido gama-aminobutírico (GABA), estando presente em grandes concentrações no cérebro e células beta-pancreáticas. Os anticorpos específicos para a isoforma 65 kDa da decarboxilase do ácido glutâmico (GAD65) são vistos em uma variedade de doenças neurológicas incluindo Stiff-Man síndrome, cerebelite autoimune, neuromielite óptica, miastenia gravis e síndrome de Lambert-Eaton. Nestas, os títulos são mais elevados que os encontrados no diabetes autoimune. Pacientes diabéticos com doenças poliendócrinas também têm, geralmente, títulos mais elevados.

O anti-GAD é também o principal anticorpo das ilhotas pancreáticas sendo um importante marcador sorológico da predisposição ao diabetes tipo 1.

Surge cerca de 10 anos antes do diabetes clínico, sendo observado em 70% a 80% dos pré-diabéticos e diabéticos tipo 1, incluindo os diabéticos com início na vida adulta. A positividade para o GAD aumenta a probabi- lidade de desenvolvimento do diabetes tipo 1 quando comparado com os indivíduos negativos.

O anti-GAD também pode ser utilizado como um marcador para outras doenças autoimunes, tais como doenças tiroidianas autoimunes (Doença de Graves, Doença de Hashimoto), anemia perniciosa, Doença de Addison, vitiligo, entre outras.

O anti-GAD pode ser positivo em até 8% dos indivíduos saudáveis.

A galactosemia clássica ocorre quando a atividade de GALT é inferior a 5% da atividade normal, levando ao acúmulo de galactose e galactose-1-fosfato após início da ingesta de leite. Recém nascidos afetados apresentam vômitos, diarreia, icterícia, alteração da função hepática e renal e sepse. A catarata nuclear aparece precocemente e torna-se irreversível em poucas semanas. A dosagem de atividade de GALT pode definir o diagnóstico, porém pode estar reduzida também em formas variantes de galactosemia e em indivíduos heterozigotos para mutação em GALT.

É um marcador sensível de colestase hepatobiliar e do consumo de álcool. Nos quadros de icterícia obstrutiva, níveis 5 a 50 vezes acima do normal são encontrados. Valores de GGT duas vezes acima do valor de referência com razão TGO/TGP > 2:1 sugerem consumo alcoólico. Nas neoplasias de fígado, valores elevados podem ocorrer. Níveis de GGT podem elevar-se durante o uso de fenitoína, fenobarbital, carbamaze- pina, ácido valproico e contraceptivos. Diminuição dos valores pode ocorrer no uso de azatioprina, clofibrato, estrógenos e metronidazol.

Os gangliosídios são esfingolípidios que estão presentes em grande quantidade nas membranas de células nervosas. Anticorpos anti-gangliosídios são utilizados como suporte diagnóstico das neuropatias periféricas autoimunes motoras, especialmente síndrome de Guillain-Barre.

O gênero Gardnerella é constituído de bacilos ou cocobacilos isolados em mulheres com vaginites inespecíficas. Causam leucorreia abundante, pútrida, acinzentada, acompanhadas por uretrite, vaginite, cervicite e prurido. No homem, raramente pode determinar balanite e uretrite

Utilizada no manejo clínico de desordens respiratórias e metabólicas, avaliação das trocas gasosas, oxigenação e equilíbrio ácido-básico.

O desequilíbrio ácido-base é classificado em quatro categorias: acidose e alcalose metabólica, acidose e alcalose respiratória. Entretanto, em muitos casos o status do paciente não pode ser precisamente definido e encaixado em uma destas quatro categorias. Os resultados dos testes podem levar a uma combinação de dois ou mais tipos de condições e variados quadros compensatórios. Assim, a interpretação dos resultados depende fortemente do julgamento médico. A interpretação dos gases sanguíneos requer avaliação da origem da amostra (arterial ou venosa), conhecimento do estado clínico do paciente e do uso de oxigênio suplementar.

Variáveis pré-analíticas podem interferir no resultado: bolhas de ar e excesso de heparina no tubo de coleta, demora na análise e não refrigera- ção das amostras.

No diagnóstico diferencial das acidoses metabólicas, utiliza-se o cálculo do Ânion Gap: Na+ - (Cl- + HCO3-). São estimados os ânions não medidos.

A Gastrina é um hormônio produzido pelas células G neuroendócrinas, localizadas particularmente no antro gástrico. O pH intraluminal estomacal é o principal fator regulador da produção e secreção da gastrina, sendo o aumento do pH um fator estimulador. Outros fracos fatores que estimulam a secreção de gastrina são distensão gástrica, alimentos ricos em proteínas e elevados níveis de secretina ou cálcio séricos. As concentrações de gastrina acompanham um ritmo circadiano (mais baixas entre 03:00 e 07:00, e mais elevadas durante o dia) ou flutuam fisiologicamente em relação às refeições.

A dosagem de gastrina é fundamental no diagnóstico dos tumores carcinoides secretores de gastrina (Gastrinoma), um tipo de tumor neu- roendócrino que ocorre principalmente no pâncreas e no duodeno.

O substrato comum para o gastrinoma é a Síndrome de Zollinger-Ellison, caracterizada por doença ulcerosa grave, hipergastrinemia de jejum, com níveis frequentemente acima de 1.000 pg/mL, associadas a uma hiperacidez gástrica (pH<2,5), em um paciente que não tem o antro gástrico retido. Os pacientes que não preenchem os critérios para gastrinoma devem ser submetidos ao teste de estímulo.

Hipergastrinemia também pode ser encontrada em uma variedade de situações que resultam em real ou funcional hipo- ou acloridria, tais como gastrite atrófica com ou sem anemia perniciosa, antro gástrico cirurgicamente excluído, síndrome do dumping gástrico, úlcera gástrica e duodenal, carcinoma gástrico e após vagotomia. A gastrina também se encontra, ocasionalmente, elevada na artrite reumatoide, tirotoxicose, neuropatia autonômica com gastroparesia, feocromocitoma, síndrome paraneoplásica, cirrose e na insuficiência renal crônica. Porém, nestas situações os níveis de gastrina não atingem valores tão elevados quanto na Síndrome de Zollinger-Ellison. Pacientes em uso de inibidores de bomba de prótons também elevam a gastrina sérica devendo, portanto, suspendê-los por pelo menos uma semana antes da avaliação laboratorial.

A dosagem de gastrina pré e pós-cirurgia, em pacientes com úlcera péptica, é um bom indicador da eficiência da terapêutica cirúrgica.

FLT3 (FMS-like tyrosina kinase 3) é um receptor de tirosina quinase com função bem conhecida na sobrevida, proliferação e diferenciação celular. É expresso, normalmente, em células progenitoras hematopoiéticas, o que não ocorre nas células hematopoiéticas diferenciadas. As leucemias mieloides agudas (LMA) apresentam super-expressão da proteína FLT3. As FLT3/ITD (internal tandem duplication) são duplicações de 3 a 400 pares de base no éxon 11 que afetam cerca de 23% dos pacientes com LMA e sua presença indica pior prognóstico. Outra alteração que pode ser pesquisada no gene FLT3 é a mutação pontual FLT3/D835, localizada no éxon 20, que está presente em 08 a 12% dos pacientes com LMA e também está associada a um pior prognóstico. Deve-se dar preferência para a pesquisa em amostras de sangue de medula óssea em EDTA com a finalidade de aumentar a sensibilidade do teste.

Detecção qualitativa de antígenos específicos da giárdia em amostras de fezes. A Giardia lamblia é um protozoário intestinal que infecta humanos e animais com transmissão fecal-oral, por água e alimentos contami- nados. Trata-se de um imunoensaio enzimático que detecta proteínas específicas da parede do cisto. Apresenta sensibilidade entre 85% e 98% e especificidade superior a 90%.

O diagnóstico da doença celíaca (DC) requer a combinação de testes sorológicos e histopatológicos. Inicialmente, os indivíduos com sinais e sintomas sugestivos ou sob risco aumentado de desenvolver DC devem ser avaliados quanto à presença de anticorpos específicos e, caso algum(ns) destes(s) seja(m) positivo(s), submetidos à biópsia duodenal.

Os anticorpos antiendomísio (anti-EMA) e antitransglutaminase tecidual (anti-TG2) da classe IgA são considerados os exames de escolha para a triagem de pacientes sob suspeita de DC. Nos pacientes com deficiência de IgA, anticorpos da classe IgG devem ser pesquisados. Devido à baixa sensibilidade e especificidade diagnóstica, os testes para detecção de anticorpos antigliadina nativa (anti-AGA) IgA e IgG não devem ser utilizados na avaliação de pacientes com suspeita clínica ou sob risco aumentado de desenvolver doença celíaca.

Recentemente, testes para detecção de anticorpos contra pepitídeos deaminados de gliadina, denominados como pesquisa de anticorpos anti-gliadina desaminada (anti-DGP), tornaram-se comercialmente disponíveis.

Uma série de estudos publicados demonstraram que o desempenho diagnóstico dos anticorpos anti-DGP IgA e IgG é superior à dos anticorpos anti-AGA IgA e IgG, tanto em adultos quanto em crianças. Apesar de apresentarem sensibilidade diagnóstica inferior à dos anticorpos anti-EMA e anti-TG2, os anticorpos anti-DGP podem ser úteis em algumas situações clínicas de forma particular.

A primeira delas é nos pacientes com deficiência de IgA. A segunda situação se aplicaria para crianças com menos de 2 anos de idade. A terceira situação diz respeito aos indivíduos com DC soronegativos para anti-TG2. Apesar da alta sensibilidade diagnóstica, existem pacientes com DC que apresentam resultados persistentemente negativos para anticorpos anti-EMA e anti-TG2. Uma proporção significativa destes pacientes (26,3% a 50,0%) possuem apenas anticorpos anti-DGP circulantes.

O diagnóstico da doença celíaca (DC) requer a combinação de testes sorológicos e histopatológicos. Inicialmente, os indivíduos com sinais e sintomas sugestivos ou sob risco aumentado de desenvolver DC devem ser avaliados quanto à presença de anticorpos específicos e, caso algum(ns) destes(s) seja(m) positivo(s), submetidos à biópsia duodenal.

Os anticorpos antiendomísio (anti-EMA) e antitransglutaminase tecidual (anti-TG2) da classe IgA são considerados os exames de escolha para a triagem de pacientes sob suspeita de DC. Nos pacientes com deficiência de IgA, anticorpos da classe IgG devem ser pesquisados. Devido à baixa sensibilidade e especificidade diagnóstica, os testes para detecção de anticorpos antigliadina nativa (anti-AGA) IgA e IgG não devem ser utilizados na avaliação de pacientes com suspeita clínica ou sob risco aumentado de desenvolver doença celíaca.

Recentemente, testes para detecção de anticorpos contra pepitídeos deaminados de gliadina, denominados como pesquisa de anticorpos anti-gliadina desaminada (anti-DGP), tornaram-se comercialmente disponíveis.

Uma série de estudos publicados demonstraram que o desempenho diagnóstico dos anticorpos anti-DGP IgA e IgG é superior à dos anticorpos anti-AGA IgA e IgG, tanto em adultos quanto em crianças. Apesar de apresentarem sensibilidade diagnóstica inferior à dos anticorpos anti-EMA e anti-TG2, os anticorpos anti-DGP podem ser úteis em algumas situações clínicas de forma particular.

A primeira delas é nos pacientes com deficiência de IgA. A segunda situação se aplicaria para crianças com menos de 2 anos de idade. A terceira situação diz respeito aos indivíduos com DC soronegativos para anti-TG2. Apesar da alta sensibilidade diagnóstica, existem pacientes com DC que apresentam resultados persistentemente negativos para anticorpos anti-EMA e anti-TG2. Uma proporção significativa destes pacientes (26,3% a 50,0%) possuem apenas anticorpos anti-DGP circulantes.

A determinação da glicemia de jejum representa a forma mais prática de avaliar o status glicêmico.

Segundo a American Diabetes Association (ADA), a presença de um dos critérios a seguir, confirmado num dia subsequente, indica o diagnóstico de diabetes mellitus:

? Sintomas de diabetes mellitus com glicemia independente do jejum maior ou igual a 200mg/dL.
? Glicemia de jejum maior ou igual a 126mg/dL.
? Glicemia maior que 200mg/dL duas horas após administração oral de 75g de glicose anidra (82,5g de dextrosol) dissolvida em água (teste de tolerância oral à glicose).

Pacientes com glicemia de jejum entre 100mg/dL e 125mg/dL são classifi- cados como portadores de glicemia de jejum alterada.

A glicose pode ser dosada em soro ou plasma e sua concentração é maior em sangue arterial que em amostra venosa. Para dosagem em jejum é recomendado o intervalo de 8 horas após a última refeição. O método enzimático hexoquinase é o método de referência para determinação da glicemia em soro ou plasma.

No preparo da amostra, a separação da parte fluida (soro) dos elementos figurados (hemácias, leucócitos e outras células) deve ser feita de forma imediata, para que não haja consumo deste analito. Outra forma de se evitar este problema é a coleta do plasma em fluoreto.

Valor de Referência

60 a 99mg/dL

Urina

Em circunstâncias normais, quase toda glicose filtrada pelos glomérulos é reabsorvida no túbulo contorcido proximal, por isso a urina contém quantidades mínimas de glicose. Se a glicemia se eleva, a glicose aparece na urina (glicosúria) sendo o“limiar renal” (nível sanguíneo em que cessa a reabsorção tubular renal de glicose) de 160-180 mg/dL ou superior. Crianças e grávidas podem apresentar glicosúria por diminuição do limiar renal. Nas doenças que afetam a reabsorção tubular, a glicosúria não vem acompanhada por hiperglicemia.

A anemia hemolítica, dentre outras causas, pode estar associada à deficiência de qualquer uma das várias enzimas eritrocitárias, sendo a deficiência de glicose-6-fosfato desidrogenase (G6PD) a mais comumente encontrada. O locus da G6PD está localizado no cromossomo X, sendo a deficiência de G6PD uma doença ligada ao cromossomo X. Os homens afetados (hemozigotos) herdam o gene mutado de suas mães que quase sempre são portadoras assintomáticas (heterozigotas). Mais de 300 variantes moleculares da G6PD são conhecidas.

A G6PD é uma enzima que está envolvida na transformação da glicose- -fosfato em pentose-fosfato, produzindo NADPH, que, nas hemácias, possui função antioxidante. Essa deficiência está presente em até 7% da população brasileira e é mais prevalente na África, Ásia, Mediterrâneo e Oriente Médio. Pode-se manifestar como icterícia neonatal e/ou anemia hemolítica não-esferocítica. As crises de hemólise podem ser desencadeadas por uso de medicações (como sulfonamidas, ácido nalidíxico, nitro- furantoína e antimaláricos), ingestão de fava e infecções bacterianas ou virais. Níveis elevados de G6PD podem ser encontrados ao nascimento e em outras situações com predomínio de hemácias jovens (como nas anemias hemolíticas) sem significado patológico.

A Globulina Ligadora de Tiroxina (TBG) é a principal proteína sérica carreadora de T4 e T3.

Aumento ou diminuição das concentrações de TBG terão como consequên- cia aumento ou redução do número de sítios de ligação disponíveis para o T4, com consequente elevação ou queda da fração ligada deste hormônio, à custa de maior ou menor fixação do hormônio livre. Portanto, alterações da TBG refletem-se, paralelamente, na dosagem dos hormônios tireoidianos.

A associação de T4 total e T3 total alterados a T4 livre e T3 livre normais sugere excesso ou deficiência de TBG e sua dosagem é útil no esclare- cimento desta apresentação. Existem quadros genéticos de elevação ou diminuição da TBG, sendo a principal indicação de sua dosagem a deficiência hereditária de TBG.

Está elevada na presença de excesso de estrógenos endógenos (gravidez) ou exógenos (anticoncepcionais ou terapia com estrógenos) e também na hepatite infecciosa e na porfiria intermitente aguda. Apresenta-se diminuída nas doenças hepáticas crônicas, na síndrome nefrótica e na doença sistêmica. Além disso, a concentração de TBG se altera por influência de diversas drogas (estrógenos, tamoxifeno, opiáceos, corticoides, andrógenos).

O glucagon é um hormônio secretado pelas células alfa das ilhotas pancreáti-cas em resposta à hipoglicemia. A dosagem do glucagon no plasma tem sua principal indicação no diagnóstico e no acompanhamento de portadores de glucagonomas (tumores produtores de glucagon) e na avaliação de distúrbios hipo ou hiperglicêmicos influenciados pelo glucagon.

O glucagon é secretado em resposta à hipoglicemia, com resultante aumento na concentração de glicose por estimular a gliconeogênese e glicogenólise hepáticas (mas não a muscular).

Secreção excessiva de glucagon pode levar à hiperglicemia ou agravar uma hiperglicemia pré-existente. Resposta reduzida ou ausente do glucagon à hipoglicemia (níveis indetectáveis ou no quartil inferior da normalidade) pode ser vista em pacientes diabéticos tipo 1 e pode contribuir para prolongar e agravar a hipoglicemia.

Níveis elevados de glucagon na ausência de hipoglicemia pode indicar a presença de tumor secretor de glucagon. Com o tratamento, os níveis tendem a normalizar.

Exame microscópico qualitativo que se baseia na detecção de gordura nas fezes. Útil no estudo dos pacientes com diarreia crônica e suspeita de síndrome de má absorção intestinal. A dosagem quantitativa de gordura nas fezes é o método padrão ouro para a avaliação de má absorção intestinal.

Entretanto, por ser um exame de execução simples, o Sudam pode ser utilizado na triagem inicial dos pacientes. Quando executado por profissionais bem treinados e experientes, o exame possui sensibilidade e especifici- dade adequada, apresentando boa correlação coma dosagem quantitativa de gordura fecal. Resultados falsos positivos podem ocorrer na vigência de ingestão de óleo mineral ou por contaminação das fezes com substâncias oleosas após a coleta.

O Haemophilus ducreyi é um bacilo gram-negativo, transmitido por via sexual. É o agente causador do cancro mole, que é caracterizado por uma ou mais ulcerações purulentas genital e anal, acompanhadas de linfonodomegalia inguinal unilateral ou bilateral. A pesquisa do H. ducreyi deve ser feita na secreção de fundo da úlcera, não se aconselhando a limpeza da lesão prévia, por se tratar de germe piogênico.

A dosagem do antipsicótico Haloperidol pode ser utilizada para sua monitorização terapêutica, na avaliação de toxicidade e de reações adversas, e na investigação de alterações associadas a interações medicamentosas.

Proteína produzida principalmente no fígado que se liga irreversivelmente à hemoglobina formando um complexo. Trata-se de um reagente de fase aguda e sua principal função, provavelmente, é modular reação inflamatória.

Sensível na investigação dos casos menos óbvios de hemólises. Nos casos de hemólises leves, seus níveis estão diminuídos (ex.: hemoglobinopatias, anemias megaloblásticas, anemias hemolíticas induzidas por drogas). Processos inflamatórios agudos podem falsear resultados verda- deiramente baixos. A avaliação simultânea de outros reagentes de fase, como proteína C-reativa e alfa-1-glicoproteína ácida, aguda pode ajudar nestes casos em que há dificuldade interpretativa.

Hepatopatias e uso de estrógeno podem causar níveis diminuídos. Cerca de 1% da população apresenta deficiência genética de haptoglobina.

São anticorpos contra o antígeno do core. O anti-HBc IgM surge ao mesmo tempo que as alterações das transaminases na infecção aguda (1 a 2 semanas após o HBsAg) e rapidamente alcança títulos elevados. Encontra-se positivo na infecção aguda e durante a exacerbação da doença crônica ativa. Juntamente com o HBV DNA, podem ser os únicos marcadores de infeção neonatal ou quando quantidades pequenas de HBsAg são produzidas (hepatite fulminante). Nos 4 a 6 meses subsequentes, anti-HBc IgM predomina com queda moderada e aumento dos títulos de Anti-HBc IgG. Em infecções autolimitadas, o anti-HBc IgM se torna indetectável em poucos meses, embora títulos baixos possam ser encontrados por até dois anos. Em infecções crônicas de baixo grau, anti-HBc IgM também é indetectável ou com títulos baixos, mas usualmente apresenta picos quando a replicação viral se exacerba. Pode ser o único marcador da hepatite na janela entre o desaparecimento do HBsAg e surgimento do anti-HBs. Após um período de 4 a 6 meses todo o anti-HBc é do tipo IgG e persiste por toda a vida em > 90% dos pacientes. Assim sua presença indica infecção atual ou prévia pelo HBV. Este anticorpo não confere imunidade. Pacientes positivos para anti-HBc IgG mas negativos para HBsAg e anti-HBs podem ocorrer nas seguintes situações: a) falso-positivo (doenças autoimunes, hipergamaglobulinemia, mononucleose); b) anticorpos adquiridos passivamente; c) infecção recente em período de janela imunológica (HBsAg já depurado e anti-HBs ainda negativo); d) infecção crônica, com níveis de HBsAg baixos; e) infecção prévia pelo HBV com anti-HBs indetectável; f ) em amostras com HbsAg/anti-HBs imunocomplexados

O anti-HBe surge na recuperação da infecção aguda, após o antígeno HBeAg não mais ser detectado. Pode ser detectado por muitos anos após a recuperação da infecção pelo HBV. Em um portador do HBV, um resultado positivo de anti-HBe usualmente indica inatividade do vírus e baixa infec- tividade. Em pacientes infectados com variantes do HBV (mutantes HBeAg negativos), a associação entre replicação e expressão do HBeAg é desfeita, podendo ocorrer replicação na presença de anti-HBe.

O antígeno “e” é detectável no sangue ao mesmo tempo que o HBsAg. Sua presença denota replicação viral e infectividade. O desaparecimento do HBeAg é indicativo de redução da replicação viral, embora não exclua essa possibilidade (mutante pré-core). Nos casos autolimitados, sorocon- versão ocorre em poucas semanas, surgindo o anti-HBe. Nas cepas com mutação pré-core (não produtores de proteína “e”) este marcador não é detectável apesar da replicação viral.

Indica recuperação sorológica e imunidade contra o HBV, sendo útil para avaliar resposta à vacina contra hepatite B e a recuperação da infecção natural. Usualmente, esses anticorpos são permanentes, entretanto, podem se tornar indetectáveis anos após a resolução da infecção ou em pacientes imunodeprimidos. Em geral, o anti-HBs é detectável duas a quatro semanas após o desaparecimento do HBsAg. Entretanto, pode-se encontrar HBsAg e anti-HBs positivos de forma simultânea. Cerca de 10% a 15% dos pacientes vacinados não respondem à vacina. A eficácia da vacina declina em imuno- comprometidos (60% a 70%), sendo muito baixa naqueles com imunode- pressão grave (10% a 20%). Pacientes jovens respondem melhor à vacina que idosos, e as concentrações de anticorpos protetores declinam com o tempo. Valores acima de 10mUI/mL são considerados protetores.

É o antígeno de superfície (Austrália). Torna-se detectável 2 a 8 semanas após início da infecção, duas a seis semanas antes das alterações da ALT e duas a cinco semanas antes dos sinais e sintomas. Ocasionalmente, pode ser detectado apenas após 12 semanas. Nos casos agudos e auto-limitados, o HBsAg usualmente desaparece em 1 a 2 meses após início dos sintomas. Persistência do HBsAg por seis meses após a infecção primária define a hepatite crônica. Em termos práticos, sua positividade está associada com infecção, estando presente nas infecções aguda ou crônica pelo HBV. Um resultado de HBsAg positivo deve sempre ser com- plementado com outros marcadores de infecção. Deve-se considerar, ainda, a detecção de HBsAg positivo transitório após vacinação.

A gonadotrofina coriônica humana (HCG) é um hormônio glicoproteico formado por duas subunidades: ? e ?. A subunidade ? confere sua especificidade biológica e imunológica, já a subunidade ? é similar à subunidade ? de outras glicoproteínas hipofisárias, como LH e FSH.

Diferentes formas de HCG já foram identificadas no soro. A dosagem do HCG depende do reconhecimento imunológico de parte da molécula. Os imunoensaios disponíveis podem dosar: HCG intacto (HCG), ?HCG total (HCG + ?HCG), ?HCG livre, dentre outras. Devido à heterogeneidade de formas do HCG e à correspondente variabilidade na especificidade dos ensaios, podem-se observar resultados diferentes entre ensaios.

Sabe-se que na gravidez, predomina o HCG intacto e a subunidade ? livre do HCG corresponde a menos que 1% do ?HCG total (HCG + ?HCG) no soro. No screening pré-natal para Síndrome de Down, ?HCG livre e ?HCG total têm sido considerados melhores marcadores que o HCG intacto. Na doença trofoblástica e tumores testiculares, o ?HCG livre está despropor- cionalmente elevado, e sua relação com o HCG intacto ou ?HCG total, marcadamente aumentada.

O ?HCG dosado por quimioluminescência é sensível o bastante para detectar uma gravidez normal às vezes tão cedo quanto após 7 dias da implantação. Deve-se ter em mente, no entanto, que variações são observadas quanto ao prazo usual da implantação e que a detecção do ?HCG pode sofrer interferências da metodologia utilizada e da presença rara, mas possível, dos anticorpos heterofílicos.

Está aumentado na gravidez, coriocarcinoma, mola hidatiforme, e neoplasias de células germinativas como dos ovários e testículos. Pode estar pouco elevado na gravidez ectópica e na gravidez de risco (risco de aborto) quando os níveis podem cair progressivamente.

A proteína HE-4 tem sido estudada nas neoplasias de ovário, sendo observada uma maior expressão nos tipos histológicos: seroso e endo- metrioide. A sensibilidade do teste é semelhante à do marcador CA-125, mas a especificidade mostra-se superior, já que o HE-4 está menos frequentemente aumentado em pacientes com doenças ovarianas benignas. Quando elevado, a magnitude do aumento de HE-4 nas doenças benignas é cerca de 10 vezes menor que nos pacientes com câncer de ovário. A sensibilidade do HE-4 nos estágios precoces do câncer de ovário é superior à do CA-125. Estudos indicam que a expressão de HE-4 também pode estar aumentada em adenocarcinomas pulmonares, endometriais, mamários, mesoteliomas e, menos frequente- mente, em carcinomas gastrointestinais, renais e de células de transição. Embora pacientes com carcinoma endometrial e cervical também possam apresentar resultados elevados de HE-4, os valores são mais baixos que os observados no câncer de ovário. Estudos indicam também que HE-4 mostra-se um marcador promissor na diferenciação de massas pélvicas.

O H. pylori é uma bactéria gram-negativa que tem forte associação com úlcera gástrica, duodenal e gastrite crônica. Tem prevalência de 90% nos países em desenvolvimento. Infecção persistente está relacionada com risco aumentado de carcinoma e linfoma gástricos. Sua associação com dispepsia não ulcerosa é menos definida. A sorologia para H. pylori é um dos métodos de detecção. Os imunoensaios têm sensibilidade de 95% e especificidade de 90%. Possibilidade de falso-negativos em imunocomprometidos, idosos e pacientes em diálise. Uso crônico de anti-inflamatórios esteroides podem diminuir a sensibilidade do teste. Em pacientes não tratados, títulos de anticorpos permanecem elevados por anos. Após tratamento de erradicação efetivo, níveis de anticorpos podem cair para valores de 50% dos iniciais, mas também podem permanecer positivos por anos. Na presença de H. pylori suprimido, mas não erradicado, pode ocorrer redução transitória dos anticorpos, com sua elevação após suspensão do tratamento.

Aumento no número de hemácias no esperma, acima do valor de referência, pode ocorrer nos quadros infecciosos agudos, neoplasia prostática e na hipertensão arterial sistêmica não controlada devido a rupturas de microarteríolas.

A hemocromatose hereditária causada por mutações bialélicas no gene HFE é caracterizada por armazenamento excessivo de ferro em fígado, pele, pâncreas, coração, articulações e testículos. Os indivíduos afetados podem apresentar dor abdominal, fraqueza, letargia e perda de peso, além de diabetes mellitus, insuficiência cardíaca, arritmias, artrite e hipogonadismo. Há tendência ao aparecimento de cirrose, com predisposição ao desenvolvimento de carcinoma hepatocelular. A detecção de mutação específica define o diagnóstico.

A Hemocromatose hereditária (HH) é uma doença autossômica recessiva caracterizada pelo aumento inapropriado de absorção de ferro pela mucosa gastrointestinal, resultando em um estoque excessivo de ferro principalmente no fígado, pele, pâncreas, coração, articulações e testículos. Os sintomas iniciais, geralmente, são dor abdominal, fraqueza, letargia e perda de peso. A fibrose hepática ou cirrose pode ocorrer em indivíduos não tratados após os 40 anos de idade. Os exames de triagem para HH são: o índice de saturação da transferrina e a ferritina. O gene HFE é o principal gene associado a HH e as mutações C282Y e H63D são as mais comuns.

Cerca de 90% dos inivíduos afetados são homozigotos para a mutação C282Y ou heterozigotos compostos para as mutações C282Y/H63D. A homozigose para H63D é mais rara e tem menor penetrância. A mutação S65C é ainda mais rara e está relacionada a formas mais leves da doença. É importante ressaltar que o encontro de um determinado genótipo para HH apenas indica susceptibilidade genética para doença, para firmar o diagnóstico deve-se correlacionar achados clínicos, bioquímicos e moleculares.

A hemocultura automatizada fornece contínua monitorização do crescimento bacteriano, que permite detecção de bactérias 24 horas ao dia. Alguns fatores podem interferir no resultado da hemocultura: possibilidade de contaminação com flora normal da pele; volume do sangue cultivado; tipos de meios utilizados e uso de antibióticos. O número de amostras necessárias e o intervalo entre as coletas variam de acordo com a suspeita clínica.

A medida da hemoglobina glicada ou A1c é importante ferramenta para avaliação do controle glicêmico do paciente diabético, e, mais recentemente, passou a ser usada também para diagnóstico do diabetes mellitus. A hemoglobina glicada resulta da interação da glicose sanguínea com o grupo amino N-terminal da hemoglobina, através de uma reação lenta, não enzimática, irreversível e de intensidade diretamente proporcional à glicemia. A taxa de produção é dependente do nível de glicose sanguínea e da vida média das hemácias (tipicamente 120 dias).

Embora a A1c seja considerada representativa da média global das glicemias médias diárias durante os últimos 2 a 3 meses, estudos sugerem que, em pacientes com controle estável, 50% da A1c é formado no mês precedente ao exame, 25% no mês anterior a esse e os 25% restantes no terceiro/quarto mês antes do exame.

Na interpretação dos resultados da hemoglobina glicada devem-se considerar inúmeros fatores, tais como o método, sendo o padrão-ouro o HPLC (cromatografia líquida de alta eficiência) certificado pelo NGSP (National Glycohemoglobin Standardization Program).

Fatores que alteram a sobrevida dos eritrócitos são possíveis interferentes da dosagem de hemoglobina glicada. Deficiência de ferro, vitamina B12 ou folato podem levar a uma sobrevida maior das hemácias com consequente elevação da A1c. Anemias hemolíticas podem diminuir a meia-vida dos eritrócitos com diminuição dos níveis de hemoglobina glicada. Uso de vitamina C e E em altas doses causa resultados falsamente diminuídos, por inibirem a glicação da hemoglobina, enquanto uremia, hipertrigliceride- mia, alcoolismo crônico, uso crônico de salicilato e opiáceos, por interfe- rência na metodologia, resultam em valores falsamente elevados.

Os valores sugeridos pela ADA (American Diabetes Association) não devem ser utilizados na presença de homozigose para as variantes de hemoglobina C ou S (Hb CC, Hb SS). A presença de hemoglobinopatia na forma heterozigota (Hb AC, Hb AS) com níveis normais de hemoglobina não diminui a meia-vida das hemácias e os parâmetros sugeridos podem ser utilizados.

No acompanhamento do paciente diabético, um valor persistentemente elevado serve como indicador da possibilidade de ocorrência de compli- cações crônicas relacionadas ao diabetes mellitus.

Recentemente, a A1c passou a ser usada também no diagnóstico do diabetes mellitus, devendo um resultado alterado ser confirmado em nova dosagem.

Constitui importante exame de auxílio diagnóstico para doenças hema- tológicas e sistêmicas. Indicado para avaliação de anemias, neoplasias hematológicas, reações infecciosas e inflamatórias, acompanhamento de terapias medicamentosas e avaliação de distúrbios plaquetários.

Fornece dados para classificação das anemias de acordo com alterações na forma,tamanho e cor das hemácias.

Apesar de ser um marcador laboratorial inespecífico, a velocidade de hemossedimentação (VHS) é um exame útil na avaliação de pacientes com suspeita de processos infecciosos, inflamatórios ou neoplásicos. A VHS nunca deve ser usada para rastreamento de doenças em pacientes assintomáticos ou com sinais e sintomas inespecíficos. Além da utilidade diagnóstica, a VHS também pode ser um marcador de resposta terapêutica em pacientes com artrite reumatoide, polimialgia reumática, arterite temporal, febre reumática e doença de Hodgkin. Os valores de referência da VHS variam de acordo com o sexo e a idade, sendo maiores nas mulheres e com a idade mais avançada. A VHS pode sofrer interferência de fatores pré-analíticos e de condições patológicas associadas. Por exemplo, anemia, macrocitose, gravidez, insuficiência cardíaca e hipercolesterolemia estão associadas a aumento da VHS, enquanto a drepanocitose, microcitose, policitemia e hemoglobinopatias estão associadas a valores mais baixos da VHS.

O vírus da hepatite A é um RNA vírus de transmissão fecal-oral, por contato interpessoal, água ou alimentos contaminados. Período de incubação varia de 10 a 50 dias, sendo a infecção subclínica em 90% dos menores de 5 anos e 70 a 80% dos adultos.

Anti-HAV IgM

É um marcador da fase aguda. Surge concomitantemente com o desa- parecimento do antígeno viral e permanece por 3 a 6 meses em apro- ximadamente 80% a 90% dos pacientes e por até um ano em 10% dos casos. Apresenta sensibilidade de 100% e especificidade de 99% para hepatite aguda. Ocasionalmente o teste é negativo quando da apresen- tação clínica, mas repetição do mesmo em 1 a 2 semanas demonstrará positividade. Reações cruzadas com o vírus Epstein-Barr e da rubéola são raramente descritas.

Anti-HAV IgG

É detectado logo após anti-HAV IgM e seus títulos aumentam gra- dualmente com a infecção, persistindo por toda a vida e indicando imunidade. A resposta imunológica à vacina contra hepatite A é fundamentalmente do tipo IgG, sendo que o anti-HAV IgG pode não ser detectado após vacinação, uma vez que os títulos de anticorpos induzidos pela vacina são, em geral, mais baixos que os induzidos pela infecção natural. Na prática, não é indicado a mensuração dos títulos de anticorpos após a vacinação, uma vez que o limiar de corte dos testes comercializados é superior ao nível mínimo reconhecido como protetor.

O vírus da hepatite B HBV é transmitido por via sanguínea, relações sexuais e via vertical. Quadro clínico se desenvolve após período de incubação de 1,5 a 3 meses (6 a 8 semanas). Manifestação clínica é encontrada em menos de 5% das infecções perinatais e 20% a 30% dos casos em adultos. Na ausência de complicações, a infecção se resolve em 2 semanas a 6 meses após a fase aguda, sendo paralela à depuração do antígeno viral do sangue e seguida do surgimento do anti-HBs. Parte dos pacientes, sintomáticos ou não, falham em depurar o vírus, não desenvolvendo anti-HBs e progredindo à cronicidade. A ocorrência de infecções crônicas é influenciada por uma série de variáveis, sendo a idade a principal. Cronicidade ocorre em mais 90% das infecções perinatais, em 15% a 30% dos casos em crianças e 5% dos casos de adultos. Cura espontânea da infecção crônica ocorre em 1% dos portadores de vírus ao ano.

A infecção crônica pelo vírus B da hepatite apresenta diagnóstico complexo, seja pela diversidade de marcadores seja pela grande capacidade de mutação do vírus.

As técnicas moleculares quantitativas apresentam papel fundamental para avaliar o risco de progressão para doença hepática terminal. Após o início do tratamento, a carga viral do vírus B (HBV-DNA) é um excelente parâmetro para avaliar a resposta ao tratamento.

Pacientes com vírus mutante pré-core (portanto com HBeAg negativo) se beneficiam com o HBV-DNA, capaz de predizer doença em atividade nestes casos especiais.

O vírus da hepatite C frequentemente causa infecção assintomática, entretanto, 70% dos infectados evoluem para forma crônica, sendo que 20% desses evoluirão para cirrose após 20 anos de infecção. A janela imunológica tem sido descrita como de até seis meses, entretanto, ensaios de terceira geração, podem reduzir esse tempo para seis a nove semanas. Falso-positivos podem ocorrem em grávidas, vacinação para influenza, hipergamaglobulinemia, fator reumatóide e doenças reumáticas. Cerca de 50% dos doadores com anti-HVC positivo, são falso-positivos. É descrito para estes ensaios sensibilidade de 99% em indivíduos imunocompetentes e de 60% a 90% em imunocompro- metidos. A confirmação da soropositividade requer, à critério médico, complementação da investigação com reação em cadeia da polimerase (PCR).

A infecção crônica pelo vírus C da hepatite apresenta diagnóstico sorológico insuficiente, já que cerca de 15 % dos infectados evoluirão para a cura sem tratamento específico.

A confirmação do diagnóstico é classicamente realizada com a PCR qualitativa.

Atualmente, as técnicas moleculares quantitativas apresentam elevada sen- sibilidade, às vezes superando a da PCR quantitativa, dispensando assim dois exames diferentes. O HCV-RNA quantitativo permite avaliar as repostas par- ciais ao tratamento (Resposta Virológica Rápida em quatro semanas, resposta virológica precoce em 12 semanas, resposta virológica ao término do trata- mento e resposta virológica sustentada).

Na hepatite C aguda, muitas vezes o anti-HCV surge semanas após o início dos sintomas. Nestes casos, o HCV-RNA é o teste ideal para o diagnóstico.

Como o tratamento preconizado (interferon e ribavirina) apresenta efeitos colaterais potencialmente graves e como a taxa de sucesso não é elevada, preditores de resposta são pesquisados para a decisão do tratamento. Estudos identificaram dois polimorfismos únicos em nucleotídeos, no gene da IL-28B. O genótipo C/C no nucleotídeo rs12979860 e o genótipo T/T no nucleotídeo rs8099917 estão associados a maiores taxas de resposta virológica sustentada e de clareamento viral espontâneo após infecção aguda, no genótipo 1. Para os genótipos 2 e 3, já é esperada uma elevada taxa de sucesso terapêutico, portanto o estudo do polimorfismo da IL28B nestas circunstâncias apresenta valor limitado. O conhecimento do polimorfismo pode auxiliar na decisão de iniciar ou protelar o tratamento.

A definição do genótipo do vírus C apresenta relação com a resposta ao tratamento convencional com interferon e ribavirina. O genótipo 1 é o mais prevalente no Brasil e no mundo. Este genótipo apresenta menor reposta ao tratamento, devendo-se prolongar o mesmo por pelo menos 48 semanas.

É causado por um RNA vírus incompleto que necessita, como envoltório, do antígeno de superfície do vírus da hepatite B para sua expressão. Em indivíduos infectados pelo HBV ocorre uma simbiose que resulta em uma partícula híbrida constituída, no seu interior, de antígeno e genoma delta recoberto por HBsAg. Infecção pode ocorrer como confecção (pacientes infectados simultaneamente pelo vírus B e vírus Delta) ou superinfecção (pacientes já infectados pelo vírus B que contraem a infecção pelo vírus Delta). A superinfecção pelo HDV resulta em 95,5% de cronicidade. O diagnóstico baseia-se em imunoensaios para anti-HDV que utilizam antígenos recombinantes do HDAg. Surge 5 a 7 semanas após a infecção. É importante salientar que anti-HDV pode formar-se tardiamente na confecção.

A hepatite E tem transmissão fecal-oral e apresenta clínica similar à hepatite A, sendo, porém, mais grave. Apresenta período de incubação de 2 a 9 semanas, com alto percentual de casos fatais em gestantes (20%). O anti-HEV IgM é o marcador de infecção recente mais conveniente para o diagnóstico da infecção pelo HEV. É detectado em mais de 90% dos pacientes e persiste por 3 meses em 50% dos pacientes.

Pacientes infectados com o vírus E desenvolvem sintomas da hepatite com o aparecimento de anticorpos IgM anti-HEV no soro, seguido por IgG anti-HEV em poucos dias. Anticorpos IgM podem permanecer detectáveis até 6 meses após o início dos sintomas, enquanto que o IgG geralmente persiste durante muitos anos após a infecção.

A pesquisa de mutação HER2 (ERBB2) é um indicador prognóstico para carcinoma de mama linfonodo positivo ou negativo e para câncer metastático. Também está associado a outros tipos de câncer (pulmão, gástrico, esôfago). Trata-se de um oncogene presente no braço longo do cromossomo 17 que encontra-se amplificado ou com aumento da expressão em aproximadamente 15% a 20% dos casos de câncer de mama. Essa alteração está associada a um tempo livre de doença menor e, um pior prognóstico. Pacientes com HER2 positivo para mutação são candidatos ao tratamento com drogas alvo do receptor do fator de crescimento epidérmico HER2 (trastuzumab) ou de drogas que regulam negativamente o fator (pertuzumab e lapatinib). A confirmação da mutação torna o paciente um candidato ao uso dessas drogas.

Na população em geral podem ser encontrados indivíduos com altos títulos de anticorpos, e com ausência de quadro clínico sugestivo de infecção aguda. Em caso de quadro clínico sugestivo, recomenda-se a colheita de duas amostras: uma na fase aguda e outra 15 dias após onde a elevação do título de pelo menos duas diluições sugere o diagnóstico. Em infecções herpéticas bem localizadas, pode não ocorrer estímulo antigênico para provocar elevação do título de anticorpos.

A presença de anticorpos IgM nas duas primeiras semanas de vida estabelece o diagnóstico de infecção congênita, pois na infecção neonatal ou pós-natal em geral os anticorpos levam de duas a quatro semanas após a infecção aparecer. Em outras fases da vida, a detecção de IgM pode estar presente nas recorrências.

A sorologia para o Herpesvírus Simples (HSV) tipo 1 e tipo 2 pode ser realizada de forma separada ou conjunta e por meio da pesquisa de anticorpos IgM e IgG. Cerca de 90% da população apresenta anticorpos contra o HSV-1 aos 30 anos de idade. Cerca de 15% a 30% dos adultos com vida sexual ativa apresentam anticorpos contra o HSV-2. A infecção primária pelo HSV-1 é geralmente assintomática, mas pode determinar gengivoestomatite acompanhada de sintomas sistêmicos. Cerca de 70% das infecções genitais pelo herpesvírus são causadas pelo HSV-2.

A presença de anticorpos IgM nas duas primeiras semanas de vida estabelece o diagnóstico de infecção congênita, pois na infecção neonatal os anticorpos são detectados de duas a quatro semanas após a infecção. Em outras fases da vida, a detecção de IgM pode estar presente ou não nas recorrências. Em caso de quadro clínico sugestivo, recomenda-se a colheita de duas amostras: uma na fase aguda e outra após 15 dias, onde a elevação do título de pelo menos duas vezes sugere o diagnóstico.

Na população em geral podem ser encontrados indivíduos com altos títulos de anticorpos, e com ausência de quadro clínico sugestivo de infecção aguda. Em caso de quadro clínico sugestivo, recomenda-se a colheita de duas amostras: uma na fase aguda e outra 15 dias após onde a elevação do título de pelo menos duas diluições sugere o diagnóstico.

Por causa da reatividade cruzada, HSV-1 e HSV-2 não são geralmente distinguíveis sorologicamente, a menos que seja avaliado IgG direcionada a glicoproteína G. Teste para HSV-específicas imunoglobulina M (IgM) não está disponível. Não é possível diferenciar o subtipo viral por meio da IgM.

O aumento de títulos entre a fase aguda e a convalescência geralmente não ocorre nas recorrências da herpes mucocutanea.

A detecção de anticorpos IgG podem ser úteis durante o acompanhamen- to pré-natal, pois sinaliza para a possibilidade de transmissão fetal, caso haja lesões ativas durante o trabalho de parto.

O Herpes Humano Vírus 6 (HHV-6) é um membro da família Herpesviridae. Trata-se de um DNA vírus envolvido por envelope lipídico. Como os outros integrantes da família, o HHV-6 tende a reativar após a infecção primária. A primo-infecção geralmente ocorre na infância, portanto a maioria dos adultos já foi infectada. O HHV-6 causa o exantema súbito na infância, embora possa causar meningoencefalite, hepatite e pneumonite em imunossuprimidos.

A infecção pelo herpesvírus simples pode ser assintomática ou causar lesões dolorosas em pele e mucosas. Na infecção pelo herpesvírus e na infecção pelo vírus varicela zoster, células epiteliais infectadas mostram mudanças em suas características, incluindo multinucleação e marginação da cromatina. A presença destas células (células de Tzanck), no exsudato das lesões, ocorre em 50% dos casos de infecção herpética. Este método não diferencia entre infecções pelo herpesvírus tipo I ou II.

Deficiência de hexosaminidases A e B são observadas nas gangliosidoses GM2 (doença de Tay-Sachs e Sandhoff). Tais distúrbios cursam com macrocefalia, neurodegeneração, regressão psicomotora, mancha vermelho cereja na mácula e retinopatia. A dosagem de hexosaminidase A e total pode ser feita no plasma, para diagnóstico da doença de Tay-Sachs ou para detecção de heterozigotos portadores.

Vírus DNA, família herpes vírus, responsável pela roséola, eritema multiforme e mononucleose like na criança, otite, febre e encefalite. Não cursa com infecções recorrentes, como o herpes vírus 1 e 2, causa de febre, pneumonite, hepatite, meningite e encefalite, mielossupressão, erupção, GHVD, falha do enxerto, microangiopatia trombótica, sinergismo com a reativação do citomegalovírus, infecções fúngicas, hepatite fulminante, febre de origem indeterminada em imunocomprometidos como submetidos a transplantes hematopoiéticos, órgãos sólidos, AIDS, etc.

Não tem relato de transmissão vertical, apenas por contato direto, com soroprevalência de 80-100% em crianças saudáveis e 60-100% em distribuição mundial na população geral. Pode ser utilizado em sangue total em EDTA, aspirado ou lavado brônquico, líquido pleural, tecido a fresco/ biópsia, bloco de parafina e líquor. A negatividade do exame no líquor, não exclui a infecção devido a baixa sensibilidade e baixo extravasamen- to de vírus para o SNC. PCR qualitativo que detecta o genoma de HHV-6, sensibilidade de 95%, e especificidade de 98,8% em sangue periférico.

Vírus DNA, família herpes vírus, responsável pela roséola e eritema multiforme na criança, não cursa com infecções recorrentes, causa de febre, erupção, encefalites, pneumonites e mielossupressão, reativação CMV, infecções fúngicas, disfunção do enxerto, em pacientes imunos-suprimidos como submetidos a transplantes hematopoiéticos e de órgãos sólidos, AIDS, etc. Transmissão por contato direto, sem relato de transmissão perinatal, prevalência de 40-80% nas crianças saudáveis, 40-100% em adultos (distribuição mundial). Pode ser utilizado em sangue total em EDTA, aspirado ou lavado brônquico, líquido pleural, tecido a fresco/biópsia, bloco de parafina e líquor. A negatividade do exame no líquor, não exclui a infecção devido a baixa sensibilidade do exame no líquor. PCR qualitativo detecta o genoma de HHV-7.

Útil para a documentação de infecção pregressa pelo estreptococo ? hemolítico do grupo A, no contexto das complicações não supurativas como febre reumática e glomerulonefrite difusa aguda. Níveis elevados de anti-hialuronidase são mais frequentemente encontrados nos casos de impetigo, em comparação com anti-estreptolisina O.

Fornece uma estimativa da produção do cortisol. Os principais derivados 17-hidroxilados urinários são cortisol, cortisona, 11-desoxicortisol e metabólitos hidrogenados sob a forma de glicuronídes. Algumas drogas podem interferir no resultado: espironolactona, clordiazepóxido, clorpro- mazina, reserpina, fenobarbital, fenitoína e carbamazepina.

É utilizado como teste de triagem de hipercortisolismo. Pode ser realizado após supressão com dexametasona, a critério médico.

Níveis urinários elevados ocorrem na hiperfunção adrenocortical, hiperplasia adrenal por deficiência de 11-hidroxilase, hipertireoidismo, obesidade e pancreatite.

Algumas situações clínicas (hipotireoidismo, jejum prolongado, hiperplasia adrenal por deficiência de 21-hidroxilase, insuficiências renal, hepática, hipofisária ou adrenal) podem acarretar concentrações urinárias baixas.

Sua dosagem não é reprodutível em recém-nascidos com hiperplasia adrenal congênita devido à interferência por esteroides e seus metabólitos que usualmente não estão presentes na urina, mas que são excretados em grandes quantidades nestes pacientes.

O hidroxipireno é um produto da biotransformação do pireno, um hidro- carboneto aromático policíclico (HAP) não carcinogênico presente em praticamente todas as misturas de HAPs em concentrações relativamente altas e constantes. Tendo em vista sua abundância, o hidroxipireno foi selecionado para avaliação da exposição aos HAPs. Segundo a Interna- tional Agency for Research on Cancer (IARC), seis HAPs são provavelmente carcinogênicos para o homem: benzo(a)antraceno, benzo(b)fluoranteno, benzo(k)fluoranteno, benzo(a)pireno, dibenzo(a,h) antraceno e indeno(1,2,3-cd)pireno.

Indicada na investigação da hiperplasia adrenal congênita (HAC), para diagnóstico da deficiência da 3?-hidroxiesteroide desidrogenase (3?-HSD), forma extremamente rara de HAC (1:300.000, menos de 1% das HAC).

A 3?-HSD permite a formação da hidroxiprogesterona a partir da hidroxipregnenolona e da progesterona a partir da pregnenolona. A deficiência da 3?-HSD impede a formação de toda a linhagem minera- locorticoide e glicocorticoide, e direciona à produção de andrógenos de atividade biológica limitada, levando à ambiguidade sexual. Nestes casos, o cortisol e mineralocorticoides são diminuídos, hidroxipregnenolona e pregnenolona encontram-se elevadas e hidroxiprogesterona e proges- terona estão também reduzidas. Manifestações mais discretas (deficiências enzimáticas parciais), geralmente de aparecimento mais tardio, têm sido descritas com grande frequência.

A deficiência da alfa-hidroxilase, uma forma mais rara ainda de HAC, também pode ser investigada utilizando as dosagens de pregnenolona, progesterona, hidroxipregnenolona e hidroxiprogesterona. Na deficiência da alfa-hidroxilase, os dois primeiros hormônios encontram-se elevados e os dois últimos em níveis baixos.

A hidroxiprolina é um aminoácido essencial presente no colágeno, sendo abundante na matriz óssea. A excreção urinária de hidroxiprolina reflete o metabolismo ósseo, estando elevado na ocorrência de reabsorção e destruição óssea. Níveis elevados são encontrados em crianças, na doença de Paget, após fraturas, no hiperparatireoidismo primário e secundário, osteoporose, osteomalácia, raquitismo, pessoas acamadas, grávidas e acromegalia.

Por sofrer interferências do colágeno proveniente da dieta e dos demais tecidos, esse teste possui menor especificidade que as dosagens de piridinolinas e do C-telopeptideo.

O termo vitamina D representa a vitamina D2 (ergocalciferol) e D3 (colecalciferol). A vitamina D é obtida através da dieta, ergocalciferol (vitamina D2) e colecalciferol (vitamina D3), ou sintetizada na pele exposta à radiação ultravioleta (vitamina D3) através da conversão do 7-deidrocolesterol na epiderme. Para exercer suas diversas funções fisiológicas, a vitamina D (D2 e D3) deve ser convertida em 25-hidro- xivitamina D [25(OH)D2 e 25(OH)D3, respectivamente], que ocorre no fígado, e então, na sua forma ativa, 1,25-diidroxivitamina D2 e D3 [1,25(OH)2D], principalmente nos rins.

A 25-hidroxivitamina D (25OHD) representa a principal forma de transporte e reserva corporal da vitamina D, sendo estocada no tecido adiposo. O melhor marcador para avaliar a suficiência de vitamina D no indivíduo é a dosagem da 25OHD. Apesar de não ser o hormônio ativo, é o metabólito mais estável da vitamina D, tem uma meia-vida aproximada de três semanas e sua concentração depende exclusiva- mente da concentração de seu substrato, a vitamina D. Além disso, tem concentrações mil vezes maiores que a 1,25(OH)2D, sendo seu precursor imediato. Esta última tem a meia-vida curta de 4 a 6 horas e sua conversão enzimática é altamente e finamente regulada pelo PTH, fósforo, cálcio e FGF23. Os níveis de 1,25(OH)2D usualmente encontram-se normais ou até mesmo elevados na insuficiência de vitamina D (como resultado do hiperparatireoidismo secundário) e, portanto, sua utilidade limita-se ao diagnóstico diferencial das síndromes hipercalcêmi- cas e doenças inatas ou adquiridas do metabolismo da 25OHD.

O intervalo de referência populacional para a 25OHD varia amplamente dependendo da etnia, idade, localização geográfica da população estudada e estação do ano da coleta.

Valores diminuídos de 25OHD são associados com insuficiência dietética de vitamina D, doença hepática, má absorção, exposição ao sol inadequada e síndrome nefrótica. Valores aumentados de 25OHD são associados à intoxicação por vitamina D exógena.

Na investigação genética a hiper-homocisteinemia, são pesquisadas mutações nos genes da metileno-tetra-hidrofolato redutase e da cistationina ? sintetase. A elevação da homocisteína plasmática é um fator de risco estabelecido para tromboembolismo venoso (TEV). Deficiências nutricionais de vitaminas B6, B12 ou folato e alterações genéticas nas enzimas metileno-tetra-hidrofolato redutase (MTHFR) e cistationina ? sintetase (CBS) influenciam o metabolismo intracelular da homocisteína.

Este teste avalia a integridade da membrana do espermatozoide, baseando-se em sua propriedade de semipermeabilidade. Em condições de hiposmolaridade, forma-se um fluxo para o interior da célula espermática, com aumento do volume intracelular. Este é um dado importante de vitalidade.

Os espermatozoides que controlam o fluxo de água apresentam edemas de tamanhos variados. Estes são os espermatozoides positivos. Os negativos não apresentam áreas com edemas. Espermatozoides mortos e senescentes apresentam perda da capacidade de osmorregulação, havendo edema descontrolado que leva a ruptura da membrana.

A histamina é um mediador liberado durante a ativação dos mastócitos. A dosagem de histamina é útil para a confirmação do diagnóstico da anafilaxia.

As histonas são proteínas catiônicas, que se encontram associadas ao DNA no núcleo das células eucariotas, constituindo a cromatina. Anticorpos anti-histonas podem apresentar dois tipos distintos de reatividade:

1 - Alguns reagem com epítopos de histonas presentes somente na cromatina nativa;
2- Outros reagem com epítopos de histonas expostos somente nas histonas desnaturadas.

O primeiro grupo de anticorpos, melhor denominados anticromatina, reconhecem um epítopo contendo DNA e histonas, e geralmente estão associados com lúpus eritematoso sistêmico ou lúpus induzido por drogas.

O segundo grupo de anticorpos, melhor denominados anti-histonas, tem utilidade diagnóstica limitada, sendo encontrados em 96% no lúpus induzido por drogas, em 50% a 70% dos pacientes com LES, na artrite reumatoide em 20% dos casos, em 5-45% na esclerodermia, em 60-89% na cirrose biliar primária e 35% na hepatite autoimune.

Anticorpos anti-histonas são encontrados em pacientes assintomáticos em uso de drogas, enquanto anticorpos anticromatina são encontrados principalmente nos pacientes sintomáticos.

Os anticorpos anticromatina ou anti-nucleossomo são direcionados contra epítopos conformacionais criados pela interação entre o DNA nativo (DNAds) e o octâmero de histonas. Os anticorpos anticromatina estão presentes primariamente em pacientes com lúpus eritematoso sistêmico (LES) e lúpus induzido por drogas (LID). Além da importância diagnóstica no LID, os anticorpos anticromatina têm valor diagnóstico e prognóstico no LES. Dados da literatura relatam sensibilidade entre 48-100% e especificidade entre 90-99% dos anticorpos anticromatina para LES. Nas fases iniciais do LES, até 40% dos pacientes com resultados negativos de anti-DNAds podem apresentar anticorpos anticromatina detectáveis no soro. Evidências sugerem que os anticorpos anticromatina têm um papel importante na patogênese do LES, especialmente no desenvolvimento da nefrite. Muitos estudos demonstram correlação entre a presença de anticorpos anticromatina, nefrite lúpica e atividade do LES.

A detecção de antígeno é o método sorológico mais útil para o diagnóstico da histoplasmose disseminada em pacientes com AIDS. Antígeno polis- sacarídeo do fungo tem sido detectado no sangue em 85% e na urina em 95% dos indivíduos infectados; o teste pode ser aplicado também no líquor e nas secreções respiratórias e se correlaciona com a atividade da doença.

Os métodos de detecção de anticorpos são ferramentas úteis para o diagnóstico da histoplasmose, dada a sua disponibilidade e facilidade de execução. O método de rotina é a imunodifusão, por causa daconveniência, precisão e disponibilidade. No entanto, os resultados devem ser interpretados com cautela em pacientes com forma disseminada de histoplasmose (como na coinfecção pelo HIV), por causa da menor sensibilidade nesses casos. Ademais, reação cruzada com os antígenos de outros fungos já foram descritas (paracoccidioidomicose, coccidioidomicose, e aspergilose, mas também ocorre em pacientes com candidíase e criptococose). Na histoplasmose, o diagnóstico sorológico se baseia na identificação de anticorpos anti-H e anti-M. Esses anticorpos podem ser detectados utilizando a histoplasmina (HMIN).

HMIN é o extrato antigênico obtido a partir de culturas de H. capsulatum. Anticorpos contra três componentes antigênicos da HMIN (C, M e H) são avaliados na imunodifusão. O antígeno C é um carboidrato (galactomanana) que é em grande parte responsável pelas reações cruzadas observadas com outras espécies de fungos. O antígeno M é uma catalase e o antígeno H, uma glucosidase. Devido à sua maior especificidade para H. capsulatum, anticorpos contra o antígeno H e M são particularmen- te úteis no diagnóstico. A imunodifusão é altamente específica para a detecção de anticorpos anti-M e anti-H, mas mostra baixa sensibilidade (70%) nas fases agudas da doença. Em geral, o teste é útil para detectar anticorpos de 4-6 semanas após a infecção. A banda H aparece depois da banda M e pode ser encontrada no soro de pacientes durante a fase aguda (7%).

A detecção do antígeno urinário do Histoplasma capsulatum apresenta elevada sensibilidade e especificidade para o diagnóstico das formas disseminadas da histoplasmose, sobretudo nos pacientes imunossuprimidos.

A infecção pelo HIV 1 e 2 leva à Síndrome da Imunodeficiência Adquirida - AIDS. Testes de triagem como CLIA, ECLIA, ELFA ou testes rápidos devem ser confirmados por ensaios mais específicos (Western Blot ou imunofluorescência). Falso-positivos podem ocorrer em testes imuno- enzimáticos nos pacientes com anticorpos anti-HLA DR4, outras viroses, vacinados para influenza, hepatites alcoólicas, portadores de distúrbios imunológicos, neoplasias, multíparas e politransfundidos. Filhos de mãe HIV positivo tem anticorpos maternos, não sendo, pois, a sorologia definitiva no diagnostico. Os testes imunoenzimáticos apresentam sensi- bilidade e especificidade em torno de 98%. Indivíduos de alto risco, com um teste enzimático positivo, tem valor preditivo positivo de 99%. Assim, testes imunoenzimáticos positivos de forma isolada, não podem ser considerados como diagnostico de infecção pelo HIV, sendo necessária a realização do Western Blot como teste confirmatório. Pacientes com fase avançada da doença podem não apresentar reatividade ao Western Blot. Cerca de 20% da população normal não infectada apresentam resultados indeterminados no Western Blot. A Portaria Nº. 151, de 14 de outubro de 2009 (Ministério da Saúde) normatiza o diagnóstico sorológico da infecção pelo HIV em maiores de 18 meses de idade.

As técnicas moleculares apresentam diversas indicações na infecção pelo HIV. Nos casos de infecção recente, a detecção do DNA pró-viral no creme leucocitário é ferramenta essencial para o diagnóstico, haja vista a janela imunológica de até 4 semanas. Nos casos de transmissão vertical, o diagnós- tico sorológico perde efeito em razão da transmissão passiva de anticorpos na gestação. Nestes casos, a PCR também é utilizada para confirmar o diag- nóstico.

As técnicas quantitativas, como o PCR em tempo real, são úteis para avaliar o risco de progressão para a aids e auxiliam na indicação do tratamento. Após início do tratamento, também são importantes para avaliar a reposta à tera- pêutica instituída.

Atualmente, as técnicas de PCR em tempo real apresentam excelente sen- sibilidade, podendo ser utilizadas tanto para o monitoramento terapêutico quanto para o diagnóstico molecular em casos de janela imunológica, alter- nativamente à pesquisa do DNA pró-viral.

O teste de resistência genotípica aos antirretrovirais, conhecido como ge- notipagem do HIV-1, pesquisa a presença de mutações no gene pol. Do HIV-1, que levam à resistência aos medicamentos utilizados no tratamento da infecção pelo HIV-1, como os inibidores nucleosídeos e não nucleosídeos da transcriptase reversa e os inibidores da protease. Este teste está indicado para:

? Determinar o melhor esquema terapêutico quando o paciente apresenta falência ao tratamento atual.
? Avaliar o padrão de resistência na gestante.

Devido ao acúmulo de dados relacionados à interpretação dos testes de resis- tência aos antirretrovirais, será realizada uma atualização semestral da tabela de mutações relacionadas à resistência.

Tanto os testes genotípicos quanto aos fenotípicos são pouco sensíveis a va- riantes minoritárias, presentes em um percentual abaixo de 20% do total da população viral. Como os métodos analisam os vírus que estão se replicando ativamente no momento da amostragem, não são detectados vírus resistentes às drogas às quais o paciente foi exposto no passado. A descontinuação da terapia leva à proliferação do tipo selvagem que pode enganosamente sugerir susceptibilidade.

Para a realização do teste, é necessária carga viral acima de 1.000 cópias/mL e o paciente deve estar em uso dos antirretrovirais.

Útil para a avaliação de pacientes com suspeita clínica de doença celíaca (DC). Cerca de 99% dos pacientes com DC possui um dos haplótipos DQ2/ DQ8. Portanto, a ausências dos dois marcadores praticamente exclui o diagnóstico de DC.

A manutenção da glicemia normal depende principalmente da capacidade funcional das células beta pancreáticas em secretar insulina e da sen- sibilidade tecidual à ação da insulina. A disfunção das células beta e a resistência insulínica (RI) são anormalidades metabólicas interrelacionadas na etiologia do diabetes mellitus do tipo 2.

A RI caracteriza-se por falhas das células-alvo em responder aos níveis normais de insulina circulantes, resultando hiperinsulinemia compensató- ria na tentativa de se obter uma resposta fisiológica adequada.

O índice de HOMA é um cálculo de execução simples, que se fundamenta nas dosagens da insulinemia e da glicemia, ambas de jejum, descrito em 1985 por David Matheus. Sua finalidade é determinar a resistência à insulina e a capacidade funcional (secretora) das células beta pancreáticas, HOMA IR e HOMA BETA, respec- tivamente. Trata-se de um método rápido, de fácil aplicação e menor custo.

A hemólise das amostras sanguíneas deve ser evitada, uma vez que, quando ela ocorre, há liberação de enzimas proteolíticas e, estudo realizado in vitro identificou degradação da insulina em até 25%, podendo levar à subestimação das dosagens.

A interpretação dos resultados obtidos utilizando o HOMA também deve ser realizada com cautela. A avaliação do HOMA BETA não deve ser realizada isoladamente e, sim, em conjunto com a avaliação do HOMA IR.

Existem indivíduos que possuem elevada sensibilidade tecidual à insulina e, por isso, secretam menor quantidade de insulina. Nesses casos, a avaliação isolada da capacidade secretória da célula beta poderia levar ao diagnóstico falso-positivo para defeito na secreção insulínica.

Embora o índice HOMA venha sendo amplamente utilizado, há pouco consenso quanto aos pontos de corte para a classificação da RI, o que dificulta sua utilização na prática clínica. Além do mais, ainda não existe padronização entre os laboratórios quanto aos tipos de ensaios utilizados para a determinação da insulina plasmática, o que também é um obstáculo para sua aplicação em virtude da grande variabilidade encontrada nos resultados entre diferentes laboratórios.

A seguir, as fórmulas utilizadas para obtenção de tais índices:

HOMA BETA:
20 x insulina jejum (mcU/mL)
glicose jejum (mmol/L*) - 3,5
HOMA IR:
insulina jejum (mcU/mL) x glicose jejum (mmol/L*) 22,5
*Para conversão da glicose de mg/dL para mmol/L, multiplica-se o valor em mg/dL por 0,0555.

A homocisteína é um aminoácido sulfidrílico (contém enxofre – SH), gerado na via de síntese da cisteína. Ocupa posição central no metabolismo da metionina e participa na biossíntese da cisteína.

As três principais indicações para a determinação da homocisteína são: diagnosticar homocistinúria, doença genética de herança autossômica recessiva, que se deve a defeito no gene da enzima cistationa-b-sintetase (CBS) e que cursa com níveis significativamente elevados de homocis- teína; identificar indivíduos com ou em risco de desenvolver deficiência de cobalamina (vitamina B12) ou folato (ácido fólico ou vitamina B9); ou para avaliar a homocisteína como fator de risco para doença vascular.

A homocisteína vem alcançando grande importância em estudos científicos e níveis plasmáticos elevados têm sido considerados um fator de risco independente para doença arterial coronária, doença vascular periférica, doença cerebrovascular e trombose. Há estudos evidenciando que a homo- cisteína total elevada seria um fator de risco para eventos cardiovasculares e mortalidade em pacientes de alto risco, como os portadores de doença arterial coronariana, diabéticos e portadores de insuficiência renal crônica.

Valores elevados também podem ser encontrados no uso de ciclosporina, corticoides, fenitoína, metotrexato, trimetoprima, na insuficiência renal crônica, hipotireoidismo.

A coleta deve ser em jejum, pois a ingestão de proteínas pode elevar o resultado.

Após a coleta de sangue, mas antes da remoção dos elementos celulares, há um aumento da homocisteína total dependente de tempo e temperatura. Atribui-se parte deste aumento à liberação de homocisteína a partir dos eritrócitos. O aumento na concentração da homocisteína é prevenido pela rápida centrifugação e remoção dos elementos celulares ou pela manutenção das amostras em gelo até centrifugação.

Trata-se de um teste de triagem para detecção da homocistina na urina. Apresenta menor especificidade que a cromatografia de aminoácidos no diagnóstico da homocistinúria. Alguns dos pacientes com essa aminoaci- dopatia excretam quantidades pequenas de homocistina na urina, princi- palmente no período neonatal, não sendo suficiente para positivar o teste. Pode manifestar-se desde o nascimento com amplo espectro de anormalidades clínicas: miopia, retardo mental, osteoporose, deformidades esqueléticas, habitus marfanóide, ectopia lentis e complicações trombo- embólicas. A despeito do nome homocistinúria, as alterações bioquímicas mais marcantes dessa condição ocorrem no plasma, sendo essa a amostra preferencial para o diagnóstico.

O hormônio anti-Mülleriano (AMH) é produzido pelas células granulosas dos pequenos folículos ovarianos em crescimento, tornando-se detectável nos estágios pré-antral e antral precoce. Sua produção declina quando os folículos atingem aproximadamente 4 mm, não sendo produzido em folículos maiores de 8 mm (estágios antral e pré-ovulatório). A mais estabelecida função da dosagem do AMH na prática clínica é avaliação do risco da mulher de superovulação como parte de um ciclo de fertilização in vitro (FIV) – síndrome da hiperestimulação. De outra forma, poderia predizer uma baixa resposta à FIV, ajudando a conduzir as expectativas do tratamento. Seu uso como preditor individual da vida reprodutiva e idade da menopausa ainda está em estudo.

O hormônio do crescimento (GH) é secretado pela hipófise anterior, em um padrão pulsátil, ocorrendo múltiplos picos durante o dia. Condições fisiológicas podem provocar a liberação de GH, tais como estresse, exercício físico e sono (estágios III e IV).

O GH é um importante estimulador do crescimento em crianças. Em adultos causa vários efeitos fisiológicos e influencia a lipólise, síntese proteica, função cardíaca e massa muscular. Seus efeitos são exercidos, direta e indiretamente, pelos fatores de crescimento insulina-símile (IGF), formalmente conhecidos como somatomedinas.

Sua dosagem tem importância diagnóstica na avaliação da hipossecreção (baixa estatura) e da hipersecreção (gigantismo em crianças e acromegalia em adultos). Contudo, como os valores basais entre os saudáveis e doentes se sobrepõem, testes funcionais de estímulo e de supressão são necessários para avaliar condições de deficiência ou excesso de GH, respectivamente.

Níveis basais baixos ou indetectáveis não são úteis para o diagnóstico da baixa estatura, bem como valores moderadamente elevados não confirmam o diagnóstico de acromegalia. A secreção de GH não é uniforme durante o dia, e as variações são tão imprevisíveis que um valor sérico randômico pode estar dentro do valor de referência em pacientes com acromegalia ou gigantismo.

Os hormônios Folículo Estimulante e Luteinizante são glicoproteínas gonadotrópicas produzidas pelo mesmo tipo de célula hipofisária. As subunidades alfa do LH, FSH, TSH e hCG são idênticas. A especificidade destes hormônios reside na subunidade beta.

Na mulher, o FSH promove o desenvolvimento dos folículos ovarianos e, em conjunto com o LH, estimula a secreção do estradiol dos folículos maduros. Nos homens, o FSH estimula a espermatogênese. É secretado pela hipófise, de maneira pulsátil, menos evidente que o LH. O FSH encontra-se em nível relativamente elevado no primeiro ano de vida, decrescendo a níveis muito baixos durante a infância e elevando-se na puberdade até níveis de adulto.

O exame mostra-se útil na distinção da insuficiência ovariana primária da secundária. Também utilizado na investigação da impotência, infertilidade, ginecomastia e distúrbios do ciclo menstrual (oligo ou amenorreia).

O FSH eleva-se nas deficiências ovarianas ou testiculares primárias, na Síndrome de Klinefelter, nos quadros de tumores secretores de gonadotro- pinas, alcoolismo e menopausa.

Encontram-se valores inadequadamente baixos em doenças hipofisárias ou hipotalâmicas, gravidez, anorexia nervosa, síndrome dos ovários policísticos, hemocromatose, anemia falciforme, doenças graves, hiperprolactine- mia e na produção ectópica de hormônios esteroides.

Na síndrome dos ovários policísticos é valorizada sua relação com o LH, na qual os valores de LH se elevam.

Os hormônios Luteinizante e Folículo Estimulante são glicoproteínas gonadotrópicas produzidas pelo mesmo tipo de célula hipofisária. As subunidades alfa do LH, FSH, TSH e hCG são idênticas. A especificidade destes hormônios reside na subunidade beta.

O LH é o hormônio estimulador das células intersticiais nos ovários e nos testículos. Sua secreção está sob complexa regulação pelo GnRH e pelos hormônios sexuais: estrógeno e progesterona nas mulheres, e testostero- na nos homens. No sexo feminino, seu grande aumento no meio do ciclo induz à ovulação. Se for dosado de maneira seriada, pode determinar a data da ovulação. É secretado de maneira pulsátil, o que parece ser fundamental para a sua ação. A interpretação de uma única medida pode ser de limitado auxílio clínico.

Utilizado para avaliar a função gonadotrófica hipofisária anterior, diferen- ciação sexual e fertilidade.

Níveis aumentados de LH com FSH normal ou baixo podem ocorrer com obesidade, hipertireoidismo e doença hepática. Eleva-se nas patologias primariamente gonadais e no adenoma hipofisário (raro), mostrando- se em níveis baixos nos hipogonadismos de origem hipofisária e hipotalâmica, anorexia nervosa, doenças graves, desnutrição. Eleva-se na menopausa mais tardiamente que o FSH. Na síndrome dos ovários policísticos pode encontrar-se em valores acima do normal, valorizando- se a relação LH/FSH maior que dois.

A infecção pelo HPV é muito prevalente em todo o mundo. A transmissão ocorre majoritariamente por via sexual. Na maioria das vezes, a infecção é assintomática. Quando ocorrem manifestações clínicas, lesões verrucosas na região genital e atipias em células epiteliais do colo uterino são as mais frequentes. Estas últimas, quando persistentes, estão associadas ao câncer de colo de útero.

Há forte evidência de que o HPV desempenha papel na carcinogênese da genitália externa, das neoplasias intraepiteliais vulvares, dos carcinomas escamosos de vagina e dos carcinomas do colo de útero. Em mais de 90% dos casos de câncer cervical, existe a presença de DNA do Papiloma vírus Humano (HPV). Há mais de 70 genótipos do HPV, e já foram identificados mais de 30 tipos infectando a genitália humana. Os tipos de HPV associadas à infecção genital são divididos em categorias de alto (grupo B) e baixo risco (grupo A), conforme seu potencial oncogênico.

Trata-se do exame de escolha para o diagnóstico e acompanhamento da infecção pelo HPV. Este teste é capaz de identifica 18 tipos do HPV ,divididos em sondas de baixo e alto risco para neoplasia cervical. Permite a detecção de 1 pg/mL de DNA-HPV, equivalente a 0,1 cópia de vírus por célula. Considera-se positivo quando as relações RLU/PCA para os vírus do grupo A (6, 11, 42, 43 e 44) e/ou RLU/PCB para os vírus do grupo B (16, 18, 31, 33, 35, 39, 45, 51, 52, 56, 58, 59 e 68) forem iguais ou maiores que 1.

Esta técnica apresenta alta sensibilidade para detecção da infecção pelo HPV e é capaz de definir exatamente o tipo do HPV relacionado às lesões clínicas. Identifica também a presença de infecções mistas (por mais de um tipo diferente). A sensibilidade do teste é de 15 cópias do genoma do HPV. Para ava- liar a eficácia do tratamento, indica-se colher nova amostra após três meses do término da terapêutica.

Para o diagnostico sorologico da infecção pelo HTLV, é altamente recomendado a pesquisa de anticorpos por Western blot, nos casos com triagem por ELISA reagentes.

O HTLV está associado à leucemias e desordem neurológica crônica (paralisia espástica tropical). Sua triagem em bancos de sangue é obrigatória devido a sua transmissão parenteral. Cerca de 20% dos infectados desenvolvem quadros neurológicos ou leucemia após 20 anos de infecção. Métodos do tipo imunoenzimáticos são utilizados como testes de triagem. Falso-positivos podem decorrer de anticorpos anti-HLA e sucessivos congelamentos e descongelamentos das amostras.

A confirmação diagnóstica deve ser realizada com o PCR ou imunoblotting para HTLV.

O diabetes mellitus tipo 1 (DM1) é caracterizado pela infiltração linfocítica das ilhotas pancreáticas e autoanticorpos contra uma variedade de antígenos das células beta. Eles geralmente precedem a hiperglicemia por meses a anos, e um ou mais deles estão presentes em 85 a 90% dos pacientes na ocasião do diagnóstico.

O autoantígeno IA2 é um membro da família dos receptores proteicos tirosina fosfatases. Este receptor tem um domínio extracelular, um domínio transmembrana e um domínio citoplasmático. O IA2 inclui o domínio citoplasmático e o ICA512 inclui o domínio transmembrana.

Anticorpos anti-IA-2 são encontrados em 48% a 80% dos pacientes com diagnóstico recente de DM1, sendo que é mais comum em jovens até 15 anos de idade e indica rápida progressão para o diabetes clínico. A progressão mais rápida também está relacionada com níveis mais altos de anticorpos e a presença de 2 ou 3 anticorpos distintos circulantes, dentre eles anti-GAD, anti-IA2, anti-insulina e anti-ilhota.

Estudos prospectivos em parentes de primeiro grau de pacientes com DM1 mostram que a presença de um ou mais autoanticorpos contra antígenos específicos das células beta (incluindo anti-IA2) é um marcador precoce da progressão para o diabetes tipo 1. O risco de DM1 em 10 anos entre familiares em primeiro grau de pacientes com DM1 com 2 ou mais anticorpos positivos chega a 90%, enquanto um único anticorpo positivo está associado a um risco menor que 20% em 10 anos.

Alguns pacientes com DM1 são inicialmente diagnosticados como diabetes tipo 2 (DM2) devido ao início dos sintomas na idade adulta, presença de obesidade e independência inicial da insulina. Estes pacientes com “diabetes autoimune latente no adulto – LADA” podem ser distinguidos dos pacientes com DM2 pela detecção de um ou mais autoanticorpos para antígenos da célula beta, incluindo IA2.

Identificação de gênero e espécie do microrganismo causador da infecção e determinação quantitativa da sensibilidade aos antimicrobianos (MIC) a partir de bactéria viável isolada em meio de cultura.

Condição

Bactéria viável isolada enviada em meio de cultura.

Exame para detecção de mutações no éxon 4 dos genes IDH1 e IDH2 em leucemia mieloide aguda citogeneticamente normal e gliomas. O gene da Isocitrato desidrogenase 1 e 2 (e IDH1 IDH2) catalisa a descarboxila- ção oxidativa do isocitrato alfa-cetoglutarato. Mutações no gene IDH1, raramente no gene IDH2, ocorrem em mais de 70% de astrocitomas OMS grau II e grau III e em oligodendrogliomas e nos glioblastomas que desenvolveram a partir destas lesões de menor grau. Também ocorrem em 15% a 22% dos casos de LMA citogeneticamente normais. Mutações associadas a tumores nos genes IDH1 e IDH2 estão limitadas ao éxon 4, sendo essas mutações polimorfismos de um único nucleotídeo (SNP). A identificação dessas mutações auxiliam na determinação de risco para pacientes recém-diagnosticados com AML citogeneticamente normal e determinação de risco para pacientes com gliomas.

A imunoglobulina E (IgE) tem um papel central na patogênese das reações de hipersensibilidade imediata devido a sua capacidade de se ligar a receptores IgE específicos de alta afinidade em mastócitos ou basófilos. Indivíduos com concentrações séricas de IgE acima do limite superior do intervalo de referência frequentemente são portadores de doença alérgica mediada por IgE, como rinite alérgica, asma e dermatite atópica. As concentrações séricas de IgE são idade dependente e altamente variáveis, sendo mais altas nos indivíduos alérgicos do que nos não alérgicos. As concentrações médias de IgE em crianças saudáveis aumentam progressi- vamente até 8 a 10 anos de idade, declinando, então, a partir da segunda até a oitava década de vida. Por isso, a interpretação dos níveis de IgE total sempre deve ser feita de acordo com valores de referência específicos para cada faixa etária. Devido à sobreposição dos níveis de IgE sérica total entre indivíduos atópicos e não atópicos, indivíduos com IgE total normal podem apresentar IgE específico positivo e doença alérgica.

Os testes sanguíneos de alergia são a IgE total e IgE específico para alérgenos isolados ou em conjunto (múltiplos). São úteis para comple- mentar o diagnóstico clínico de alergia.

IgE específicos e múltiplos

Usado no auxílio diagnóstico de alergias respiratórias, cutâneas, alimentares, a picada de insetos, ácaros, pólen, pó domiciliar e na hipersensibilidade a drogas. Não há a interferência de anti-histamíni- cos. A presença de anticorpos alérgenos específicos no soro indica a sensibilização do indivíduo ao alérgeno em questão e sinaliza um alto risco para o desenvolvimento de sintomas alérgicos associados às doenças mediadas por IgE. A produção de anticorpos IgE específicos depende do grau, da frequência da exposição e, principalmente, da dose do alérgeno. Até 15% de indivíduos saudáveis, não atópicos, podem apresentar resultados de IgE específicos positivos.

IgEs múltiplos são testes que avaliam a presença, na amostra testada, de anticorpos IgE contra uma mistura de alérgenos diferentes. O grau de positividade do IgE múltiplo não pode ser comparado com os resultados de um teste IgE específico isolado, e não deve ser inter- pretado como indicativo do grau de positividade de cada um dos IgE específicos .

Atualmente existem apenas dois métodos para a pesquisa de anticorpos IgE específicos no soro registrados no Brasil, sendo o ImmunoCAP um deles. Apesar de ambos os métodos serem calibrados com o padrão internacional de referência da OMS e apre- sentarem concordância satisfatória na detecção da sensibilização a alguns alérgenos, diferenças na composição dos alérgenos utilizados nos reagentes de cada fabricante resultam em discrepâncias qualita- tivas e quantitativas importantes quando se comparam os resultados de IgE específico para o mesmo alérgeno obtidos por ambos os métodos. Ou seja, os resultados quantitativos de anticorpos IgE específicos obtidos com o kit de um fabricante não são comparáveis aos do outro fabricante. Recentemente, alguns estudos estabeleceram valores de corte para anticorpos IgE específicos contra alguns alérgenos alimentares e inalantes, capazes de predizer com 95% de probabilidade que o paciente apresenta alergia clínica. É importante frisar que esses valores de corte foram estabelecidos exclusivamente com os reagentes de um fabricante e, portanto, não são aplicáveis aos resultados de IgE específico de outros fabricantes.

IgE total

Em crianças com até três anos de idade é bom indicador da presença de alergia. Após esta idade IgE total pode elevar-se devido a parasitoses intestinais e contatos mais intensos com outros alérgenos, não tendo valor diagnóstico. Outras causas de aumento dos níveis séricos de IgE incluem as imunodeficiências (ex.: síndrome de Wiskott-Aldrich, síndrome de DiGeorge´s, síndrome de Nezelof ), síndrome “Hiper-IgE” e aspergilose broncopulmonar. A mensuração de IgE total sérica, de forma isolada, apresenta valor limitado como método de triagem das doenças alérgicas, pois muitos pacientes com níveis elevados de IgE específico apresentam níveis de IgE total dentro da normalidade.

A quantificação de anticorpos IgE específicos tem por finalidade identificar o alérgeno responsável pelo desencadeamento dos sintomas, em pacientes com manifestações clínicas compatíveis com alergia. Os testes utilizados para a pesquisa de anticorpos IgE específicos podem empregar como substrato alérgenos específicos isolados, ou uma mistura contendo vários alérgenos distintos. Estes últimos testes são denominados IgE múltiplos.

O ImmunoCAP ISAC é um teste in vitro destinado à determinação semi- -quantitativa de anticorpos IgE específicos no soro humano. Trata-se de um teste imunológico em que 103 componentes moleculares recombinantes ou altamente purificados, originários de 50 alérgenos diferentes, são imobilizados num substrato sólido em formato microarray, permitindo a medição simultânea de anticorpos IgE específicos contra vários componentes alergênicos numa única amostra. Útil para avaliação de pacientes polissensibilizados, programação de imunotera- pia, etc.

O IGF-1 (fator de crescimento insulina-símile) é um peptídeo com grande homologia estrutural à insulina, produzido por muitos tecidos, sendo sua principal fonte o fígado. O IGF-1 é o principal mediador dos efeitos anabólicos e promotores do crescimento do hormônio do crescimento (GH). É transportado pelas proteínas ligadoras do IGF, em particular pela IGFBP-3, que também controla sua biodisponibilidade e meia-vida. Diferente da secreção do GH, que é pulsátil e demonstra importante variação diurna, os níveis de IGF-1 e IGFBP-3 apresentam mínimas flutuações, sendo representativos estáveis da produção e efeito tecidual do GH.

Dosagens de IGF-1 e IGFBP-3 podem ser utilizadas para avaliar o excesso ou a deficiência de GH. Entretanto, as dosagens de IGF-1 geralmente mostram-se superiores em sensibilidade e especificidade diagnósticas. No diagnóstico e acompanhamento da acromegalia, a dosagem do IGFBP-3 adiciona pouco valor ao IGF-1. A combinação dos dois parece ser superior no diagnóstico da deficiência ou resistência ao GH e na monito- rização da terapia com GH recombinante.

As concentrações de IGF-1 aumentam durante o primeiro ano de vida, alcançando os valores mais altos na pré-adolescência e adolescência. Os níveis tendem a declinar após, progressivamente, até os 50 anos. Na gravidez, os valores são progressivamente mais elevados.

Valores baixos são observados nos extremos da idade (primeiros 5-6 anos de vida e na senilidade), hipopituitarismo, desnutrição, diabetes mellitus, hipotireoidismo, síndrome de privação materna, atraso puberal, cirrose, hepatoma, nanismo de Laron e em alguns casos de baixa estatura com resposta ao GH normal aos testes de estímulo. Valores baixos são também encontrados nos tumores de hipófise não funcionan- tes, no atraso constitucional do crescimento e na anorexia nervosa.

Valores altos ocorrem na adolescência, puberdade precoce verdadeira, gestação, obesidade, retinopatia diabética, gigantismo e acromegalia.

Anticorpos heterofílicos no soro humano podem reagir com imunoglobulinas incluídas nos componentes do ensaio causando interferência com os imunoensaios in vitro. Soro de pacientes com doenças autoimunes ou de indivíduos rotineiramente expostos a animais ou produtos animais podem demonstrar esse tipo de interferência, potencialmente causando resultados anômalos. Os ensaios têm sido formulados para minimizar o risco de tais interferências, entretanto, raras interações podem ocorrer. Para propostas diagnósticas, os resultados devem sempre ser avaliados em combinação com o exame clínico, história médica e outros achados.

A proteína de ligação-3 do fator de crescimento insulina-símile (IGFBP-3) é um peptídeo produzido pelo fígado, sendo o mais abundante do grupo de IGFBP’s que transportam e controlam a biodisponibilidade e meia-vida dos fatores de crescimento insulina-símile (IGF’s), em particular o IGF-1, o principal mediador dos efeitos anabólicos e promotores do crescimento do hormônio do crescimento (GH).

Diferente da secreção do GH, que é pulsátil e demonstra importante variação diurna, os níveis de IGF-1 e IGFBP-3 apresentam mínimas flutuações, sendo representativos estáveis da produção e efeito tecidual do GH.

Originalmente, acreditava-se que sua única função era o transporte das IGFs, modulando sua biodisponibilidade para seus receptores. Recentemente, entretanto, atividades da IGFBP-3 têm sido identificadas (em particular como agente apoptótico, inibindo a proliferação celular). Sua determinação é utilizada na avaliação de desordens do eixo GH-IGF-1.

Dosagens de IGF-1 e IGFBP-3 podem ser utilizadas para avaliar o excesso ou a deficiência de GH. Entretanto, as dosagens de IGF-1 geralmente mostram-se superiores em sensibilidade e especificidade diagnósticas. O IGFBP-3 deve, portanto, ser solicitado em conjunto ao IGF-1. No diagnóstico e acompanhamento da acromegalia, a dosagem do IGFBP-3 adiciona pouco valor ao IGF-1. A combinação dos dois parece ser superior no diagnóstico da deficiência ou resistência ao GH e na monitorização da terapia com GH recombinante.

Valores baixos são observados na deficiência ou resistência ao GH. Já valores elevados indicam uma sustentada superprodução de GH ou excessiva terapêutica com GH recombinante.

Anticorpos heterofílicos no soro humano podem reagir com imunoglobulinas incluídas nos componentes do ensaio causando interferência com os imunoensaios in vitro. Soro de pacientes com doenças autoimunes ou de indivíduos rotineiramente expostos a animais ou produtos animais podem demonstrar esse tipo de interferência, potencialmente causando resultados anômalos. Os ensaios têm sido formulados para minimizar o risco de tais interferências, entretanto, raras interações podem ocorrer. Para propostas diagnósticas, os resultados devem sempre ser avaliados em combinação com o exame clínico, história médica e outros achados.

A infecção crônica pelo vírus da hepatite C afeta 170 milhões de pessoas no mundo inteiro e é importante causa de cirrose e câncer de fígado. O tratamento indicado para o genótipo 1 (mais frequente) é feito por 48 semanas. A resposta virológica sustentada (RVS) é atingida em cerca de 40 a 50% dos pacientes tratados. Como o tratamento preconizado (interferon e ribavirina) apresenta efeitos colaterais potencialmente graves e como a taxa de sucesso não é elevada, preditores de resposta são pesquisados para a decisão do tratamento. Estudos identificaram dois polimorfismos únicos em nucleotídeos, no gene da IL-28B. O genótipo C/C no nucleotídeo rs12979860 e o genótipo T/T no nucleotídeo rs8099917 estão associados a maiores taxas de resposta virológica sustentada e de clareamento viral espontâneo após infecção aguda, no genótipo 1. Para os genótipos 2 e 3, já é esperada uma elevada taxa de sucesso terapêutico, portanto o estudo do polimorfismo da IL28B nestas circunstâncias apresenta valor limitado. O conhecimento do polimorfismo pode auxiliar na decisão de iniciar ou protelar o tratamento.

Exame destinado ao esclarecimento diagnóstico do diabetes autoimune. Encontra-se positivo em 80-90% dos pacientes diabéticos tipo 1 recém-diagnosticados. Sua prevalência em adultos o destaca em relação ao anti-insulina (IAA) e anti-IA-2, mostrando-se um exame importante para o diagnóstico do diabetes autoimune de início tardio (LADA). Os antí- genos-alvo das células ilhota são principalmente GAD e IA-2, contudo, em alguns casos, os anticorpos podem ser direcionados a antígenos que ainda não foram identificados. A principal vantagem é que o teste pode detectar autoanticorpos contra vários antígenos. As principais desvantagens são a necessidade de extratos antigênicos altamente específicos, além dos resultados serem apenas semiquantitativos e o exame ser mais trabalhoso.

A imunofenotipagem por citometria de fluxo é um exame complementar essencial para o diagnóstico, classificação, estadiamento e monitora- mento de pacientes com neoplasias hematológicas. Através da imunofenotipagem é possível identificar e quantificar tanto a população de células normais como a população com fenótipos aberrantes, ainda que esta população aberrante esteja presente em pequenas proporções.

Entre as indicações de utilização desta ferramenta diagnóstica, podemos citar: avaliação de linfocitoses de etiologia indeterminada; distinção das linhagens, mieloide ou linfoide, nos casos de leucemias agudas; identificação dos subtipos de leucemias linfoblásticas agudas; identificação das doenças linfoproliferativas crônicas; diagnóstico e acompanhamento de pacientes com imunodeficiências envolvendo células linfocitárias B ou T.

Trata-se de exame indispensável para o diagnóstico das gamopatias monoclonais (mieloma múltiplo, macroglobulinemia de Waldenström, amiloidose, gamopatia monoclonal de significado indeterminado, etc.) e esclerose múltipla. A avaliação diagnóstica das gamopatias monoclonais requer a realização de eletroforese de proteínas e imunofixação no sangue e na urina. Todos os picos/bandas monoclonais aparentes na eletroforese de proteínas no soro, urina ou líquor, devem ser caracterizados pela imuno- fixação. As imunoglobulinas monoclonais, também chamadas de proteínas monoclonais, paraproteínas ou proteínas M, derivam de um único clone de células plasmáticas que produzem um único tipo de imunoglobulina.

A imunoglobulina monoclonal aparece como uma banda/pico estreito na eletroforese. Entretanto, grandes concentrações de outros elementos como fibrinogênio, hemoglobina, proteína C-reativa, complemento e beta 2-mi- croglobulina, também podem ser aparentes na eletroforese como banda/ pico monoclonal. A imunofixação, que substituiu a técnica de imunoeletro- forese por ser mais sensível e rápida, combina as técnicas de eletroforese e imunoprecipitação. Após a separação das proteínas séricas por eletroforese, antisoros (contra IgA, IgG, IgM, cadeia leve kappa e lambda) são dispensados e incubados com as frações separadas. As proteínas não precipitadas são lavadas e o imunoprecipitado é a seguir corado. A presença de proteína M é caracterizada na imunofixação pela presença de uma banda bem definida associada com uma classe de cadeia pesada (IgM, IgG, ou IgA) e banda de mesma mobilidade que reage com cadeia kappa ou lambda. Este método tem grande aplicação na identificação de proteínas M presentes em pequenas quantidades, que são difíceis de detectar por outros métodos em sangue, urina e líquor.

Veja também Eletroforese de proteínas, Proteína de Bence Jones, Cadeias leves kappa e lambda.

Níveis elevados de IgA no líquor podem ocorrer em processos que cursam com disfunção da barreira hematoencefálica ou aumento da síntese local de imunoglobulinas. Resposta intratecal predominante de IgA ocorre na neurotuberculose e abcesso cerebral.

Exame indicado para a avaliação de imunodeficiência secundária à deficiência seletiva de IgA2 e na investigação de reações anafiláticas à transfusão.

Imunoglobulinas IgA, IgG, IgM, Sangue

A dosagem das imunoglobulinas é útil no estudo diagnóstico das gamopatias monoclonais, gamopatias policlonais, imunodeficiências congênitas e adquiridas. A deficiência seletiva de IgA é a imunodefici- ência primária mais comum. Níveis elevados de IgA são encontrados nas gamopatias monoclonais, doenças inflamatórias crônicas e na vigência de infecção. A IgG é a principal imunoglobulina (3/4 do total) podendo estar elevada no mieloma IgG, sarcoidose, doença hepática crônica, doenças autoimunes e infecções. A IgG pode estar diminuída na imunodeficiência adquirida, imunodeficiências congênitas, gestação, síndromes perdedoras de proteínas, macroglobulinemia de Waldenströn e nas gamopatias monoclonais não IgG. A IgM, primeira imunoglobulina a surgir na resposta imunológica, encontra-se elevada na macroglobulinemia de Waldenströn, doença hepática e infecções crônicas. A IgM pode estar reduzida na imunodeficiên- cia adquirida, imunodeficiências congênitas, gestação, síndromes perdedoras de proteínas e nas gamopatias monoclonais não IgM.

Imunoglobulina IgG, Subclasses - Sangue

A imunoglobulina G (IgG) é constituída de 4 subclasses: IgG1, IgG2, IgG3 e IgG4. Na regulação da resposta imunológica contra antígenos proteicos, os anticorpos produzidos são usualmente das subclasses IgG1 ou IgG3. Quando o estímulo antigênico é feito por polissa- cárides, incluindo cápsulas de bactérias, os anticorpos produzidos são principalmente da subclasse IgG2. Anormalidades nos níveis de subclasses de IgG têm sido relatadas, mais particularmente em pacientes com gamopatias monoclonais e imunodeficiências primárias e secundárias. Baixas concentrações, ou mesmo ausência de IgG2 e IgG3, estão associadas a infecções recorrentes das vias res- piratórias, causadas principalmente por pneumococos e hemófilos. Nos adultos, 70% das imunoglobulinas da classe IgG são IgG1; 20% IgG2; 6% IgG3 e 4% e IgG4. Deve-se ressaltar que o método utilizado para dosagem das subclasses de IgG é diferente do utilizado para deter- minação da IgG total, podendo haver diferenças entre o valor do último e a soma das subclasses.

Imunoglobulina IgG - Líquor

A dosagem de IgG no líquor é utilizada para avaliar o envolvimen- to do sistema nervoso central por infecções, neoplasias ou doença neurológica primária, em particular, a esclerose múltipla. Entretanto, níveis normais de IgG não excluem doença.

Obs: O teste imunológico no líquor deve ser realizado em paralelo com o soro, devido à possibilidade de contaminação do material durante a punção.

Imunoglobulina IgA - Saliva

A IgA á a principal imunoglobulina presente nas secreções dos tratos digestivo e respiratório. A dosagem de IgA na saliva é utilizada principal- mente na medicina esportiva. Existe relação entre exercício físico, níveis baixos de IgA salivar e infecção do trato respiratório superior. Eventual- mente, devido à facilidade da coleta, a dosagem de IgA na saliva pode ser utilizado na avaliação da imunodeficiência seletiva de IgA. Porém, não há intervalos de referência validados para a faixa pediátrica.

Imunoglobulina IgM no Liquor

Níveis elevados de IgM no líquor podem ocorrer em processos que cursam com disfunção da barreira hematoencefálica ou aumento da síntese local de imunoglobulinas. Resposta intratecal predominante de IgM ocorre na neuroborreliose de Lyme, meningoenncefalite por caxumba e linfoma não-Hodgkin.

Nenhum procedimento obteve tamanha importância em medicina diagnóstica, nas últimas décadas, como a Imunohistoquímica, já incluída na rotina diagnóstica de material citológico e histológico. Complementar aos exames da maioria das especialidades contempladas pelo Hermes Pardini, os exames de Imunohistoquímica possibilitam precisão cada vez maior e prescrição cada vez mais personalizada de tratamento para cada indivíduo. Por meio da reação antígeno-anticorpo no corte histológico, é possível detectar a presença de moléculas específicas.

Resultado da decomposição do triptofano intestinal, estando normalmente presente em traços na urina.

Sua absorção intestinal é maior na presença de dietas hiperproteicas e constipação intestinal. Seu nível está aumentado nas enterites, na obstrução intestinal, no íleo paralítico, nas neoplasias gastrointestinais, nas septicemias e gangrenas.

Teste útil para o diagnóstico do angioedema hereditário. Deve ser solicitado para pacientes com quadro clínico sugestivo e resultado normal do teste quantitativo do inibidor de C1 esterase.

As inibinas são hormônios proteicos secretados pelas células granulosas dos ovários e pelas células de Sertoli dos testículos. Elas seletivamente suprimem o FSH e exercem ações parácrinas nas gônadas.

Nas mulheres, a inibina A é primariamente sintetizada pelo folículo dominante e pelo corpo lúteo, e a inibina B pelos folículos em desenvolvimento. Seus níveis flutuam durante o ciclo menstrual. Na menopausa, com a depleção dos folículos ovarianos, suas concentrações diminuem a níveis muito baixos ou indetectáveis.

Os tumores de células granulosas dos ovários representam a maioria dos tumores do estroma ovariano, que perfazem 2% a 5% de todos os tumores ovarianos.

Elevações na inibina A e/ou inibina B são detectadas em algumas pacientes com tumores de células granulosas. Inibina A pode se elevar em até 70% destas pacientes, com incrementos de 6 a 7 vezes o intervalo de referência normal.

Inibina A também pode ser um marcador para os tumores epiteliais do tipo mucinoso, podendo estar elevada em até 20% dos casos.

As inibinas parecem ser marcadores complementares ao Ca125 no câncer de ovário, apresentando melhor performance que este nos tumores de células granulosas e mucinosos.

A maioria dos estudos com inibina A e B são realizados em mulheres pós-menopausa. A inibina A tem limitada utilidade em mulheres pré-me- nopausa, onde os níveis circulantes são mais altos e flutuam com o ciclo menstrual, dificultando sua interpretação.

Níveis normais de inibina A não excluem o diagnóstico de tumor ovariano de células granulosas ou mucinoso. Nestes casos, a dosagem de inibina B pode ser auxiliar, visto que uma elevada proporção destes tumores tem níveis elevados de inibina B.

Na monitorização de pacientes com conhecido tumor ovariano, os níveis de inibina A decaem rapidamente após a cirurgia. Elevações após o tratamento são sugestivas de doença residual, recidiva ou doença progressiva. Na recidiva, a elevação da inibina A parece ser mais precoce que os sintomas clínicos.

As inibinas são hormônios proteicos secretados pelas células granulosas dos ovários e pelas células de Sertoli dos testículos. Elas seletivamente suprimem o FSH e exercem ações parácrinas nas gônadas.

Nas mulheres, a inibina A é primariamente sintetizada pelo folículo dominante e pelo corpo lúteo, e a inibina B pelos folículos em desenvolvi- mento. Seus níveis flutuam durante o ciclo menstrual.

As concentrações de inibina A são baixas na fase folicular precoce e elevam-se na ovulação, com pico máximo em meados da fase lútea. Já a inibina B eleva-se no início da fase folicular com pico máximo em meados dessa fase. Seus níveis diminuem na fase folicular tardia. Há um pico de curta duração dois dias após o pico do LH no meio do ciclo e, após, seus níveis permanecem baixos na fase lútea do ciclo.

Na menopausa, com a depleção dos folículos ovarianos, suas concentra- ções diminuem a níveis muito baixos ou indetectáveis.

Elevações na inibina A e/ou inibina B são detectadas em algumas pacientes com tumores de células granulosas. Elevações de inibina B são encontradas em 89% a 100% dos pacientes com estes tumores, onde os níveis podem chegar a incrementos de 60 vezes em relação ao intervalo de referência normal.

Inibina B parece ser também um marcador útil nos tumores epiteliais do tipo mucinoso, os quais podem ter elevação de seus níveis em torno de 60% dos casos.

As inibinas parecem ser marcadores complementares ao Ca125 no câncer de ovário, apresentando melhor performance que este nos tumores de células granulosas e mucinosos.

A maioria dos estudos com inibina A e B são realizados em mulheres pós-menopausa. A inibina A tem limitada utilidade em mulheres pré-menopausa, onde os níveis circulantes são mais altos e flutuam com o ciclo menstrual, dificultando sua interpretação.

Níveis normais de inibina B não excluem o diagnóstico de tumor ovariano de células granulosas ou mucinoso. Nestes casos, a dosagem de inibina A pode ser auxiliar e complementar.

Na monitorização de pacientes com conhecido tumor ovariano, os níveis de inibina B decaem rapidamente após a cirurgia. Elevações após o tratamento são sugestivas de doença residual, recidiva ou doença progressiva. Na recidiva, a elevação da inibina A parece ser mais precoce que os sintomas clínicos.

O câncer colorretal (CCR) é a quinta causa de morte por câncer mais frequente no Brasil, sendo que 10 a 15% dos casos diagnosticados correspondem a CCR hereditário, principalmente sob a forma de câncer colorretal hereditário não-polipoide (HNPCC ou síndrome de Lynch). O HNPCC é caracterizado por câncer de cólon de herança autossômica dominante que ocorre durante a vida adulta, mas em idade relativa- mente jovem, e sem os pólipos adenomatosos. Apesar da penetrância incompleta, a detecção de mutação nos genes de reparo, indiretamente através da instabilidade de microssatélites, é fundamental para adoção de medida de prevenção e rastreio de neoplasias para os pacientes e familiares que tenham a mutação. O estudo é realizado comparando o perfil de microssatélites em DNA de tumores com o DNA extraído de tecido não tumoral. A pesquisa da instabilidade de microssatélites para pacientes com câncer colorretal serve como um teste de triagem para HNPCC, assim, sugere-se prosseguir com a análise molecular dos genes de reparo, como o gene MLH1 e MSH2.

Na célula beta-pancreática, o polipeptídeo, preproinsulina é metabolizado via um complexo mecanismo em três substâncias que são mensuráveis: proinsulina, insulina e peptídeo-C. Estes analitos são mais comumente mensurados na investigação das causas de hipoglicemia, como o insulinoma e seu diagnóstico diferencial.

A insulina promove a captação e o consumo da glicose circulante na corrente sanguínea e também participa da síntese de proteínas. O diabetes tipo 1 é causado pela deficiência de insulina consequente à destruição das células beta-pancreáticas. O diabetes tipo 2 é caracterizado por resistência à ação da insulina (resistência insulínica). Diversas formas de resistência à insulina, por diferentes mecanismos, vêm sendo descritas. A causa mais conhecida é a que acompanha a obesidade, que apresenta níveis de insulina elevados, com resposta exagerada após a sobrecarga glicídica. Nesses casos, ocorre elevação da insulinemia, frente a níveis normais ou elevados da glicemia.

Ainda não existe padronização quanto aos tipos de ensaios utilizados para a determinação da insulina podendo-se encontrar variabilidade nos resultados entre diferentes laboratórios.

Pacientes em terapia com insulina podem desenvolver anticorpos anti- -insulina que, por sua vez, podem interferir no sistema de análise, levando a resultados imprecisos. Os ensaios também podem apresentar reação cruzada com insulina recombinante humana, utilizada no tratamento do diabetes.

O aparecimento do diabetes mellitus tipo 1 é precedido e acompanhado pela presença de autoanticorpos para uma variedade de antígenos de células das ilhotas pancreáticas, incluindo a insulina. Em indivíduos gene- ticamente predispostos, mas livres de doença, como parentes de primeiro grau de pacientes com diabetes tipo 1, a detecção destes autoanticorpos é um forte preditor para um possível desenvolvimento de diabetes tipo 1. Uma vez que o diabetes tipo 1 manifesta-se, os níveis de anticorpos anti-insulina geralmente caem. No entanto, após início do tratamento com insulina, sua produção pode reaparecer.

A produção de anticorpos anti-insulina é mais comum durante a terapêutica do diabetes mellitus quando é usada a insulina de origem animal (suína ou bovina). O uso difundido da insulina humana tem levado a redução destes anticorpos.

A maioria dos anticorpos anti-insulina são IgG, mas IgA, IgM, IgD e IgE têm sido reportados. Geralmente são anticorpos de baixa afinidade e não causam problemas clínicos. Entretanto, resistência insulínica mediada por tais anticorpos, embora raramente, é observada nos pacientes tratados com insulina. Nestes casos, maiores doses de insulina podem ser necessárias.

Anticorpos anti-insulina podem ser encontrados em indivíduos não diabéticos com queixas de hipoglicemia. Neste cenário, a sua presença pode ser um indicador de “hipoglicemia factícia”, devido à administração de insulina. Por outro lado, autoanticorpos anti-insulina podem, ocasionalmente, desenvolver-se em indivíduos não diabéticos sem exposição a insulina exógena e podem ser uma causa de hipoglicemia episódica. A presença de tais anticorpos pode ocasionar interferência nos ensaios para insulina.

Os anticorpos anti-receptor da insulina são insulinomiméticos in vitro, embora eles geralmente atuem como inibidores/antagonistas da ligação da insulina aos receptores in vivo, sendo responsáveis por alguns tipos de diabetes relacionados à intensa resistência à insulina. Porém, em alguns casos, eles podem ter ação agonista da insulina, podendo ser responsáveis por quadros de hipoglicemia de jejum recorrente.

Níveis elevados de interleucina 6 são encontrados na vigência de processos inflamatórios sistêmicos, como nas infecções bacterianas e doenças do tecido conjuntivo.

O estudo de intolerância alimentar é uma prova laboratorial que permite medir os níveis de Imunoglobina G, específica, frente a vários alimentos diferentes. Em caso de alergia aos alimentos não existe nenhuma relação entre os de Imunoglobina IgE e IgE específica.

As alergias alimentares são reações clássicas mediadas por Imunoglobulinas E (IgE), as quais são conhecidas há tempos. No entanto, as chamadas intolerâncias alimentares, mediadas por Imunoglobulinas G (IgG) são menos conhecidas, apresentam uma manifestação mais tardia e menos evidentes que as alergias IgE, não sendo diagnosticadas ou sendo confundidas com outras patologias.

Está demostrado cientificamente que existe uma melhora notável em uma alta porcentagem de pessoas quando há a retirada de alimentos, os quais apresentam níveis de IgG específica acima da normalidade.

O iodo é um elemento essencial para a produção dos hormônios tiroidianos. A avaliação do iodo urinário é um índice da adequada ingestão de iodo.

Em situações nas quais é necessária a utilização de iodo radioativo para diagnóstico ou tratamento de doenças tiroidianas, a dosagem do iodo em urina de 24 horas é utilizada para a avaliação da quantidade de iodo no organismo.

A administração de contrastes iodados e drogas contendo iodo, como a amiodarona por exemplo, irá elevar os resultados do iodo urinário.

A Isospora belli é uma espécie que infecta humanos por meio da ingestão de oocistos esporulados junto com a água e alimentos. Esporozoítos liberados dos oocistos invadem o intestino delgado. As infecções são normalmente autolimitadas, sendo de maior gravidade em crianças e portadores de imunodeficiência, acarretando em diarreias aquosas crônicas.

A associação de mutação no gene Janus Kinase 2 (JAK2) com doenças mieloproliferativas engloba a policitemia vera, trombocitopenia essencial e a mielofibrose crônica. A troca de um nucleotídeo guanina por uma timina no éxon 12 do gene JAK2, gerando a substituição de uma valina por uma fenilalanina no códon 617 (V617F), representa uma mutação que pode ser adquirida e está presente na linhagem mieloide de indivíduos com doenças mieloproliferativas, exceto na leucemia mieloide crônica. A mutação V617F está presente em, pelo menos, 66% dos casos de policitemia vera, 23% dos casos de trombocitopenia essencial e 35% dos casos de mielofibrose crônica.

O teste é útil para o diagnóstico da Leucoencefalopatia Multifocal Progressiva, demência causada pelo vírus JC e associada a imunossupressão grave.

Estes anticorpos são direcionados contra a enzima histidil-tRNA sintetase e estão presentes em 15-20% dos pacientes com polimiosite e dermatomiosite, sendo considerado um marcador específico da doença. Sua presença está associada com a síndrome antissintetase, caracterizada por doença intersticial pulmonar, poliartrite, miosite, fenômeno de Raynaud, mãos de mecânico e febre. Alguns estudos sugerem que os títulos de anti-Jo1 podem variar de acordo com a atividade da miosite. Entretanto, esse anticorpo não deve ser utilizado no acompanhamento da atividade da doença.

As moléculas de imunoglobulinas normais são constituídas de duas cadeias pesadas idênticas (?,?,?,?,?), que definem a classes da imunoglobulina, e duas cadeias leves idênticas: kappa (?) ou lambda (?). Cadeia levemonoclonal isolada pode ser a única proteína monoclonal detectada em algumas gamopatias, como mieloma de cadeias leves, amiloidose primária e doença de deposição de cadeias leves. Atualmente, não se recomenda a dosagem de cadeias leves totais na avaliação das gamopatias monoclonais e sim das cadeias leves livres.

Veja também Cadeia leve lambda.

As moléculas de imunoglobulinas normais são constituídas de duas cadeias pesadas idênticas (?,?,?,?,?), que definem a classes da imunoglobulina, e duas cadeias leves idênticas: kappa (?) ou lambda (?). Cadeia leve monoclonal isolada pode ser a única proteína monoclonal detectada em algumas gamopatias monoclonais. Portanto, diferentes doenças requerem diferentes abordagens diagnósticas. A maioria dos pacientes com mieloma múltiplo (MM), por exemplo, produzem uma quantidade suficiente de proteína monoclonal (proteína M) capaz de ser detectada pela eletroforese (EP) e imunofixação sérica (IFE). Por outro lado, a maioria dos pacientes com amiloidose e 15% dos pacientes com MM produzem somente cadeias leves monoclonais. Devido à pequena quantidade produzida, as cadeias leves geralmente não são detectáveis pela eletroforese e imunofixação no soro, necessitando da realização de estudos em urina de 24 horas para a sua identificação. Pacientes com mieloma oligosecretor e não secretor não produzem quantidades suficientes de proteína M detectável pela EP e IFE.

No início dos anos 2000, foi desenvolvido um teste para a dosagem das cadeias leves livres das imunoglobulinas (Freelite). O Freelite é um reagente comercial constituído por anticorpos policlonais ligados a partículas de látex, os quais são dirigidos contra os epítopos das cadeias leves que estão ocultos quando as mesmas estão ligadas às cadeias pesadas das imunoglobulinas e disponíveis somente quando as mesmas se encontram livres no soro.

As concentrações das cadeias leves livres (CLL) são reguladas por um balanço entre a produção pelas células plasmáticas e a excreção renal. Sob condições normais, as CLL produzidas são rapidamente excretadas pelos glomérulos e metabolizadas pelos túbulos proximais renais, o que resulta em quantidades insignificantes de CLL na urina. Concentrações anormais das cadeias leves kappa (?) e lambda (?) podem resultar de várias situações clínicas como imunossupressão, imunoestimulação, diminuição do ritmo de filtração glomerular ou doenças proliferativas monoclonais das células plasmáticas. Pacientes com hipergamaglobulinemia policlonal ou insuficiência renal frequentemente apresentam aumento das concen- trações séricas de ? e ?, devido ao aumento de produção ou diminuição da excreção renal. Entretanto, a razão ?/? (r ?/?) permanece normal nessas situações. Uma razão ?/? significativamente anormal indica a presença de uma doença plasmoproliferativa ou linfoproliferativa, em que a produção em excesso de somente uma cadeia leve livre pelo clone neoplásico produz um desequilíbrio na síntese normal de ? e ?, resultando em uma razão anormalmente baixa (excesso de ?) ou alta (excesso de ?).

Como não há um único teste laboratorial sensível o suficiente para a detecção de todas as gamopatias monoclonais, a sua abordagem diagnóstica tradicionalmente se baseia em uma combinação de testes. Os estudos mostram que com a introdução do Freelite houve um aumento da sensibilidade na detecção das gamopatias monoclonais, especialmente as que cursam exclusivamente com a presença de cadeias leves monoclonais. Diferentes abordagens diagnósticas podem ser utilizadas para cada uma das gamopatias monoclonais. A realização simultânea da EP sérica e do Freelite constitui uma triagem diagnóstica inicial simples e eficiente para pacientes com MM, macroglobulinemia de Waldeström e MM indolente.

A IFE sérica e os testes urinários seriam utilizados de forma mais seletiva, a depender da hipótese.

A maioria destas mutações do gene KRAS ocorre nos códons 12 e 13 do éxon 2, mas ocasionalmente nos exons 3 e 4. Portanto, o estudo genético da mutação para definição de tratamento quimioterápico pode ser ampliado ao incluir estudo dos exons 3 e 4.

A presença de mutação de ganho de função em K-RAS em células tumorais, resultando em ativação constitutiva da via molecular RAS-RAF-ERK é capaz de predizer resistência a agentes terapêuticos anti-EGFR no câncer colorretal metastático. A maioria destas mutações ocorrem nos códons 12 e 13 do éxon 2 ou, ocasionalmente, no éxon 3 deste gene. Tumores sem mutação detectada (K-RAS do tipo selvagem) teriam indicação de tratamento com anticorpos monoclonais.

O gene KRAS, faz parte do grupo de genes RAS, que codifica uma proteína ligante ao grupo GDP/GTP que age como fator transdutor de sinal intracelular. No tecido humano esse grupo de proteínas tem função relacionada à sinalização para as células proliferarem, diferenciarem, envelhecerem. A mutação desse gene está associada a muitos tipos de câncer.

O KARS é conhecido por ser um dos oncogenes mais ativados nos tumores malignos humanos; pâncreas, colorretal, gástrico, leucemia, pulmão. Mutações germinativas do gene estão associadas também a síndromes genéticas bem conhecidas como Síndrome de Noonan, Cardio-Facio-Cutâneo e Costello.

Vários estudos envolvendo quimioterápicos mostraram que o status do gene KRAS é um fator preditivo para resposta quimioterápica ao anti-EGFR (receptor do fator de crescimento epitelial), bem como a presença de mutação nesse gene está associada à resistência do tumor à quimioterapia. Portanto, na prática oncológica o exame pode ter grande valor para indicação de determinados medicamentos para pacientes que apresentam, ou não, a mutação no gene. A maioria destas mutações ocorrem nos códons 12 e 13 do éxon 2, mas ocasionalmente no éxon 3. As mutações de KRAS são identificadas em 15% a 30% de adenocarcinomas de pulmão e em 30% a 40% dos adenocarcinomas colorretais. A detecção de mutações de KRAS em pacientes com adenocarcinomas de pulmão e colorretal fornece uma ferramenta para seleção de pacientes com alta probabilidade de responder às drogas anti-EGFR. Em Julho de 2009, a FDA aprovou o teste de KRAS prévio ao tratamento com cetuximab e panitumumab em pacientes com adenocarcinoma colorretal.

A desidrogenase lática (LDH) é uma enzima citoplasmática envolvida na via glicolítica e liberada quando há lesão celular. LDH é uma enzima tetramérica composta por subunidades H e M. Suas isoenzimas são: LD1 (H4), LD2 (H3M1), LD3 (H2M2), LD4 (HM3) e LD5 (M4). A especificidade das isoenzimas se deve à síntese tecido-específica das subunidades em proporções bem definidas. As células musculares cardíacas, por exemplo, sintetizam preferencialmente subunidades H, enquanto os hepatócitos sintetizam quase exclusi- vamente subunidades M, assim como as células musculares esqueléticas.

A pesquisa de lactoferrina nas fezes é útil para a avaliação das doenças inflamatórios do intestino. Pode auxiliar no diagnóstico diferencial entre diarreia inflamatórias e não inflamatória, e entre a síndrome do intestino irritável e doença inflamatória intestinal.

A intolerância à lactose ou hipolactasia é uma condição autossômica recessiva caracterizada por distúrbios gastrointestinais após ingestão de leite ou fórmulas que contenham lactose, devido à deficiência da hidroxilase florizina-lactase nas células intestinais. Uma minoria dos indivíduos é beneficiada com altos níveis de lactase na vida adulta, condição autossômica dominante que não acarreta nenhuma desordem gastrointestinal. Variantes genéticas têm sido associadas a essas condições de persistência e não persistência de lactase, como no caso das variantes -13910 C/T – rs4988235 e a variante -22018 A/G – rs182549, localizadas no gene LCT. Foi identificada uma forte associação entre o fenótipo de lactase não persistência e homozigose para a variante C na mutação -13910 C/T e à homozigose para a variante G na mutação -22018 A/G.

As moléculas de imunoglobulinas normais são constituídas de uas cadeias pesadas idênticas (?,?,?,?,?), que definem a classes da imunoglobulina, e duas cadeias leves idênticas: kappa (?) ou lambda (?). Cadeia leve monoclonal isolada pode ser a única proteína monoclonal detectada em algumas gamopatias, como mieloma de cadeias leves, amiloidose primária e doença de deposição de cadeias leves. Atualmente, não se recomenda a dosagem de cadeias leves totais na avaliação das gamopatias monoclonais e sim das cadeias leves livres.

Veja também Cadeia leve kappa.

A lamotrigina é um anticonvulsivante complementar no tratamento de crises convulsivas tônico-clônicas e parciais complexas. Indicada no tratamento de transtorno bipolar e dor pós-operatória.

Estudos in vitro sugerem que a lamotrigina inibe os canais de sódio sensíveis à diferença de potencial, estabilizando as membranas neuronais e, consequentemente, modulando a transmissão pré- sináptica, por diminuir a liberação de aminoácidos excitatórios, especialmente o glutamato, que desempenha um papel fundamental no desencadeamento de crises epilépticas.

Sua dosagem é útil para a monitorização dos níveis terapêuticos e tóxicos. Apresenta pico sérico 5 horas após sua absorção, com meia-vida de 23 a 72 horas (menor em crianças). Cerca de 55% da droga está ligada às proteínas plasmáticas. O ácido valproico inibe o metabolismo desta droga, podendo causar níveis elevados. Drogas que induzem o sistema microssomal podem diminuir seus níveis (ex: carbamazepina, fenobarbital). Quadro de hipersensibilidade cutânea pode ocorrer independentemente do nível sérico.

As modificações oxidativas na LDL têm se tornado importante alvo de monitoramento, sobretudo no processo aterosclerótico. A LDL oxidada é citotóxica e causa disfunção endotelial vascular, alterando os mecanismos vasodilatadores e anticoagulantes. Estas observações sugerem que a detecção destas partículas, assim como de seus auto- anticorpos, possa representar um importante marcador bioquímico associado ao processo oxidativo in vivo. Os níveis de autoanticorpos fornecem uma evidência indireta da importância da LDL oxidada na doença cardiovascular, estando relacionados à progressão da ateroscle- rose. Como o monitoramento da LDL oxidada exige métodos mais dis- pendiosos e menos automatizados, sua aplicação ainda é relativamente limitada aos estudos experimentais.

Legionella pneumophila é agente etiológico de pneumonia, sendo responsável por 33% destas em transplantados renais e 8,5% em infecções comunitárias. A sorologia pode auxiliar no diagnóstico quando são obtidas duas amostras: a primeira na fase aguda; a segunda após 15 dias, na convalescença. O aumento dos títulos em quatro vezes é indicativo desta infecção. Apenas 25% a 40% dos pacientes têm títulos de anticorpos elevados na primeira semana da doença. A melhor sensibilidade é obtida com a determinação dos anticorpos totais, alcançando sensibilidade de 50% e especificidade de 95%. Reações falso-positivas podem ser causadas por micobactérias, bactérias gram-negativas, Pseudomonas, Haemophilus, Bordetela, Chlamydia e Rickettsiose. A pesquisa do antígeno urinário e a PCR para Legionella permitem diagnóstico mais rápido que a sorologia.

Este teste baseia-se na detecção de um antígeno lipopolissacarídeo da L. pneumophila sorogrupo 1 na urina. O sorogrupo 1 é o mais encontrado, sendo responsável por cerca de 70% a 80% das infecções causadas pela Legionella. O antígeno urinário é detectado em 3 dias e pode persistir por 10 a 60 dias após o início dos sintomas, não sendo afetado pelo uso prévio de antibióticos. Para infecções causadas pelo sorotipo 1, este teste apresenta sensibilidade de 83% a 99,5% e especificidade de 95% a 99,5%. Na avaliação da possibilidade de reações cruzadas entre legionelas, foi descrito que o antígeno urinário é positivo em 40% dos casos de infecção por outros sorotipos e espécies de Legionella. Desta forma, embora não detecte todos os sorotipos e espécies de Legionella, a grande aplicabilidade deste método advém da sua fácil coleta e da sua rapidez. Na presença de resultados negativos do antígeno urinário e suspeita clínica de legionelose, a PCR pode ser utilizada para confirmação diagnóstica.

A sorologia para leishmaniose é útil na forma visceral (calazar). Apresenta sensibilidade para forma visceral superior a 90%, entretanto, com a possibilidade de reatividade cruzada com tripanossomíase, malária, filariose, esquistossomose e hanseníase. Pacientes imunodeprimidos com leishmaniose visceral podem apresentar teste negativo. Na forma cutânea da doença, a sensibilidade da sorologia é baixa. A confirmação diagnóstica requer a detecção da Leishmania em algum sítio.

A pesquisa direta do parasita nas lesões é mais usada para o diagnóstico da leishmaniose tegumentar. De modo geral, as formas amastigotas são mais abundantes na fase inicial da doença, tornando-se raras em lesões antigas (resultados falso-negativos). Exame deve ser realizado antes do início do tratamento, pois parasitas desaparecem logo após instituição da terapêutica antimonial. A pesquisa direta apresenta sensibilidade de 80% nos casos de leishmaniose tegumentar.

É uma proteína sérica de 16kDa relacionada à obesidade e descoberta em 1994. Em humanos, é produzida no tecido adiposo. Parece ser uma molécula semelhante à citocina que produz seus efeitos interagindo com receptores no SNC e tecidos periféricos. O aumento de seus níveis suprime o apetite e aumenta a termogênese.

As concentrações de leptina no tecido adiposo e no plasma são propor- cionais à quantidade de energia estocada como gordura e indivíduos obesos têm maior nível de leptina. Suas concentrações são dependentes do balanço energético, portanto jejum resulta em um decréscimo na leptina, enquanto a superalimentação a eleva.

A leptina apresenta-se mais elevada nas mulheres, aumenta em resposta aos glicocorticoides, infecção aguda, citocinas. Por outro lado, exposição ao frio, agonistas beta-adrenérgicos, GH, hormônio tireoidiano, fumo e tiazolidinedionas têm sido associados à queda na leptina.

Mutações no gene da leptina, com consequente deficiência, conduzem a quadros raros de obesidade extrema. Concentrações baixas podem ser encontradas em pacientes lipoatróficos.

Leptospirose é uma doença febril aguda causada primariamente pela Leptospira interrogans. Anticorpos podem ser detectados a partir do 6º ao 10º dia e geralmente atingem níveis máximos após 3 a 4 semanas. São descritos sensibilidade de 89% a 94% e especificidade de 97% a 100% para este método. Os níveis de anticorpos reduzem-se gradualmente, mas podem permanecer detectáveis durante anos. A pesquisa de anticorpos IgM por imunoensaio enzimático é uma alternativa rápida para o diagnóstico, entretanto, não substitui a soroaglutinação microscópica que é o método de escolha.

A Leptospirose é uma doença generalizada, febril, causada por espiroquetas do gênero Leptospira, podendo acometer o homem e animais. As leptospiras são classificadas em sorotipos com base em suas características antigênicas e podem ser cultivadas, geralmente, na primeira semana e final da segunda semana de doença, quando utiliza-se sangue e líquor para o isolamento.

Na urina, as leptospiras são preferencialmente isoladas a partir da segunda semana de doença, podendo a cultura persistir positiva por várias semanas após a convalescença. A contaminação da urina com outras bactérias pode impedir a identificação das leptospiras. Deve ser realizada em paralelo com a soroaglutinação microscópica.

Não é um método indicado de rotina. A identificação de leptospiras em microscopia de campo escuro nas amostras de sangue, urina e líquor é método que apresenta baixa sensibilidade. Deve-se ser realizada em paralelo com a soroaglutinação microscópica.

A reação de soroaglutinação microscópica é o método mais sensível e específico para o diagnóstico da leptospirose, sendo o método de escolha, recomendado pela Organização Mundial da Saúde. Utiliza antígenos vivos de cepas representativas de cada sorotipo. As aglutininas surgem na primeira ou segunda semana de doença com pico na terceira ou quarta semanas. O teste é considerado positivo na maior diluição que aglutinar 50% ou mais das leptospiras visualizadas por meio de microscopia de campo escuro.

Valores aumentados de leucócitos (leucospermia) são encontrados em processos infecciosos e inflamatórios do trato genital, embora sua presença não seja específica e sensível. Afecções prostáticas podem não produzir leucospermia.

Como infecções do trato genital podem contribuir para infertilidade, em caso de leucospermia, deve ser realizada investigação microbiológica. Os marcadores espermáticos podem ser úteis para identificar o local afetado. Exemplos: frutose (vesícula seminal) e ácido cítrico ou zinco (próstata).

Enzima sintetizada principalmente pelas células acinares pancreáticas.

Indicada para o diagnóstico de pancreatite aguda e crônica, em associação com a amilase. É especialmente útil no diagnóstico tardio devido ao retorno mais precoce dos níveis séricos da amilase ao normal. A lipase permanece elevada por vários dias.

Pode estar aumentada em caso de doença renal crônica, cirrose biliar primária e após hemodiálise.

Elevações da lipase com amilase normal podem ocorrer nas colecistites agudas, nas hipertrigliceridemias e na presença de tumores malignos.

Drogas que causam espasmos do esfíncter de Oddi (ex. codeína, meperidina e morfina) podem elevar esta enzima.

Pacientes sem pancreatite e com outras doenças gastrintestinais podem apresentar amilase elevada e lipase normal. Exemplos: úlcera gástrica, doença inflamatória intestinal e obstrução intestinal.

Elevações mais significativas são aquelas acima de três vezes o limite superior de referência. Mas pequenos aumentos podem significar pancreatite grave.

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